Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Carta Literária / Para Tibério

Carta Literária / Quem sabe, depois, se é livro?

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Curitiba, 7 de agosto de 1.913.

Tibério

Ainda ontem me contavam de ti e das precárias condições em que tu te encontras para que retornes à casa de tua morada.

Os forasteiros que aqui chegaram, falavam da tua vida difícil e das tuas contradições, normais neste mundo pelejado.

Diziam eles também do teu amor sofrido e desgarrado pela prenda formosa, que não desapega o sentimento.

A prenda e tu, naquela gauchagem que o povo desta terra não esquece.

A prenda conta da tua partida à contra gosto como se nem um mês fizesse.

Nos campos, falam de ti com pilhéria e desdém, daquele desdém ciumento da prenda que não quer ser de ninguém. Contam das botas e dos pés calejados e dizem que foram feitos nesse teu andar magoado. Dizem que, distante da prenda, o homem não se contém e racha a lenha na força de se esquecer de quem te quer bem.

Dizem que a prenda passa as noites a sonhar na busca de uma estrela que te faça voltar.

Mas, e as vontades?

Amigo, as vontades deste mundo pertencem a quem as têm e aos baguais que nos levam por entre caminhos de pau a pique; como convém.

Mas que conveniência, que nada! Eu, no lugar de ti, viria até o lugar de onde partistes para te encontrares com ela, que fosse para dançar a moda, ou, talvez para cantar com esta voz desarranjada que te faz engraçado.

Se tu vieres cantar, canto junto para te ajudar a fazer bonito em parceria.

Tibério, tu não sabes da preocupação dos teus amigos por ti e pela prenda, todos com vontade de assistir a dupla nas danças gauchescas. Apartados, apartam de nós o teu sorriso mais o dela.

Pensa bem amigo, se queres levar a tua vida de peão sem calor nessa geada. Veja lá o que fazes e que seja bem pensado, porque falado até cansa de ouvir.

Essa gente fala muito. Essa gente matraqueia tanto, que, se não fosse por contar de ti, até me contraria. Quando dizem de ti, deixo correr solta a madrugada.

Sem mais o que dizer e, sem querer te dar conselhos, sinta o meu abraço que é o abraço do amigo confidente, mas não falta da companhia confidente, conversa de ti com quem deseja contar a novidade. Saber de ti indica a mim que estás bem, correndo a vida e tirando o leite quando necessário, sinal que o amigo está apeado e disposto.

Aguardo correspondência tua, de onde tu estiveres, porque eu me deito aqui e tiro a sesta do churrasco depois de entregar ao carteiro o envelope com dinheiro para pagar o selo.

Sinceramente, do teu amigo Euzébio.

terça-feira, 6 de agosto de 2013

O Novo Homem

O Novo Homem

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Vânia teve que fazer treinamento para aprender a lidar com o chamado novo homem.

Quem seria este novo homem? O homem que se vira na cozinha e não passa fome, o homem que ajuda a mulher a cuidar da casa aos finais de semana e, também, o homem vaidoso.

Vânia vendia roupas masculinas. Treinada, colocou em prática os seus conhecimentos.

A disposição para atender a clientela estava bem. Ela assim pensava, quando Orlando entrou na loja.

_Bom dia senhora. Preciso de calças jeans, bermudas para fazer exercícios e de um traje esportivo para caminhar aos finais de semana no Parque Barigui.

A moça trouxe as roupas na numeração certa e ele, displicentemente, perguntou se a loja ofertava serviço de acabamentos.

A moça respondeu que sim. Havia um alfaiate à disposição dos fregueses.

_Chame-o, por favor.

Ela chamou e ele veio solícito.

_Bom dia, senhor. Preciso que o senhor faça alguns ajustes nas peças para que eu as possa usar.

O freguês vestiu as calças jeans.

Vânia gostou do caimento despojado. A peça ficou bem ao gosto do freguês, pensou ela. Foi então que o homem virou-se para o alfaiate e disse:

_Ajuste as laterais das pernas na altura das batatas da perna. Sou magro, mas quero que as mulheres admirem a minha musculatura. Gosto de mostrar as batatas da perna para as moças.

Vânia olhou para o alfaiate como que surpresa. Pessoalmente, até aquele dia, não havia olhado para as batatas das pernas de nenhum homem.

O alfaiate marcou as costuras e aguardou que ele experimentasse a bermuda larga de moletom.

Vânia viu o homem com as bermudas e gostou. As bermudas largas propiciavam todos os movimentos para os esportes masculinos. Desta vez, as batatas das pernas estavam à mostra e ele não reclamaria. Foi o que ela pensou, quando ele disse ao alfaiate.

