Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

http://frasesemcompromisso.blogs.sapo.pt/

O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Para Pensar / Filosofando

Para pensar

clip_image002

Discordar do filósofo compete a quem o lê e segue princípios e normas diversas do pensamento cujo tema é objeto da discussão.

Certamente, em todo e qualquer estudo encontramos pontos de convergência e pontos de divergência com o ponto de vista de quem o estuda.

Claro fica que, ao se discordar completamente de um filósofo, provavelmente indica que se é adepto de outro, porque existem filósofos antagônicos, que, ao discutir a filosofia de vida, seguem-na de maneira tão divergente que a resposta possível é apoiar ou renegar as ideias de um em favor de outro.

Interessante é, porém, observar os recursos de linguagem usados como se algum escritor pudesse escolher o seu opositor de ideias. Assim, a oposição nominada e escrita em um determinado pensamento filosófico, é analisada de forma mais abrangente do que apenas a escrita formal do mesmo com seus pensamentos e as suas críticas direcionadas a este ou aquele outro estudioso sobre o tema que discorre o seu discurso.

Penso que para se ler um pensador à nossa livre escolha, porque a filosofia acredita na liberdade de expressão e toda a responsabilidade vinda dessa escolha. São necessários critérios universais a leitura atenta do pensador.

O primeiro critério é situar o autor dentro da sua época, no seu contexto histórico e no seu contexto socioeconômico, sem menosprezar as condições naturais do próprio pensador.

O segundo critério é consequente do primeiro e, se trata de se conhecer os pensadores antecedentes, ou seja, por quais meios ele chegou a filosofar para depois se reconhecer os seus contemporâneos que são aqueles pensadores com os quais o filósofo conviveu, era amigo ou rival.

O terceiro é verificar se não houve a escolha proposital do filósofo em determinar o pensador ao qual se punha. A escolha do debatedor determina um diálogo estudado, enquanto que o pensamento se opõe às ideias, nunca às pessoas. Através das ideias escritas pode-se determinar a real oposição a que se refere o texto.

O quarto e necessário critério ao se ler um filósofo, é determinar sobre a possível intenção ao escrever aquele texto com aqueles pensamentos; para tanto o conhecimento da sua biografia é um instrumento de grande utilidade. Por que ele usou esta ou aquela frase, quando poderia se expressar de maneira diferente para manifestar o mesmo pensamento. Essa é a análise da pessoa do filósofo enquanto ser humano.

Penso que é essa a disposição correta ao se ler filosofia como leitor, quando não se tem uma necessidade científica de discutir algum aspecto da sua obra ou comparar o pensamento entre dois pensadores.

Boa leitura a todos!

quinta-feira, 30 de maio de 2013

À Procura de Edson Prado…

À Procura de Edson Prado

clip_image002

Edson Prado passou por uma situação no mínimo curiosa.

Estava ele em busca da matéria, quando soube que o motorista do Jornal do Blog estava noutra atividade onde a proprietária do blog foi buscar pães no supermercado para se encontrar com a crônica.

O repórter não teria tempo para tomar ônibus e, se quisesse a matéria publicada no dia, teria que pegar um táxi para se dirigir ao local da matéria.

Entrou no automóvel e ficou surpreso com o reconhecimento da sua pessoa pelo motorista.

_Sei que o senhor faz matérias para o blog, leio as suas matérias. O senhor é claro e objetivo.

Ele ficou contente.

_A minha vida dá matéria para o senhor. Por que o senhor não me entrevista?

Edson cortês pediu a ele que expusesse o motivo da matéria como se fosse à sinopse, ou o resumo, de um filme.

O motorista, com toda a firmeza educada possível, disse:

_A tarifa está defasada. Eu e os meus colegas estamos trabalhando por amor à profissão.

Iria contar dos seus gastos mensais, mas Edson o interrompeu:

_Eu compreendo que os gastos de manutenção mensais sejam elevados.

Ele mudou de argumento:

_O senhor observe a tarifa do ônibus e a compare com a tarifa do táxi. Nos últimos cinco anos, quantas vezes a passagem do transporte coletivo subiu? Agora o senhor verifique quantas vezes a tarifa do táxi subiu. O senhor não precisa conferir, eu lhe digo: nenhuma.

Edson pediu para que ele concluísse o seu raciocínio.

_Dependendo do número de passageiros a tomarem os assentos, pegar táxi custa mais barato do que tomar ônibus. A bandeirada terá que subir, é questão de tempo.

Edson explicou que para ele seria difícil fazer uma matéria pró aumento de gastos por parte da população, embora fosse de argumento consistente.

