Rio de Janeiro

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A Cada Um, O Seu Jeito…

A Cada Um, O Seu Jeito...mas tem que ser bem feito.
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De todos os aprendizados deste ano, talvez, o mais interessante seja este que indica a crônica: A cada um, o seu jeito. Mas tem que ser bem feito!
Somos todos diferentes e, nem mesmo os mecânicos, começam a desmontar as peças pelo mesmo parafuso. Geralmente as peças de um automóvel têm mais que um parafuso. Este é um dos motivos pelo qual não me atrevo a consertar eletrodomésticos, o outro é pelo risco que tal tarefa pode apresentar. Para mim, geralmente sobram parafusos. Não é engraçado é incompetência de fato.
Gente tem humor e também é preciso entender o dia e o humor da pessoa ao executar a tarefa, mesmo que a tarefa seja mandar. Além disso, cada pessoa se defende de acordo com o que viveu, com a experiência adquirida ao longo dos anos e a esse fato chamamos pelo nome de gênio forte, gênio fraco, etc.
Nos dias de hoje, para que aumentemos a compreensão do ser humano, é preciso constatar através das estatísticas. Nesse mundo de filhos únicos a convivência por certo, é diferente. As crianças têm amigos, mas não sabem o que é ter irmãos ou não imaginam o tempo em que a roupa se transformava e a calça de brim coringa do mais velho acabava se transformando na bermuda do caçula. Imagino quando crescerem, com a referência familiar adulta, que eles terão perdido algo que a maioria de nós vivencia.
Todos têm uma vida real e uma vida virtual, é interessante quando você liga para alguém e pergunta se ela está livre e, ela te responde que não estava fazendo nada, estava na internet matando o tempo. Não é a realidade, é uma desculpa amável e bem educada. É melhor que se diga da maneira como uma amiga, ao telefone, me disse: _À noite, converso pela internet, de dia tenho tempo e para que possamos conversar à vontade me ligue entre tais e tais horas porque gosto de conversar com você. Perguntou-me sobre o meu horário e disse que não tenho horário fixo, mas ela ligou para mim assim mesmo e temos ótimas conversas. Cada um lida com o mundo virtual do seu jeito, talvez seja uma boa ideia para compreender o quanto somos diferentes, verificando a maneira como cada qual lida com o seu computador. Quem não tem computador também tem o seu jeito de lidar com a internet, conheço pessoas que reservam parte do seu dinheiro (gente adulta) para irem às Lan Houses à noite para conversarem em salas de bate-papo virtuais com amigos, colegas de trabalho e até mesmo criarem mensagens lindas. Com todo esse aparato cibernético não podemos nos esquecer de conviver realmente com as pessoas. Na minha cidade, todos perguntam a todos sobre os roteiros dos ônibus das linhas e das conexões, nesse caso o diplomata é o cobrador que nos tira de vários apuros. Todos os roteiros estão no site próprio, mas para quem está na rua, o cobrador e o motorista são os que sabem dos caminhos dos ônibus. Que fique claro que é exemplo e não tem a mínima conotação eleitoral, um ponto de vista.
Estou para divagações depois de aprender um novo método para lavar os panos de copa. Penso que é isso, a convivência é um aprendizado. Um aprendizado interessante, rio. Gostaria de compartilhar com você que quem me ensinou a fazer uma linda gola role de tricô foi uma ascensorista de elevador, tenho até pena de usar a tal blusa, quero preservá-la para quando for usar novamente poder dizer que fui eu quem fez a linda gola. Ah, se não fosse a ascensorista amiga que parou o elevador para me explicar como pegar os pontos na agulha circular... No entanto, ela me pediu que chegasse às seis e trinta da manhã para que ela pudesse me explicar corretamente, eu cheguei, acreditei, fiz a blusa. Gratificante!
Aprender com o próximo é bom, nos traz humildade e alegria ao constatar a boa fé do outro. Seja lá como for não perca a oportunidade de aprender com o próximo, seja sobre como lavar um pano de copa, seja uma gola de tricô, ou, ainda, pela internet, sobre blogues.

                                                FELIZ DIA DO PROFESSOR!

sábado, 13 de outubro de 2012

Costumes

Costumes

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Todos nós sabemos que os costumes se modificam ao longo do tempo e, quando se percebe, os costumes da sociedade se modificaram sem que tivéssemos ciência da data precisa em que o fato aconteceu.

