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segunda-feira, 24 de outubro de 2016

Cultura Racional

Cultura Racional

     Duas moças sentaram-se numa mesa e, para evitar o assunto política, pois cada uma delas iria votar num candidato diferente, iniciaram uma conversa a respeito de uma conhecida ou amiga ou colega.
     _Eu não sei por que eu não gosto da Rosaura (nome fictício).
     A outra moça foi pega de surpresa porque ela queria mesmo era falar sobre as eleições.
     _Quem?
     A outra lembrou quem era a Rosaura da qual falava, conhecida de ambas as moças.
     _Por quê?
     _Eu não sei.
     A outra pediu a ela que explicasse o jeito da Rosaura que ela a ajudaria a compreender o motivo.
     _Você é psicóloga?
     _Não, mas eu entendo o ser humano.
     A moça olhou para a amiga ou colega, e gostou do desafio.
     _Está bem. Vou descrevê-la. A Rosaura pode se vestir de “povão”, mas não se comporta como “povão”.
     A outra pediu que detalhasse o comportamento do que ela chamava de povão.
     _Ela não é escrachada, mesmo quando pode, quando vai ao estádio de futebol. Eu, quando vou ao estádio de futebol, me solto.
     A outra perguntou se a Rosaura frequentava o estádio de futebol.
     _Pessoalmente, eu nunca a vi no estádio. Mas, de vez em quando ela se veste como se fosse ao estádio de futebol e não se comporta como quem vai ao estádio de futebol.
     A desafiante pediu outro exemplo. Este seria difícil de decifrar.
     _Aceito por que o contrário também é real. Quando a Rosaura se arruma finamente, ela não se comporta como pessoa rica.
     A desafiante novamente pediu algum detalhamento desse comportamento.
     _A Rosaura conta o seu dia da maneira mais natural possível. Ora, quem é poderosa não conversa normalmente, afinal o mundo tem os seus riscos e ela tem que se proteger. A Rosaura poderia fazer alguma pose a mais e não faz.
     A desafiante pediu que a outra continuasse a descrever a Rosaura.
     _Ela não é competitiva. Nós duas sabemos que o mundo é competitivo mesmo para aquelas como nós, que temos um bom emprego e não queremos perder a vaga para ninguém. Na nossa empresa será difícil alguém entrar no que depender de mim.
     A outra perguntou sobre o comportamento da Rosaura.
     _Ela chega de manhã sorrindo para mais um dia corrido. Ela diz que não se incomoda se alguém novo entrar na empresa porque ela tem bastante experiência no ramo de negócios e os novos na empresa terão que aprender o que ela já sabe.
     A desafiante perguntou sobre os defeitos da Rosaura.
     _Que eu saiba ela tem defeitos e qualidades que nem nós. Eu é que não gosto dela e não sei o motivo.
     A outra insistiu de novo para que ela fizesse uma definição contra a Rosaura.
     A desafiada perdeu a paciência e respondeu:
     _A Rosaura não se encaixa em parâmetros. Eu sei lidar com o cliente do tipo “povão” e sei lidar com o cliente do tipo “rico” e sei lidar com as pessoas iguais a mim. Ela não se encaixa em nenhum dos meus quadrados previamente previstos.
     A outra concluiu:
     _Você percebeu como eu tenho vocação para entender o ser humano. Você não gosta da Rosaura porque ela não se encaixa dentro de nenhum dos seus parâmetros.
     A moça concordou:
     _Não gosto da Rosaura e não vou gostar da Rosaura.
     Para sair do assunto Rosaura, que ela mesma havia inventado, perguntou sobre as qualidades do candidato da outra.
     _Da mesma forma que você não gosta da Rosaura, eu gosto do candidato em que vou votar porque ele tem parâmetros parecidos com os meus. Está ficando tarde, é melhor nos apressarmos.
     A outra concordou.
     Para surpresa dos ouvintes, saibam que, à saída, algumas mesas de distância, as duas cumprimentaram a Rosaura que lanchava com alguma amiga, conhecida ou colega.
      

     

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