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quinta-feira, 31 de março de 2016

Restam os Livros

Restam os Livros

     Um ator que representa Shakespeare, por vontade, escreveria num blog texto próprio sem pseudônimo? Se assim o fizesse, não o acreditariam seus leitores.
     Quanto aos atores, cuja paixão indomável pelas apresentações teatrais, talvez escrevessem num blog para ocultar o ser e fazer brilhar o não ser do personagem.
     Teatros são construídos, demolidos, reformados e redecorados. A estética chama o seu público,
     Num contexto geral, as ideias são mais importantes do que o autor, os atores, o teatro, a montagem e, até mesmo o público, posto que a ideia, uma vez proferida, paira pelo ar, invisível e discutível.
     Os autores excepcionais são reconhecidos, premiados, lidos, aplaudidos, interpretados e, hoje em dia, filmados.
     Os atores são esses desconhecidos escondidos sob as vestes dos seus personagens, a personalidade oculta é a maleabilidade para a incorporação de um forte personagem.
     Tudo o mais é a representação dos recursos financeiros para que o autor, os autores e toda a exibição estejam em acordo ao pretendido.
     Ao autor, cabe à redoma de cristal lúdica criada através da sua imaginação, é alguém cuja alma transborda invariavelmente a fim de dizer o inexprimível que a alma nega-se a calar. É através do texto que o autor busca compartir o que lhe é estranho e absurdo inserido à realidade presenciada ou sabida.
     O ator, esse não ser que dá voz ao personagem, o sente através das falas e gestos delineados em algumas linhas. Sem ele, o personagem é pífio. A ele cabe a tarefa de não mostrar-se continuamente ao público, dentro e fora do palco. É alguém que jamais saberemos realmente quem é.
     O público é influenciado por todos os elementos presentes, do texto à qualidade da montagem. Entre o sucesso e a crítica, há mundos separados e distintos.
     A realidade, ao cotidiano, não é o palco, onde os espectadores restringem-se à compra dos ingressos, a peça e, o filme, conforme dizia o jargão: “Comprem o livro, ouçam o disco e vejam o filme”.
     Ao dia a dia, cada passo é contínuo, cada decisão tem que ser tomada com cuidado porque muitas dessas decisões farão companhia, a quem se decidiu por ela, até por toda a vida.
     O normal da realidade é que a alma não transborde, mas o que é feito do autor quando esse fato ocorre com a realidade a seu redor, abstraída de personagens e ideias, compostas da materialidade a que o ser está sujeito, senão expor as ideias cotidianas e fazer novas buscas por personagens cheios de vontade e energia.
     Quanto aos atores, quando sem personagens, acredita-se que eles são personagens de si mesmos, aguardando o imaterial que possa substituí-los como forma de se expressarem ao mundo que os rodeia.

     Agora o teatro é vazio. Restam os livros.

quarta-feira, 30 de março de 2016

Contando Chocolates / Crônica de Supermercado

Contando Chocolates / Crônica de Supermercado


     Os bancos estão contentes com a classe média, que diminuindo a compra de ovos de chocolates provavelmente terá economizado para engordar a poupança.
     O supermercado está com promoção de ovos de chocolate. Poderia parecer tolice comprar ovos de chocolate em promoção, mas acontece que alguns tipos de ovos de chocolate não têm equivalente em bombons e barras de chocolate.
     Na base de compre dois pelo preço de um, comprei dois ovos e paguei um e sei que durante o ano não estará à venda em nenhum local.
     Sabendo comer o chocolate aos poucos, ele não engorda e, se não se acrescentarem muitos doces ao cardápio, faz bem ao bolso e ao paladar.
     Para o próximo ano, talvez as fábricas diminuam a produção, ou, talvez os ovos fiquem ainda mais caros do que foram este ano.
     Este ano a crise pela qual o país atravessa desestimulou o consumo e a festa foi feita com muita cautela, pareceu que o povo pisava em ovos que não eram de chocolate.
     Aos poucos os ovos restantes estão sumindo das prateleiras, mas os consumidores são aqueles mais otimistas que riem de si mesmos ao comprarem ovos de chocolate, mas, enfim, o preço, é compensador, pois equivale ao preço de mercado para os chocolates. Os consumidores são aqueles que compraram ovos de chocolate antes do feriado e agora repetem a dose.
     A esperança é parte do feriado e neste ano, a crise falou mais alto que a solidariedade de repartir alguns chocolates com quem precisa.
     Eu acredito que se possa ser mais doce, mesmo com o chocolate amargo, com 70% de cacau.
     A sensação de que o ano segue devagar é geral, mas o desânimo não pode nos dominar.
     O amanhã nunca se sabe e essa é a melhor parte.
     Não economizei nos chocolates, ainda mais agora, em promoção.
     Fica a dica para quem quiser pegar uma promoção. Ah, até a pouco, os chamados dietéticos também estavam nas prateleiras.
     Hoje não é propaganda, é satisfação.
    
