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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Esse Lugar / Miniconto


Esse Lugar/ Miniconto

     Certa vez existiu um homem que queria ir para onde o pensamento não o acompanhasse.
     Nunca fora traído, nem mesmo por si mesmo. A razão era o seu ponto de vista admirável.
     Era amável e gentil com todos à sua volta. Não gostava de lero-lero ou mentiras; era sincero.
     Embora não fosse rico, lidava com as posses que tinha também de maneira a se elogiar.
     Não tinha vícios. Não era político. Não era nenhuma celebridade. Fiel à Deus e aos seus valores humanos de um modo próprio e verdadeiro. Era um homem comum.
     Eram múltiplas as verdades que o açodavam como se fossem feitas de chicote.
     Até que encontrou um lugar bom para viver longe desse pensamento.
     Lá nesse lugar, as verdades saem para passear e o deixam em paz para viver em família.
     Mas o fato foi mais ou menos assim: vendia um imóvel e comprava outro, sem lucro algum, apenas para se mudar. Essas verdades que o chicoteavam se mudavam junto com ele.
     A esposa o acompanhava pacientemente.
     Ninguém pode se considerar mais feliz do que essa esposa, depois da última aquisição.
     Se dizem que o sossego da vida só aparece quando ela acaba, estão enganados.
     Quem viu essa peregrinação do homem e o seu pensamento, sabe que o sossego vem da alma em conformidade com o que vê.
     Toda a verdade é para ser compartilhada, mas também é para ser revigorante ao ânimo e o seu conhecimento engrandecedor.
     No entanto, existem verdades que vêm para desafiar a vontade e a alma.
     Assim foi bom saber que o homem busca a serenidade da alma da melhor forma possível, através da vida e a sua infinita possibilidade de ser boa a cada pessoa. 

2 comentários:

Célia Rangel disse...

Nossa, Yayá... Quanta coincidência esse seu conto e a vida de meu marido...
Abraço.

Artes e escritas disse...

Célia, respondo aqui o seu comentário ao miniconto do blog, porque você certamente é uma excelente esposa para acompanhar esse homem, fictício e metafísico do texto criado a partir do filme, que está no "Pamela no cinema". Não fique somente no texto, aproveite e assista ao filme nacional de muito bom gosto. Um abraço, Yayá.