Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

domingo, 30 de junho de 2013

Passeios de Domingo

Passeios de Domingo / Crônica do Cotidiano
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Estávamos na fila para a escada rolante da loja.
Mãe e filha ao meu lado numa conversa tensa. A mãe pedia à filha que não mentisse para ela novamente. A menina, aproximando dez anos de idade, se defendia ao ser chamada a atenção:
_Mãe, não foi uma mentira para te fazer triste. Foi uma mentira para me fazer contente. São fatos diferentes. Eu gostaria que você me entendesse.
A mãe respondeu:
_Você mentiu e me deixou triste. Você disse que iria passar à tarde na casa da sua amiga. Vocês saíram e passearam por onde vocês quiseram. Se não fosse a vizinha da mãe da sua amiga ter telefonado para ela pedindo permissão para as acompanhar sem que vocês percebessem, nós não saberíamos que vocês tinham saído. Você é pequena para decidir sair sem contar onde deseja ir para mim. A sua amiga também é criança.
A menina disse que a mãe estava certa. Ela ainda era criança e crianças erram mais que adultos.
_Quando as crianças erram nos deixam tristes. Quero que você saiba que é muito errado mentir, ainda mais para quem a ama e é sincera e leal com você. Além disso, eu sou a sua mãe e, por enquanto, quem decide os seus passeios sou eu.
A menina estava pronta para continuar o diálogo, quando a mãe reparou que tinha gente na fila. Dirigiu-se à senhora ao lado e disse:
_Sabe que eu estou com uma vontade de sair e protestar. Eu tenho quase quarenta anos e dentro de mim pulsa a indignação em certos momentos.
A senhora disse que a compreendia.
A mãe da menina disse que protestava junto àquela senhora. Disse também que ela não conseguia disfarçar a sua indignação.
A senhora que a ouviu disse que a compreendia mais uma vez. Não era bom para nenhuma delas que toda a fila ouvisse a bronca e as desculpas da garota. A senhora pediu a ambas que fossem pela escada normal. O assunto era essencial para ambas e seria bom que elas resolvessem o problema e não deixassem para depois.
A mãe agradeceu a sugestão enquanto a filha pensava em argumentos.
Assuntos de família são inadiáveis.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Antes do Sol

Antes do Sol

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Nesse meio de tantas teclas

Com os textos em nações,

Vê-se o campo das macelas;

Quem viveu sabe as razões.

 

Encerradas as mazelas

E, contados os botões,

Saber-se-ão das rosas belas,

Sem madrinhas ou condões.

 

Nesse mês de tantas telas

Colorindo exposições,

Sussurraram as paletas

Às douradas emoções.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Poema Excelso

Poema Excelso

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Nenúfares dançam ao sabor do vento,

Na quase esmaecida tela e sentimento,

Solar metafísica de Alma Suprema;

Ao pouso das flores feitas desse emblema:

 

Vitória do espírito ao Éden sem lamento,

Sem dor ou tristeza, e a todo sofrimento,

Que possa aos sentidos vir a ser dilema;

Aliança perpétua, glória excelsa e poema.

 

O Lótus Azul, perfeito a esse teorema,

Aos sábios perfuma de conhecimento,

Ao sonho gentil, resposta exposta ao tema.

 

Quem sabe o mistério desse entendimento

Não diz, porque a guiar, o céu conta ao sistema,

Que o amor purifica e leva ao entrosamento.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Burrice Nacional / Crônica de Supermercado

