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quinta-feira, 30 de abril de 2015

Palavras Esparsas / Crônica do Cotidiano

Palavras Esparsas / Crônica do Cotidiano

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Restaram do dia de ontem palavras esparsas. Vivemos um cenário de guerra, muita fumaça de bomba, muita gritaria e de tudo um pouco. Curitiba é a minha cidade natal.

Hoje, enquanto saio para a rotina, observo as conversas espaçadas. As pessoas começam um assunto e interrompem como que se perguntando se aquilo foi real.

De uma conversa sobre o seguro obrigatório para veículos automotores que vence hoje, o homem para, olha para o funcionário e pergunta se ele assistiu o jornal na televisão ontem à noite.

_Aquilo... Eu não sei o que dizer.

No supermercado os garotos, meio agitados, comentavam que viram um ferido de bala de borracha. Contavam que dói e queima o tal do tiro levado no braço por não sei quem.

Na rua alguém comentava que jamais sequer cogitou ver a prefeitura da cidade transformada num ambulatório de primeiros socorros para os feridos da batalha campal.

Moças histéricas rindo até chorar foram vistas em alguma praça do centro da cidade. Um e outro tipo (mulher também) esquisito se regozija com o que aconteceu num prazer abjeto.

Os mais sensatos estão sérios e pensativos.

Não há crônica possível num dia como o de hoje, 30 de abril de 2015.

As perguntas seguintes rondam todos os lugares: O que? Como? Guerra no centro da cidade? Aconteceu mesmo?

Deixo uma crônica para outro dia. Não tenho palavras também.

quarta-feira, 29 de abril de 2015

Papel-Poema

Papel-Poema

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Todo papel poema

Faz-se embarcação

N’alma do seu tema.

 

Todo papel poema

Faz-se inspiração,

Texto etéreo em gema.

 

Todo papel poema

 

Sopra uma oração.

terça-feira, 28 de abril de 2015

Sons

Sons

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Esses sons, pra que esses sons,

Opacos e contrastantes;

Surdos sons que não são bons.

 

Quando são sons de bombons

Crocantes os sons sonantes,

Pianos dentro dos seus tons.

 

Queira-se somente os sons

 

Harmônicos e constantes.

segunda-feira, 27 de abril de 2015

Insônia

Insônia

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A verdade é crua

Se mal festejada;

Dia de muita chuva,

Sombrinha contada.

 

A inspiração muda

Numa batucada

É o surdo que sua

Pressentindo o nada.

 

O barulho é rua

Descongestionada,

Madrugada inclusa,

Insone, acordada.

domingo, 26 de abril de 2015

Tudo é Possível

Tudo é Possível

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O conceito estampado numa tela enorme de uma televisão supernova e à venda permite refletir.

A quantidade de possibilidades que se recebe dia a dia é imensurável, principalmente quando se está em silêncio num domingo, pensando na rotina que se segue.

Assisto filmes e leio notícias. Preciso saber do que se passa.

E, como tudo é possível, é preciso lidar com essa gama de possibilidades com lucidez.

Não existe lugar que permaneça em ordem sem lucidez de caráter.

E o que é a lucidez de caráter? Talvez seja manter o caráter lúcido, sem bebidas, sem preconceitos, mas mantendo-se dentro daquilo que se é.

Cada um pode ser o que bem entender, em tese, mas a partir desse ser o que se é e manter-se dentro desse contexto.

Dizem que contexto de existência é conceito de classe média. Pois bem, que seja contexto de classe média. É a classe média quem sustenta as boas maneiras da educação, mesmo quando sem dinheiro.

Vivemos numa sociedade inundada de informações. O que é que custa valorizar as informações vindas do berço?

Com otimismo e perseverança o impossível acontece para cada um. Mas quem acredita no impossível, quando tudo é possível?

Outro dia sentei-me ao lado de uma senhora que aconselhava a outra sobre como bem viajar contando que o seu chefe a tinha mandado fazer contratos na Tchecoslováquia. Contava do hotel do leste europeu com exatidão, dos documentos necessários para não ficar em débito com a empresa e da vontade de voltar para o Brasil.

