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quinta-feira, 30 de março de 2017

Não Exatamente / Crônica do Cotidiano


Não Exatamente / Crônica do Cotidiano

     Pela manhã, pensava eu no escritor Orwell e no filme Matrix, como mais uma daquelas Teorias da Conspiração.
     Com escritor e filme, imaginei um mundo de sistemas onde todos estariam inseridos enquanto pessoas em números. As vidas seriam programadas para que dela se fizesse o que a inteligência e a robótica determinassem.
     Com senha para a entrada, a vida normal e cotidiana ficaria à mercê dessa inteligência que, em resumo, determinaria a hora em que cada pessoa acordaria e sairia de casa para evitar o congestionamento.
     Continuando a imaginação: os ônibus e metrôs não mais venderiam cartões, mas senhas pessoais para que cada pessoa tomasse a sua condução no horário determinado pelo sistema. Não haveria mais compras em supermercados, pois o sistema determinaria a alimentação ideal para cada um em relação ao seu biotipo e, a quantidade necessária e saudável para a alimentação seria entregue regularmente na porta de casa. Nunca mais comeríamos as pizzas à quatro queijos enquanto assistíssemos um jogo da seleção brasileira.
     Pensei numa realidade onde a humanidade se transformaria em andróides ambulantes, não sem consciência de ter se transformado em andróide, onde a necessidade de estar apto para o sistema adaptaria o pensamento a querer ser sistema, quem sabe até organizar o sistema.
     Mas se quisesse organizar o sistema, seria substituído pela robótica. Os sistemas teriam donos, assim como os têm os nossos queridos sistemas de lazer na internet.
     Os automóveis que não precisariam mais de motoristas levariam as pessoas para os lugares determinados pelo sistema até mesmo para o lazer e por ruas pouco movimentadas.
     Os donos dos sistemas não seriam visíveis à ninguém, a não ser para eles mesmos. No entanto colocariam pessoas para aparecerem como sendo os donos desses sistemas. Todas essas pessoas de dentro da organização dos sistemas.
     As pessoas normais seguiriam os sistemas e teriam a vida regulada pelo sistema. O planeta inteiro teria entre três a cinco sistemas centrais com sistemas comunicantes entre si.
     Pensei na globalização extremada dos povos.
     Pensei em escrever uma história com essas ideias.
     Mas daí, olhei o twitter e vi que não pagaram a conta de luz do Teatro Municipal do Rio de Janeiro.
     Sem luz, não tem sistema que funcione.
     Senti um alívio enorme. Basta apagar a luz para não haver plano nenhum de sistematização mundial.
     E não fiz história nenhuma.
     Vou lanchar contente agora à noite, pois a humanidade está salva.    


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