_Gosto de bermudas que permitem movimentos precisos, mas quero que diminua as laterais das bermudas, Não estão finas e pareço um jovem qualquer. Levante também o comprimento, pois estão encobrindo parte dos músculos trabalhados.

Ao ouvir o pedido, Vânia pensou em indicar, ao homem de meia idade e cabelos grisalhos, aquela clínica onde a propaganda oferecia uma oferta: Trate-se com um psiquiatra de verdade em suaves prestações mensais. Psicólogos, nunca mais!

O alfaiate marcou as costuras a serem feitas e o homem vestiu o conjunto esportivo para as caminhadas.

Desta vez a vendedora viu que as barras das calças arrastavam no chão e precisavam de ajustes e disse o que para ela, era óbvio.

_Ajuste as laterais de modo que continuem folgados e as barras deixe que cubram os sapatos até a altura do salto.

Ao último pedido, Vânia olhou para o homem se perguntando se ela o havia visto em alguma propaganda ou novela. A resposta era não. Não conhecia o homem de lugar algum.

Ao terminar as compras, o homem virou-se para o alfaiate e para a vendedora e disse:

_Por favor, assim que as roupas estiverem prontas, avise a vendedora para que ela avise a telefonista da loja para que ligue para mim. Sou um homem ocupado.

Vendedora e alfaiate confirmam a disposição de ligar para o cliente.

O homem fez pose de manequim, agradece ao atendimento e saiu como se estivesse desfilando.

Vânia pensa que preferi o homem antigo, ou seja, aquele que se veste com o que tem e fica feliz. Se aquele homem de meia idade se comportava daquele jeito, como estariam os mais novos?

Voltou ao treinamento, ainda não sabia muito sobre esse novo homem. Por via das dúvidas, anotou o número da clínica psiquiatra onde se ofereciam serviços de psicanálise em prestações mensais.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Espelho de Oração

Espelho de Oração
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Meu peito anseia por uma canção
Que está nesse ar, nesse espreguiçar,
Após o dia feito e escrito à mão;
Caprichos desses sons de dobrar.

Quisera ouvir, mas o dia foi não;
Segunda-feira exige o cansar;
Ilustre dia que aguarda a expressão
Das artes para depois, luar.

De plano a piano, sua a função;
Ao vento morno de se dançar
Minueto; jeito e espelho em ação,
Cantando na área o seu respaldar.


Obs. Este poema é homenagem aos fabricantes de utensílios para se lavar janelas tais como, espumas, mini rodos, cabos de vassoura de tamanho médio, limpa vidros, etc. A todos eles, os meus agradecimentos pelo dia de hoje, facilitaram o meu dia.

domingo, 4 de agosto de 2013

Caminhos Tortos

Caminhos Tortos

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Certa vez uma senhora foi ao desfile de modas beneficente. Era a única com os cabelos desarrumados, com a raiz aparecendo. Rosto lavado e cansado. Nenhuma maquiagem para disfarçar.

Pagou o ingresso e podia entrar. Sentou-se numa mesa. Com roupas bonitas como o ambiente merecia. As roupas descombinavam dela, daquele jeito de fome.

O garçom a serviu como a qualquer outra convidada. Café, salgados e doces. Água mineral para refrescar o paladar.

O desfile foi bonito, mas a senhora chamava a atenção dos presentes para a figura que fazia.

Uma das senhoras organizadoras foi até a senhora e perguntou se ela estava bem servida. Perguntou também se não quis trazer uma amiga ou alguém da família.

Ela foi pega desprevenida, não esperava que viessem até ela.

Ergueu o olhar até a senhora e contou à organizadora que a filha dela estava com hepatite e não tinha sintomas. Passou mal e estava na unidade de terapia intensiva. Estava caminhando para fazer hora enquanto esperava o horário de visitas. Viu o evento e entrou lá para ver se conseguia desviar o pensamento ruim que a acompanhava.

A organizadora conhecia uma médica que estava no seu dia de folga e comparecia ao desfile. Chamou a médica para conversar com ela.

A médica foi conversar com a senhora e se informou sobre o estado da garota.

A médica pediu para sentar-se à mesa com ela. Pediu uma xícara e talheres para lanchar com ela numa atitude confiante e segura.

_O fígado é um dos poucos órgãos do ser humano que se recupera. A hepatite da sua filha é benigna, embora tenha sido agravada pela falta de informações pela família. Sugiro que a senhora passeie mais e, se tiver vontade, vá à cabeleireira. Aproveite o momento porque daqui a alguns dias a sua filha irá para a casa. Ela irá para o quarto depois de amanhã e a senhora não terá tempo para si mesma.

