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segunda-feira, 30 de dezembro de 2013

A Sabedoria dos Humildes / Crônica do Cotidiano

A Sabedoria dos Humildes / Crônica do Cotidiano

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Eram dois jovens com mochila e pouco dinheiro. Estavam no supermercado comprando pães recheados para a viagem, além de água e alguns tira-gostos.

Um virou-se para o outro, que provavelmente seria o seu companheiro de viagem, pois andavam em direção ao ponto de ônibus que dava acesso à rodoferroviária, e disse:

_A viagem será boa para mim. Ninguém sabe a tristeza que eu sinto no Natal. Todos os anos são do mesmo jeito, fico triste. Quero ver os fogos em Caiobá e a cantoria que os segue, depois passarei o final de semana em Matinhos. Eu não gosto de ficar triste enquanto todos estão alegres e comprando presentes e comendo as suas saborosas refeições.

O amigo disse para o queixoso:

_E o que é que tem de mal ficar triste no Natal? A história do Natal é triste, muito embora traga a esperança da humanidade.

O outro se surpreendeu com a reação do amigo, fazendo com que ele continuasse a explanação da sua visão de Natal:

_Pense bem, meu amigo. Um rei imagina que será sucedido por uma criança que está para nascer e manda matar todas as crianças que estão por nascer. Numa cidade pequena uma moça sonha à noite e acorda grávida no dia seguinte. Essa gravidez acontece numa época em que a medicina é precária. Hoje tem bebê que nasce depois de se nutrir através das paredes do estômago de uma mãe que não tem útero, e os exames contam a história com todos os fatos comprovados. Naquela época, foi uma situação difícil. Naquela cidade pequena, o noivo José sabia da vida, das saídas e dos bordados que a sua noiva Maria viva. Casaram-se e fugiram para um estábulo, onde o menino de nome Jesus nasceu. A alegria reside no fato em que conseguiram fugir das ordens do rei e o filho de Maria nascer saudável. O resto da história você conhece. Esse menino cresceu e modificou a história do homem, sendo o próprio Deus.

O outro concordou com a argumentação do amigo, mas e a tristeza dele, a que se devia, perguntou, sem saber onde o amigo queria chegar.

_Tem gente que, nessa época do ano, deixa que a emoção venha à tona. São pessoas que seguram as emoções o ano inteiro e, nessa época, todas as dificuldades enfrentadas ficam aos olhos do coração. Mas, depois passa. É questão de época, eu diria mesmo que se trata de uma tristeza sazonal.

O outro concordou. Era assim que se passava com ele, passava o Natal e, pronto, o seu mal estar melhorava. Para mudar do assunto de si mesmo, perguntou o que o amigo achava daquele filósofo que disse que tudo não passava de lenda.

_É alguém que perdeu a esperança no ser humano. A história é fato e, a teoria, na prática, não pode ser confirmada.

A conversa estava boa, mas, além de ficar quieta, ouvindo cada palavra dita com um carinho inexprimível, tive que vir embora, a caixa avisava que a fila tinha que andar.

4 comentários:

  1. Yayámiga

    A conversa estava mesmo boa, mas a fila tinha de andar. O Mundo tem de avançar, mesmo acabando com as boas conversas... Será assim? Deus queira que não seja.

    Qjs

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  2. Na prática a teoria é funciona de outro jeito, mas vou-me com a sensação de que filas também podem ser boas.
    Feliz 2014 !!
    Gilson.

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  3. Muito bom!

    Desejo que tenha uma excelente entrada no novo ano. Felicidades!

    Abraço

    Sónia

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  4. Amiga, tudo o que me deseja,
    Para você também desejo
    Onde quer que cada um esteja
    Vamos dizer adeus ao ano velho
    E dizer ao Ano Novo bom dia
    Tudo de bom para você desejo
    Muita saúde, paz, amor e alegria.
    Abraços amiga Yayá
    Feliz Ano Novo para você e sua família.
    Eduardo.

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