Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Sabedoria Popular /Crônica do Cotidiano

Sabedoria Popular / Crônica do Cotidiano.clip_image003
A sabedoria popular tem umas ilações sobre a vida que cabem em qualquer bolso, são divertidas e nos fazem pensar.
Um homem, simples e sem formação acadêmica, comentava sobre o time do Coritiba com um colega, também humilde e sem grandes estudos.
_O técnico pode saber mais do que eu e ter estudado muito, mas não é Deus. Tem time que ganha e time que perde e o resultado do jogo não depende da formação do técnico.
Aquilo soou aos meus ouvidos, deu voltas e se transformou em conhecimento.
O que alguns chamam de imprevisto outros chamam de “vontade de Deus”, mas é fato, o conhecimento não ganha jogo de futebol.
Acredito que ele tenha mágoa dos estudos não feitos, porque a grande maioria dos adultos que não terminaram o ensino básico carrega essa tristeza no peito; aquele homem também.
Mas, esse homem tem a noção e a percepção constante do seu desconhecimento e, mesmo desconhecendo as circunstâncias que o cerca, ele conseguiu ter sabedoria para constituir a família dele.
Com a aliança de casado no dedo anular esquerdo, naquele desconhecimento das coisas, ele conseguiu se virar.
Oculta na frase dita estava à certeza de que quem tudo sabe, ou seja, para ele, Deus, supriu a sua falta de estudo, pois havia conseguido muito na vida, quase tudo, menos que o seu time, o Coritiba, fosse campeão do Campeonato Nacional da primeira divisão.
Assim, mesmo tendo uma imensa coleção de livros, o minuto seguinte é uma surpresa. Na vida de cada um, não importando quem, onde e por que.
Por que é assim? Não sabemos.
Talvez por isso, alguns de nós tenha escolhido serem bons apenas bons.
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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Poema Brando

Poema Brando

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Nem parece que choveu,

Mas deságua em ideias brandas

Em lugar do anoiteceu

A deixar as nuvens brancas.

 

Como um susto, escureceu,

Nesse breu de muitas trancas,

Trovejou e riscou e desceu;

Tantas águas são lembranças.

 

Mas, agora, amanheceu,

Sem pedidos ou cobranças,

Como um sonho se perdeu;

Estão em rios, formam entranças.

domingo, 28 de setembro de 2014

Olhar Impresso

Olhar Impresso

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Uma estrela vaga

Nos confins de um verso;

Numa rima apaga

O que foi disperso.

 

Ao piscar, divaga,

Do girar inverso

Nessa clara plaga,

Luz de mar imerso.

 

Se, cadente é paga,

D’um sorteio ao reverso;

Se pendente, é maga,

D’um olhar impresso.

sábado, 27 de setembro de 2014

Sobre os Problemas que Não se Tem / Reflexão

Sobre os Problemas que Não se Tem

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Conforme me disse uma amiga, às vezes penso demais, leio demais, o que também pode ser um erro.

Num dia de chuva miúda, como o de hoje, segui o conselho da amiga e não li e descansei e nesse descanso, foi impossível não pensar e refletir.

Pensei nas obrigações da semana que se segue e nas compras de supermercado, essenciais.

E veio a ideia dos problemas que não tenho, porque pude deixar as compras para outro dia, porque o supermercado fica lotado de gente durante os finais de semana.

É nos supermercados que se percebe a vida dos outros tanto quanto os outros percebem a minha, como se fosse uma vitrine dos problemas de cada um, ao serem feitas as compras.

Somos iguais e diferentes em nossos problemas, vemos as soluções dos almoços de domingo, que variam de família para família.

Temos problemas diferentes e problemas que, simplesmente, não temos.

Um exemplo bastante simples dos problemas que não temos: nessa hora em que escrevo tem muita gente preparando a sobremesa preferida de alguém. Agora, direcionando o problema ao ponto de vista particular: eu prefiro frutas na sobremesa. O problema da sobremesa não é meu, eu não tenho esse problema.

Mas é um problema que eu posso criar a qualquer momento. Vem à cabeça aquela antiga frase que aconselha a não criar problemas onde eles não existem.