Acreditem-me, as pessoas viajam para todos os lugares do planeta. É possível.

O impossível agora é poder se sentar num banco de praça, abrir uma revista e aproveitar a brisa sem se aborrecer porque tudo é possível para quem se arrisca a se distrair num banco de praça.

A propaganda está correta, pois tudo é possível dentro da ficção televisiva.

Mas, na vida real, o impossível é muito prazeroso de se vivenciar quando conseguido através da persistência, não da vontade, mas do sonho que insistiu em se guardar.

Conheço quem tenha tido na infância um jipe de plástico e, hoje, aproveita o jipe veículo automotor. O sonho vencendo o sonhador é mais bonito de que o tudo que é possível porque é o improvável, possivelmente o impossível.

Uma conhecida passou as férias na Bósnia simplesmente porque era possível. Voltou contando do que viu, mas não sei se o passeio fez bem a ela.

A humanidade vive um problema existencial, pois onde tudo é possível o impossível é deixado de lado.

Mas o impossível é bom porque extrapola o possível e abrange a esfera dos sonhos fieis ao sonhador e/ou sonhadora.

Está na hora de se reconhecer que o impossível existe, é surpreendente e maravilha, trazendo de volta a sensação de que nem tudo está limitado às possibilidades e que é possível continuar sonhando.

Tem dias que a praticidade das coisas me cansa.

sábado, 25 de abril de 2015

Folhear

Folhear
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O meio, o medo e o anseio,
É nada o vagar,
Num sonho é recreio
De um livro a folhear.

Verseja em meneio,
Conluie ao despertar;
É som de rio cheio
Que acorda o pensar.

É sim, desbloqueio,
Que leva até o mar
Descendo em volteio
Num barco a anotar.

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Edson Prado e a Nova Reportagem

Edson Prado e a Nova Reportagem

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Depois de algum tempo fora do blog, Edson prado apareceu aqui com uma matéria bombástica.

Eu disse a ele que matérias bombásticas não entram no blog, mas ele disse que depois do Snowman, o espião que burlou tudo e mais um pouco, ele conseguiu uma entrevista com a Garota de Tanga, brasileira, provavelmente estressada com tantas bobagens a que o seu serviço de espionagem a obriga.

Eu espero que ele não crie problemas para o blog, mas vamos transcrever a entrevista.

Repórter Edson Prado: O que a leva a conceder essa entrevista?

Garota de Tanga: Estou me sentindo ausente de mim mesma para cuidar da vida dos outros.

Repórter Edson Prado: A senhora pode explicitar melhor sobre o que a faz se sentir ausente de si mesma?

Garota de Tanga: Posso. Quando eu me aproximo de alguém é por segundas intenções. Antes de me aproximar eu tenho todos os dados sobre essa pessoa. Perdi todas as minhas emoções com relação aos outros e tenho apenas interesses em dados.

Repórter Edson Prado: Que tipo de dados a senhora colhe antes de se aproximar de uma pessoa?

Garota de Tanga: Eu colho todos os dados possíveis, tais como a marca da pasta de dentes e o sabonete preferido, a cor do batom da irmã e o dia em que o irmão ou o pai da pessoa lavam o carro. Sei se gostam de animais domésticos e o perfil das pessoas que lá trabalham como encanador, eletricista, dentista etc.

Repórter Edson Prado: A senhora não teme dizer, ou seja, contar os seus métodos de coleta de dados, sendo que podem ser usados contra a senhora?

Garota de Tanga: Eu não temo nada. Eu postei numa rede social o perfume preferido de uma falecida senhora com uma charge abaixo da marca. A pessoa em questão deve saber que é vítima e que o meu material é farto para que eu a possa dominar.

Repórter Edson Prado: Depois de dominar, quais os próximos passos?

Garota de Tanga: Depende das circunstâncias, possivelmente, alguma informação ou documento que eu precise.

Repórter Edson Prado: Senhora, mas isso é chantagem. A senhora concorda com meios pouco idôneos para conseguir os seus objetivos?

Garota de Tanga: Eu uso os meios que precisar.

Repórter Edson prado: A senhora, que é tão segura nas suas atividades, por que motivo me conta os detalhes das suas ações?

