Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Luz de Oração

Luz de Oração

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Nossas conversas,

Que de dispersas,

Nada tiveram.

Assim, nos reiteram.

 

São olhares persas

Presente em terças,

Que as proliferam.

O que fizeram?

 

Contas inversas

E vou até o Texas.

Mas, nos conservam,

E, até deliberam.

 

Dizem que versas;

Não desconversas.

Porque acenderam

Luzes e leram.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Índio Velho

Índio Velho

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Se for para não gostar,

Não faça, não crie, não vá,

Porque o que há é se levar

Ao jeito Tupinambá.

 

Que mora ao peito um pulsar

D’um índio Tibiriçá,

Que deixa se apaixonar,

Levando ao ombro um puçá.

 

Ouvindo o chão compassar,

Cantando o tico e o fubá,

Seguindo o som nesse andar;

Romântica tenda é Vivá.

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

A Treinadora

A Treinadora

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São muitos os técnicos e muitos os treinamentos. Certo está o caboclo que diz que treino não ganha jogo.

_Por que a gente se afasta para bater o saque no vôlei?

_Para bater na bola.

Tem gente que se afasta para bater e não ganha o jogo.

_Como é que se ensina uma criança a nadar?

_Jogando a criança na água sem que ela espere.

Tem gente até hoje com medo de chuva.

_Como é que se aprende a dançar balé?

_Fazendo calo na ponta dos dedos dos pés.

Muitas meninas conseguem os calos e não conseguem o palco.

_Como é que se faz para deixar o colega que joga futebol no banco de reserva?

_Trata-se o jogador bem, depois o time levanta e derruba o banco onde o jogador está sentado para que ele se machuque e não possa jogar.

O jogador parte para o time adversário e acaba por fazer o gol da vitória contra o time que o derrubou.

_Como é que se faz para jogar basquete?

_Nascer com dois metros de altura.

Há bom time de basquete formado por baixinhos? Essa é uma dúvida.

_Como é que se faz novela?

_Será que teremos que requisitar alguma rede de televisão para o nosso nome?

Aí eu perguntei:

_Novela é esporte?

Sem treino ou jogo só pode ser novela.

terça-feira, 4 de novembro de 2014

Poema Humano

Poema Humano

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Canto o poema urbano,

De olhos contemplados;

Vias de mano a mano.

 

Descongestionados

Passos de cigano

Dobram quina em pano.

 

Feito do que é humano,

 

Sonhos reinventados.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Conceito de Vida e Fotografia / Crônica do Cotidiano

Conceito de Vida e Fotografia / Crônica do Cotidiano

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Aconteceu no sábado. As ruas lotadas com a população se preparando para o Dia de Finados.

Estava quente, por volta de trinta graus centígrados. A moça, atleta, subia a ladeira correndo. Trajava bermuda e, pasmem todos com a meia-calça grossa, daquelas de inverno, além da meia soquete e os tênis. A camiseta de mangas compridas completava o conjunto.

O celular estava em minhas mãos e a fotografia era possível.

A imagem, se fotografada, seria a de uma jovem de boa aparência praticando autoflagelação. Conceito meu.

Comentei com quem estava ao meu lado da possibilidade da fotografia e do mau exemplo da moça para quem visitasse o blog.

A moça corria sozinha, ladeira acima, na faixa para ônibus. Estava próxima à calçada, portanto, não corria risco se algum ônibus viesse. Detalhe: a via era de mão única e os ônibus que por ali passam, descem a ladeira.

Não tirei fotografia.

Quem estava ao meu lado perguntou-se se aquela atitude significava esforço para emagrecer ou esforço para sofrer.

Viemos embora sem tirar fotografia.

domingo, 2 de novembro de 2014

Pensamento









A homenagem ao Dia de Finados...



Pensamento

Penso à noite.
E, ao luar,
O cantar.

Dia é pernoite
A clarear;
Conjugar...

Abiscoite 

Esse pensar.






sábado, 1 de novembro de 2014

Não Tão Simples / Crônica do Cotidiano

Não Tão Simples / Crônica do Cotidiano

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Fomos à lanchonete. Eu pedi um hambúrguer de frango e a minha amiga um hambúrguer com queijo e carne.

Chegaram os hambúrgueres. Um com queijo e outro sem queijo. Peguei mo que estava sem queijo e, a minha amiga, o que estava com queijo.

Após a primeira dentada, verifiquei que o meu hambúrguer era de carne.

Perguntei à minha amiga se, por acaso, o dela era o de frango.

Os dois hambúrgueres eram de carne.

Ela me aconselhou a reclamar, mas o dia estava tão bom que deixei passar; o preço era o mesmo do hambúrguer de carne e eu não tive prejuízo.

Quando terminamos os lanches, a garçonete se aproximou.

_O seu hambúrguer era de carne?

Respondi que sim e que comi e que, por mim, estava tudo bem. Eu estava com fome e deixei para outro dia hambúrguer de frango.

A garçonete, séria, disse:

_ A senhora muito me ajudou e eu quero agradecer.

Se a garçonete estava me agradecendo por comer um hambúrguer de carne, eu tinha que prestar atenção. Não é comum garçonetes agradecerem por hambúrgueres de carne.

_Eu pedi um hambúrguer de frango e outro de carne com queijo na cozinha. A culpa pelo hambúrguer de carne que eu servi à senhora não é minha. Eu também não abri o sanduíche para verificar se era de carne ou frango. Se a senhora tivesse reclamado, como é direito seu, o pessoal da cozinha iria dizer que a culpa era minha.

Eu fiquei um tanto quanto sem graça, mas continuei a dar ouvidos à moça.

_Agora, depois que a senhora sair, eu posso conversar com o pessoal da cozinha e dizer que houve engano. Posso conversar com o gerente e contar da sua gentileza, apesar do erro. Eu quero agradecer porque a senhora me deixou com um problema a menos.

Eu, no fundo, estava cansada e com fome, sem disposição para reclamar, devolver o sanduíche mordido e exigir o sanduíche de frango.

Às vezes parece que tudo se ajeita para proteger quem nada deve. Se eu não estivesse cansada, tudo seria diferente.

As pessoas antigas aconselhavam aos mais novos para nunca reclamarem do cansaço, diziam que não ajudava em nada, ou pior, atrasava a vida de quem reclamava.

Eu também sei que o certo é reclamar quando a compra efetuada não corresponde ao pedido feito, mas eu estava cansada.

O meu cansaço ajudou a moça da lanchonete.

Uma crônica absurda e real.