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terça-feira, 18 de outubro de 2016

Santo Agostinho e o Caipora / Reflexão

Santo Agostinho e o Caipora



     Nós lemos Santo Agostinho e a história de todos os santos se assim o desejarmos, os batistas são católicos e evangélicos, começo por assim dizer para evitar perguntas tantas vezes repetidas e respondidas no mesmo sentido.
     Este texto, conversado dentro de casa merece a ideação porque o Caipora, figura folclórica brasileira, já era discutido nos anos 400 depois de Cristo. É descrito por Santo Agostinho como antípoda, “homens que pisam o reverso das nossas pegadas na parte oposta da terra, onde o sol nasce, quando se oculta de nossos olhos”.
     Ele descreve a figura mais como fábula do que como problema humano, como as malformações congênitas, mas a figura do antípoda era tida como existente já naquela época.
     O texto se torna cativante à medida que ele o usa para prevenir sobre os temas polêmicos da época dele.
     Ele, Santo Agostinho, compara o caipora com conjecturas da astronomia e, ao ler o texto, o leitor poderá lembrar-se de Galileu Galilei, que foi queimado, e Copérnico. Obviamente que depois a igreja reconheceu que errou, mais precisamente no dia 31 de outubro de 1992.
     Vamos ao texto escrito por Santo Agostinho que diz não haverem testemunhos históricos sobre a existência do Caipora:
     “..., mas em meras conjecturas e raciocínios aparentes, baseados em estar a terra suspensa na redondez do céu e o mundo ocupar o mesmo lugar, ínfimo e médio. Daí deduzem não poder carecer de habitantes a outra parte da terra, quer dizer, a parte debaixo de nós.”
     Mais alguns prolegômenos e ele conclui a ideia:
     “Além de parecer enorme absurdo dizer que alguns homens, atravessada a imensidade do oceano, puderam navegar e arribar à referida parte com o fito exclusivo de salvaguardar em sua origem a continuidade unitária do gênero humano”.
     Esse texto mostra que podemos desviar os assuntos polêmicos e nos mantermos vivos. Mostra também que é possível a involução do pensamento humano e, por diversas circunstâncias históricas e de sociedade, punir quem concluir uma ideia ao contrário dos interesses da época, não digo do interesse dominante porque não é o caso descrito.
     Ele, como cristão das primeiras épocas, não via contexto negativo em que se aprofundassem os conhecimentos. Séculos depois, no entanto, a involução cultural permitiu a punição do conhecimento pelo filósofo.
     Também não tenho o menor propósito de discutir a terra e os astros porque não é conhecimento meu.
     O meu objetivo é saber do cristianismo primitivo, o que tem me feito muito bem, espiritualmente.
     Os conhecimentos existentes naquela época eram abraçados e incorporados aos mestres, Santo Agostinho era professor renomado em Roma e aos discípulos, com os quais ele gostava de discutir as suas ideias.
     Tenho observado uma sucessão de complementos à leitura bíblica com esse livro chamado A Cidade de Deus, além de coincidências entre o título do livro e algumas experimentações pessoais, pois a cidade de deus somos nós, quando nos dispomos a seguir os ensinamentos do amor de Jesus Cristo.
     No mais, fica aqui a mitológica figura brasileira do Caipora e o conselho intrínseco ligado à sua figura que cada um percebe de maneira distinta.
    
    



Bibliografia: Santo Agostinho, A Cidade de Deus, parte II, livro Décimo Sexto, capítulo IX.

Um comentário:

Élys disse...

Uma página que é boa de se ler e nos induz a bons momentos de reflexão.
Um abraço.