Garota de Tanga: Porque eu fui descoberta em todos os meus passos. Enquanto conto, penso numa maneira de destruir a quem não aceita as minhas ordens.

Repórter Edson prado: Existe gente que não aceita o seu domínio mesmo sabendo que a senhora possui todos os dados sobre essa pessoa?

Garota de Tanga: É o que eu acabei de descobrir. Tem gente que não aceita chantagem, pressão e, pior, avisa sobre o que eu faço.

Repórter Edson Prado: Se a senhora é uma pessoa fria conforme afirma, a entrevista deve ter uma segunda intenção. Qual é essa segunda intenção? A senhora diria para mim?

Garota de Tanga: Bom, eu tenho os meus contatos e eles estão lendo a entrevista. Nada mais digo.

Repórter Edson Prado: Grato pela entrevista.

Como leitora, eu estou assustada com a matéria, mas o Edson Prado é repórter, trouxe uma matéria pesada e cumpre-se o compromisso com o leitor.

Sinceramente, o blog dispensaria esse texto abjeto e triste. Muito triste.

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Trigais

Trigais

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Os trigais são campos dourados

Da manhã carpida em louvor,

Caminhada feita em arados

É a alegria ao chão do agricultor.

 

Chimarrão de olhares sentados

Em cadeira e balanço e suor

Às colheitas dos passos dados

Desmedidas em seu frescor.

 

São momentos recompensados

Os trigais em pleno esplendor

Nas planícies entrelaçados,

Horizonte de linha em flor.

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Termo Quadrante

Termo Quadrante

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Conceitos se vestem,

São roupas colantes

Que não mais se despem,

Pra sempre, constantes.

 

São ideias que se mexem,

São grilos falantes

Naqueles que o aquiescem;

Aceitos, berrantes.

 

Vestidos, acrescem

Ideais cativantes

Que em si desconhecem

Seus termos quadrantes.

terça-feira, 21 de abril de 2015

Testando o Papai / Crônica do Cotidiano

Testando o Papai / Crônica do Cotidiano

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Passeio na livraria. Fila. Na frente uma família, pai, mãe e filho.

A atendente passava os objetos no leito óptico enquanto eu dava uma olhada na estante. De repente, a pergunta insólita do guri, ao ouvir a moça dizer o preço do jogo para computador:

_Papai, o preço que ela disse é caro ou barato?

O pai olhou para o filho sorriu e disse que o preço era caro.

O garoto olhou para o pai e perguntou:

_Papai, por que você está comprando algo caro para mim?

A esposa e mão do garoto colocou a mão sobre a boca para segurar o riso enquanto olhava para o marido.

O homem, com jeito de pai, meio sério, meio sorrindo e meio sem graça respondeu:

_Porque é seu aniversário e eu quero te dar um presente.

O garoto olhou absorto e murmurou um ah longo e reticente como quem percebe que é alguém caro para o pai dele.

Pai e mãe se entreolham e sorriem entre si como quem sabe que precisa dizer que gosta gratuitamente.

Livro pago e avista-se outro pai com um copo de plástico com canudinho dirigindo-se à moça do leitor óptico com a filha ao lado.

A menina estava muito feliz com o copo cor-de-rosa com canudinho e, animada, perguntou ao pai:

_Papai esse copo é de mocinha?

O pai respondeu como deveria responde e disse a verdade:

_O copo é para criança e é para você tomar suco, chá ou leite com chocolate à vontade, sem ter com o que se preocupar.

A menina não gostou da resposta e correu para a mãe, que estava a alguns passos adiante olhando os artigos de papelaria.

_Mamãe, o papai disse que o copo é para criança. Eu gostei do copo, mas eu já sou mocinha, o que é que eu digo para o papai?

A mãe olha para o marido e diz em bom som:

_Diga para o seu pai que você é mocinha e que o copo é para mocinhas iguais a você.

A menina corre para o lado do pai:

_Papai, a mamãe falou que é para eu dizer para você que eu sou mocinha e que o copo é para alguém que nem eu.