    


terça-feira, 29 de março de 2016

Poema Propaganda de Refrigerador

Poema Propaganda de Refrigerador



O descanso do dia
Eram os pés na areia
Sem sol, à cortesia.

Algum vento e água fria,
Na varanda e, à cadeira;
Relembro essa alegria.

Não mais é a tal folia,

Descobri a geladeira.

segunda-feira, 28 de março de 2016

Idealizar


Idealizar



A inspiração é um pássaro que voa
Por voar, e leva às asas, a cena,
Seu colorir, um desenho à toa,
E risca o céu azul. Farfalha e acena,


Ao todo d’alma, e nela ressoa,
O atemporal da canção à plena,
O verso ao léu em esvoaçante loa,
Cingindo a luz com a graça amena.


Nessa janela onde o tempo ecoa,
Ao idealizar a métrica em trena,
A boa saudade vem, voa e atordoa,
Buscando em versos o que a serena.


domingo, 27 de março de 2016

Ilações Pessoais Sobre o Feriado da Páscoa

Ilações Pessoais Sobre o Feriado da Páscoa



     Uma das ilações mais belas desse feriado de Páscoa é que: aquele ao qual a vida não surpreende com alguma beleza pode tornar mais bela a vida de muitos.
     A beleza da vida é sabermos que podemos ser surpreendidos com a existência de Deus.
     Graças a Deus, eu posso me surpreender e, o fato, aconteceu durante a semana. A música pronta e a devida apresentação para a avaliação dos detalhes.
     A professora não conseguiu ouvir a execução porque um dando de pássaros invadiu o local ao lado e fez-se um chilreio tão extraordinário que o piano ficou inaudível em técnica e dinâmica.
     Rimos da surpresa. Não vimos senão um ou dois passarinhos, eles se alojaram sobre o telhado da casa ao lado.
     Existem pessoas que passam a vida sem serem surpreendidos por nada, têm uma vida linear e são benevolentes enquanto seres humanos. Esses são o que distribuem a palavra de Deus ao próximo e conseguem a surpresa através das surpresas daqueles que a vivenciam através da fé.
     Existem aqueles que não se surpreendem com nada e nem querem ser surpreendidos por nada. Eles querem a felicidade da surpresa por serviço de “entrega em domicílio”, geralmente frustrante; a surpresa encomendada não equivale àquela graciosa, capaz de modificar o nosso dia e, quem sabe o nosso estado de espírito.
     Existem receitas para que possamos surpreender os outros com as nossas prendas, mas as surpresas que acontecem além do imaginado e programado, são excepcionalmente melhores.
     Acredito que a gente se descobre através dessas surpresas e como as encaramos se, com alegria, ou, com, um realismo que nos impeça de usufruir desses momentos.
     Boa Páscoa a todos!

sábado, 26 de março de 2016

Aleluia!


Aleluia!



Cristo é ressurreto,
É verbo e sujeito;
Aqueles que choram
Também comemoram


A luz do perfeito
Ao mundo desfeito
Por tantos que o esporam.
Esperanças que oram


Aliviam o peito,
Se não há festa, há o feito,
De amor aos que imploram,
Mas, depois, o adoram.

sexta-feira, 25 de março de 2016

Sexta-Feira Santa / Reflexão

Sexta-Feira Santa / Reflexão

     Vejam o texto extraído da Bíblia , a profecia de Jotão: Juízes, 9, 6-15

     6Então, todos os cidadãos de Siquém e de Bete-Milo reuniram-se ao lado do Carvalho sagrado, próximo à estela de Siquém, e proclamaram rei a Abimeleque.

