Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Escovadas

Escovadas

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Depoimentos de algumas mulheres conversavam sobre a desistência de continuar com a escova definitiva, o nome atual do alisamento dos cabelos:

_ Eu tinha uma curiosidade imensa de acordar com os cabelos lisos. Fiz a escova. Depois de um mês, parecia que eu usava peruca. A raiz crespa cresceu e ergueu toda a cabeleira meio centímetro acima da cabeça. Teve gente que perguntou onde eu comprara peruca tão perfeita, alguns me ensinavam a usar grampos para prender a peruca nos fios naturais sem deixar transparecer que era peruca. Depois de vinte explicações, comprei sal, misturei ao xampu e detonei a escova; meus cabelos ficaram ressecados, mas naturais. Eu me sinto bem melhor agora.

A outra cliente disse, concordando:

_Eu tive problemas com o meu marido. Ele se sentiu casado com outra mulher, segundo ele eu havia me transformado na mulher desejada por todos e tal transformação indicava que eu estava insatisfeita com o nosso relacionamento. Comprei sal, etecetera e tal, mas fiquei com o meu marido.

A senhora com rolos na cabeça se emocionou, dizendo:

_Vocês tiveram sorte, os meus cabelos caíram, ficaram ralos, finos e não voltaram mais a encrespar.

Todas começaram a comentar sobre os seus cabelos, inclusive as satisfeitas:

_Graças aos meus cabelos lisos, encontrei o homem da minha vida; mantenho a cor e a lisura até hoje (nestes termos escritos).

A que estava ao lado dela:

_Eu encontrei o emprego dos meus sonhos depois que mudei o visual.

E mais outra ainda disse:

_O meu marido adorou, me chamou de deusa e me levou para jantar.

O cabeleireiro, vendo o salão tão animado e dividido ao mesmo tempo, aproveitou-se da situação:

_Por falar em marido, eu tenho uma revista que ensina a conhecer o homem que vive com você, incluindo a personalidade, e gostos pessoais pelo tipo de cueca que ele usa.

Todas pegaram revistas e calaram a boca, menos a mais extrovertida, que disse:

_Espera aí amigo, marido não se divide no salão.

Moral da história: o que a gente não faz para evitar uma crônica de supermercado com chicletes e balas, totalmente imoral.

sábado, 10 de novembro de 2012

Essa Eu Não Entendi / Crônica de Supermercado

Essa Eu Não Entendi

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Noite quente e supermercado lotado. Comprei o pão e algumas outras coisas, fui ao caixa e lembrei-me de comprar o leite, voltei, peguei o leite e segui ao primeiro caixa cuja fila era menor. Às vezes, acontece da fila dos caixas das compras de carrinho estar menores que a fila dos caixas rápidos, entrei na fila.

Um senhor da fila ao lado comentou conosco que a nossa fila andava e a dele não. A senhora que estava à minha frente confidenciou que a fila era composta de cestas com poucas compras e foi simpática, todos rimos.

Parece que tem gente que não gosta de gente sorrindo. A senhora que estava à frente do cavalheiro começou a reclamar que a fila não andava porque a senhora que estava no caixa comprou carne e a etiqueta caiu. Começou a critica contra a senhora que estava no caixa: disse então que aquela senhora tinha visto a etiqueta cair e teve preguiça de voltar ao açougue para pesar novamente e pegar o preço.

A senhora que entrou na fila atrás de mim gritou com a senhora que estava sendo atendida no caixa da fila ao lado:

_Desista da carne, não prejudique quem está na fila. Você tem que comer arroz com arroz amanhã! Cara de pau, se fazendo de sonsa e atrapalhando a vida dos outros.

A outra senhora, na fila ao lado, apoiava:

_Ela não se enxerga, pensa que o mundo pode esperar por ela!

A senhora que estava no caixa, porém, ergueu-se e ficou em posição de superioridade, quase como que desdenhando as provocações verbais.

O assunto não era meu, a minha fila andava rápido e eu prestava atenção nas cestas que faziam com que a fila onde estava andasse rápido.

Não demorou muito e o rapaz do supermercado chegou com o pacote de carne devidamente pesado. A senhora que estava no caixa não quis saber do que havia comprado e mandou que ele a devolvesse ao açougue porque com a demora, por certo que não estava própria para o consumo. Pagou as suas outras compras e se foi.

