Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

http://frasesemcompromisso.blogs.sapo.pt/

O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Felicidade Fabricada

Felicidade Fabricada

clip_image002

Suzana fora advertida para que não seguisse o caminho daquele jeito. Fora avisada que aquele caminho a faria desviar-se dos seus objetivos. Antes que pensem em plágio, aviso que o conto não é baseado em histórias infantis.

Suzana comprava remédios no Paraguai e os trazia ao Brasil para vendê-los. Nenhuma advertência foi ouvida. A moça era muito ambiciosa e desprezava todos os que estavam em volta dela.

Essa história começa no final, onde o caminho não tem volta.

No princípio ela fora vista mentindo para uma amiga. Dizia que os remédios a deixariam melhor para os estudos.

A amiga Sílvia não comprou e comentou que preferiria estudar do seu jeito, mesmo tirando notas abaixo das colegas que se sentavam nas carteiras da frente e tiravam nota dez. Para ela, importava o que conseguia saber com a mente aplicada aos estudos. Artifícios para estudar seria um apoio do qual ela temia depender, e dentro deste raciocínio preferia tirar notas dentro da média, afinal, não sentia necessidade de ser a melhor aluna da sala.

Suzana era diferente, queria ser a melhor aluna da sala, queria o dinheiro das vendas para pagar o melhor colégio, gostava de saber mais que os colegas de sala.

Quando há vendedor, é porque existe o consumo e a clientela.

Certo dia, a professora de história avisou a turma para que não comprassem os medicamentos vendidos aleatoriamente próximos à escola. A filha da professora havia tomado e passado mal; agora faltavam as aulas da escola e todos na casa da professora ficaram muito aborrecidos com o fato. Não seria pelo fato da mãe ser professora que a filha devesse ser exemplo de notas altas. Cada um é cada um e, por certo, a filha dela tinha a sua própria vocação. A professora se dizia arrependida de ter colocado a filha para estudar no colégio onde lecionava.

Os alunos, sabendo o nome da vendedora, foram conversar com Suzana, mas de nada adiantou.

_Ela não soube usar a medicação. Eu ensino a maneira correta para que se estude a noite inteira e não me responsabilizo por quem não segue as minhas recomendações.

Ao ouvir o argumento de Suzana, um dos seus colegas disse a ela que não acreditava que ela usasse os remédios que vendia.

Suzana disse que usava e pediu ao colega que visse as suas notas.

O fato era que Suzana começou a tirar notas altas a partir do momento no qual passou a estudar durante a noite. Às vezes ficava dois ou três dias sem dormir bancando a venda no horário fora da escola, o estudo e a frequência às aulas. Nesses dias ficava irritadiça e o seu olhar denunciava a noite mal dormida.

Sílvia era uma aluna de notas médias, sem notas excessivamente baixas e sem notas altas.

Suzana queria mais fregueses para compensar o seu uso de medicações irregulares.

Sílvia disse não à Suzana, mas ela foi às outras escolas e vendeu o seu produto para estudantes que queriam uma competência sobrenatural nos estudos.

Terminado o curso, cada um deles seguiu a sua vocação.

Suzana também seguiu a sua vocação, mas não mais dispensava os seus medicamentos. Quando deu por si, estava dependente das medicações que ela vendia aos colegas. Inteligente, foi ao médico, que substituiu a medicação, a dependência das novas substâncias dependeria das reações do organismo dela.

De efeito colateral em efeito colateral, o organismo de Suzana se fragilizava.

Por volta dos quarenta anos era uma profissional realizada, pena precisar de tantos remédios. O sucesso profissional não compensava a vida que levava agora, mas foi ela quem quis esse começo de carreira.

Sílvia não teve tanto sucesso na vida profissional quanto Suzana, mas também não sofreu o que Suzana sofreu.

Não eram amigas, não seria possível. Melhor para Sílvia que assim tenham se sucedidos os acontecimentos. A vida não paga o sucesso do profissional.

domingo, 9 de junho de 2013

Sans Paroles

Sans Paroles

clip_image002

A palavra não dita ao momento da ação, não deixa de existir como propulsora da modificação da realidade.

