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terça-feira, 9 de maio de 2017

Na Quadra de Cima / Crônica do Cotidiano


Na Quadra de Cima / Crônica do Cotidiano

     Foi na quadra de cima de onde eu estava. Caminhava eu em direção à panificadora quando os gritos começaram.
     _Ladrão! Ladrão!
     Numa atitude completamente idiota parei na hora, no meio da quadra anterior, de onde eu não conseguia enxergar direito o que acontecia.
     Ouviu-se um tiro, mas ninguém na quadra de cima caiu no chão.
     _Um vagabundo desses merecia é um tiro certeiro, alguém gritou.
     Olhei em volta e mais alguns transeuntes estavam parados, aguardando os acontecimentos, mas ninguém correu para a quadra de baixo, a não ser os pedestres que estavam aguardando a vez de atravessar a rua. Esses pedestres correram para atravessar a rua.
     O alarme de um carro estacionado na quadra de cima disparou. Alguém entro e saiu do carro, mas não o levou.
     A sorte dos pedestres da quadra de baixo foi que o nominado ladrão resolveu fugir pela quadra de cima da quadra de cima.
     E, agora, pensando adequadamente, eu feito uma estátua olhando para a quadra de cima, e isso do meio da quadra de baixo e do meio da calçada. Acho que fiquei com falta de raciocínio.
     Parece que os funcionários dos estabelecimentos da quadra de cima saíram à rua porque eram umas dez pessoas gritando ladrão. Ninguém gritou "pega ladrão", mas simplesmente ladrão.
     Consegui sair da posição de estátua assim que os gritos pararam e ouvia-se apenas um rumor da quadra de cima.
     Fui até a panificadora e perguntei o que era aquela gritaria.
     A resposta foi coincidente com a minha perspectiva:
     _Ouvimos a gritaria, mas não saímos para ver, mas ficamos atentos ao movimento dos fregueses.
     Ainda bem que foi na quadra de cima, porque eu fiquei feito idiota na quadra de baixo, se bem que não houvesse nem um lugar para entrar, a menos que eu andasse na direção contrária, mas seria complicado e perigoso; tinha um ladrão na rua.
     Comprei os pães e voltei para casa. Perplexa.   

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