A senhora da fila ao lado que apoiou a falta de polidez, virou-se para a senhora que havia sido malcriada para com a outra disse:

_Por sua culpa a idosa que havia comprado a carne amanhã não almoçará como gostaria.

_Que idosa? Respondeu a que estava atrás de mim.

Aquela fila estava cansando a mim e à senhora gentil que estava na minha frente, ambas fixamos olhares em pontos neutros: as revistas ao lado dos caixas.

A senhora da outra fila disse que não era aquela senhora que havia comprado carne e a que estava atrás de mim disse que ela estava bem disposta e descansada para conversar mais se a outra estivesse disposta.

A da frente pagava a conta e finalmente chegava a minha vez. A outra puxou conversa e respondi:

_Boa noite.

Paguei as minhas compras e vim embora.

Cheguei com vontade de tomar um café com o alfajor. Cadê o alfajor? Não estava na sacola. Peguei o comprovante das compras e verifiquei que o alfajor não entrou na lista de compras. Não é possível que a senhora que estava fazendo arruaça tivesse tirado o alfajor da cesta enquanto eu olhava as revistas? Agora fiquei cismada que o que ela queria era confusão.

Essa eu não entendi.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Filosofando…

Filosofando

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Todos os seres vivos recebem um corpo físico para exercer a vida, o ser humano também. Talvez o ser humano não seja o mais inteligente dos seres vivos, mas o fato dele poder se comunicar e se fazer entendido pelos demais da mesma espécie, o faz diferente pelo alto grau de cognição.

A verdadeira moradia de este ser, a sua casa real é o seu corpo e a sua casa virtual é o que se denomina de alma, o ser invisível que nele habita. Esta casa é inteiramente viva e se movimenta continuamente, mas tem limites. Limites estes que a alma, ou, o espírito do ser que raciocina leva em consideração em cada gesto ou palavra proferida.

Enquanto a palavra, geralmente, é subjetiva, o gesto e a atitude, no entanto, produzem efeitos físicos. O ser humano oxida e gasta, se renova. Basta dizer que em três meses a pele que recobre o corpo é nova e que foi refeita sem que sequer se tome conhecimento do fato; o ser humano perde as células mortas e outras, novas em folha, estão no lugar daquelas que se foram. Não se pretende entrar no assunto da anatomia, o que se pretende aqui é entender a casa em movimento. A alma é a gerente dessa casa e, como todo gerente, ou faz o melhor para o lugar, ou leva a casa a falência.

É preciso que alma e corpo caminhem juntos em busca do equilíbrio porque o espírito se supera e se transforma, enquanto a tendência natural do corpo é o desgaste. A função dessa alma talvez seja ajudar o corpo a cuidar do desgaste e não pensá-lo como material descartável. É dever de essa alma conhecer os limites e traduzir ao corpo em forma de viver em harmonia, pois é o desequilíbrio entre o espírito e o corpo que produzem os conflitos que prejudicam a ambos. Embora de natureza e origem antagônicas caiba à alma pensar o corpo e ao corpo sentir e se ressentir dos pensamentos e emoções dela. Nascem com funções próprias a alma e o corpo, pensando igualmente nos objetivos dessa união nata.

A função do ser, em princípio, é a vida; por conseguinte, a morte é uma disfunção natural.

Se o corpo come, quem escolhe o cardápio é o espírito, que também se alimenta. Dizem alimentar o espírito os livros e a música, mas se sabe que é muito mais que isso. O espírito se alimenta de emoções e razões. Creio que estar bem consigo mesmo e fazer ao outro pensando o bem, acresce o bem estar tanto ao corpo quanto a alma. Existe uma expressão em inglês que traduz melhor o significado dessa disposição a se fazer feliz, no sentido de diminuir o sofrimento e a dor, do que na nossa amada língua portuguesa. É a expressão “In a mood”, ou seja, com humor. Quando o espírito acorda com humor para praticar o bem, mesmo que esse bem seja colocar o lixo na rua organizado para quando o caminhão de lixo passar parece que os acontecimentos do dia serão bons, porque o bom tempo está dentro da alma. O corpo sorri satisfeito quando a alma está com esta disposição.

