Para pensar
Discordar do filósofo compete a quem o lê e segue princípios e normas diversas do pensamento cujo tema é objeto da discussão.
Certamente, em todo e qualquer estudo encontramos pontos de convergência e pontos de divergência com o ponto de vista de quem o estuda.
Claro fica que, ao se discordar completamente de um filósofo, provavelmente indica que se é adepto de outro, porque existem filósofos antagônicos, que, ao discutir a filosofia de vida, seguem-na de maneira tão divergente que a resposta possível é apoiar ou renegar as ideias de um em favor de outro.
Interessante é, porém, observar os recursos de linguagem usados como se algum escritor pudesse escolher o seu opositor de ideias. Assim, a oposição nominada e escrita em um determinado pensamento filosófico, é analisada de forma mais abrangente do que apenas a escrita formal do mesmo com seus pensamentos e as suas críticas direcionadas a este ou aquele outro estudioso sobre o tema que discorre o seu discurso.
Penso que para se ler um pensador à nossa livre escolha, porque a filosofia acredita na liberdade de expressão e toda a responsabilidade vinda dessa escolha. São necessários critérios universais a leitura atenta do pensador.
O primeiro critério é situar o autor dentro da sua época, no seu contexto histórico e no seu contexto socioeconômico, sem menosprezar as condições naturais do próprio pensador.
O segundo critério é consequente do primeiro e, se trata de se conhecer os pensadores antecedentes, ou seja, por quais meios ele chegou a filosofar para depois se reconhecer os seus contemporâneos que são aqueles pensadores com os quais o filósofo conviveu, era amigo ou rival.
O terceiro é verificar se não houve a escolha proposital do filósofo em determinar o pensador ao qual se punha. A escolha do debatedor determina um diálogo estudado, enquanto que o pensamento se opõe às ideias, nunca às pessoas. Através das ideias escritas pode-se determinar a real oposição a que se refere o texto.
O quarto e necessário critério ao se ler um filósofo, é determinar sobre a possível intenção ao escrever aquele texto com aqueles pensamentos; para tanto o conhecimento da sua biografia é um instrumento de grande utilidade. Por que ele usou esta ou aquela frase, quando poderia se expressar de maneira diferente para manifestar o mesmo pensamento. Essa é a análise da pessoa do filósofo enquanto ser humano.
Penso que é essa a disposição correta ao se ler filosofia como leitor, quando não se tem uma necessidade científica de discutir algum aspecto da sua obra ou comparar o pensamento entre dois pensadores.
Boa leitura a todos!