_Eu escrevo para o blog de vez em quando. As matérias do blog são culturais. A política e a economia ficam para os blogs articulados. Eu sinto muito, mas o senhor pode e deve procurar outros meios de comunicação para dizer do trabalho diuturno de um carro de praça, dos problemas enfrentados pelos taxistas. A partir daí, quem sabe, a tarifa pode ter aumento. O senhor sabe que o aumento da tarifa pode diminuir o número das corridas e essa é a questão principal ao se cogitar todo aumento de custos.

O motorista entendeu as dificuldades do Edson e o repórter agradeceu a confiança depositada nele.

_Pelo menos desabafei. Eu precisava dividir com alguém a minha vida. Os passageiros entram no táxi e, muitas vezes dividem conosco os seus problemas. Hoje foi ao contrário. A sua companhia me fez bem, senhor Edson.

Edson desejou uma boa renda naquele dia. O motorista desejou que Edson fizesse boa matéria para o blog.

ATENÇÃO: O BLOG NÃO SE RESPONSABILIZA PELOS TEXTOS DO PERSONAGEM EDSON PRADO.

_Que canetada que eu levei do blog...

PS. A BLOGUEIRA VOLTA APÓS A REUNIÃO COM O REPÓRTER EDSON PRADO

quarta-feira, 29 de maio de 2013

Amora

Amora

clip_image002

Lembre-se de você, como era.

Mude o seu pensamento ao agora,

Conte à flor pelo o quê se esmera,

Sinta todos os sóis, embora,

Saiba dessa estação a quimera

Úmida desses dias lá fora.

 

Nesse doce sabor de pera,

Louva-se do cismar de outrora,

Toda a terna esperança, e gera,

Desse tempo longínquo, a flora,

Rubra, que ao seu brotar, cerca e hera,

Seguem por outro caminho à escora.

 

Surja de você a nova esfera,

Paz assim desejada, de hora,

Feita ao tempo relógio, a espera,

Da sela no cavalo à corda.

Seja esse cavalgar nova era

Livre para colher amora.

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Perfeição

Perfeição

clip_image002

Tem gente que sonha Moscou,

Tem gente que acorda Rock’n Roll,

Tem gente que vive à oração

E aprende a divina canção.

 

E tanto fará esse quem sou,

Quando o que se fez, se louvou.

Por quê? Do conjunto a razão

Transborda e vem junta à emoção.

 

Razão da emoção que somou

Aquilo que o peito calou;

Vetor ao vetor da função

Perfeita na paz da criação.

domingo, 26 de maio de 2013

Dez

Dez

clip_image002

Três vezes não é coincidência,

Creia nisso e pense outra vez,

Negue a sua incompetência,

Conte a história a esse freguês.

 

Três vezes... Nessa insistência

Algo quer dizer se crês,

Sorte não há na imprudência;

Haja fé naquilo que vês.

 

Ouça, veja e tome ciência,

Uma, duas, conte três;

Nessa conta de paciência

Fique calmo e conte o endez.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Comédia de Erros

Comédia de Erros

clip_image002

Joaquim foi com Manoel à casa de Maria. Joaquim foi à casa de Maria porque pensou que ela fosse doidivana.

Manoel conhecia Maria e sabia dos seus hábitos e costumes. Permitiu que Joaquim fosse à casa de Maria para verificar a veracidade dos comentários e tirar as suas próprias conclusões.

Manoel daria carona para Maria até o armazém.

Joaquim aceitou o convite de Manoel porque queria convencê-lo das extravagâncias de Maria. Para tanto, utilizou um estratagema:

_Amigo Manoel, vamos pegá-la antes que o armazém abra as portas.

Manoel concordou e às sete e trinta da manhã se dirigiram até a casa dela. Bateram na porta e a Maria, ansiosa que estava para ir ao armazém de automóvel, estava pronta para sair desde às sete da manhã..

Joaquim vira-se para Manoel e diz:

_Como foi que perdemos de vê-la de camisola e penhoar?

Manoel pediu que Joaquim se calasse. Era falta de respeito para com a amiga Maria.

Joaquim não se deu por enganado e pediu um copo com água para Maria. Disse que se esquecera de tomar água ao acordar.

Maria convida Manoel e Joaquim para irem até a cozinha, era cedo ainda para ir ao armazém. Na cozinha ela serve o copo de água para Joaquim.

Este se vira para Manoel e diz:

_Manoel, você se lembra da criação de porcos do José?

O amigo, entendendo a indireta disse que se lembrava.

_Ele faliu. Não existem mais porcos de criação na fazenda dele.