Pode-se silenciar a palavra, mas não se pode impedir que ela existisse enquanto pensamento e conceito a gerar uma conclusão intuitiva de ação sem que se tenha lido o livro, ou, ouvido a canção.

O silêncio pode ser gentil ou agressivo, mas nele mesmo há a interpretação da realidade que se apresenta como condição inquestionável do raciocínio.

O consenso a partir da observação, muitas vezes, é invisível aos olhos de quem tem o seu tempo ocupado pelas obrigações ou nos seus momentos de lazer. Porém, ao menor sinal da sua existência, ele reaparece como constatação.

Para ser real, tomemos como exemplo uma sala de aula onde os alunos são disciplinados na boa educação:

Nessa sala de aula, 26 alunos estão sentados em suas cadeiras escolares à espera que o professor de matemática entre na sala para explanar a matéria.

O professor entra na sala de aula com uma cesta repleta de maçãs e a coloca em cima da sua mesa.

Os alunos veem a cesta de maçãs, mas estão ali para assistirem a aula de matemática.

O professor discorre sobre os cálculos os decifrando ao quadro-negro e nada diz sobre a cesta de maçãs.

Ao terminar a explanação, o professor pergunta sobre as dúvidas relacionadas à matéria dada e os alunos questionam sobre as dúvidas na demonstração dos cálculos aritméticos.

O professor passa alguns exercícios após resolver as dúvidas dos alunos e a aula está para terminar. O professor olha para o relógio e verifica que o sinal indicativo do intervelo está para soar.

Ele pega a cesta de maçãs que está sobre a sua mesa e a coloca sobre uma cadeira escolar ao lado da porta de saída e volta para sentar-se na cadeira em frente à sua mesa.

Toca o sinal do intervalo, os alunos se levantam e formam uma fila para sair da sala.

Ao passarem pela porta cada qual pega a sua maçã e agradece ao professor.

Ninguém, na vida real, ganha maçãs depois da aula de matemática. Talvez, haja raras exceções nas cidades produtoras de maçãs.

O que importa, nessa aula, é que a realidade foi modificada sem que houvesse alguma vez sido pronunciada a palavra maçã ou o número vinte e seis fosse citado nos cálculos.

O conceito da cesta de maçãs mostrava que haveria maçãs para todos os alunos e o consenso se deu na hora em que o professor colocou a cesta de maçãs ao lado da porta após verificar as horas do relógio.

As ideias mudas produzem resultados práticos por conceito e consenso, não importando o fato de serem proferidas em público.

.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Insônia

Insônia
clip_image002
Qual ponto de luz na sombra,
Que brinca de esconde-esconde,
Que a vê nesse vão à redoma
Ao olhar de cansaço ao longe.

Ao espaço vagueia a Paloma
E, à luz, descortina o bonde;
Percebe que a vida ronda,
Qual carta não lida anteontem.

Desperta ao café que côa
Ao bule de sonho insone;
Mas pensa dormir e sonda
O sono que foge às onze.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Indriso: Conselho

Indriso Conselho

clip_image002

O que eu recomendo ao outro, me cabe.

Aconselhamentos são casacos

De lã na invernada e, quem sabe?

 

Ao se agasalhar o outro é que se abre

A resolução do seu frio; nacos,

De alguma experiência com o diabre.

 

E que siga em frente e não desabe,

 

Ao se confortar nesses seus passos.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Enfim, a Verdade na Propaganda / Crônica do Cotidiano

Enfim, a Verdade na Propaganda / Crônica do Cotidiano

clip_image002

A propaganda pode se utilizar de vários meios de comunicação e, conforme sabemos, elas estão presentes em panfletos (as mais baratas) e na televisão (caríssimas).

Hoje, estava no centro da cidade quando avistei a propaganda nos fundos do caminhão novo, do tipo baú, fechado, com a carroceria brilhando no capricho da cera.

