Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sábado, 31 de maio de 2014

Aristotélica Senhora / Filosófica Crônica

Aristotélica Senhora / Filosófica crônica

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Eu estava em lazer quando a senhora sentada Na fila da frente do cinema, disse sobre Aristóteles.

Frases e mais frase que ela havia decorado através dos seus estudos de filosofia.

Não sei quem ela era e não perguntei, não ousaria interromper o monólogo brilhante com o qual ela desenvolvia aquele raciocínio.

Quando ela disse a conclusão sobre tudo o que havia lido, senti uma vontade imensa de conversar com ela, mas me contive porque a minha maneira de ver a espiritualidade é diferente da dela e ela estava derivando a conclusão esplêndida por caminhos que faziam com que o pensamento se diluísse.

A conclusão eu decorei e compartilho:

“Ninguém toma decisões sem que essas decisões sejam fruto do conhecimento adquirido ao longo da sua existência”.

Lembro-me das citações várias dos livros de filosofia lidos, mas o desenvolvimento do pensamento foi interessante, pois disse ela que desde o seu nascimento o ser é impregnado de cultura.

Mesmo sem ter consciência da cultura que o envolve, o bebê aprende comportamentos e, segundo ela, aprende também o conhecimento das pessoas que o rodeiam mesmo com a consciência em desenvolvimento.

Segundo esse raciocínio, todas as atitudes e decisões tomadas pelo ser humano tem um grau de sabedoria desconhecida da aprendizagem efetiva, seja aquela aprendizagem familiar ou a escolar.

Para Aristóteles existem seis formas ou grau de conhecimento: sensação, percepção, imaginação, memória, raciocínio e intuição.

Nesse caso a aprendizagem e contínua durante toda a existência, mesmo para aqueles que não estão nos bancos escolares, mas que convivem em sociedade. Ela discursa também sobre a aprendizagem virtual, aquela que se obtém pelas redes sociais, cuja mudança comportamental ainda está a ser observada.

Mesmo amando Aristóteles, disse da necessidade que ela tem de ler outros filósofos.

Não contente em contar de Aristóteles, coloca Descartes em desconforto.

Disse que Descartes engessa o pensamento filosófico do conhecimento o colocando em linhas cartesianas como se fossem caminhos de aprendizagem.

Eu, pessoalmente, gosto dos filósofos matemáticos pela exposição e confirmação das suas teorias na prática.

Quando ela derivou o seu raciocínio dizendo que a filosofia da existência não se contém em cartesianas, a minha atenção se dispersou.

Comecei a divagar sobre todo o raciocínio matemático envolvido nesse mesmo plano aristotélico de conhecimento.

De onde concluí que a tomada de decisão consciente vem da lógica do indivíduo formada também através de toda a aprendizagem empírica das percepções, imaginações, intuições e ideações.

As conotações sociais das quais ela disse, eu relevo ao segundo plano, embora em parte concorde que haja um engessamento nas ideias do conhecimento à medida que se bitola e se restringe o pensamento a apenas uma determinada corrente filosófica, a corrente filosófica das épocas em sua cronologia ambientada.

Nesse texto, retiro totalmente a conotação das espiritualidades envolvidas na filosofia pelo fato do tema discorrido ter sido deveras interessante e enriquecedor.

E, lamento não ter anotado todos os outros filósofos que corroboram os ensinamentos.

O filme era de aventura e o bem se saiu bem, conforme o esperado.

Posso dizer que se eu a encontrar novamente, a convidarei para uma conversa. Mas, aí me veio o seguinte pensamento que me deixa em dúvida: discorreria ela tão brilhantemente se não estivesse à vontade para falar, sabendo-se ouvida?

Para mim, foi ótimo. Pena que a amiga que estava com ela, adormeceu durante o filme.

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Pensamentos

Pensamentos

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Sopra o vento

Nessas notas;

Sentimento.

 

Firmamento

Às ilhotas,

Fundamento...

 

Pensamento

 

De Gaivotas.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Amazônia

Amazônia
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Digo do amor,
Quando o pressinto,
Numa Amazônia.

Poetizo em flor,
Todo o Jacinto,
Toda a Begônia.

O que é do amor,

Senão insônia?

Elegia

Elegia

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Todo o dia

É de amor,

Jesus Cristo.

 

Elegia

E louvor,

Jesus Cristo.

 

E alegria,

 

Quando em dor.

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Edson Prado Surta

Edson Prado Surta

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Depois da Festa da Uva, Edson Prado, o repórter do blog, se aventurou nos esportes.