Agora, divagando sobre os novos problemas, qualquer um de nós pode, a qualquer momento, criar problemas para si mesmo de livre e espontânea vontade.

Independentemente dos problemas que aparecem e das decisões a serem tomadas para solucioná-los, por exemplo, de novo, quando uma lâmpada queima e precisa ser trocada e compramos a lâmpada e a trocamos, qualquer um de nós pode inventar motivos para passar horas na cozinha sem necessidade, gerando um cansaço desnecessário e, até mesmo, um desânimo na conversa rotineira com a família.

Eu sei que parece tolice, mas temos que cuidar com os problemas que inventamos, existem outras maneiras de nos resolvermos sem criarmos novos problemas.

O problema novo pode ser gerador de outros problemas.

Mais uma vez, por exemplo: e se ninguém gosta da sobremesa que levou horas para ficar pronta e diz que preferia uma salada de frutas. Dentro de casa as famílias são sinceras e dizem o que pensam e talvez, estrague o durante humor durante o resto do dia não só para quem preparou a sobremesa, mas para quem disse que ela não foi a melhor ideia e se chateou por dizer o que pensou após tanto esmero por parte de quem a preparou.

É um desperdício criar novos problemas, desperdício do bem viver; são problemas evitáveis porque não os temos.

Enquanto escrevo me convenço de não ir ao supermercado lotado, não quero novos problemas.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Cupido

Cupido

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Não conhece

E, não o esquece,

Sonhador,

 

Não perece

E agradece

A esse amor.

 

Que parece

 

Beija-flor.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Proposição de Redação: Escreva sobre a Vingança.

Proposição de Redação: Escreva sobre a Vingança.
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Naqueles dias, Suzana foi convidada para estudar em Coimbra, faria a sua especialização com um renomado professor europeu.
A casa dela era a felicidade estampada na janela. A mãe de Suzana, após dezoito anos, estava grávida do segundo filho. O marido conseguiu um posto elevado na empresa onde trabalhava. Todos estavam saudáveis, contando com o bebê que nasceria dali a seis meses.
A felicidade daquela gente discreta não passou despercebida. Quando Suzana largou o emprego para estudar fora, contou do curso na Europa, esperava voltar e evoluir na carreira.
Foi o que bastou. Sem se saber a origem do boato, no dia seguinte a cidade inteira dizia que a aborrecida Suzana iria ter o filho na Europa. Dizia-se e diziam-se, reforçando a mesma história inúmeras vezes, que a mãe dela não estava grávida, ela supostamente dava cobertura à gravidez de Suzana.
A família estava feliz e, não se importaram com os boatos.
Suzana viajou, voltou, a mãe teve o bebê, o pai estava bem de vida e feliz com o crescimento da família.
Contudo, não foi descoberta a origem do boato, que continuava e aborrecia a família inteira. A mãe do bebê era chamada de avó e, a moça que fez o curso na Europa, de mãe solteira que abandona o filho.
Embora o chefe da família fosse abastado, não teve como montar um negócio noutra cidade. O significado de bem de vida numa cidade pequena é diferente do significado de bem de vida numa cidade grande, o custo é outro.
Suzana pendurou o diploma de especialização na parede e gostou do irmão e felicitou a mãe pela gestação bem sucedida.
Qualquer vingança a prejudicaria, envolveria a família inteira, o pai, a mãe e o bebê.
Ela superou a situação esquecendo. Comprou um gato de estimação e plantou flores no jardim. Após alguns anos conseguiu um emprego melhor no meio culto, merecidamente.
O irmão pequeno, ao ver o gato, pediu um cachorro de presente. Ganhou o cachorro.
A mãe deles comenta, em particular, com poucos amigos sobre a estupidez da situação. Ninguém pensou nela.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Alma Sincera

Alma Sincera

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Espera a chuva amainar,

Que a gente se encontra... espera

Alguns minutos; chegar,

É estar-se junto. Quem dera,

 

À chuva nos encontrar,

Sorrir-nos dessa quimera

Molhada e nos abraçar

Por nada, como quem zera,

 

O tempo ao cumprimentar

O novo e, ao novo, pondera,

Que se quer recomeçar,

Mas vem, nessa alma sincera.