Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quarta-feira, 10 de julho de 2013

O Mistério das Queixas de Oswaldo

O Mistério das Queixas de Oswaldo
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O acontecimento corre solto entre os investigadores da polícia civil. Como não houve nada que pudesse constar, o delegado não autoriza a investigação, mas os policiais continuam de olho naquele dia.
A empregada agride verbalmente a patroa e é despedida na mesma hora. A senhora cochila em sua cama. A nora lava a roupa enquanto a sogra cochila.
Terminada a lavagem da roupa, a nora vai ao quarto da sogra para conversar e acordá-la para o lanche. A sogra mal respira. O travesseiro está aberto e desmanchado. A nora chama o socorrista.
Desesperada, conta sobre a discussão que teve com a empregada, que se dizia feliz por trabalhar na casa onde a tia dela havia trabalhado há quarenta anos. Disse que a tia ficou feliz quando aquela senhora saiu do seu emprego há trinta e cinco anos atrás.
A sogra ficou assustada e perguntou quem ela era. A nora descobriu que a identidade era falsa e mandou a moça para a rua no mesmo momento. Contava aos socorristas enquanto a sogra era submetida ao oxigênio e aguardava vaga no hospital.
Ao pegarem a maca párea o transporte com a nora atendendo o entra e sai da casa afastando os móveis para a saída com a sogra, e a porta do quarto onde a sogra se encontra bate violentamente e se fecha. Chegou à conclusão de fora o vento.
Um dos socorristas vistoria a casa e verifica se não há mais ninguém dentro do local e não encontra ninguém. A sogra é levada para o hospital onde a vaga foi conseguida.
Chegando lá, constata-se a demora do internamento. A família em volta dela, a nora acompanha a máquina que mostra o quadro do número dos batimentos cardíacos, com a recomendação de chamar os enfermeiros ao lado caso o número baixasse para abaixo do previsto naquela circunstância. Havia acontecido algo e a vaga foi para o paciente que estava em estado crítico.
Sem vaga, a senhora e a nora ficam no pronto atendimento público enquanto o irmão da sogra verifica o que está acontecendo com a vaga esperada.
Um acidente provocado pelo deslocamento de ar havia causado o deslocamento de uma pedra e atingido um homem.
A nora e a sogra no ambulatório colhendo os exames. Constatou-se uma infecção, mas não se constatou a causa da obstrução respiratória. Os médicos ficaram apavorados e não queriam a polícia no hospital. Eram dois casos de acidentes estranhos naquele hospital. Abrir boletim de ocorrência era difícil para o hospital de alta complexidade. Os médicos prestaram todo o atendimento possível aos pacientes. A nora, bastante religiosa, orava di e noite ao lado da sogra. A família do homem no saguão do hospital. A situação era terrível para ambas as famílias.
O homem acidentado morreu, a polícia estava ciente do acidente. A sogra tomava remédios para a infecção e os exames não constataram a ingestão de algo que a deixasse daquele jeito ou obstrução alimentar nas vias respiratórias. A infecção não era a causa daquilo que se transformaria em parada cardiorrespiratória não fosse o atendimento correto dos socorristas.
E a moça que disse que não gostava da sogra e que havia procurado a vaga para trabalhar ali, naquela casa? O que essa moça teria para contar?
Essa é a queixa do investigador, que por mérito é correto e não investiga fora das competências a ele atribuídas Ele sabe quem é a moça, onde trabalha atualmente, onde reside, mas não pode questioná-la. São as queixas de Oswaldo, são os ossos do ofício.

terça-feira, 9 de julho de 2013

O Livro e a Janela

O Livro e a Janela

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O tempo, contado em ordem cronológica, peneira e separa o que é obsoleto. Usando um exemplo simples, temos a televisão em preto e branco, quem a compraria hoje? Continuando nessa exemplificação simples, temos o liquidificador antigo, que mistura maçã, leite e sorvete sem deixar nenhum pedaço de maçã, deixando o “frappé dos tempos antigos” delicioso. Quem jogaria fora esse liquidificador? Ninguém, nem eu e nem o meu. Diga-se que o liquidificador com filtro não foi uma boa invenção e que a peneira ainda está em uso.