Em busca de animação foi praticar Bungee Jumping, aquele esporte maluco em que as pessoas saltam das alturas e ficam no ar, até que o balanço dos cabos de aço pare, quando os esportistas são içados para o lugar de onde saltaram.

Não deu outro pulo, teve amnésia após o salto, o que foi diagnosticado como choque pós-traumático.

Recuperado, ele enviou a matéria ao blog e pediu para que a publicasse a fim de demonstrar o estado em que ficou após o salto e a entrevista que fez à instrutora que o atendeu.

Transcrevo a entrevista:

_Senhora, por acaso estou num país monárquico?

A instrutora respondia para mantê-lo acordado até que viesse a ambulância e os socorristas.

_Por que pergunta isso, Edson?

_Porque sei que a senhora foi à Bélgica comer uns doces numa confeitaria e retornou no dia seguinte. A senhora é a rainha da Bélgica?

_Não, não sou a rainha da Bélgica e não estamos na Bélgica. Estamos no Brasil e eu sou instrutora de Bungee Jumping.

Obs. Naquele momento eu não recordava o que fosse Bungee Jumping. Pensei que fosse algo socialista.

_Senhora, por acaso Bungee Jumping tem algo a ver com Karl Marx?

A instrutora respondeu:

_Edson, o Bungee Jumping é um esporte e não tem fronteiras. Pode ser praticado em países do mundo inteiro, mas eu não sei por que até hoje não saí para nenhuma viagem ao exterior.

Obs. Naquele momento eu me concentrei e olhei para ela, bonita dos pés a cabeça.

_Não mais farei perguntas, senhora. Por favor, confirme para mim que Bungee Jumping é alguma novidade sexual.

Essa foi uma pergunta que exigiu alguma reflexão por parte dela.

_Bungee Jumping pode até ser considerado como metáfora para sexo, mas não o é exatamente.

Obs. Radicalizei.

_Bungee Jumping é como um filme daqueles chamados de Serial Killer. Tentaram me matar e eu sobrevivi?

_Não houve nenhuma expectativa de que o senhor morresse praticando Bungee Jumping. No entanto, como todo atleta, o senhor deveria ter feito exames médicos que o autorizassem ao esporte.

Obs. Comecei a rir.

_Se estou no Brasil, que é politicamente correto, o Bungee Jumping não é ilegal ou preconceituoso?

A instrutora pediu a ele que não a magoasse, pois ela jamais praticaria tais coisas. Repetiu que era a instrutora do esporte e garantia que nada de errado aconteceria a ele.

Obs. A curiosidade me apareceu.

_Estou no Brasil, Que é o país do Bungee Jumping?

A instrutora parecia desanimada com ele.

_Edson, você está no Brasil do futebol. Lembra-se de algo como onze jogadores de cada lado do campo, que correm atrás de uma bola até que consigam colocá-la entre duas traves cobertas por uma rede?

Sentei-me no mesmo instante. Os socorristas chegaram e iriam me levar para exames quando voltei a mim e comecei a gritar Copa.

Os socorristas conversaram com a instrutora e disseram que ele se recuperaria a tempo de assistir aos jogos da Seleção.

Aí me levantei e pedi a eles que me levassem para o hospital. Aquela mulher não dizia coisa com coisa. Era ininteligível. Ela ficou me olhando com jeito de boba, enquanto os socorristas diziam a ela para não ligar, eu é que tinha me ligado na realidade. Fingi que não ouvi.

Vou jogar futebol de hoje em diante.

Ps. O blog não comenta e não restringe boas matérias.

terça-feira, 27 de maio de 2014

As Amigas

As Amigas

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Era uma vez duas amigas cuja amizade equivalia as de irmãs. Cresceram, casaram e trabalhavam. As duas amigas tiveram uma filha cada uma.

Renata e Roseana eram os nomes das meninas.

Ainda estavam na tenra infância, ambas por volta dos seus quatro e cinco anos de idade, quando mostraram às suas respectivas mães que não queriam brincar juntas.

À medida que cresceram os problemas das mães chegava a ser divertido e até mesmo ridículo para as mães.

No dia do aniversário da Renata, a Roseana dizia à mãe que ficaria em casa, preferia dormir a ter que encontrar-se com a Renata e a turma de amigos que iria à festa da outra.

No dia do aniversário da Roseana, a Renata dizia que iria ao aniversário da Roseana porque era melhor que a filha da amiga da mãe, estudava na melhor escola e gostaria de apreciar as simplicidades da outra.