No entanto, quando o corpo reclama e diz que não está bem, ele sinaliza para que o espírito, ou, o gerente, tome providências. E a alma, sorridente, não pode ignorar essa reclamação, muito menos desconhecer que o corpo tem limites. Nesse desequilíbrio, o espírito exerce a função de policial e determina onde procurar auxílio, localiza os locais e julga de acordo com os seus critérios, subjetivos, o que fazer. A busca da alma é manter o corpo em plena atividade para o seu gozo palatável. Percebe-se que um dos prazeres da alma é a vida do corpo em condições satisfatórias. Para estar bem, a alma recorre às estatísticas, às condições matemáticas, aos estudos das situações e controla as emoções porque conhece os limites do corpo, embora as emoções subvertam o raciocínio para o ideal. A emoção planeja o ideal, desconhece o corpo, tem vontades e infiltra-se ao raciocínio com facilidade; mas a razão se cerca de cientificidade para não prejudicar o corpo. Aqui a alma se subdivide em dois, para cuidar e, ao mesmo tempo amar aquilo que protege.

O espírito tem a propriedade de recorrer às energias e delas se serve, é a religião que cada um professa diante da realidade vivida pelo corpo. O corpo físico e as suas experiências influenciam direta e positivamente no caminho da fé, da ética, da postura tomada diante de problemas complexos e espirituais. O corpo comunica ao espírito o caminho a seguir na sua religiosidade e independem das influências externa ou meio ambiente, educação, etc. A experiência do corpo com o espírito é única e a decisão da alma para com o corpo é de extrema subjetividade, faz-se o melhor levando-se em consideração todos os fatores supracitados; porém, o corpo é prático, ele simplesmente existe e a sua função é a existência e necessita desse espírito para desempenhar a sua função biológica.

Para concluir, a função da vida é a vida, embora todo o mistério da alma venha a perturbar essa natureza prática.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Superpoderes

Superpoderes

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Junia é avistada saindo do caminho da floresta por Elidia e Vanessa. Faltavam alguns passos quando a primeira a encontra e pergunta como ela está.

_Estou bem, mas a caminhada é feita de imprevistos.

Elidia pede que ela a escute antes de chegar ao lugar do pódio.

Junia concorda e para a fim de ouvir o que a antiga trilheira tinha a lhe dizer.

_Você percorreu toda a trilha com distinção, certamente seguirá com a sensação de paz dentro de você, mas não voltará a ser como era antes de percorrer este caminho. Este é um caminho com muitas dificuldades, cheio de arranhões de galhos e cipós, animais selvagens, lama, banhado e insetos. Ao chegar aqui, antes de terminar a caminhada, você está machucada. Eu sei por que também passei por este caminho. Logo, pois, você sentirá a sensação de paz, de conforto das feridas cicatrizadas, disso eu também sei. Sei também que pouco do que você era antes restará tendo em vista que a onça quase te devorou e alguma cobra você teve que vencer. Não sabemos no que você se transformou trilando este caminho. Poucos o trilham. A maioria das pessoas segue por desvios mais sossegados, não sei se elas estão melhores do que eu, mas eu quero que você fique bem, que você fique em paz porque a decisão de conhecer os caminhos do poder foi sua. Siga com calma até chegar ao lugar dos superpoderes, todos adquirem algum superpoder ao terminar esta trilha.

Ainda em caminhada, Junia agradece, mas quer continuar o caminho até o pódio que garante mais sabedoria de vida.

A outra deseja boa caminhada e se vai como se não estivesse estado ali.

No caminho se encontra com Vanessa, que, diferente da Elidia, ela a encontra com ar sociável e bem disposto.

_Junia, quem é você agora? Consegui o meu superpoder também, percorri a mesma trilha, veja que poucas pessoas percorrem esta trilha.

Junia percebeu que neste ponto as duas falavam a mesma linguagem: “poucas pessoas percorrem esta trilha”. Sorriu para a Vanessa e esperou para ouvir o que ela tinha a lhe dizer.

