Meteorito?! Jamais pensamos em presenciar um acidente com meteorito! Sentimos muito pelos russos e alguma sensação estranha nessa solidariedade: uma curiosidade mórbida em saber como é a sensação de ser atingido pelo objeto vindo do espaço.
Sinceramente não conheço os elementos físicos e químicos de um meteorito. Lembro-me que peguei num fóssil de mais de cinco mil anos trazido por um pesquisador antropológico que nos ofereceu a sua palestra na cidade. Provavelmente quem ler não acreditará, mas ele garantiu ser verdadeiro e aposto que se divertiu observando as expressões daqueles que quiseram pegar no osso humano de mais de cinco mil anos.
Expresso a minha solidariedade ao povo russo.
Ao mesmo tempo procurei em minha memória dos bancos escolares quem foi o autor do gracejo que fez com que todos rissem em sala de aula. Chamaram-no de mentiroso e ele disse que não era mentiroso não. Quis jurar. Não deixamos porque não queríamos nenhum juramento vão. O colega pediu que ele fosse à frente da sala e dissesse que queria que um raio caísse na cabeça dele se ele estivesse mentindo. O gracejo não parou por aí. Ele foi à frente da sala e diante da turma exclamou:
_Quero que caia um meteorito na minha cabeça se eu estiver mentindo.
A turma reclamou que era raio e não meteorito porque não existiam meteoritos caindo na cabeça de ninguém e ele sabia disso.
O garoto respondeu:
_Existem momentos em que eu me equivoco. De repente os anjos passam, me levam a sério, e num zás-trás pode acontecer que um raio caia na minha cabeça. Se isso acontecer, vocês terão remorso pelo resto das suas vidas. Mas, como eu prezo a cada um de vocês como os mais queridos amigos e, saibam que dos quais jamais encontrarei de mesma natureza e bondade, poupo a todos de tal infortúnio.
A sala foi às gargalhadas. A professora teve que esperar alguns minutos para recuperar a concentração e continuar a aula de matemática. A matéria eu lembro, o orador, não.
Agora é real. Mil pessoas feridas e, nós, atônitos. Sem saber como expressar, sem expressar o que sentimos porque é um sentimento surreal. Parecia que o planeta estava acima dos meteoros, não embaixo. Vamos ter que aprender e assimilar essa tragédia tão diferente de tudo o que foi visto e vivido. Vamos aprender o que é um meteoro na cabeça depois dos primórdios do planeta. Parece que lá atrás, no tempo, o professor de geografia nos contava que os dinossauros foram extintos pelos meteoros.
Que sensação esquisita será olhar para o céu de agora em diante, agora que a piada perdeu a graça.