As coisas e os assuntos não andavam bem entre as garotas, mas as mães obrigavam as duas a serem amigas.

A tragicomédia aconteceu no dia em que as mães quiseram que as duas estudassem juntas. Na prova, Roseana tirou uma nota alta e ficou entre as primeiras alunas na escola.

A Renata não se conformou, tinha usado o nome da sua escola para irritar a filha da amiga da mãe durante toda a infância. E, naquela hora em que as duas mudaram de escola e ingressaram na mesma escola, a Roseana tirou a melhor nota.

A Renata teve que procurar outros meios para se autoafirmar perante a sua turma em posição contrária à Roseana.

A Roseana, também em autoafirmação, usou e abusou das cores nas roupas e no jeito diferente de ser.

O mundo adula as divergências, estimulando a competição, criando as torcidas adversárias e, lucrando com elas. Tanto é que os jogos esportivos são fonte de sobrevivência para muita gente, até mesmo a sorte grande na vida de alguns poucos.

O jogo das meninas, como todo o jogo, teve uma vencedora. A mais preparada para o jogo era a Renata.

Renata exultou e, Roseana, também, à sua maneira, porque o que ela queria mesmo era ficar longe da Renata.

Renata foi em frente e seguiu o seu caminho com mérito.

Roseana, não. Enquanto as mães lidavam com as divergências, Roseana foi cercada por gente que a ajudava a enfrentar o prejuízo que o seu futuro escolar havia sofrido.

Algumas irmãs de caridade do antigo colégio onde a Renata estudara encontraram uma maneira de conversar com a Roseana e disseram a ela que a sua mãe estava equivocada. Haviam sido professoras da Renata e sabiam os métodos de autoafirmação da menina, diziam que eram métodos pouco cristãos. Contaram que colocaram como colega de sala de aula da Renata uma menina órfã, para ver se ela amenizava aquele jeito de ser, mas que de pouco adiantava.

Os pastores evangélicos não foram omissos após saberem dos prejuízos escolares, pois Renata havia conseguido deixar Roseana em má situação dentro da escola, fazendo com que ela aprendesse menos, com o objetivo de que a Roseana aprendesse a nunca mais tirar notas mais altas do que ela, e os professores colocaram como colegas de sala de aula para a Roseana meninas luteranas, com as quais Roseana conviveu harmoniosamente.

Ainda hoje há uma bonita amizade entre um padre da paróquia da Igreja Católica com o pastor de uma Igreja Luterana, as igrejas conversam.

Renata é uma empresária de sucesso e Roseana é pintora de quadros e ambas são felizes, separadas.

Onde não há amor, não existe motivo para relacionamentos.

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segunda-feira, 26 de maio de 2014

O Ônibus

Naquele ônibus de turismo, em frente à loja de lembranças, os passageiros desceram.
Quando os passageiros subiram, separadamente, dois homens estavam com camisetas nas mãos.
Ambos suavam, um na sua camiseta verde,  o outro na sua camiseta amarela. Ambas com inscrições de amor ao lugar onde foram confeccionadas.
Tiraram as camisas que vestiam e ficaram nus da cintura para cima no fundo do ônibus, atitudes separadas e não combinadas entre eles.
Vestiram as camisetas em frente às senhoras e pediram a elas para que não os observassem enquanto trocavam as camisas.
Estavam visivelmente emocionados, traziam consigo, no peito, naquelas camisetas de propaganda, os seus desejos de um Brasil melhor.
As senhoras compreenderam e houve um silêncio profundo por alguns instantes.
Os passageiros dos outros países se entreolhavam sem entender direito a atitude dos dois homens.
O patriotismo silencioso impediu que os outros passageiros reclamassem daquele excesso.
Naquele momento um Brasil chorou.
Um Brasil representado por não mais que dez pessoas, mas lembrado e amado incondicionalmente naquele momento.
Os espanhóis e os italianos ficaram atônitos, o americano gostou da atitude.
_Congratulações!
O telefone celular de uma das passageiras recebeu várias mensagens da polícia: Se você encontrar alguma notícia do Honda Civic Preto, por favor entre em contato conosco. A mensagem foi mostrada ao americano que disse que não era para se preocupar, era apenas um contato dizendo que a polícia local estaria à disposição para prestar informações.
...................................................................................................................................................................Noutro dia, uma policial perguntou se estava tudo bem durante o passeio do dia.
Estava. Indicou lugares baratos para as refeições e desejou boa estadia.
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Não há excesso em nenhum amor, muito menos nesse lirismo de amizade entre o brando desse céu cheio de civismo.