Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quinta-feira, 30 de abril de 2015

Palavras Esparsas / Crônica do Cotidiano

Palavras Esparsas / Crônica do Cotidiano

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Restaram do dia de ontem palavras esparsas. Vivemos um cenário de guerra, muita fumaça de bomba, muita gritaria e de tudo um pouco. Curitiba é a minha cidade natal.

Hoje, enquanto saio para a rotina, observo as conversas espaçadas. As pessoas começam um assunto e interrompem como que se perguntando se aquilo foi real.

De uma conversa sobre o seguro obrigatório para veículos automotores que vence hoje, o homem para, olha para o funcionário e pergunta se ele assistiu o jornal na televisão ontem à noite.

_Aquilo... Eu não sei o que dizer.

No supermercado os garotos, meio agitados, comentavam que viram um ferido de bala de borracha. Contavam que dói e queima o tal do tiro levado no braço por não sei quem.

Na rua alguém comentava que jamais sequer cogitou ver a prefeitura da cidade transformada num ambulatório de primeiros socorros para os feridos da batalha campal.

Moças histéricas rindo até chorar foram vistas em alguma praça do centro da cidade. Um e outro tipo (mulher também) esquisito se regozija com o que aconteceu num prazer abjeto.

Os mais sensatos estão sérios e pensativos.

Não há crônica possível num dia como o de hoje, 30 de abril de 2015.

As perguntas seguintes rondam todos os lugares: O que? Como? Guerra no centro da cidade? Aconteceu mesmo?

Deixo uma crônica para outro dia. Não tenho palavras também.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Papel-Poema

Papel-Poema

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Todo papel poema

Faz-se embarcação

N’alma do seu tema.

 

Todo papel poema

Faz-se inspiração,

Texto etéreo em gema.

 

Todo papel poema

 

Sopra uma oração.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Sons

Sons

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Esses sons, pra que esses sons,

Opacos e contrastantes;

Surdos sons que não são bons.

 

Quando são sons de bombons

Crocantes os sons sonantes,

Pianos dentro dos seus tons.

 

Queira-se somente os sons

 

Harmônicos e constantes.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Insônia

Insônia

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A verdade é crua

Se mal festejada;

Dia de muita chuva,

Sombrinha contada.

 

A inspiração muda

Numa batucada

É o surdo que sua

Pressentindo o nada.

 

O barulho é rua

Descongestionada,

Madrugada inclusa,

Insone, acordada.

domingo, 26 de abril de 2015

Tudo é Possível

Tudo é Possível

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O conceito estampado numa tela enorme de uma televisão supernova e à venda permite refletir.

A quantidade de possibilidades que se recebe dia a dia é imensurável, principalmente quando se está em silêncio num domingo, pensando na rotina que se segue.

Assisto filmes e leio notícias. Preciso saber do que se passa.

E, como tudo é possível, é preciso lidar com essa gama de possibilidades com lucidez.

Não existe lugar que permaneça em ordem sem lucidez de caráter.

E o que é a lucidez de caráter? Talvez seja manter o caráter lúcido, sem bebidas, sem preconceitos, mas mantendo-se dentro daquilo que se é.

Cada um pode ser o que bem entender, em tese, mas a partir desse ser o que se é e manter-se dentro desse contexto.

Dizem que contexto de existência é conceito de classe média. Pois bem, que seja contexto de classe média. É a classe média quem sustenta as boas maneiras da educação, mesmo quando sem dinheiro.

Vivemos numa sociedade inundada de informações. O que é que custa valorizar as informações vindas do berço?

Com otimismo e perseverança o impossível acontece para cada um. Mas quem acredita no impossível, quando tudo é possível?

Outro dia sentei-me ao lado de uma senhora que aconselhava a outra sobre como bem viajar contando que o seu chefe a tinha mandado fazer contratos na Tchecoslováquia. Contava do hotel do leste europeu com exatidão, dos documentos necessários para não ficar em débito com a empresa e da vontade de voltar para o Brasil.

Acreditem-me, as pessoas viajam para todos os lugares do planeta. É possível.

O impossível agora é poder se sentar num banco de praça, abrir uma revista e aproveitar a brisa sem se aborrecer porque tudo é possível para quem se arrisca a se distrair num banco de praça.

A propaganda está correta, pois tudo é possível dentro da ficção televisiva.

Mas, na vida real, o impossível é muito prazeroso de se vivenciar quando conseguido através da persistência, não da vontade, mas do sonho que insistiu em se guardar.

Conheço quem tenha tido na infância um jipe de plástico e, hoje, aproveita o jipe veículo automotor. O sonho vencendo o sonhador é mais bonito de que o tudo que é possível porque é o improvável, possivelmente o impossível.