Como dizia o professor de matemática: “compliquemos o assunto” e vamos adiante. Vivemos o momento das peneiras filosóficas, pois existem partes de pensamentos da filosofia que não nos servem mais, são meras ilustrações válidas para que algumas ideações sejam consideradas obsoletas. A leitura é válida até certo ponto, é preciso selecionar o que não serve e deixar de lado, mas é preciso igualmente que se faça isso de acordo com o critério de valores pessoais, então quem quiser ler, que use a sua peneira.

O bom de ler está na possibilidade de conviver com ouras pessoas que também leem e estudam os diversos pensadores e os seus pensamentos dentro da sua área de atuação.

Nesse momento eu deveria estar com um estudo crítico, argumentado e discutindo algum pensador. A realidade chamou-me a atenção. Conversei, questionei e estava a ponto da contra argumentação, quando a realidade passou pela janela ao lado e disse que era fato. Contra o fato não existem argumentos. Existem discussões posteriores sobre o seu por quê.

O livro nas mãos e o fato na janela. Nesse momento, o meu subjetivo critério de valores sofreu a interferência da realidade e, o texto não era o mesmo do minuto passado. As críticas feitas pelo pensador se tornaram válidas, mas as conclusões arcaicas.

Voltemos à cozinha e à sala e aos eletrodomésticos. Nenhum de nós, nas cidades, com luz e água encanada, limpa a sala ou cozinha de maneira igual aos nossos respectivos antepassados. Quem ainda tem um tacho de cobre para fazer goiabada? Imaginem um tacho de cobre na cozinha sobre o fogão e alguém tentando fazer goiabada nessa cozinha de hoje. Seria um absurdo! Faz parte do folclore a história de se lavar o tacho com sal e vinagre, parece que era assim que se fazia, divago.

São obrigações novas e nossas a procura por novas soluções diante de problemas antigos e que fazem parte da história da humanidade. O fato é que algumas das conclusões e soluções dos pensadores ficaram no passado. Usar a peneira do tempo para saber quais as críticas e quais as soluções ainda válidas é que são elas, as dificuldades.

Qual o sentido ao se escrever esse texto tendo em vista que a maioria de nós conhece a peneira do tempo e dos objetos que ficam obsoletos? O sentido está na filosofia do obsoletismo, e no seu reconhecimento em acordo com o tempo da realidade.

Quando se consegue confrontar o pensador com a realidade no exato momento necessário, ao se peneirar o pensamento em acordo com a necessidade, todo o dissabor do conflito é dissipado.

Diz-se mesmo que é uma felicidade evitar problemas tendo o filósofo em mãos, a realidade na janela e ambos dizendo do mesmo assunto. Principalmente quando se é contra experimentalismos diante dos problemas e dificuldades, porque as atualizações são necessárias, mas o ser humano não pode ser considerado cobaia para ensaios filosóficos, ou em qualquer outra área de atuação. A ética é um liquidificador antigo que deixa o frappé com o sabor ideal.

Outra dificuldade se expõe ao escrever esse texto e é a de demonstrar esse pensamento àqueles que, por desconhecimento, precisam de alguém para que possam entender o que está escrito, pois quem não sabe ler, aprende por ouvir dizer, mas a capacidade de compreensão é reduzida de acordo com o que o ouvinte sabe daquilo que o interlocutor quer dizer.

Por outro lado, penso que o pensador vale ser lido pela possibilidade da aplicação prática do seu pensamento político e econômico. Mas precisa de releituras diante da realidade apresentada.

Deixo assim, uma fotografia em preto e branco, ainda válida como fotografia artística, tendo plena consciência de que a câmera digital repleta de megapixels é o sonho de consumo realizável dos dias de hoje.

domingo, 7 de julho de 2013

Condensação

Condensação

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Que poema será depois da metafísica

Que poema virá depois da metafísica?

São andanças que ocorrem; humildes são.

São versos venturosos por vocação.

 

De escolha restritiva e meditativa,

Caminho peregrino em busca assertiva,

Com nexo consequente e realização

Objetiva no ponto de interseção.

