Rio de Janeiro

Rio de Janeiro

http://frasesemcompromisso.blogs.sapo.pt/

O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Reflexão: Família

Reflexão: Família

clip_image002

O amor é interessante ao se viver, é necessário suar a camisa todos os dias. Em todos os sentidos.

A família ideal ainda existe aquela composta por pai, mãe e filhos, etc. Família significa esforço diário, vontade de fazer parte dela.

As moças casadoiras, e são a maioria, que pensam em profissão, marido e filhos, que saibam que é uma vida bastante puxada. Não que seja uma questão de a mulher se transformar em escrava, mas as que fazem durar os seus relacionamentos preparam um jantar para o marido, seja este jantar o bife que ele gosta ou o lanche com pão, presunto e queijo, com café, leite e o deixa à vontade para comer ou não.

Existe outra estrutura que se forma a partir do divórcio: mães e filhos. Essa família pode existir e também necessita de atenção diária. A mãe, por mais cansada que esteja não pode pensar que os filhos maiores de dez anos se viram sozinhos. É a miragem que a exaustão causa. Crianças necessitam de atenção e cuidados até os dezoito. A probabilidade dos pré-adolescentes e adolescentes se enganarem com as pessoas é bem maior do que um adulto. Então há que se perseverar: não aceite carona de estranhos, estude, etc. Parece brincadeira, mas a mãe tem que cuidar dos estudos do filho de dez anos de idade, ele tem idade para saber que é bom estudar, mas tem vontade de jogar bola.

O homem também é responsável pela educação e presenciei pais, homens com filhos do casamento desfeito, trocando o encontro com os amigos para auxiliar os filhos a estudarem durante os finais de semana em véspera de provas.

Esse tema parece desgastado de tão repetido, mas na nossa sociedade, parece que o esforço em prol do ambiente familiar é desperdício de tempo e dinheiro.

No meu tempo as mães chegavam a disputar qual uniforme era mais branco, acredito que a marca de sabão em pó que promete o branco perfeito se inspirou nas mães daquele tempo. Aqui, faço um parêntesis para contar uma história que hoje é engraçada, mas à época, me deixou bastante aborrecida. O ferro de passar roupas entrou em curto, queimando o termostato (regulador de temperatura) e, a blusa branca foi queimada. Adianta brigar com o ferro de passar roupa? Manda-se consertar. Era assim que os fatos se davam. Fiquei aborrecida.

Não custa nada perguntar ao outro como foi o dia e ouvir. Não adianta perguntar ao familiar como foi o dia como se fosse o tradicional: “Tudo bem com você?”, e continuar o trajeto na rua como se tivesse perguntado a ninguém.

Não custa mais do que dois minutos esquentar o lanche no forno de micro-ondas e servi-lo num prato com guardanapo junto com um copo de água, a gentileza dentro de casa poderia ser natural.

Outro parêntesis: na minha casa ninguém ficava resfriado sem ganhar gemada quente. Para ser sincera eu não sei fazer a tal gemada quente com canela em pó polvilhada sobre o leite, mas que era boa, eu garanto. Eram as delícias da gripe em tempo frio. Hoje tem vacina e não é correto falar em delícias da gripe. Já disse pronto e ponto.

Para existir família é preciso que alguém se disponha a fazer um dengo e um carinho. Porque amor acaba, separação existe, o dinheiro acha que pode mandar em todo o mundo; na família não.

Penso que é necessário agendar ao menos quinze ou vinte minutos para se gastar dentro de casa, com o outro, com aqueles que convivemos na intimidade.

Família ainda é um bom negócio, são as pessoas que te aguentam nos piores dias, mas nos melhores também estão a postos para brindar por você e, por fim, é uma estrutura que funciona.

domingo, 25 de novembro de 2012

Colar de Pedras Brasileiras

O Colar de Pedras Brasileiras

clip_image002

Pedras brasileiras, coloridas, requintadas, delicadas e lapidadas. Mariana em Copacabana, primeira vez no Rio de Janeiro. Colar de pedras coloridas compradas na Barra da Tijuca, maiô inteiro de butique, sandálias de dedos rendadas multicoloridas.