Caminhões em serviço dentro da cidade geralmente trazem o nome da transportadora ou o nome da loja para a qual trabalha. É a forma de a loja fazer o seu merchandising de forma gratuita, pois vemos o caminhão e automaticamente lemos algo sobre a empresa para a qual ele presta serviços.

Hoje passei e vi o caminhão com a propaganda, porém é uma propaganda desafiadora.

Por motivos óbvios não direi a quem o caminhão pertence, embora estivesse escrito em letras em tamanho suficiente para a respectiva leitura.

Concordem ou discordem, mas, em minha opinião, a propaganda é absolutamente a ideal sob o ponto de vista de quem deseja o produto. Além do que, tem a capacidade de dizer ao pensamento, que o slogan é verídico.

Agora, amigos blogueiros, a quantas ilações se podem chegar com o letreiro do caminhão?

Contundente e conclusiva na sua comunicação, eu exponho a frase principal para que vocês pensem seriamente sobre o assunto:

“Enquanto os ôtro dorme, nóis roda a cidade.”

O telefone estava abaixo da frase.

Termino com o chavão: Assim Caminha a Humanidade...

terça-feira, 4 de junho de 2013

Sofrível

Sofrível

clip_image002

Dengue é perigo,

Ouça o que digo:

Para sofrer,

Basta querer.

 

Deixe que o frio

Tire o mosquito,

De esse poder;

Vamos conter.

 

Siga o aviso,

Seque seu piso

Ao amanhecer;

Queira vencer.

 

Limpo é o chuvisco,

Tampe o seu lixo;

Cuide viver

Seu florescer.

 

Mosquito é risco,

Tenha juízo;

Faça-o correr

Pra se aquecer.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Dor de Cabeça /Crônica de Supermercado

Dor de Cabeça / Crônica de Supermercado

clip_image002

Fui ao supermercado hoje por obrigação. Não tinha sequer um único pão amanhecido para comer. A ressaca pegando forte, o fim do feriado e a roupa para lavar, enfim, algo me deu dor de cabeça.

Fui à fila do pão ouvindo a música ambiente, que tocava como um tambor dentro da minha cabeça.

Sem assunto, contei que estava com dor de cabeça. A senhora que estava na fila disse que estava ranzinza com o filho porque estava com dor de cabeça.

Não me senti sozinha, grande parte da fila estava com dor de cabeça.

Como éramos vários com dor de cabeça, alguns disseram que era do ar condicionado, mas logo alguém protestou e disse que era a friagem lá fora. Outro disse que era do cansaço, outro ainda disse que precisávamos nos proteger e tomar vitaminas para não nos resfriarmos.

Do assunto entediante fui pagar os meus pães. Chegando ao caixa, ele estava com ar contristado.

Ele me contou da dor de cabeça e eu disse que também estava, achava que era ressaca.

Chegou outro caixa e perguntou a ele se ele não estava bem.

_Estou com dor de cabeça.

O outro, que passou o final de semana trabalhando no supermercado, olhou seriamente para o colega:

_Amigo isso é só o começo. Depois piora.

O rapaz, que empacotava os pães que eu havia comprado, ficou preocupado.

Eu também, não estou sabendo de nenhuma endemia que começa com dores de cabeça.

Eu olhei para o caixa e ele me olhou. Em seguida olhou para o colega e perguntou:

_O que pode ser essa dor de cabeça?

O amigo, gaiato e feliz, não teve dúvidas ao responder:

_É assim que começa a dor de corno (gíria expressando a dor de quem briga com a namorada porque ela está com outro namorado).

Ele virou-se para mim e desabafou:

_A senhora preste atenção no tipo de coleguismo que eu tenho. Eu, com dor de cabeça, e ele de olho na minha namorada.

Ele, então, virou-se para o colega e disse:

_Vira essa boca para lá que eu não quero olho grande para o meu lado. Basta a dor de cabeça.

Bom mesmo é não ter dor de cabeça, mas agora que comi o pão e deixei tudo em ordem, a dor de cabeça passou. Era ressaca!

Gente de bom humor alegra o dia dos seus semelhantes.