Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

terça-feira, 30 de abril de 2013

O Poder da Vitrine

O Poder da Vitrine / Crônica do cotidiano

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Os publicitários dizem que a vitrine vende e agora eu acredito neles.

Por esses dias, eu cheguei adiantada a um compromisso e tive que fazer hora antes de cumprir a obrigação. Caminhei pela rua displicentemente procurando algo para ver. Tomei um café e passei em frente a uma pequena loja de armarinhos e namorei a vitrine.

A lojista, sem muitos recursos, fez a vitrine com muita criatividade. Embora não tenha tirado fotografias, essa vitrine me foi agradável a ponto de ficar como um desenho multicolorido na minha imaginação.

Bonecas de pano de tranças nos cabelos, vestindo vestidos de chita, sentadas sobre almofadas feitas à mão, de braços abertos com uma folha de revista bem recortada.

Eram folhas de revistas de moda do mundo inteiro e os modelos eram também criativos, sugerindo ao passante a ideia de fazer arte em casa.

Demorei-me alguns minutos olhando as rendas e fitas, as bonecas e as revistas que essas bonecas seguravam. Depois, fui ao meu compromisso.

Ao sair no dia seguinte, sem querer, a minha visão voltava-se para as roupas e sapatos das transeuntes. Não era questão de moda e sim a beleza da composição das moças.

Encantou-me a saia de crochê sobre o forro de pano na cor neutra acompanhada por sapatos de salto alto pretos.

Os meus olhos procuravam a sugestão da vitrine do dia anterior. De repente, passou uma senhora com sandálias de plataforma do verão retrasado, mas vestia uma calça clássica bege de corte impecável. Outra ainda vestia o que poderia se chamar de camisão com golas e punhos escuros que ia até a altura dos joelhos e usava sapatos com saltos exóticos.

Senti-me num desfile de modas, cada uma no seu estilo pessoal, todas muito bem arrumadas. No entanto, elas não estavam vestindo roupas dos shoppings centers, criavam o seu visual. Também não tirei foto delas, observei-as como um caça-talento faria, ao longe. Lembrei-me de uma amiga que dizia que bom gosto tem a ver com estilismo e criação de moda.

Voltei para casa e pensei na vitrine. Sei que não sou boa crocheteira, mas no tricô eu me viro bem e sei tirar amostras de pontos e fazer malhas com capricho.

A vitrine quase me persuadiu a voltar à loja para comprar lã, mas ando sem tempo e sei que é melhor deixar para quando tiver alguma folga de horário. E digo que é difícil resistir à vitrine.

A vitrine causa a sensação de vontade, direciona o olhar para o produto mesmo depois que o contato visual é descontinuado. A vitrine quase espelha um desejo oculto de parar para fabricar artes manuais e se transformar numa autêntica estilista de guarda-roupa.

E depois de ver moda sem parar, passei de novo na loja. Entrei para conhecer os artigos à venda. Não comprei. Peguei uma receita de tricô para depois, quando quiser ou puder tricotar, cortesia da loja para os seus visitantes.

Com toda essa delicadeza, quem não tem vontade de comprar algo a mais, aquilo que não se necessita, mas sim se deseja como se fosse item de primeira necessidade. O que parece ser um absurdo e é real. A gente é que tem que se segurar para não gastar naquilo que não precisa.

Voltando ao publicitário do início do texto: Não é que ele tem razão? Vitrine vende!

segunda-feira, 29 de abril de 2013

Amigo Poema

Amigo Poema
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Saber do outro como se sabe
A si, é no cozer, o fermento;
A frase que tanto bem cabe
Dizer num arrebatamento.

Amigo é alfazema da tarde,
Passada sem dor ou lamento;
Do tempo perdido à vontade,
De ser apenas sentimento.

Aroma que deixa a saudade
De lado num breve momento,
E enseja com essa vontade,
O livre querer ao contento.

Abrigo é com quem te bem sabe
Ao vir festejar este alento
Presente à janela que se abre,
Querendo-te muito ao seu tempo.

domingo, 28 de abril de 2013

Música Concreta Compartilhada

Música Concreta

Compartilhando a música concreta, instintiva, com inserções sonoras, na quântica melodia inventada e improvisada.

Assisti-los ao vivo se traduz em experimentar novas possibilidades musicais, libertar o tom e deixar o som fluir dentro da emoção.

Compartilho o som deles, que é, antes de tudo, a música experimental, quântica e fundamental para mudar os acordes que se fixaram em nós como cola a ser removida.

O som, a física, violão e viola com sintetizador e vocal. Experiência sonora para ninguém achar defeito.