Saiu do hotel à beira mar, viu o encanto, quis se banhar no mar. Entre o mar e as pedras brasileiras, o obstáculo, não gostaria de se banhar vestindo o colar fino com o qual saiu do hotel sem notar que o usava.

Muito calor, sol e a exuberância do lugar a fizeram desistir de voltar ao hotel para guardá-lo, era verão e a fila no guarda-volumes do saguão do hotel estava grande.

Comprou uma lata de refrigerante, colocou o colar dentro e o entesourou dentro de um castelo de areias feito por ela mesma, ao lado do guarda-sol e da cadeira.

Foi ao mar, se banhou e, segura de si, foi caminhar. Quando se deu conta, estava no Leblon. As mulheres do Leblon usam colares e brincos e pulseiras na praia. Tinha que voltar até Copacabana para pegar o seu colar, voltar, pegar o colar e vir de novo ao Leblon, desta vez produzida.

Copacabana estava lá, o seu guarda-sol, a sua saída de praia, mas o castelo, não estava mais lá.

Perguntou ao homem do quiosque sobre o castelo.

No entra e sai de gente molhada, o castelo desapareceu. Ninguém o havia danificado, sequer alguma criança o tocou. A areia do castelo estava no mesmo lugar, bastava que ela assim o desejasse e ele estaria em pé novamente.

Faltavam alguns dias para aproveitar os passeios turísticos e choveu à noite. Ela sonhou com caranguejos. No dia seguinte decidiu passear, mas na hora do almoço não teve coragem de ir à caranguejada; fez um lanche rápido e foi caminhar à beira do mar para entender o que aquela perda significava para ela. Talvez devesse se importar menos com bens materiais. Pensava nisso quando avistou o camelô vendendo colares de conchas.

Colocou o colar de conchas e o substituiu pelo colar de pedras. Feliz voltou ao grupo de excursionistas e foi passear. Morro da Urca, Corcovado.

Os dias foram passando e chegou o dia livre para as compras. Marina não foi às compras, de lembrança aos amigos comprou cartões postais e os enviou do posto de correios próximo ao hotel.

Almoçou, descansou e foi caminhar na praia.

Os pés enroscaram e a seguraram na areia. Quase tropeçou ao ver o colar de pedras brasileiras enrolado no dedão do pé.

Com ternura tomou o seu colar de pedras brasileiras, passou-os nas águas do mar e o colocaria no pescoço se não estivesse usando o colar de conchas.

Retirou o colar de conchas para devolvê-las ao mar, mas estavam amarradas entre si. Procurou na avenida uma papelaria e comprou uma tesoura escolar, sentou-se num dos bancos do calçadão e desmanchou a amarração, guardou as conchas nas cascas do milho verde, gentilmente cedidas pelo dono de outro quiosque.

Levou as conchas ao mar vestindo o colar de pedras e que o destino se encarregasse de mostrar alguma lição aos fatos, parece que ninguém precisa de lições de vida todos os dias.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Bem Comum / Filosofando…2