 

Mudado, certamente de perspectiva;

Inteiro, na poética ilustrativa;

Convicto da novíssima percepção.

 

De forma decidida nessa intuitiva

Sapiência estipulada, assim prevista,

Conforme essa imprecisa condensação.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Águas Calmas

Águas Calmas

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Não existem segredos

A se revelar;

Faltaram os meios;

Sobrou esse calar.

 

Sorrisos e medos

Num só sossegar,

De tantos desejos,

Ao verbo ondular.

 

Enfeites são Tejos

Ao tempo brincar,

Dizendo aos ensejos

Que corram ao mar.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Ponto de Fuga

Ponto de Fuga

 

De poemas não acadêmicos,

Constrói-se esse carnaval

Nas frestas, janelas, grêmios;

No gesto e na alma imortal.

 

Os títulos não são endêmicos,

Mas, fuja-se do banal;

Prelúdios, ao ser, são prêmios,

Na fuga ao intelectual.

 

Vertentes não fazem boêmios,

Corroem a qualquer vestal.

Da graça são esses abstêmios;

Que brinde-se ao ser normal.

 

Descanse o tempo aos eufêmicos,

Que trocam horas ao aval,

Tentando que seja menos...

Querendo o tempo seu igual.

 

quarta-feira, 3 de julho de 2013

A Fada Madrinha

A Fada Madrinha

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Dois homens de negócio passavam pela Avenida Paulista, com pressa, quando um deles virou-se para o outro e disse:

_Tudo o que eu quero na vida é passar o dia em cima de um piano.

O outro se riu da ideia, mas o homem disse que esse fora o seu desejo de infância, mas que nem sequer passou próximo de alguma escola de música. Agora, com certa idade, os negócios eram a música dos seus dias.

Ao ouvir o amigo contar da sua vontade musical, o outro não mais riu da ideia.

A Avenida Paulista é muito frequentada e, aconteceu de naquele dia haver uma fada-madrinha caminhando ao lado deles. Ela conhecia a cidade e aquela era uma Avenida simpática com seus prédios bonitos e modernos. Ao ouvir o pedido, sentiu que os seus poderes eram chamados, poderes precisam ser revelados para se cumprirem como poderes.

A fada voltou ao hotel, pegou a varinha de condão e realizou o pedido do executivo bem vestido e bem postado, mas agitado com a sua correria para não perder nenhum dos negócios.

No dia seguinte, Tomás acordou, tomou o desjejum e chamou o motorista para levá-lo à sua rotina.

O motorista levou até uma escola de música e disse que ficaria à disposição para o que ele precisasse.

Tomás pensou que fosse gozação da parte do seu motorista e o avisou para não mais fazer aquele tipo de gozação porque ele não gostava:

_Leve-me ao centro financeiro da cidade imediatamente!

O motorista disse que não poderia levá-lo ao centro financeiro naquele dia enquanto ele não realizasse o sonho de infância e passasse o dia inteiro ao piano, mas sem se deitar sobre o mesmo.

Com ar de seriedade, ele perguntou ao motorista:

_Quem disse isso ou te deu esta ordem?

O motorista disse que fora ordem da fada-madrinha dele e que ele não desrespeitava as ordens de nenhuma fada-madrinha.

Tomás questionou:

_Desde quando eu recebo ordens de fadas-madrinhas?

O motorista disse que ele recebia ordens de fadas-madrinhas desde que os empresários que o pagavam como seu representante acreditavam em fadas.

_Com o apoio dos seus financistas, hoje o senhor passará as suas oito horas de batente diárias, ou seja, o dia inteiro conhecendo o piano e aprendendo a tocar músicas.

Tomás, ao saber dos contatos da fada-madrinha, entrou na escola para assistir a todas as aulas.

Na primeira aula recebeu o material didático com o carimbo da financeira, aprendeu a desenhar as notas com os seus respectivos valores, as claves de sol e de dó além de aprender a sentar-se corretamente sobre o banco em frente ao instrumento e posicionar as mãos por sobre as teclas.

Na segunda aula, vieram as lições práticas com as lições melódicas específicas para iniciantes.