Maria observou a cozinha limpa e arrumada. Desconfiada, passou a ouvir com cuidados a conversa deles.

Estava na hora de saírem e entraram no automóvel.

Joaquim fala de um partido político para Maria e aguardou o seu comentário.

Maria, entendendo a indireta, disse que não gostava do tal partido.

Joaquim exclamou para Manoel:

_Agora estou órfão. Todas as minhas referências se foram.

Manoel ria até não poder mais. Continuou a conversa sem ser claro e piscando ao amigo:

_Amigo Joaquim, Em que oficina mecânica você conserta o seu veículo?

Joaquim respondeu que era na oficina do Agostinho e do Agnaldo. Elogiando os mecânicos, Joaquim contava quem eles eram para Maria, sem o saber que fazia.

Chegaram ao armazém e Manoel ofereceu-se para levá-la para casa.

Maria, que depois da carona, sabia mais do que gostaria, pois nem sempre se deseja saber o que os conhecidos pensam e ainda mais que foi sobre ela própria, agradeceu a gentileza e disse que numa próxima oportunidade, aceitaria o convite. Agradecia mais que a carona, agradecia a confiança que Manoel tinha nela.

O automóvel partiu com Joaquim decepcionado. Ela não era quem ele pensava que fosse.

Manoel, feliz, porque Maria era do jeito que ele conhecia.

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Saída Quente / Crônica de Supermercado

Saída Quente / Crônica de Supermercado

clip_image001

Hoje fui ao supermercado torcendo para encontrar-me com a crônica. Quero escrever textos longos e a crônica me ajuda nesse contato virtual agradável.

Entrei e fui direto pegar os pães. Fila pequena, nada de novo além do frio que chega e as ofertas do dia.

Fui para a fila do caixa. Alguém dizia algo interessante. Comentava sobre a exposição dos quadros com um toque de cinismo, dizendo que com dois ou três toques de pincel, faria com que o quadro que não a agradava se transformasse numa obra de arte.

Gostei do assunto porque também fui à exposição e o quadro em questão magoava a arte demonstrando a falta de conhecimento do artista. O quadro precisa de retoques, ou, a meu ver, uma demão de tinta branca apagando o detalhe que o estraga. Ao invés do tom de crítica, que poderia se revelar, evidenciava a falta de gosto na paleta de cores. Não adiantaria descrever o quadro porque quem o observou não o disse ao artista e seria uma indelicadeza dizer algo sob o meu ponto de vista (daquilo que não conheço o suficiente não o digo) e, sendo assim, o critério de valor à obra é indevido.

O papo da fila estava bom para os arteiros de plantão. A fila seguiu em direção ao caixa e o tempo passou depressa.

Quase antes da senhora, que estava alguns fregueses à minha frente, ser chamada pelo painel para se dirigir ao caixa, ela vira-se para o marido e diz:

_Amor, você desligou a panela de pressão? Eu estava cozinhando pinhões quando fui me arrumar para sair.

O marido disse que não porque ele pensou que ela tivesse desligado.

Houve um entreolhar acusativo entre ambos.

Fila é bom porque todos participam da conversa e o que estava logo atrás dela e do respectivo cônjuge, tranquilizou-os:

_Não se preocupem, pois se a panela queimou, um vizinho sentiu o cheiro e chamou os bombeiros. Eles arrombaram a porta do seu apartamento e desligaram o fogão. Vocês terão talvez, que pagar para a companhia de gás, para religá-lo para vocês. Preparem-se para chamar alguém para arrumar a porta e pagar a diária de um hotel na noite de hoje. Não é bom dormir com o apartamento aberto nos dias de hoje.

O casal parou de se acusar compressa de passar as suas compras no caixa. Ficaram pálidos e pareciam tremer. Ela mais que ele. Pagaram a conta e foram embora, apressados.

Agora, cá entre nós, e agora o tom é de recomendação:

_Todos sabem que não se deixa as panelas no fogo para sair. Todos sabem que é obrigação de quem cozinha ficar na cozinha até que o alimento esteja pronto. Cozinhar não permite que você faça outra atividade em conjunto. Para os momentos de espera de cocção dos alimentos liga-se o rádio. Televisão na cozinha pode ser motivo de sal a mais e açúcar de menos, pelo menos eu penso assim.

Esses fatos preocupam porque podem acontecer em qualquer lugar e com qualquer um que acha que sairá tão rápido que o bife esperará por ela na frigideira.

Até agora estou torcendo para que não tenha acontecido nada de ruim com a panela de pressão deles.

Quanto ao quadro, lerei sobre o assunto para aprender o que eu não sei.