7Levaram esta notícia a Jotão, então ele subiu ao cume do monte Gerizim e exclamou ao povo com grande voz: “Ouvi-me atentos, ó ilustres cidadãos de Siquém, a fim de que Deus igualmente os ouça! 8Certa vez, as árvores se puseram a caminho para ungir um rei sobre elas. Disseram à oliveira: ‘Reina, pois, sobre nós!’ 9Entretanto, a oliveira declinou alegando: ‘Renunciaria eu ao meu azeite, com o qual se presta honra aos deuses e aos homens, a fim de me colocar por sobre as demais árvores para dominá-las?’ 10Então, as árvores dirigiram-se à figueira: ‘Vem tu, e reina sobre nós!’11Mas a figueira lhes ponderou: ‘Poderia eu abandonar minha doçura e a boa produção do meu fruto no tempo certo?12E as árvores partiram em busca da videira e a convidaram: ‘Vem tu, e reina sobre nós!’ 13Contudo, também a videira lhes afirmou: ‘Iria eu deixar de gerar meu vinho novo, que tanto alegra os deuses e os homens, a fim de erguer-me por sobre as demais árvores para governá-las?’ 14Sendo assim, todas as árvores rogaram ao espinheiro: ‘Vem tu, e reina sobre nós!’ 15Então, o espinheiro aquiesceu, mas advertiu as árvores: ‘Se de fato desejais ungir-me rei sobre vós, vinde e abrigai-vos sob a minha sombra. Caso contrário, sairá fogo dos meus espinheiros e devorará até os cedros do Líbano!’

     Essa foi a profecia de Jotão: o Rei ungido descansaria à sombra do espinheiro.
      Sexta-feira Santa é o dia em que nos lembramos do filho ungido por Deus: Jesus Cristo.
     A profecia de Jotão, o menor dos irmãos de Abimeleque, que escondendo-se da fúria de uma guerra insana.
     O espinheiro, infrutífero e inútil, fez-se instrumento da profecia.
     Jesus Cristo estava presente entre nós muito tempo antes de nascer.
     Estava entre os pequeninos conforme Jotão era pequenino e foi o único sobrevivente entre os irmãos de Abimeleque.
     No dia da cruxificação , houve um terremoto: Mateus 27, 50-54

     E Jesus, clamando outra vez com grande voz, rendeu o espírito.
E eis que o véu do templo se rasgou em dois, de alto a baixo; e tremeu a terra, e fenderam-se as pedras;
E abriram-se os sepulcros, e muitos corpos de santos que dormiam foram ressuscitados;
E, saindo dos sepulcros, depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa, e apareceram a muitos.
E o centurião e os que com ele guardavam a Jesus, vendo o terremoto, e as coisas que haviam sucedido, tiveram grande temor, e disseram: Verdadeiramente este era o Filho de Deus
.

     O mundo era novo a partir de Jesus Cristo.
     Jesus Cristo vive desde sempre.
     A reflexão é do leitor.


quinta-feira, 24 de março de 2016

O Reverso

O Reverso


Momentos restritos
Tornam-se especiais,
Salgadinhos fritos
E água, aos comerciais.


Corações contritos
De ironias parciais
Que evitam atritos;
Diálogos geniais


Que dizem sem gritos
Frases substanciais,
Versos sobrescritos,
Não superficiais.

quarta-feira, 23 de março de 2016

Homem na Árvore - poema afeito a notícia

Homem na Árvore


Quem será aquele homem,
Da árvore alta em copa,
Olhares que somem
Ao sol que desbota.


Desce e conta, homem,
De você, o que brota,
Antes que te domem,
Que depois se anota.


Há os que te conformem,
Sai da tua ilhota,
Vê que os céus se movem,
Crê, e não te sabota.

terça-feira, 22 de março de 2016

Trava-línguas


Trava-línguas

A palavra que escapa
É a voz do pensamento,
Que, distraído, resvala,
Em rápido momento,

Mas que se tornar fala
Audível, atrevimento
Do som quando se trava;
Simbólico fragmento.

Ao dizer, se farfalha,
É coreografia ao vento
Sem dizer que é vassala
D’uma ortoépia ao acento.

segunda-feira, 21 de março de 2016

Autoajuda


Autoajuda


Perante o previsível,
Algum planejamento
Nesse antever visível,
Num passo a passo lento.