O pai caiu na risada e disse para a filha ir ao caixa pagar o copo junto com ele porque ela, que já era mocinha é quem iria levar o pacote com o copo de plástico para casa.

A alegria da menina foi imensa e disse para a mãe, ainda alguns passos distantes:

_Mamãe, hoje quem leva a compra para casa sou eu.

A mãe olhou para o marido e concordou piscando para ele.

Ou eu me engano ou as mamães fizeram um teste para o próximo segundo domingo de maio.

Bonito de ver.

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Condições Aleatórias / Reflexão

Condições Aleatórias / Reflexão

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Preciso ler mais filosofia. Porque existem momentos em que quem determina os pensamentos e as emoções relativas ao pensamento, quando o pensamento necessita de emoções, gerindo as possíveis atitudes, são as condições aleatórias.

São condições complexas e que afetam a todos os viventes, tais como a não possibilidade de se fazer ou deixar de fazer algo.

Sejamos práticos e citemos exemplos, e o que me vem à ideia é que quem gosta de andar de avião é piloto ou aventureiro. Esse é o exemplo de quem não pode deixar de fazer algo, pois, se houvesse meio de transporte tão veloz quanto o avião, duvido que alguém embarque num deles. Outro exemplo é quando se é convidado para uma festa de aniversário no mesmo dia em que está marcado o implante dentário definitivo. Alguém deixaria de fazer o implante dentário definitivo para ir a uma festa desdentado?

Excetuando-se o voto, nada mais complexo do que as obrigações.

Não digo das obrigações óbvias como a pontualidade e o bem seguir as normas, digo daquelas obrigações criadas por nós mesmos. Fica entre essas obrigações a sobremesa de domingo, a compra dos bilhetes para o teatro. Parece incrível como são obrigações que mudam a sua atitude e, concluída a tal obrigação, as emoções são modificadas.

Agora é que vem a mais aleatória das condições: o acaso. O acaso é quando não existe a interferência de nenhum propósito intencional.

Vamos ao exemplo, novamente, citemos o caso do salto do sapato que descola inesperadamente no meio de uma caminhada. O acaso muda tudo e ele existe e acontece para todos.

O acaso te obriga a mudar todos os seus planos, a menos que haja uma loja de calçados perto e você esteja em condições para comprar um par de calçados novos e, mesmo assim, você estará modificado.

Por que refletir sobre as condições aleatórias? Porque são importantes, porque elas modificam toda a visão anterior das possibilidades e das obrigações aleatórias.

O acaso te obriga a modificar, impulsiona a novos movimentos, inspira emoções, aumenta ou diminui a perspectiva que se tem diante de uma realidade.

Não se precisa de tsunamis ou terremotos para uma transformação profunda da existência, tudo o que se precisa é de um fato aleatório gerado por nada ou ninguém, corriqueiro. E tudo muda.

Eu preciso saber mais de filosofia.

domingo, 19 de abril de 2015

Estão / Crônica do Cotidiano

Estão / Minicrônica do Cotidiano

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Domingo pela manhã. Dois carros usados e até diria quase antigos na rua.

No carro que vai a frente, o motorista abre a janela e pergunta para o carro que está logo atrás:

_É esse o caminho?

O motorista que está atrás abre a janela e responde com aquele sinal das redes sociais:

_Positivo.

Dali a pouco, com o semáforo fechado para prosseguir, ambos os carros parados, o motorista que está atrás pergunta para o “guardador de carros”:

_Seguindo por essa rua eu chego à feira?

O homem responde:

_Na próxima quadra vira à direita e depois vira à direita novamente, segue reto que o senhor encontra a feira.

Deve ser gente de fora, pensei. Olho a placa do automóvel: Piauí.

Uma pergunta interessante me ocorreu: como foi que eles conseguiram chegar a Curitiba de carro? Eles estão desse jeito desde o Piauí? A resposta óbvia me surpreendeu: Estão.

Seguiram os automóveis em fila e conversando pela janela um com o outro.

sábado, 18 de abril de 2015

Aviso / Reflexão

Aviso / Reflexão

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Pedi para avisar a conhecida dos horários de culto e me coloquei à disposição dela para o que puder responder.