Burrice Nacional / Crônica de Supermercado
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Os tempos são difíceis, ainda mais pela filosofia de que o bolo que o vizinho faz é mais gostoso.
O bolo que o vizinho faz é tão gostoso quanto o seu, a diferença é que quando ele te oferece uma fatia, você agradece, saboreia e não lava a louça.
O povo todo conversando sobre o mesmo assunto e as opiniões tão diferenciadas que causavam espanto por um não perceber o que o outro falava com o conhecido.
Enquanto eu procurava o sabão em pó, eu me divertia.
Ao lado do sabão novo as senhoras diziam entre si:
_Chegou o momento de sermos ouvidas. No nosso tempo é que era bom. Vamos ao próximo protesto.
Do outro lado do corredor, dois senhores conversando:
_Ou acabam os protestos ou a diarreia acaba com a gente. Vamos ao próximo protesto.
Teve gente que parou e me cumprimentou pela posição política tomada.
Eu? Espera aí que pouco disse e pela internet. Estou nesse momento me resolvendo espiritualmente com estudos filosóficos.
Leio livros em português e inglês. Preciso lê-los, parecem-me fascinantes nesse meu momento. Preciso conciliar a minha vida pessoal prática com a filosófica.
De repente, passa uma vendedora de alguma loja de comércio e disse em alto e bom som:
_Não vendi a saia de lã para a cliente porque eu sei que ela não votou no mesmo candidato que eu nas eleições passadas.
Parei de pensar nos livros no mesmo momento. Fiquei com uma vontade de perguntar a ela se a dona da butique sabia que ela causou prejuízo nas vendas da loja. Essa moça merece uma medalha pela falta de juízo.
Passa outro homem e comenta sobre de quanto é a diferença entre custo e lucro de uma loja comercial. Por que ele não tenta abrir uma loja para descobrir? Existem comerciantes que vivem a loja como se fosse o seu único amor nessa vida?
Outra funcionária de loja passa e, ao ouvir o comentário do homem, não se contém na resposta:
_Vira esse seu mau olhado prá lá, que eu gosto de onde trabalho.
Simpática vendedora, ainda complementou:
_Se o senhor está desesperançado com os negócios, passa na lotérica e faça uma aposta. Como diz o ditado: ”Alguém tem que ganhar”. O senhor não acredita que possa ser o senhor? Eu lhe desejo boa sorte e que ao menos o senhor acerte a quadra.
Vocês sabem que o homem sorriu!
Há que se acreditar nas instituições democráticas, nos poderes constituídos, no diálogo entre as partes. Acreditar e reivindicar, mas de forma séria, através de abaixo-assinado, ter coragem de colocar o nome e assinar. Não existe sentido em se arriscar em tumultos quando existem maneiras igualmente fortes, mas sensatas. Podemos ser civilizados, é uma questão de vontade.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Indriso de Mesa Inteira

Indriso de Mesa Inteira
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Se o amor acabou, é hora de se avisar,
E cada um se senta à sua cadeira,
Conversa com jeito e o espera sem par.

Respeito e bom senso vêm ao jantar
De velas insossas, de mesa inteira,
Da mágoa ao carinho, a se revelar.

E trocam-se os pratos sem se abraçar,

Travessa de arroz rumo à geladeira.

domingo, 23 de junho de 2013

O Missionário

O Missionário

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Essa é a história da viagem à Índia, contada pelo missionário, que chamaremos de Sr. J.

A Índia tem uma cultura muito diferente da nossa. A população se estabelece em castas sociais. O missionário viajou até lá para falar a respeito do cristianismo aos cidadãos que quisessem ouvi-lo.

Originário da classe média em sua terra natal, ele dialogava com os seus iguais e conseguiu local e público adequados à sua explanação.

Seguiram até o local em meio ao trânsito permeado por o que chamamos de charretes, ônibus, automóveis, animais de transporte como camelos e as vacas, sagradas para eles.

O público atento, ao ouvir a história de Cristo, ficou pensativo. Ele foi até lá para contar-lhes de um Deus conhecido e familiar para eles. Porém, quando ele falou que Jesus era o único Salvador, eles menearam as cabeças.

Para eles, Jesus é um Deus, mas não o único. Eles são adeptos de muitos Deuses e os tratam com o devido “d” maiúsculo.

O “missionário foi considerado um ‘sujeito estranho” entre eles.

Tentando praticar a gentileza, perguntaram sobre os hábitos alimentares no Brasil.

O missionário disse a verdade sobre o nosso arroz, feijão e bife.

_Bife? De carneiro? De frango? Qual a sua carne preferida?

O missionário não os poderia ofender ao ponto de falar na carne de vaca.

_Qualquer carne que vocês me ofereçam será bem vinda.

Após o seminário e das conversas, eles foram sinceros:

_Entendemos que você queira seguir este caminho. Não entendemos o seu motivo para não venerar outros “Deuses”. O fato da sua não aceitação de outros “Deuses” pode magoá-los. Não se magoa nenhum “Deus“.

O missionário agradeceu a acolhida e voltou ao país de avião. Entre ida e volta ele percorreu a Terra no seu movimento de rotação. Não era turismo e ele se viu em volta do planeta por vinte e quatro horas ininterruptas, embora o avião tivesse parado na Malásia para se reabastecer de combustível.

Foi uma palestra interessante, da qual refleti e compartilho para a reflexão sobre o tamanho do mundo: Ele é grande ou pequeno?

sábado, 22 de junho de 2013

Hoje / The Day After em Curitiba

Hoje / The Day After

 

As moças saem contentes, seus amados

Passeiam nas ruas, igrejas em luzes;

Os vis se foram, desacomodados;

Protestos bons não terminam em cruzes.

 

Turistas, choram os envidraçados,

Partidos, eram vândalos, capuzes,

Sem regras ou ordem, desorganizados;

Quais gatos, cães e leões junto aos quebra-luzes.

 

Garotas, crianças, todos abraçados,

Na imagem de hoje por aqui sem trapuzes,

Constrói-se a paz entre os comunicados.

 

Sem guerra, o povo com seus aliados,

O novo surge aos nobres andaluzes,

Diálogos se abrem nesses povoados.

 

Se a semana foi musical, termina musicalmente.