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terça-feira, 1 de março de 2016

Retrato de Mãe / Crônica do Cotidiano

Retrato de Mãe / Crônica do Cotidiano
     São raros os dias em que se encontram tantas mães acompanhadas dos filhos, mas hoje, eu gostaria de tirar uma foto instantânea de cada uma delas.
     Um dos sentimentos louváveis de toda mulher é o espírito maternal presente na maioria das mulheres, sendo ou não sendo mães.
      Imaginem a foto de cada uma das cenas presenciadas e, tentem não achar cheias de luz, é praticamente impossível.
     A primeira ajudava o filho começar o ano na faculdade e saíram juntos. Olhando as horas, ele teve que sair e disse que experimentaria as roupas à noite e, se não servissem, depois trocava. O dono da loja concordou e o moço se dirigiu à porta de saída, quando a mãe recomendou:
     _Meu filho, olhe para os dois lados antes de atravessar a rua! Cuide-se meu amor.
     O moço parou na porta da loja parecendo estar em estado de choque como que pensando como é que ela teve coragem de dizer isso a ele na frente do dono da loja.
     Ele ficou pensando durante alguns minutos. Olhava para a rua e olhava para a mãe sem saber o que responder a ela. Por fim, olhou para ela e disse tchau com um jeito de parvo.
     A primeira foto é essa.
     A segunda mãe estava com os dois filhos pequenos: a menina aparentava uns sete anos de idade e o menino uns quatro anos de idade.
     A menina estava espirrando e disse que deveria ser alergia, mas ela havia tirado a pequena capa de chuva e brincava com o capuz enquanto a mãe pedia algumas roupas com o número apropriado a cada um.
     A menina brincava com o capuz e o irmãozinho olhava para ela com muita vontade de brincar com o capuz também. De repente o menino disse:
     _Vamos brincar de fazer neném?
     A mãe olhou para ele bastante braba e franziu a sobrancelha, enquanto o público presente olhava assustado para os dois.
     A menina não gostou do jeito que a mãe olhou para ele e fez uma boneca imaginária com o capuz. Com um talento e graça que deu gosto de ver.
     O menino perguntou onde é que a boneca iria dormir.
     A gente tinha impressão que a mãe iria ralhar a qualquer momento, mas a vendedora a ocupava com pilhas de roupas para crianças.
     A menina fez um berço com o capuz e mostrou para o menino. Impressionante o talento da menina. Ela moldava o capuz com uma habilidade artística de se notar.
     O menino olhava e olhava para o capuz e as formas. Dali a pouco ele pediu o capuz emprestado.
     A irmã perguntou para o que é que ele queria o capuz e ele respondeu que queria fazer um carrinho.
     A mãe ouviu e não se conteve:
     _Embrulha o que eu já escolhi que eu volto outra hora.
     Pegou o menino com uma mão, a sacola e a menina com a outra mão e foram embora.
     Essa é a segunda foto.
     A terceira mãe era mais velha e, enquanto eu aguardava o atendimento, contou a história dela.
     Ela teve cinco filhos incluindo um adotado. Criou e encaminhou todos eles. Hoje cada um deles leva a própria vida. Ela saiu comprar alguma coisa, mas o que ela precisava era se distrair da saudade que sentia de quando todos estavam em casa. Hoje a vida dela é ela e o marido e a casa vazia mesmo com os encontros semanais com os filhos. Ela saiu para se acostumar com essa nova fase da vida dela e ela sabe disso e lida com os sentimentos de forma positiva.
     Essa é a terceira foto.
     Fotos de mães que o dia me trouxe de repente, de surpresa e que me fizeram bem.
      
    

      

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