_Eu sei das unhas toscas quebradas ao meio para conseguir uma fruta, dos enxames das vespas e da fuga ao riacho para sobreviver. Neste caminho não há viva alma para ajudar. Se alguma de nós tivesse ajuda, não obteria superpoderes. Tenho medo desses superpoderes. Houve uma jovem que trilhou este caminho e conseguiu o superpoder da intriga; não preciso dizer que foi como vencer e jogar fora o prêmio. O dom da intriga foi retirado dela quando ela a usava para persuadir as suas conhecidas a trilharem este caminho. Sem dom ou vocação, as conhecidas dela foram retiradas e colocadas em lugares diferentes; elas não haviam escolhido este caminho dos superpoderes. Eu tenho uma ferida que não cicatrizou, e, quando te vejo, agora, terminando a trilha, a ferida abre, a dor chega a ser insuportável, a ponto mesmo de me obrigar a vir te ver para ver se me alivio do meu superpoder, que eu não te posso dizer assim como você não poderá dizer o seu a ninguém. Não existe poder sem solidão, eis a minha dor. Eu espero que te fira menos. Saiba que estará conosco, comigo e com a Elidia. Embora sendo mais nova que nós, nos conhecemos a alma.

Junia percebe que dentro em si será diferente; talvez essa tenha sido a mensagem das duas. Agora se prepara para aquilo no que se transformará, além de caminhar rumo ao pódio. Ao começar a trilha ela não sabia dos superpoderes, ou da transformação que a faria diferente, agora estava avisada e teria tempo de se preparar para a Junia superpoderosa e desconhecida de si mesma que nasceria dentro em breve.

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Prêmio Dardos 2012


Muito agradecida pela lembrança dos amigos, publico a premiação neste blog igualmente.
O blog www.arteseescritas.blogspot.com.br foi surprenndido por dois amigos bliogueiros com o Prêmio Dardos 2012, concedido simultaneamente pela Walkyria e pelo Fernando Santos, respectivamente>
link Walkyria: http://walkyria-voarlonge.blogspot.com.br/
link:Fernando:http://fotoaoacasoalpiarca.blogspot.com.br/
Informações sobre o SELO/PRÊMIO : imóveis
O Prêmio Dardos foi criado pelo escritor espanhol Alberto Zambade.
No ano de 2008 concedeu no seu blog Legendas de "EL Pequeño Dardo"
o primeiro Prêmio Dardos a quinze blogs selecionados por ele. 
Ao divulgar o prêmio, 
Zambade solicitou aos blogs premiados
que também indicassem outros blogs ou sites
considerados merecedores do prêmio. 
Assim a Premiação se espalhou pela Internet.
Cada ganhador do selo deve continuar a fazer premiação 
(se quiser, é claro) aos blogs que por ele considerar merecedores,
seguindo as regras a pedido do criador do selo: 
1. Exibir a imagem do selo em seu blog. 
2. Linkar o blog pelo qual recebeu a indicação
3. Escolher outros quinze blogs a quem entregar o prêmio dardos.
4. Avisar os escolhidos.imóveis
Blogs Escolhidos:
1 - http://dacadeirinhadearruar.blogspot.com.br/
2 - http://arrozcomtodos.blogspot.com.br/
3 - http://algarve-saibamais.blogspot.com.br
4 - http://lagatacoqueta.blogspot.com.br/
5 - http://alemdosfragmentos24x7.blogspot.com.br/
6 - http://profeciaeterna.blogspot.com.br/
7 - http://romancesfamiliares.blogspot.com.br/
8 - http://neuronioauditivo.blogspot.com.br/
9 - http://pensandomaleudisse.blogspot.com/
10 - http://imagina2013.­blogspot.­com/
11 - http://almamateostaborda.blogspot.com/
12 - http://lola-elmundodelola.blogspot.com.br/
13 - http://pedemeias.blogspot.com.br/
14 - http://musicanaterra.­blogspot.­com
15 - http://africaempoesia.blogspot.com.br/