Bem Comum / Filosofando...
clip_image002
Um dos objetivos da existência de uma sociedade política é o bem comum (Enciclopédia Simpozio (versão em português do original em esperanto, página http://www.simpozio.ufsc.br/Port/1-enc/y-mega/megaetica/fil-politica/6417y800.html da web).
Penso sobre o bem comum, provavelmente a maneira adequada de a sociedade prosperar com harmonia, respeitando as individualidades e as diferenças existentes.
Ontem o “bem comum” veio à tona numa conversa frugal com um desconhecido sempre amigo, o motorista de táxi.
O motorista de táxi geralmente é articulado, sabe conversar e o tema do momento era a violência urbana. Questionou-me sobre o direito dos presos. Expliquei a ele que na minha casa todos agradecem por ser musicista e não advogada e que os meus conceitos não viriam senão através dessa paixão, às vezes absurda, pela música.
Mas disse o que pensava: _O bem comum passa pelo direito dos presos, mas também passa anteriormente ao direito de ir e vir do cidadão.
Disse também que não se pode consentir que os direitos humanos dos presos (eles têm que obter a chance de recuperação perante a sociedade, estabelecendo-se como cidadãos após o cumprimento da pena) não pode se sobrepor ao direito daqueles que nada fizeram e são livres em suas determinações para fazerem o que entenderem dentro da conformidade das leis.
Critiquei a vontade política de radicalizar posições. No meu tempo se discutia as vantagens da chamada direita com as manifestações agressivas da extrema esquerda que terminava por atingir quem não tinha nada a ver com aquilo. Dizia-se então que a direita se locupletava com as agressões da esquerda e que a esquerda gostava das medidas coercitivas para agitar os seus seguidores com maior facilidade.
Esquecem-se, no entanto, que a maioria dos cidadãos, pertence aos centros, seja centro-direita ou centro-esquerda.
De qualquer maneira, na prática, porque sou prática em tese e ações, não poderia deixar de dar um exemplo vivo da promoção do bem comum.
Estava eu no consultório médico, na fila, aguardando que as enfermeiras me avisassem da vez. Próximo a mim, um cidadão aguardando a sua vez, a televisão ligada: discutiam um problema familiar e pediam aos telespectadores que dessem a sua opinião. Eu, o cidadão e as enfermeiras caladas em frente a ela.
O cidadão não parava quieto, nervoso. Naquele instante, a emoção falou mais alto, talvez pela apelação do programa de televisão. Ele virou-se para mim e contou o seu problema:
_Os meus testículos doem horrivelmente, eu não consigo mais trabalhar, dormir, estou a ponto de explodir.
A enfermeira, prontamente interveio:
_Senhor, acalme-se que o médico o está chamando. A sua vez chegou. Cavalheiro, lembre que a senhora ao seu lado não tem testículos e não pode lhe ajudar.
Eu me senti aliviada e o bem comum naquela pequena sociedade unida por interesses diversos entre si havia sido promovida sem que eu tivesse que me encontrar em qualquer situação constrangedora.
Creio que a função da sociedade política é evitar situações constrangedoras, onde os cidadãos tenham que se posicionar nos assuntos que não lhes pertence, como os direitos dos presos vistos pela musicista. Mas que os cidadãos possam recorrer a essa sociedade política quando existe a violação dos mesmos, seja por parte de quem for.
A sociedade política tem funções maiores do que a política partidária, sendo que essa é essencial para a representação das diversas correntes sociais e de pensamentos controversos. Se, a cada direito corresponde a uma obrigação, existe a obrigação da sociedade política de garantir aos cidadãos a convivência pacífica e ordeira entre os cidadãos.
A enfermeira estava certa e a minha família também: não tenho testículos e nem vocação para a área.
Bom dia a todos os que tiverem a paciência de ler o texto.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Para Maiores de 80

Frases para serem ditas após os 80 anos...
clip_image002
_ Façam o que quiserem quando eu partir, mas lembrem-se de que após algum tempo estaremos todos juntos.

Recado: _Eu parti para a eternidade e jamais deixei de ser sua amiga quando em vida.

_Apesar de toda uma vida em silêncio, ainda estou vivo para dizer que te amo e o faço hoje com ternura.

_Amizade não é herança conforme gostaríamos que fosse e não a podemos deixar, conforme gostaríamos, aos nossos filhos; a amizade que temos um pelo outro é nossa e a ninguém mais pertence.

_Não se forja o amor, ele simplesmente é.

_O fato de não saber nada ou desconheça dos fatos não implica que eu seja incapaz de raciocinar e tirar as minhas conclusões.

_Enquanto estiver viva posso fazer os meus planos mesmo que esses planos sejam o fim da picada.

_Planejam tanto com a vida alheia que se deixam se perder no próprio caminho.

_Depois que perdi todos os abraços, pude abraçar a quem queria.


sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Sexto Sentido X Oração

Sexto Sentido X Oração

clip_image002

A oração pode modificar o que o sexto sentido diz, mas quem possui o tal sexto sentido prova que não é bem assim.