Assim se deixa o domingo espreguiçar nesse cd novo. Nem vou poetizar com exagero porque o exagero foi o som permitindo a liberdade sonora, contemporânea e exigente.

 

Sem Palavras

Concreta, experimental,

De quântica folia,

De som e tom cordial

Na toca da maestria.

sábado, 27 de abril de 2013

Função Família

Função Família

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Chegavam à residência marido, mulher e filho por volta dos seus seis anos.

À entrada da casa o pai, à vontade, conversa com o garoto:

_Filho, amanhã é sábado e vamos ao parque pela manhã, depois iremos almoçar juntos com a mamãe, à tarde jogaremos bola. Voltamos para casa e saímos os três para comer pizza. Programa nosso com a participação da mamãe. Vamos ter um final de semana divertido.

O garoto olha para cima, olha primeiro para a mãe e depois para o pai e começa o sermão:

_Papai: estamos bem, mas você está sendo um tanto sem juízo ao fazer do final de semana uma festa. Deveria pensar em fazer as compras da semana, comeríamos salada, arroz, feijão e bife na hora do almoço. Esperaríamos a mamãe lavar a louça para depois programarmos o resto do dia.

A mãe olhou surpresa para o filho, mas o garoto continuou:

_Papai, às vezes você se comporta como um palhaço de circo. Você deveria ser sério e me educar para crescer e ser um homem de bem. Estou falando isso para o seu bem. Veja a mamãe que trabalha fora, cuida da casa e me ajuda nos deveres de casa e até me ensinou a tomar banho e me vestir sozinho. Ela é séria. Comporte-se melhor papai.

O pai do garoto ficou chateado. Ele queria proporcionar um belo final de semana naquele começo de inverno, mas depois da bronca, nem sabia se queria alguma coisa.

A mãe disse ao garoto que ele estava exagerando nas repreensões ao pai e afirmou que crianças brincam. Disse também que ele estava na pré-escola e podia se divertir antes de pensar seriamente na vida.

_Mamãe, eu digo o que eu digo para o bem do papai. Vocês parecem não me entenderem.

A grandiloquência do menino chamou a atenção do pai, que perguntou ao Dídio, apelido do garoto:

_ Meu filho, onde você passou à tarde de hoje? Na biblioteca?

O garoto, pequeno, ingênuo e sincero, disse ao pai:

_A professora não foi e o vovô veio me buscar.

O pai perguntou novamente:

_Vovô, papai da mamãe ou vovô papai do papai?

O garoto contou que estivera na casa do avô paterno.

A esposa, mãe do garoto disse:

_ Graças a Deus: Não foi o meu pai e nem ninguém da minha família.

O marido perguntou à mulher porque tanto agradecimento e ela disse que havia pegado o Dídio com a mãe dela.

O marido pediu para que a mulher ligasse para a mãe dela para saber do dia do filho.

A mãe dela disse que a mãe dele deixou o garoto com ela para ir à médica acompanhada do marido.

O pai perguntou ao garoto se o avô tinha pedido para que ele desse um pouco de juízo ao pai. O garoto disse que não, mas que o vovô tinha dito todas aquelas coisas porque estava preocupado com o futuro dele.

_Filho papai conversa com o vovô e você fica de fora da conversa. Amanhã iremos e faremos o que eu disse agora a pouco. Não se preocupe pelo seu avô. Eu digo para ele que está tudo bem.

Entraram em casa e a mulher começou com as brincadeiras de bola com o filho, ela seria a treinadora.

sexta-feira, 26 de abril de 2013

De Papo P’ro Ar

De Papo pro Ar
O som brilha com Paulinho
À viola, o samba-enredo,
De segredo ao cavaquinho.
Ao som: cordas e sossego.

Na garganta o seu carinho
A cantar de próprio jeito
À Portela sem chorinho;
Na canção, no seu sossego,

Tamborim no peito ninho,
Passarinho no arvoredo,
Vem do rádio esse seu sino,
Esse mar de timoneiro.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

O Brinde

O Brinde

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Era uma vez um casal desgostoso com os negócios, mas que precisava comprar um jogo estofado para receber os amigos.

Não possuindo muitos recursos para a compra, eles foram a uma loja de móveis populares. Escolheram o melhor jogo estofado que o seu dinheiro podia comprar.

O dono da loja era um comerciante muito rico e conhecia o casal dos tempos fartos.

O comerciante tratou o casal com muitas mesuras, mas depois do negócio fechado e o jogo estofado devidamente pago, ele os surpreendeu com um brinde.