Sem que a dúvida incrível
Cause algum sofrimento,
Nada muito falível,
Mas, sim, acolhimento,

Da sugestão possível.
Algum apontamento
Que conduza ao acessível;
Um aprimoramento.

domingo, 20 de março de 2016

Necessitados


Necessitados


Sentimento de indiferença,
Tanto fez, tanto faz a vez
De quem. Almoçamos descrença.
Magoados com a insensatez,


De muitos, desculpe a presença,
A palavra escrita em talvez,
Depois da triste conveniência
Enraivecida de embriaguez.


Precisamos que o amor convença
Que a alma diz mais que a pequenez,
Onde mesmo o ausente é presença,
Mas que hoje mostra timidez.

sábado, 19 de março de 2016

Pensamentos sobre a Terra Brasilis

     Estamos aqui, nós, que não somos nem ricos e nem pobres, assistindo os acontecimentos e a risada é nervosa por todo o bairro.
     Algumas pessoas importantes tiraram a roupa e estão peladas, incluindo a turma do binóculo que não deveria ficar tão animada com a falta de roupa, em terra originalmente indígena, a roupa é um complemento trazido ao país pelos europeus.
     Como é que publicam no Facebook e no Insta gram a foto dos vizinhos pelados? É a pergunta da classe curiosa, gente mais ou menos intelectualizada.
     Vemos pessoas que, além de peladas, estão ligeiramente embriagadas. Por raciocínio óbvio, quem não está dentro da confusão, não quer entrar. De repente, roubam as nossas roupas e ficamos pelados também.
     Piscina e praia não significam nudez para nós, a turma que frequenta o supermercado. Podemos tirar fotos de biquini e calções sem nos sentirmos envergonhados que os outros vejam.
     Tem gente aguardando o blog por aqui. O que dizer a essa altura? Se pensam que é fácil, que fiquem aqui com o teclado nas mãos.
     Sem chefia, sem vice-chefia, sem oposição coerente, sem motorista, mas com uma quantidade enorme de boas pessoas que querem levar as suas vidas normalmente.
     Estamos num tempo onde os excluídos não são os desfavorecidos, são a chefia, a vice-chefia, o opositor incoerente.
     Parece que achamos alguém para providenciar a arrumação da situação e, o mesmo, avisou que precisa de tempo. 
     Conseguimos também um advogado com a missão de negociar. Quando se diz advogado significa que possui o título de advogado - tanto a situação quanto a oposição.
     Quem não está envolvido nessa confusão, continua com todas as possibilidades para contribuir com a Terra Brasilis.
     Agora, o que se pergunta é se, as pessoas com condições de ajudar, poderão ajudar, ou serão contestadas pelos demais?
     Existem dois grupos nessa festa sem pijama, mas o restante das pessoas não pensa como eles.  A maioria das pessoas é centrada, será que me entendem?
     Outro dia ouvi a seguinte frase: É melhor cuidarmos das nossas vidas e deixarmos que eles se resolvam. Cuidamos das nossas vidas e assistimos os outros pela televisão.
     Cadê o pessoal que possa atender os centrados?
     Porque para a nudez, nós fechamos as cortinas por questão de respeito próprio. Para os trajes de banho, é permitido, são os varais das residências e, enfim é normal que hajam toalhas de banho nos varais das residências.
     Resumindo as negativas:
     CHEFIA IRRESPONSÁVEL: NÃO
     OPOSIÇÃO IRRESPONSÁVEL: NÃO
     NUDEZ IRRESPONSÁVEL:NÃO
     Vamos ter que renovar algumas coisas por aqui, mas não sabemos exatamente com fazer, porque somos pacíficos, ordeiros, de boa índole, com boa vontade.
     E essa confusão toda!
     

sexta-feira, 18 de março de 2016

Perspicácia


Perspicácia

Estar ao lado da paz
É o que faz bem e compraz,
Essa generosidade,


Que, presente, satisfaz,
E torna a todos capaz
De estarem em irmandade.


Por querer, é perspicaz,


Emana a prosperidade.

quinta-feira, 17 de março de 2016

Bola e Sacola



Bola e Sacola

Quatro garotos jogando bola
Brincam na praça, é de agradecer,
Entremeios desse mundo que rola,
Onde quem enxerga não quer ver.

Que ouçam discos à velha radiola,
Saibam canções de se comover,
Sintam a bola que desenrola,
Músicas a ouvir e a se escolher.

Todos juntos à sua sacola,
Sol que não para, mesmo a chover,
N’outro lado, não se desconsola,
Rimas vindas desse não saber.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Renitência

Renitência


O espírito é contente,
Mesmo sem entender
Um motivo existente.