A senhora olhou para a médica como que não acreditando.

_Eu me informei. Está tudo bem. No horário da visita a senhora será avisada que a sua filha irá para o quarto para ficar em observação antes de receber alta hospitalar.

As duas, médica e senhora, não viram o desfile.

A senhora lanchou sob o incentivo da médica. Ao terminar o evento o seu rosto estava corado e os seus olhos mais animados.

E tudo aconteceu da maneira com que a médica previu.

sábado, 3 de agosto de 2013

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

O Atrapalho

O Atrapalho

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Claudete fora convidada para a festa de sexta-feira no restaurante. Essa festa seria comemorativa aos casais que completassem dez anos de casamento.

Planejou se arrumar no salão de beleza de sua confiança, queria um penteado especial para a ocasião. O seu marido Roberval trabalharia até às sete horas da noite, tomaria banho e vestiria terno; pronto ele se transformaria num homem elegante. Ele levou o carro da família para não se atrasar para o jantar.

Claudete saiu conforme havia planejado, mas na saída do salão quis pegar um táxi para voltar para casa. Ônibus seria ruim para o seu penteado.

Na rua não havia táxis e ela decidiu caminhar em direção à sua casa contando encontrar um carro livre no caminho.

Andou oito quadras e conseguiu o seu táxi. Atrasou-se meia hora nessa caminhada, mas planejou como se vestir rapidamente para não perder a hora da festa.

Chegaram juntos Roberval e Claudete em casa. Felizes correram para o chuveiro. O chuveiro estragou ao ser ligado.

Com o único chuveiro da casa estragado, Roberval correu ao supermercado e comprou outro para substituí-lo. Cada casal tem as suas especificidades e quem trocava o chuveiro com rapidez naquela casa sempre fora a Claudete.

Com a ajuda de uma escada ela fez o serviço em quinze minutos sem estragar o penteado. Ele demoraria meia hora para fazer a troca caso ela o obrigasse a isso para preservar a arrumação do penteado.

Arrumaram-se e saíram.

Pegaram o congestionamento na rua que dava acesso ao restaurante. Foram dezesseis quadras em uma hora, mas não tinham condições de seguir a pé com roupas de festa.

Chegariam atrasados, mas compareceriam à festa.

Entraram no restaurante como se fossem vitoriosos por estarem lá.

Para o espanto deles, eles formavam o único casal feliz da festa.

Claudete estranhou o rosto sem graça dos convidados e perguntou a um dos casais presentes se algo havia acontecido porque ela acabava de adentrar o recinto.

A senhora gentilmente respondeu:

_O dono do restaurante e o DJ que faria o som ambiente discutiram, estamos sem som. Tentamos trazer um aparelho de som para cá, mas não temos autorização para tocar sem as licenças obrigatórias para o evento.

Roberval disse que não via problema. Se todos conversassem, a festa seria animada.

_Um cachorro da raça Pitt Bull fugiu da casa dele e, por pouco ele não avança para um dos casais convidados.

Roberval e Claudete conversaram, e assim concluíram que se foi por pouco, então o problema foi evitado e não teriam com o que se preocupar.

_Ocorre que o ataque foi evitado com o cassetete do segurança que deu algumas pauladas no cachorro. O dono do cachorro, que procurava por ele nessa região, abrirá queixa contra a atitude do segurança.

Roberval disse que provavelmente haveria um advogado entre os convidados para ajudar o segurança.

_O segurança está no hospital. Levou duas mordidas do cachorro. O pronto-socorro veio e o levou para o hospital. A senhora da limpeza limpou agora a pouco a mancha de sangue no chão.

Claudete perguntou se eles suspenderiam o jantar, o que seria compreensível nesse caso.

_O dono do restaurante não pode adiar o jantar porque os pratos foram feitos e o gasto também. O jantar será servido em seguida.

Roberval e Claudete sentaram-se numa mesa para dois e jantaram. Comeram alguns doces de sobremesa e vieram embora satisfeitos com todos os atrapalhos que tiveram para chegarem ao local. Tivessem chegado minutos antes e não ficariam para o jantar no restaurante de qualidade, que pelo acaso havia se transformado numa espelunca naquela noite.

Chegaram a casa deles cansados e foram dormir. O sono correu solto até o amanhecer do dia seguinte.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Poema Desconhecido

Desconhecido

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Das coisas que eu não sei

De nada adianta ver,

Observo o que encontrei

Na dúvida de haver.

 

Porém, não a imaginei,

Veio clara a descender,

Se rara, saberei.

Depois, se alguém souber...

 

Só sei que retratei,

Não sei desse entreter

Na foto que tirei,

Mas quero esse saber.