Tenho a impressão de que hoje foi um dia histórico para os costumes, e, sem pretensão, porque “cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém”, conforme diz o ditado popular.

Fui ao shopping dar uma olhada nas novidades para me distrair neste feriadão em cidade grande.

Para surpresa minha, quando adentrei o local, uma verdadeira festa infantil. Comecei a me divertir. Meninas olhando livros, garotos brincando com o palhaço, crianças reclamando porque queriam sorvete e as mães se negando a comprar tendo em vista o dia frio e chuvoso.

Presenciei uma cena hilária, obviamente e apenas para mim: um pai segurando um bebê com aquela cara de quem diz: _O meu filho não suja fraldas no shopping quando a mãe dele não está! O jeito com que ele pegava o menino era de rir.

Enfim, o shopping estava lindamente decorado de crianças de todas as idades e desejos, algumas felizes, outras de birra; algumas mães exaustas e alguns pais com jeito que estavam felizes; famílias e mais famílias.

Eram tantas as crianças que me perguntei que dia era hoje e, confirmei no calendário do meu aparelho de telefone celular. O dia das crianças foi comemorado ontem, na folhinha, mas a festa foi hoje.

Se não me engano, algo mudou. Tomara que no ano que vem eu queira ir ao shopping nessa data para verificar se, de fato, o sábado foi mais atraente que o calendário oficial.

Desejo um bom final de semana especialmente a todas as famílias!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Miniconto – Desnecessários

Miniconto

Desnecessários

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Eram duas amigas que se visitavam rotineiramente: Eulália e Gracinda.

Eulália entra no quarto da amiga para ver o vestido novo de voal com o qual ela irá a um casamento que será realizado de manhã com a cerimônia campestre. Sem querer, olha para o tapete e repara nas sandálias que descansam sobre ele.

_Que sandálias lindas! Você as usará para ir à cerimônia?

Gracinda diz que não:

_Também as acho lindas, mas cortam os pés. Depois de comprá-las, saí para caminhar aqui por perto, pensando desfilar com elas pelas calçadas. Bastaram duas quadras para cortarem o peito dos pés. Quando cheguei e as tirei, havia um vergão vermelho arranhando a pele e ao lavar os pés, as marcas não eram marcas, eram ferimentos. Leves, mas exigiram que eu usasse sandália de dedos por uma semana desinfetando-os todos os dias.

Eulália sugeriu que talvez os pés estivessem inchados pelo calor. Talvez, se eu as usasse com os pés desinchados, elas não a machucassem.

Gracinda ouviu o conselho da amiga e guardou as sandálias para a próxima ocasião em que estivesse disposta a arriscar arranhões.

Passados dois anos com as visitas rotineiras entre as amigas, Gracinda convidou Eulália para ver o vestido novo que comprou para a formatura do filho.

Eulália entrou no quarto da amiga e viu as sandálias.

_Conseguiu usar as sandálias?

Gracinda disse que tentou e o resultado foi um fracasso. Aquelas sandálias não eram para ela.

_Por que as têm se não as usa? Poderia doar ou vender, dar uma destinação qualquer e comprar novas. Roupas e sapatos sem uso dão a falsa sensação de que você as pode usar quando tiver vontade, mas você, em verdade, não tem. O que não se pode usar é aquilo que não se tem, disse Eulália.

Gracinda pensou e respondeu:

_Não dou ou vendo a ninguém o que me machuca, não quero que alguém se machuque sem ter que ou por que.

Passaram-se então alguns anos e, novamente, Gracinda convida a amiga para ver a estola de pele falsa, uma preciosidade de rara beleza.

As sandálias estão novamente próximas ao tapete.

_O que estas sandálias fazem por aqui ainda?

Gracinda disse que viu um modelo igual numa vitrine e veio em casa para se prover para comprar as novas sandálias e se conteve ao se lembrar daquelas sandálias. O material, o modelo novamente na moda, mas comprou outras igualmente bonitas e diferentes daquelas.

Eulália pediu as sandálias para usar. Ela usaria as sandálias por um mês inteiro e não se machucaria. A cada qual o seu caminhar, pensou.