A responsabilidade de certas respostas é imensa, mas a conhecida pediu para que falasse de Deus.

Quem sou eu para falar de Deus com você? Respondi antes de contar sobre algumas explicações a respeito das orientações e estudos que fiz.

Em primeiro lugar disse a ela que sei que ela é boa pessoa, boa mãe, boa profissional, mas não sei o que Deus falaria ao seu íntimo, é uma conversa muito particular a que Deus tem com cada um de nós.

Depois disse que nenhum pastor salva ninguém, quem salva é o Senhor.

Disse a ela para frequentar as igrejas que desejar até que ela sinta através do Divino Espírito Santo o caminho que a ela foi reservado pelo Altíssimo.

Escolher onde praticar a fé é maravilhoso, mas é um caminho sem volta. Por isso não damos prazos para que as pessoas frequentem aonde vamos.

Engana-se quem pensa que eu mudei de repente e por um motivo triste. Foram dezessete anos de idas e vindas a igrejas de diversas denominações. Ela quase me obrigou a fazer as contas que se iniciaram em julho de 1.996.

Não temos o dízimo obrigatório, mas as ofertas são bem vindas.

A conhecida alegou que eu não tinha mudado nada.

Como ela se engana com as aparências! Eu tinha mudado há alguns anos sem frequentar onde frequento hoje.

Precisaria eu dessa confirmação? Essa confirmação trouxe um bem estar muito grande. Como em todo lugar, a diferença entre ser visitante e ser parte é imensa.

A conhecida, confusa, questionou-me dizendo que, se eu mudei, como é que eu vou ao cinema, à praia, vou tomar café por aí.

Posso ir a todos os lugares que ia antigamente, mas vou diferente. Os pensamentos são outros, a maneira de me relacionar é outra e não tenho como explicar, porque essa é uma conversa entre Deus e eu.

A conhecida me perguntou se eu considerava as pessoas que frequentam a igreja aonde vou melhores, ou, mais santas, que as demais.

Respondi que considero as pessoas que lá vão como pessoas normais, como as pessoas, que, por exemplo, frequentam a reunião do condomínio e a aula de ginástica.

A conhecida perguntou qual era o benefício de se ir a uma igreja quando o pastor não salva e as pessoas que lá vão são semelhantes as que frequentam uma reunião de condomínio.

Respondi que a diferença é que nós buscamos o Altíssimo e queremos essa conversa espiritual com Ele.

No momento em que disse a palavra espiritual, ela perguntou sobre Allan Kardec.

Ela se admirou com a resposta: Allan Kardec é lido pela maioria dos mestres e tido como um decodificador da vida espiritual, mas obviamente sem que se acredite em mediunidades e reencarnações, sendo que se houver por parte de algum membro da igreja o dom de falar em línguas (uma espécie de mediunidade), ele será respeitado.

Não satisfeita com as respostas, ela perguntou o nome dos professores.

Eu disse.

Para quem olha de fora, é complicado entender uma igreja evangélica sem dízimo obrigatório, sem obrigatoriedade de prestar culto e com estudos sobre Bíblia e conversas sobre dogmas espirituais.

Pretendo com esse texto evangelizar algum leitor? Não.

A conversa de cada um com Deus é única, eu apenas compartilho.

Obs.Jesus Cristo salva!

sexta-feira, 17 de abril de 2015

A Avó da Arte / Crônica do Cotidiano

A Avó da Arte

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Salão de beleza. Entra uma senhora e pergunta à cabeleireira se ela não está atrasada.

_Eu não estou atrasada. A cliente se atrasou, mas não me atrasou.

Não direi quem era a cliente por questão de autoestima.

Lavados os cabelos com a coloração leve e azulada que tira o tom amarelado dos cabelos brancos, ela e a cabeleireira ajeitam-se para a escova.

A cabeleireira começa algum assunto e pergunta da família.

_Ah, deixa eu te contar. Eu tenho uma neta de vinte e cinco anos com os cabelos compridos até a cintura. A minha filha, a que é a mãe dela proibiu a menina de pintar os cabelos. Eu chamei a minha neta e disse que ela não aceitasse esse tipo de ordem, que fosse até a minha casa com a tintura que a vozinha pintaria os cabelos dela. Se eu passo essa coloração azulada, por que é que a minha neta não pode pintar as madeixas?