O brinde era uma mesa de centro, para ficar em frente ao jogo estofado. Era uma mesa toda empoeirada, lisa e de madeira crua. Ele tinha muitas mesas bonitas para vender ou dar, mas escolheu aquela que parecia a mais simples.

O casal agradeceu e disse ao dono da loja que não precisava lhes dar nenhum brinde.

O comerciante disse que fazia questão de dar o presente.

O casal comentou à noite, na intimidade dos travesseiros, que aquele brinde veio de uma forma diferente. O comerciante ria muito do jeito sem graça que o casal ficou.

Quando o sofá chegou, lindo, novo, de preço bom, eles perceberam que a compra tinha valido a pena.

O entregador trouxe então a mesa e a colocou no centro da sala. O dono da loja pediu ao entregador que fizesse com que o casal assinasse o recebimento da mesa de centro.

O casal assinou e o entregador foi-se embora, sorridente.

Então, os dois sentaram-se no sofá e repararam na mesa empoeirada, lisa e de madeira crua.

Um deles reparou que a madeira era maciça. A outra trouxe a flanela e o lustra-móveis.

A mesa de centro era de imbuia, uma madeira nobre, talvez tão cara quanto o jogo estofado.

A mulher sentou-se junto ao marido e recebeu o mais terno abraço que jamais havia recebido.

O que parecia deboche na hora da compra foi exatamente ao contrário dentro da sala. Era sinônimo de apreço e consideração do comerciante àquele casal.

No estado em que veio, parecia peça avulsa de estoque encalhado. Jamais alguém pode dizer do apreço do comerciante pelo casal.

quarta-feira, 24 de abril de 2013

Pergunte ao Scherlock / Crônica de Supermercado

Pergunte ao Scherlock / Crônica de Supermercado

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Devido ao fato presenciado e devidamente fugido, pois corri para dentro do supermercado, me ocorrem dúvidas sobre a correta maneira de agir em determinadas circunstâncias.

A cidadã pacata, que aqui questiona, compra pães e ganha a história para o blog.

Quando se escuta um grito, um motor roncando e se encontra no pátio do supermercado, deve olhar para o lado, ao se dirigir para dentro do estabelecimento. Agora suponhamos que, ao olhar para o lado a cidadã vê um veículo em fuga, logo atrás um cidadão desesperado e, ainda atrás, o garoto de ouro, aquele que leva os carrinhos de compras para que sejam pegos pelos clientes que chegam ao estabelecimento, gritando:

_Para aí! Para aí!

Para que lado se corre? Eis a minha dúvida! Corri para dentro do estabelecimento ao ver os olhos de dentro do veículo e a direção do mesmo ameaçando vir para o meu lado. Se viesse, no entanto, iria se chocar com uma fila de carrinhos de compras e, talvez, tivesse que fugir a pé se não apanhasse de quem estava no local. Não quero nem pensar no “imbroglio”. Não me corrija o português, a palavra imbroglio é italiana Seria embrulho se fossem compras, mas carrinhos, assaltantes, assaltados, automóveis, garotos e cidadã pacata, seria imbroglio no sentido de confusão.

Comprei pães e não peguei a história? Lógico que peguei na saída.

Dirigi-me a um caixa de carrinhos de compras. Ele estava vazio de fila e havia alguém terminando de pagar as suas compras. Coloquei a cesta sobre a bancada, quando aparece uma senhora aparentando trinta e poucos anos e começou com a falta de educação:

_Essa fila é minha. Eu estava na fila. Saí para pegar um item que faltava na minha lista de compras e a senhora pegou o meu lugar.

Conforme escrevi acima, não havia fila, não havia carrinho de compras. Ela com más maneiras, pegou o lugar para ela, mesmo verificando que na minha cesta havia somente pães.

Eu não a conheço. Acredito que ela também não me conheça.

Agora a pergunta:

_Deveria eu fazer valer o meu direito de estar na fila, mesmo depois do acontecido no estacionamento? Para que criar polêmica num supermercado com vários caixas de atendimento e qual o sentido de pegar o lugar na fila se todos os caixas estavam com o mesmo movimento?

Divagando: com o supermercado lotado, naturalmente procuram-se os caixas rápidos para compras de pequena monta; em caso contrário a situação é optativa.

Pergunto ainda se estou certa em manter a calma e se com essa calma, não estou contrariando os princípios de cidadania?

Por hoje, é isso. Sei que o segurança disse que levei sorte e que ganhei o dia, pois consegui entrar sem que o assaltante viesse com automóvel e arma para o meu lado. Valeu o bate-papo!