Gracinda disse que as levasse e que não precisaria devolver, estava cansada de vê-las e sabia que não deveria comprar nada semelhante.

Passadas duas semanas, Eulália chega à casa da Gracinda com as sandálias.

_Eu disse que não precisava devolvê-las. São suas, disse Gracinda.

Eulália tira as sapatilhas e as meias. Os ferimentos estão cicatrizando:

_Eu pensei que se eu teimasse, as sandálias iriam amaciar e folgadas, não machucariam mais. Não teve jeito, consegui machucar os meus pés ao ponto de precisar ir ao médico para tratar das feridas. Se não fosse o tratamento, eu teria vindo aqui antes. Elas têm defeito de fabricação.

Gracinda riu e pediu desculpas:

_Precisavam oito anos avistando a sandália para testá-las? Você bem que poderia ter acreditado em mim. Agora você percebe o quanto fui sincera ao te falar delas, pois, agora, temos calos iguais, desnecessários para a nossa amizade.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Rapidinhas

Rapidinhas

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A coleção “Folha - Grandes Vozes”, de música, está excelente, ouvi Amália Rodrigues (Portugal), Elza Soares e Elizeth Cardoso (Brasil), Dean Martim e Jerry Lewis (EUA), cantando juntos, um enorme prazer, Mercedes Sosa, nem preciso dizer que valeu. Quando a gente não comenta ninguém fica sabendo.

Algumas canções estão em dois CDs e se pode escolher a interpretação favorita, a orquestração é original e tem um sabor de época. Reconheço que algumas das canções americanas eu tenho na voz do Rod Stuart, mas de forma alguma tira algum valor da coleção da Editora Folha de São Paulo.

Não é necessário ser saudosista para se apreciar o que é bom, então eu faço a propaganda com amor. Deve-se ressaltar que, para os musicistas os arranjos instrumentais levados em consideração formam um livro de estudos e trazem ideias de novos toques. Sammy Davis Junior são escutados e estudados, os trompetes bem usados são fascinantes e a bateria que acompanha a Elza Soares simplesmente fenomenal.

Para quem não conhece lá muito bem musicistas, eu explico. Há um exercício musical que consiste em se ouvir uma orquestra inúmeras vezes tocando a mesma canção até que se decifrem os instrumentos usados na orquestração separando-os e percebendo qual o papel de cada um deles no conjunto. Demanda algum tempo, mas o aprendizado é enorme.

O prazer em se ouvir todos os CDs, e dia a dia se deixar levar por algum deles até que se esgotem é imenso. Depois se escolhe as interpretações e arranjos preferidos e se ouve até furar o disco, como se dizia antigamente.

Sobra aquele bate papo furado de fim de noite, comendo biscoito e comentando as canções.

Termino essas tantas horas de música avisando que vale, não é lazer, é investimento cultural.