Não sei o que significa esse tal de sexto sentido porque não o provei. Mas existem pessoas que sentem quando o outro precisa dela mais do que ela dos outros por mais difíceis que sejam as suas condições.

São diferenças fundamentais na maneira de encarar a vida, sem culpas ou culpados; ambos, o que sente e o que não sente, seguem por caminhos de luz e de paz.

Nesse mundo cheio de mal entendidos e confusões, o sexto sentido aparece como inexplicável para a maioria, inclusive para essa que aqui vos escreve. No entanto, garanto que ainda me surpreendem em sinceridade de propósitos e bondade aqueles que sentem a tal experiência.

Não são visões, são sensações independentes de sonhos e visões. São orações instantâneas movidas a ações físicas. Admirável! Elogia-se a conduta humilde daqueles que têm pressentimentos diante daqueles que não possuem a menor capacidade para tanto e nem assim são submissos àqueles que sentem.

A pureza da bondade de uns para com os outros e as suas condições espirituais traz a paz a esses corações, às suas vidas e a compreensão de que nem tudo o que se vive pode se traduzir em palavras; apenas em emoções.

Por que é assim não se sabe, mas brilha a centelha da divindade nesse afeto diferenciado entre os que oram e os sensitivos num clima de respeito mútuo que se pensa que o amanhã pode ser afetuoso entre todos os homens, mulheres e crianças que habitam sob essa atmosfera.

Deus brilha acima da chuva e do sol, mostrando a Sua superioridade em gestos tão humildes, singelos afetos, sinceras intervenções.

As divergências transformadas em compreensão, em dar as mãos, em se fazer o futuro no dia que passa, mas observando que a luz do espírito não deixa de brilhar, basta querer alcançá-la praticando o bem desinteressadamente, esse é um bem precioso a se preservar.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Escovadas

Escovadas

clip_image002

Depoimentos de algumas mulheres conversavam sobre a desistência de continuar com a escova definitiva, o nome atual do alisamento dos cabelos:

_ Eu tinha uma curiosidade imensa de acordar com os cabelos lisos. Fiz a escova. Depois de um mês, parecia que eu usava peruca. A raiz crespa cresceu e ergueu toda a cabeleira meio centímetro acima da cabeça. Teve gente que perguntou onde eu comprara peruca tão perfeita, alguns me ensinavam a usar grampos para prender a peruca nos fios naturais sem deixar transparecer que era peruca. Depois de vinte explicações, comprei sal, misturei ao xampu e detonei a escova; meus cabelos ficaram ressecados, mas naturais. Eu me sinto bem melhor agora.

A outra cliente disse, concordando:

_Eu tive problemas com o meu marido. Ele se sentiu casado com outra mulher, segundo ele eu havia me transformado na mulher desejada por todos e tal transformação indicava que eu estava insatisfeita com o nosso relacionamento. Comprei sal, etecetera e tal, mas fiquei com o meu marido.

A senhora com rolos na cabeça se emocionou, dizendo:

_Vocês tiveram sorte, os meus cabelos caíram, ficaram ralos, finos e não voltaram mais a encrespar.

Todas começaram a comentar sobre os seus cabelos, inclusive as satisfeitas:

_Graças aos meus cabelos lisos, encontrei o homem da minha vida; mantenho a cor e a lisura até hoje (nestes termos escritos).

A que estava ao lado dela:

_Eu encontrei o emprego dos meus sonhos depois que mudei o visual.

E mais outra ainda disse:

_O meu marido adorou, me chamou de deusa e me levou para jantar.

O cabeleireiro, vendo o salão tão animado e dividido ao mesmo tempo, aproveitou-se da situação:

_Por falar em marido, eu tenho uma revista que ensina a conhecer o homem que vive com você, incluindo a personalidade, e gostos pessoais pelo tipo de cueca que ele usa.

Todas pegaram revistas e calaram a boca, menos a mais extrovertida, que disse:

_Espera aí amigo, marido não se divide no salão.

Moral da história: o que a gente não faz para evitar uma crônica de supermercado com chicletes e balas, totalmente imoral.