Mas é porque é insistente,
A fim de surpreender
Uma alma renitente;

Insiste ao ser que sente,

Mostrando-se a viver.

terça-feira, 15 de março de 2016

Alento


Alento

Não há vento
Nem sol,
Momento

Do tempo
Em prol
Do alento;

Contento
Ao poial.

segunda-feira, 14 de março de 2016

Sobriedade

Sobriedade

Volta à rotina,
Vida menina
De realidade.

Sol à cortina,
Roupas à tina,
Mesa à vontade;

É cristalina

A sobriedade.

domingo, 13 de março de 2016

Comentário ao Dia de Hoje 13/03/2016

Comentário

     A televisão continua com as notícias do dia. Eu vi um país coerente na televisão.
     Hoje ficou claro o que os segmentos pensam e como se estruturam espontaneamente.
     São Paulo ainda é um carro chefe do pensamento nacional. O Rio de janeiro é mais filosófico.
     Um dia bom para mostrar posicionamentos. O time verde e amarelo foi às ruas e o time vermelho e branco ao Facebook.
     Quando toda a população mostra o seu pensamento é melhor para todos, inclusive para nós, que ficamos assistindo televisão. Lembro que a nossa população fica por volta de 300 milhões de pessoas.
     Somando-se os milhões de pessoas nas ruas e o milhão de pessoas no Facebook, sabemos por onde passa a negociação para resolver os problemas que causam os protestos e os apoios.
     Todos foram coerentes hoje. Agora a saída é a negociação política e essa tarefa não é do povo, é de quem tem o talento necessário para negociar.
     Por aqui muitas televisões ligadas, muitos comentários sobre a beleza desse comportamento nacional por ambos os lados que promoveram, através de atitudes pacíficas, a oportunidade para que o país saiba que tem potencial humano e valoroso.
     O caminho para o diálogo está feito, agora vamos voltar ao normal com contos, crônicas, poemas e reflexões.
     Boa semana a todos.

       

sábado, 12 de março de 2016

Clima de Moda / Crônica de Supermercado

Clima de Moda / Crônica de Supermercado

     O brasileiro, nas horas de campeonato, ainda é capaz de possuir fina ironia.
     Amanhã parece que tem jogo da seleção e temos que escolher as camisas. A roupa listrada está proibida para o jogo de amanhã.
     Fui jogar o lixo e me alertaram que a blusa listrada era inadequada, hoje é o dia da torcida se organizar.
     Pelo sim, pelo não, voltei e vesti a roupa com a qual todos me observaram sair para ir à igreja.
     Fui para a saída novamente e alguns olhares femininos disseram que até que estava adequada a roupa.
     Coloquei os pés na rua e mais alguém fez aquele sinal do Facebook indicando que curtiu os meus cabelos arrumados.
     À rua, observei a turma do ponto de ônibus vestindo cores vivas.
      Cheguei ao supermercado e os clientes, em geral, homens e mulheres reparavam nas cores das roupas.
     Tem gente preferindo usar a roupa de juiz: preto da cabeça aos pés.
     Em resumo, temos três cores para amanhã: as mais discretas, as mais vivas e as pretas.
     Está de um jeito que um pede ao outro para se arrumar de acordo com o evento.
     O supermercado está com uma promoção de bolos coloridos, os internacionais muffins, e as carolinas, as antigas bombas com creme de confeiteiro e doce de leite.
     Eu havia pensado em comprar um bolinho, mas eram coloridos e divididos em dois sabores.
     _Que cor a senhora escolhe?
     Comprei dois bolinhos, um de cada cor.
     A atendente deu risada.
     A fila dos caixas não estava grande, mas não fui à hora da crônica.
     Os uniformes dos times eram visíveis. Um olhando para o outro e outro olhando para um.
     Amanhã tem jogo. Pessoalmente, assistirei pela televisão. A única vez em que entrei num estádio de futebol na minha vida, foi para assistir um show musical.
     Bom jogo a todos! Tudo o que se quer é que o Brasil vença, mais nada.