Hoje vim de música.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

De Volta ao Supermercado

De Volta ao Supermercado
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Depois de tantos aprendizados no mês de setembro, longe do cotidiano, sendo acompanhante de hospital por dez dias, o que não é brinquedo para ninguém e, no entanto, parte da vida de todos nós, a rotina se fez recomeçar e as idas ao supermercado também.
Fiz a lista do que faltava na despensa e fui com boa vontade enfrentar a minha amada fila de textos para serem contados em forma de crônica aqui no blogue.
Coincidente com a falta de imaginação, não enfrentei filas, mas havia uma campanha para doação de alimentos não perecíveis e eu comprei, prestem atenção, “comprei um quilo de arroz para doar”. Não custa nada e ajuda alguém. Não li, comprei e na saída, sem fila, perguntei onde deixaria o arroz.
_A senhora deixe com a representante da instituição que se encontra perto da porta.
Peguei o arroz, embalado para deixar com a senhora representante da instituição.
Ela estava com dois carrinhos: um recebendo os alimentos; o outro doando textos bíblicos. Não, não eram marcadores de livros com versículos, não eram apenas brindes; eram Salmos, literatura bíblica para crianças e o Novo Testamento em linguagem atualizada. Pediu-me que escolhesse o livro que mais me atraísse. Escolhi decidindo o que seria melhor para a minha vida, o meu futuro, a minha condição.
Escolhi o Novo Testamento, sempre Novo a cada leitura. Ela, a senhora, não tem a mínima ideia do bem que me fez. Se eu pudesse não compraria mais um quilo de arroz, compraria arroz até não poder suportar o peso e doaria àquela instituição.
Aquela senhora nunca me havia visto e nem imagina o quanto a gente se distancia do cotidiano, da cidade, morando uma semana num hospital. Por mais que se tenha rádio, ou, até mesmo televisão, a cidade parece distante. O próximo são as enfermeiras, os médicos e os outros pacientes e a realidade é outra, muito diferente. O cansaço é enorme e a gente ouve rádio como se estivesse plugada na internet, a cidade, do lado de fora, é virtual, pelo menos assim foi para mim, que naquela semana saí de lá apenas por uma hora e meia.
Que presentão! Deixei sobre a mesa disponível a quem aqui vier. Aliviou o meu cansaço de forma inesperada, como se tivesse sido atingida por um raio de sol num dia cinzento.
Existem fatos que não tem explicação, acontecem. Vem na hora certa e renovam o ânimo da gente.
Observem que não disse o nome da instituição e por que não disse? Para não conduzir raciocínios, para deixar que flua a esperança a todos, para que a todos seja permitido esse raio de sol e em quaisquer circunstâncias.
Assim deu-se a volta à Crônica de Supermercado. Bonita, desejando que haja instantes felizes a todos vocês, cansados ou aflitos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Premio Liebster-Award

Este prêmio me foi concedido pela Lola:

http://lola-elmundodelola.blogspot.com.br/

Estou agradecida pelo carinho e pela lembrança,

Lola, muito obrigada!

El que recibe el premio debe escribir 11 cosas sobre si mismo, responder 11 preguntas enviadas y crear 11 preguntas para nominados 
Nominar 11 blog, no enviar al que lo nominó 
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Cosas de mi:
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1) Sou prática. 
2) Amo amar o ser humano. 
3) Gosto de pensar para escrever.
4) Gosto de ler livros escolhidos por mim. 
5) Sou religiosa.
6) Tenho um quê de naturalista. 
7) Gosto de comida caseira. 
8) Gosto de filmes para me distrair. 
9) Sou sensível a tristeza alheia. 
10) Gosto de música (parte geral e específica). 
11) Vivo e deixo viver, gosto de ser assim. 
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Las preguntas que debo responder:
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1) ¿Cual es el sueño más recurrente que has tenido? 
Se sonho, não me lembro dele.

2)Tu postre favorito 
Não tenho favorito.

3)¿Ese momento mágico en tu memoria? 
São vários bons momentos, mas as brincadeiras da infância foram mágicas.

4)¿ Tu lugar preferido dentro de la casa? A cozinha, o café e o rádio.


5) ¿Cual es el animalito que más te agrada? Tartaruga


6) ¿Tu libro, documental o película favorita?

O livro Reinações de Narizinho foi a minha primeira leitura longa e guardo um carinho especial pelo livro. Talvez não seja o favorito, mas o marcante.


7) ¿Eres obsesiv@? 
Não, tudo tem o seu tempo.

8)¿Algún temor?Cemitério à meia noite, bobagem,RS,RS.

9) ¿Cual fué el motivo de abrir tu blog? 
Necessidade de interagir, Alegre

10) ¿Soñador o realista? 
Depende...

11) ¿Que deporte prácticas? 
Não pratico esportes neste momento, mas deveria. 
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Perguntas para os escolhidos (iguais as do blog que me escolheu)
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1)Em que pensas agora?

Em ti.

2)Qual foi a última vez que te emocionastes?

Todos os dias me emociono.

3)Em que livro gostarias de viver por um dia?

Nenhum.

4)Se tivesses a oportunidade de voltar ao passado, o que farias?

Eis uma pergunta a me fazer.

5)Como tivestes a ideia do nome do teu blog?

Aprecio bordados, tricô, desenho de moda, poesia, música, pintura, então o começo do nome: Artes”e escritas”, nasceu da ousadia de criar um blog para escrever e compartilhar textos.

6) O que mais te aborrece dos comentários no teu blog?

Gostaria de ler mais blogs ao dia, mas é muito difícil, me aborreço de não conseguir visitar a todos os amigos que visitam o meu blog.