Uma conhecida passou as férias na Bósnia simplesmente porque era possível. Voltou contando do que viu, mas não sei se o passeio fez bem a ela.

A humanidade vive um problema existencial, pois onde tudo é possível o impossível é deixado de lado.

Mas o impossível é bom porque extrapola o possível e abrange a esfera dos sonhos fieis ao sonhador e/ou sonhadora.

Está na hora de se reconhecer que o impossível existe, é surpreendente e maravilha, trazendo de volta a sensação de que nem tudo está limitado às possibilidades e que é possível continuar sonhando.

Tem dias que a praticidade das coisas me cansa.

sábado, 25 de abril de 2015

Folhear

Folhear
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O meio, o medo e o anseio,
É nada o vagar,
Num sonho é recreio
De um livro a folhear.

Verseja em meneio,
Conluie ao despertar;
É som de rio cheio
Que acorda o pensar.

É sim, desbloqueio,
Que leva até o mar
Descendo em volteio
Num barco a anotar.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Edson Prado e a Nova Reportagem

Edson Prado e a Nova Reportagem

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Depois de algum tempo fora do blog, Edson prado apareceu aqui com uma matéria bombástica.

Eu disse a ele que matérias bombásticas não entram no blog, mas ele disse que depois do Snowman, o espião que burlou tudo e mais um pouco, ele conseguiu uma entrevista com a Garota de Tanga, brasileira, provavelmente estressada com tantas bobagens a que o seu serviço de espionagem a obriga.

Eu espero que ele não crie problemas para o blog, mas vamos transcrever a entrevista.

Repórter Edson Prado: O que a leva a conceder essa entrevista?

Garota de Tanga: Estou me sentindo ausente de mim mesma para cuidar da vida dos outros.

Repórter Edson Prado: A senhora pode explicitar melhor sobre o que a faz se sentir ausente de si mesma?

Garota de Tanga: Posso. Quando eu me aproximo de alguém é por segundas intenções. Antes de me aproximar eu tenho todos os dados sobre essa pessoa. Perdi todas as minhas emoções com relação aos outros e tenho apenas interesses em dados.

Repórter Edson Prado: Que tipo de dados a senhora colhe antes de se aproximar de uma pessoa?

Garota de Tanga: Eu colho todos os dados possíveis, tais como a marca da pasta de dentes e o sabonete preferido, a cor do batom da irmã e o dia em que o irmão ou o pai da pessoa lavam o carro. Sei se gostam de animais domésticos e o perfil das pessoas que lá trabalham como encanador, eletricista, dentista etc.

Repórter Edson Prado: A senhora não teme dizer, ou seja, contar os seus métodos de coleta de dados, sendo que podem ser usados contra a senhora?

Garota de Tanga: Eu não temo nada. Eu postei numa rede social o perfume preferido de uma falecida senhora com uma charge abaixo da marca. A pessoa em questão deve saber que é vítima e que o meu material é farto para que eu a possa dominar.

Repórter Edson Prado: Depois de dominar, quais os próximos passos?

Garota de Tanga: Depende das circunstâncias, possivelmente, alguma informação ou documento que eu precise.

Repórter Edson Prado: Senhora, mas isso é chantagem. A senhora concorda com meios pouco idôneos para conseguir os seus objetivos?

Garota de Tanga: Eu uso os meios que precisar.

Repórter Edson prado: A senhora, que é tão segura nas suas atividades, por que motivo me conta os detalhes das suas ações?

Garota de Tanga: Porque eu fui descoberta em todos os meus passos. Enquanto conto, penso numa maneira de destruir a quem não aceita as minhas ordens.

Repórter Edson prado: Existe gente que não aceita o seu domínio mesmo sabendo que a senhora possui todos os dados sobre essa pessoa?

Garota de Tanga: É o que eu acabei de descobrir. Tem gente que não aceita chantagem, pressão e, pior, avisa sobre o que eu faço.

Repórter Edson Prado: Se a senhora é uma pessoa fria conforme afirma, a entrevista deve ter uma segunda intenção. Qual é essa segunda intenção? A senhora diria para mim?

Garota de Tanga: Bom, eu tenho os meus contatos e eles estão lendo a entrevista. Nada mais digo.

Repórter Edson Prado: Grato pela entrevista.

Como leitora, eu estou assustada com a matéria, mas o Edson Prado é repórter, trouxe uma matéria pesada e cumpre-se o compromisso com o leitor.

Sinceramente, o blog dispensaria esse texto abjeto e triste. Muito triste.