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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Curta

Curta

Que gente ingênua! Como foi que não entenderam como eles se casaram?

O pai e a mãe da noiva, instrumentistas amadores. A moça cantava na voz soprano em todas as festas familiares.

O pretendente era distinto, mas de nacionalidade diversa. Durante um ano ou mais, eles se encontravam nas reuniões, conversavam e o namoro não acontecia, para decepção de ambos.

Foi uma festa o começo de tudo. A música parou, mas um parente dele, com um violão na mão, o acompanhou, sem imaginar que estava modificando toda uma resistência pré-concebida.

Com toda a coragem do mundo, ele postou-se em frente aos convivas e cantou, dirigindo o seu olhar àquela soprano:

A Casinha Pequenina

Tu não te lembras da casinha pequenina
Onde o nosso amor nasceu, ai ?
Tu não te lembras da casinha pequenina
Onde o nosso amor nasceu ?
Tinha um coqueiro do lado {
Que coitado de saudade {bis.
Já morreu. {
Tu não te lembras das juras, oh, perjura,
Que fizeste com fervor, ai ?
Tu não te lembras das juras, oh perjura,
Que fizeste com fervor ?
Daquele beijo demorado {
Prolongado que selou {bis
O nosso amor. {
Não te lembras, ó morena, da pequena
Casinha onde te vi, ai ?
Não te lembras, ó morena, da pequena
Casinha onde te vi ?
Daquela enorme mangueira {
Altaneira onde cantava {bis
O bem-te-vi. {
Não te lembras do cantar, do trinar
Do mimoso rouxinol, ai ?
Não te lembras do cantar, do trinar
Do mimoso rouxinol ?
Que contente assim cantava {
Anunciava o nascer {bis
Do flâmeo sol. {

Ele cantou, ela sorriu. Esperou o sogro, a sogra, os futuros cunhados e os acompanhou até em casa, pegando na mão da moça de vez em quando. Se não cantasse, não receberia a aprovação!

Tem dias que penso que a malícia dos dias de hoje é mais que viseira, a malícia cega e contamina os corações.

13 comentários:

  1. Yayá, amei a letra e a melodia.
    Quanto a malícia, ela "contaminou" os corações, ficou perdida a inocência que tão bela sempre foi.

    Beijos com carinho.

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  2. Minha mestra,como é bom encontrar ,ler e entender , como é bom sentir,como é bom viver e sonhar e viver. Tudo isso faz parte da vida e bem ao coração.Um abraço doamigo Iderval Tenório

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  3. Linda História. Também concordo e aprecio que a pureza de outros tempos faz falta hoje.

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  4. Oh muito obrigada!!! :D
    Pois aquilo está através do facebook, tenho pena, mas muito obrigada por lá teres passado ;)

    Beijinho, Cris.

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  5. Yayámiga

    Foi em 1906 que esta modinha foi gravada em disco pelo Mário Pinheiro e depois se tornou... universal. Em Portugal, nos anos 40 e 50 era um sucesso; antes, não sei, ainda... não tinha nascido: Mas creio que sim.

    A rádio passava-a vezes sem conta durante o dia:

    Tu não te lembras da casinha pequenina
    onde o nosso amor nasceu (...)
    Tinha um coqueiro do lado
    Que coitado de saudade
    já morreu...


    Em Angola, nos finais dos anos 60 e princípios dos 70, perante os coqueirais, entoei-a. E em Goa, a primeira vez que lá fui com a minha goesa Raquel, em 1980, aconteceu também assim.

    Penso por isso que é intemporal, não tem prazo de validade e pode ser usada em qualquer ocasião. Até num casório... rsrsrs

    Qjs

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  6. Gostei muito daqui! Que palavras lindas... Quando tiver mais tempo passarei aqui pra ler tudo com calma.

    Tô te seguindo!

    Se puder passa no meu e segue, vai ser muito bem-vinda!
    http://leilakruger.blogspot.com

    Também escrevo poemas e tô lançando um romance.

    Bjo!

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  7. Uns chamam-lhe viseira e outros oportunista.
    hoje a maldade das pessoas é descaradamente aberta e sem vergonha nem arrependimento.

    Quando o amor acontece saibamos guardá-lo e geri-lo o melhor possivel

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  8. A pureza dos sentimentos faliu... como tantos outros valores sentimentais! Recordações, apenas!
    Abraço da Célia.

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  9. Lindo! Que saudade dessa linda melodia, você me fez lembrar!
    Abraços amiga linda e sensível!
    Ivone

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  10. Adorei recordar.
    Bom fim de semana
    Beijinhos
    Maria

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  11. Voltei no tempo com você.
    Bom domingo.
    Bjs, em divina amizade.
    Sonia Guzzi

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  12. Seu curta ficou romântico. Não vi malícia a ser repreendida. Mas sua conclusão tem grande verdade.

    Bjs.

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