     

sexta-feira, 11 de março de 2016

A Velha Senhora

A Velha Senhora

     Pouca gente a conheceu conforme as pessoas deveriam ser conhecidas, mas houve a pneumonia e as visitas.
     Certificando-se que não havia perigo de contágio, a mãe de Clarice a levou com ela.
     A velha senhora estava em convalescença e estava com os cabelos brancos e curtos penteados para trás. O rosto começava a ficar corado, deixando a palidez da febre, e ela comia alguns biscoitos de leite.
     Clarice era de um jeito muito dela, às vezes era calada, às vezes falava demais. Olhou e olhou para os cabelos e disse que nunca havia visto ela assim e que parecia mais bonita, mais solta, e com ar jovial.
     _Eu me enfeio para sair, não é isso que você quer dizer, Clarice?
     Clarice fez uma expressão de surpresa e, a velha senhora concluiu:
     _É fato, Clarice. Eu também prefiro assim, mas não é possível. Nunca foi possível Clarice!
     A mãe da Clarice mandou parar o assunto senão as queixas começariam e elas não estavam lá para aborrecer a velha senhora, repetindo as palavras da velha senhora para a filha:
     _É fato, Clarice. Não é possível nem para ela assim como a mim. Nunca foi.
     A mãe de Clarice e a velha senhora se entreolharam e sorriram como que constatando que a realidade é pesada para todas as vontades.
     A velha senhora olhou para Clarice com carinho e disse a ela que não se preocupasse, pois para ela a realidade seria melhor.
     A mãe da Clarice disse à velha senhora que não mentisse à menina.
     _Eu não minto, é a nossa regra, lembra?
     A visita foi rápida.
     A velha senhora, depois, ligou para a mãe de Clarice. Queria contar sobre um filme que tinha assistido. A mãe de Clarice ouviu, mas por educação, sem prestar muita atenção.
     As duas conversavam muito e a mãe de Clarice tinha as suas ocupações e, certo dia, quem atendeu ao telefone foi Clarice.
     _Clarice, é com você mesma que eu quero conversar. A sua mãe não presta atenção quando eu conto dos filmes e eu li um livro tão bom. Deixa eu te contar a história, aposto que você vai gostar.
     Clarice era educada e escutava.
     _Era uma vez uma moça bem nascida que por um comportamento caprichoso muito sofreu. Eu não quero entrar ficar numa situação constrangedora por sua causa e nem ser sua babá, aprenda a viver. Escute a minha história, quero dizer, a história do livro que eu li.
     Clarice achou que o livro que a velha senhora tinha lido parecia muito interessante.
     _ Não é aquele livro onde o sol nasce para todos e nem sobre aquele livro sobre 1.808. Eis uma ilação interessante: O sol nasce para todos e ponto. Nenhuma vírgula, nem aspas, nem reticências e nem etecéteras. Entendeu? O que é o poder econômico, você sabe. O poder econômico foi o que causou a Proclamação da República um ano após a abolição dos escravos. O poder econômico, quando contrariado, apronta poucas e boas.
     Clarice interrompeu a conversa e perguntou como é que o livro acabava.
     _O livro acabou mal porque a jovem não sabia lidar com a situação. Se tivesse ouvido os meus conselhos, não acabaria tudo tão mal.
     Clarice disse que não entendeu.
     _ Faça o que puder para dispensar-me de ser a sua babá, você não precisa disso. Eu não tenho mais idade para ser babá de jovem crescida. Respeite o regulamento e se imponha naquilo em que você estiver certa.
     Clarice perguntou:
     _E se isso não der certo?
     A velha senhora foi taxativa:
     _Para você vai dar certo! Você não leu nem um terço dos livros que eu li. Você está entendendo alguma coisa do que eu estou dizendo, porque a sua mãe a essa altura da conversa já teria dito que precisava ir ao supermercado, perguntou.
     Clarice disse que estava entendendo, mas que ela era básica, não tinha lido nem um décimo do que ela havia lido.
     A velha senhora respirou aliviada.
     _É isso o que eu preciso Clarice. Preciso que você entenda o básico. Para que você não passe o que eu passei mesmo em situação semelhante.
     A enigmática velha senhora teve muitos filmes e livros a contar. Alguns ouvintes irritavam-se profundamente com as suas histórias. Outros ouvintes diziam que ela fazia isso para ter assunto, para ter o que conversar, porque levava uma vida provavelmente monótona.
     As pessoas cultas permitem compreender a realidade desconhecida, mas provável.
     Clarice guardou consigo todas as histórias da velha senhora consigo, é bom ouvir histórias.