sábado, 3 de novembro de 2012

Biorremédio / Compartilhando Notícias Saudáveis

Compartilhando Notícias Saudáveis
Biorremédio
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Veio do Rio Grande do Sul a salvação do paciente. É sério! A indústria é de lá e a fabricação também.
Não compartilhar, sabendo da novidade, seria de profundo egoísmo, mesmo se tratando de um assunto que poucas pessoas comentam em público.
A caixa do biorremédio com Cultura viva de Bacillus cereus com um milhão de endósporos/ml foi a grande novidade que chegou por aqui, Curitiba. Para que serve? Para diarreia não infecciosa.
A caixa vem com seis pequenos frascos do líquido vivo, ou seja, o remédio está vivo e entra vivo no organismo de quem o toma. É a flora intestinal voltando a funcionar regularmente porque é refeita com o biorremédio.
Conclusão: o futuro chegou, é o presente. A indicação é médica e é vendido em farmácias. Não é possível silenciar e dizer que substitui a hidratação com o soro caseiro e a alimentação balanceada, mas funciona. Sem contraindicações porque todo o ser humano convive com a sua flora intestinal.
É proibida a propaganda de medicamentos, e, como não entendo de legislação, não conto o nome comercial do produto fabricado pela Geyer Medicamentos S/A.
Quantos milhões de pacientes podem se beneficiar do produto até então desconhecido no meu círculo social.
Deixando um comentário pessoal, digo que jamais esperei ver a medicina tão avançada com a indústria farmacêutica comercializando bactérias em frascos para salvar vidas humanas. Que se renove a fé e a esperança no ser humano, nesse ser humano que vê na vida a qualidade de viver.
Bom feriado para todos.

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Dia de Finados

Dia de Finados

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São curiosidades que talvez causem estranheza a todas as outras pessoas, mas músico não tem dia para se esquecer da música ou deixar de praticar o seu instrumento. Como todos sabem a música é imortal, não morre e a homenagem aos mortos no Dia de Finados é tocar, assim como para os cantores é cantar.

Hoje em dia as rádios não fazem mais programações especiais nesse dia, mas quando eu era garota, as rádios montavam programações caprichadas e, em sendo saudade, porque não lembrar um programa de rádio que fez homenagem às cantoras Dalva de Oliveira e Carmem Miranda, ambas falecidas e com uma discografia memorável. O programa durou a tarde inteira e não cansei de ouvir.

Por certo que é dia de se homenagear os familiares e amigos que já pariram dessa vida, mas com saudade boa, dos bons momentos e até das histórias pitorescas contadas por aí. Havia uma senhora que no Dia de Finados tomava uma cerveja porque ela pediu ao marido para parar com os churrascos e as cervejadas dos finais de semana, dizendo ao marido:

_Eu juro que, se você morrer pelos excessos de fim de semana, em sua memória, as saudades serão mostradas de forma diferente. Beberei cerveja no Dia de Finados!

O marido não parou, mas também não morreu muito novo: 67 anos. No ano seguinte, ela se lembrou do que havia jurado. Com remorso por ter jurado em vão e, pedindo desculpas ao marido, tomou uma garrafa de cerveja em todos os anos posteriores ao falecimento dele.

Outra história pitoresca é a do marido, que em vida, pediu à mulher e aos familiares que não fossem ao cemitério nesse dia. A mulher, de espírito independente, não o obedeceu. Fez a visita e levou flores, quase para mostrar a discordância dessa vontade do marido. Na saída, pegou uma rua vazia para se sentir à vontade para ficar triste, mas se perdeu e começou a dar volta em círculos acabando com o carro sem gasolina. Teve que abastecer no posto indicado pelos transeuntes e perguntava a eles:

_Que bairro é este?

Os transeuntes chegaram a perguntar de onde ela era depois de passar pela quarta vez em frente à mesma escola para pedir informações. Foi quando ela parou o carro e fez a oração ali mesmo:

_Meu amado, onde quer que você esteja e com a permissão do Senhor Deus, por favor, me leve de volta a um lugar conhecido. Desculpe por não ter te escutado, prometo que não faço mais isso, sei que você era espiritualista e pensava que era atraso de vida agir assim. No ano que vem vou ao cinema viajo, dou-te a minha palavra.

A mulher conseguiu entrar numa cidade vizinha nessas andanças de automóvel, pegou a estrada vicinal, que, no entanto, era bem sinalizada, e voltou para a casa dela.

Os músicos tocam música, não necessariamente réquiens ou marchas fúnebres ou lamentações, tocam o que combina com o seu estado de ânimo em acordo com a data.

Agora, o que tem a haver as histórias com os músicos? É que todos esperam por eles nas celebrações mais bonitas e amanhã, dia 2 de novembro, muitos deles estarão em função.

Boas meditações a todos e bom feriado aos que viajam.