7) Existe algo sem o qual não possas viver?

Eu me adapto.

8) Onde gostarias de estar hoje?

Num sofá com o livro que estou lendo, mas tenho que deixar para outro dia.

9) Qual a pior dor que levas na vida?

Por incrível que pareça, o pior é o conhecimento; às vezes é melhor desconhecer e ter sabedoria para viver.

10) Gostas da solidão?

Amo a solidão, às vezes e às vezes.

11) A ti também te custa buscar perguntas para fazer neste teste?

Sim, com a sua permissão, continuarei com esse seu questionário, excelente, diga-se.
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Os blogs escolhidos são:

Ivone Poemas http://henristo.blogspot.com.br/

Chica http://cronicasdachica.blogspot.com.br/

Rosa http://rosasolidao.blogspot.com.br/

Sandra http://sandra-sentidos.blogspot.com.br/

Cecília http://oceanoaazulsonhos.blogspot.com.br/

Alma http://almamateostaborda.blogspot.com.br/

Sissym http://averdadeehcruel.blogspot.com.br/

Maria da Fonte http://mais1poema.blogspot.com.br/

Débora http://cotidianoagridoce.blogspot.com.br/

Clélia http://coraoquepulsa.blogspot.com.br/

Mariangela http://b-r-i-s-asuave.blogspot.com.br

A todas com carinho, Yayá.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Fígado – Crônica de Hospital

Fígado
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Agora que roubaram o seu fígado, você não é mais a mesma pessoa.
_O quê? Roubaram o meu fígado?
Você o roubou de você mesma. Naquele momento em que o pobre infeliz cuspiu sangue em consequência da injeção que tomou no pescoço para tratar do carcinoma, todos passaram mal, menos você. E aquela seringa de sangue que foi levada para repor o sangue que o pobre vomitou? Você virou o rosto e não viu, se trancou em você para não gritar. Você esperou calada que o homem dissesse alguma coisa na porta ao lado e dormiu após o pedido dele para que fosse dado um remédio no qual ele acordasse no dia seguinte. Ele estava contente com o bem estar depois do que passou. Você estava contente por ele e pela esperança de tratamento.
Simplesmente você não será mais a mesma pessoa, a realidade é forte demais e o espírito se ressente. Estamos preparados para a nova você que nasceu agora? Em sentido figurado houve uma metamorfose, ainda com esperança, ainda com fé, ainda com respeito ao ser humano. Constatou-se que não existem limites para se buscar a vida, mas você a sonha e os sonhos, ou, os ideais não morrem, o espírito é imortal enquanto a vida em carne e osso é melhor deixar para depois dizendo não a tanta amargura, tanto fel.
Entendeu agora porque você roubou o seu fígado e o trocou por outro espiritualizado? Se aquele fígado material estivesse se manifestando, a dor do outro te seria insuportável. Este fígado espiritual suporta mais, não se embriaga, procura a pureza nas intenções e atenções ao ser humano.
Por certo a comédia ainda virá, mas agora não. Os parâmetros precisam se reestabelecer, as vontades do corpo e do espírito precisarão caminhar juntas, levará tempo para absorver o sofrimento; dos outros, e mesmo assim doloridos.
A busca pela saúde, respeitando-se a ética é a beleza incorporada ao espírito, que se fortalece com o aprendizado, mas se pergunte se não aprendemos exatamente ao contrário e que é raro o corpo ensinar ao espírito sem o magoar. Diga-se que foi um aprendizado nada sutil presenciar o fato da doença ao lado e a emoção ao ver a alegria do paciente pedindo mais injeções daquelas acompanhadas de remédios para amenizar a dor, ansioso pelo tratamento à base da radioterapia, que seria mais leve.
Seria antiético comentar, mas não o é tendo em vista a força de vontade daquele homem que você não viu o rosto e que bradava as suas vontades e necessidades; ele sim, de um espírito fortalecido e esperançoso, que compartilhava toda a sua dor com os desconhecidos ao seu redor e representa a vida em plena luz.
Espere pelo fígado, que ele se refaça, afinal o fígado é um órgão que se refaz. Enquanto isso use o seu fígado espiritual e o mantenha na fé.