Na terceira e quarta horas de aula, estudos sob a supervisão de um professor especialmente contratado para resolver as primeiras dificuldades.

Chegou a hora do almoço e ele estava ansioso para saber dos negócios e, assim, almoçou em frente ao estabelecimento escolar para conversar à vontade usando o seu telefone celular. Ligou para o amigo para o qual confidenciara a sua vontade, mas perguntou dos negócios.

_Não se preocupe com os negócios no dia de hoje. Você toca piano e eu cuido da Avenida Paulista.

Tomás perguntou quem era a pessoa que havia levado o assunto musical com tamanha seriedade.

_A fada-madrinha!

Tomás perguntou sobre quem ainda acreditava em fada-madrinha na Avenida Paulista.

O amigo respondeu:

_Todos nós acreditamos em fadas-madrinhas. Ou, pelo menos a maioria de nós. Os sonhos existem para serem realizados porque eles não têm preço ou cotação.

Ele pergunta ao amigo se, por acaso, ele tem algum sonho realizado e que não pudesse ser cotado no mercado de ações.

_Eu tenho. Você conhece o jardim da minha casa no Morumbi e volta e meia você se encanta pelo fato dele florir o ano inteiro. Quem cuida do jardim sou eu. Não temos jardineiro e gasto muitos dos meus finais de semana pensando nele, planejando onde colocar as sementes e nas épocas certas para plantá-las.

Depois dessa resposta, Tomás desligou o telefone e almoçou com tempo de voltar à sala de aula.

A primeira aula vespertina foi para verificar a aprendizagem matinal com as correções das cópias das notas no caderno de anotações musicai, acrescentando-se exercícios teóricos em conjunto com o mestre.

A segunda aula acrescentou repertório e exercícios para serem feitos em casa.

A terceira aula foi específica para a prática a quatro mãos, aluno e professor tocando em conjunto as melodias iniciais.

A quarta e quinta aulas foram novamente para os estudos do aluno sob uma supervisão adequada e a consequente correção dos problemas que se mostravam aparentes à medida do estudo.

A sexta aula: teste para verificação do aprendizado durante o dia.

À noite chega o motorista para buscá-lo.

Tomás pergunta pela fada e ouve que ela se encontra na Avenida Paulista. Ele pede para conversar com ela porque deseja voltar a ser o homem de negócios que era no dia anterior.

Depois de meia hora de espera, ele consegue que a fada o atenda em seu pedido. Eis porque ela é chamada de fada, tem bons sentimentos.

No dia seguinte ele volta aos negócios. Está caminhando na Avenida Paulista ao lado do seu amigo quando se encontram com um empresário.

_Tomás, por favor, me responda: O que o dia de ontem significou para você? Houve alguma transformação pessoal após esse episódio cultural?

Tomás respondeu que, de fato, havia experimentado sentar-se ao piano e arriscar algumas canções singelas e bonitas, mas mais importante do que aprender como se aprende a tocar um instrumento musical, foi o fato de que voltou a acreditar que os sonhos podem se realizar e é uma sensação inexprimível quando eles são bons, cansativos, mas reais.

O empresário contou a ele que a fada-madrinha era sua amiga. Disse que, para todo e qualquer negócio é importante saber de experiência comprovada que os sonhos podem ser reais. Disse a ele que através do sonho possível ele havia se tornado humanamente mais responsável e que este fato conferia a ele uma maior capacidade para desenvolver o seu talento natural e o ajudaria a solucionar os desafios que costumam aparecer naquelas bandas financeiras, porque, se os negócios parecem pertencer dentro de um âmbito inóspito à civilidade, eles possuem a capacidade potencial de transformar em realidade os sonhos de milhares de pessoas que precisam de conforto para conseguir alguma qualidade de vida.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Transparência

Transparência

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Há dias transparentes,

De calos tirados

Aos pés calejados,

Cansados e urgentes.

 

São dias comoventes,

De casos pensados

Em passos bem dados,

Sem pressa e prudentes.

 

E vão diferentes,

Em pés confortados,

Sapatos mudados;

Enfim, pertinentes.