A cabeleireira quis saber se a neta dela acatou a sugestão dela.

_Ralhei com a minha filha e ela teve que concordar. Eu e a minha neta tivemos alguns problemas, mas tudo ficou bem no final.

A cabeleireira perguntou quais foram os problemas.

_Bom, eu nunca pintei os cabelos de ninguém e a minha neta levou duas caixas com a coloração preta. A tintura dos cabelos ficou boa, mas eu e ela perdemos as roupas que usamos na hora da coloração e ficaram algumas manchas pretas no chão. Mas ela ficou como queria: de cabelos pintados!

O respeito aos mais velhos é obrigação de todos nós e a cabeleireira, para não rir, exclamou enquanto olhava para a cliente ao lado:

_Isso indica que a senhora não é boa cabeleireira. Da próxima vez traga a sua neta aqui.

A senhora olhou para a cabeleireira com um ar pensativo.

_Eu sei que eu não sou boa cabeleireira, mas foi o jeito que eu encontrei de fazer com que a minha neta pintasse os cabelos. A minha filha é muito antiquada. Não sei quem foi que estragou essa menina. Eu é que não fui. Onde se viu proibir uma moça com vinte e cinco anos de pintar os cabelos? Ela ultrapassou todos os meus limites de mãe. Fui obrigada a contrariar a vontade dela.

A cliente observava os cabelos brancos azulados na altura dos ombros e elogiou a textura e a cor.

_Eu tive sorte. Você não sabe, mas eu tenho quase oitenta anos de idade e continuo com os cabelos fartos da mocidade.

A cliente elogiou o penteado novamente.

_Obrigada. Você tem mais ou menos a idade da minha filha e aposto que você tem alguns conceitos parecidos com os dela. Outro dia conversamos, hoje não quero papo com a sua geração.

Sorriu e saiu.

Bonita, positiva e decidida. Que amor!

quinta-feira, 16 de abril de 2015

Gibi

Gibi
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Criança cresce num zás,
Boa infância é o adulto que ri
Vivendo o instante de paz
No dia ao que se diz sofri.

Pergunta é criança quem faz
De quando pode ir ali;
Resposta é adulta demais,
Não explica tudo de si.

E junta o hoje e o dia de trás
Querendo sentido ao aqui;
Não sabe a cor que é lilás,
Descobre-a lendo gibi.

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Vivalma

Vivalma

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A prece

Sem pressa

Acalma,

 

Acresce,

Avessa,

Deus-alma.

 

Aquiesce

 

Vivalma

terça-feira, 14 de abril de 2015

Delicadeza

Delicadeza

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Lembrança perdida de mim,

Oculta a tudo que chamo eu,

Do nada me veem em jasmim,

 

Janela de casa e jardim,

De um livro lido que esqueceu,

Da história que acaba no fim.

 

Capítulo à parte do assim,

 

Em novo jardim floresceu.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A Benzedeira

A Benzedeira

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Brasil afora ainda tem muita mãe que leva os filhos na casa da benzedeira pra se curar de mau olhado.

Mau olhado não é febre e nem dor de barriga, é criança impaciente ou provocadora, aquela que não deixa a mãe e o pai sossegarem, faz manha de noite e reina de dia. A reza cuida desse tipo de mal.

Maria Rita era assim, mas também era menina-moça. Se não fazia maldade ou daninheza, também não tinha juízo. Uma brincadeira pior que a outra, pior porque não tinha medo de nada nem da bola nem do mar nem de andar de pé em cima da bicicleta, sem titubear.

A vizinhança dizia à dona Conceição:

_É a idade. Cresceu, passa.

Dona Conceição punha a culpa no mau olhado.

_Vou levar Maria Rita para ser benta por benzedeira boa. Pelo menos faço alguma coisa boa pra ela.

Maria Rita ficou assustada de ter que ir à benzedeira porque não se cansava de brincar.

O caminho para a casa da benzedeira era de terra batida. Ficava longe do centro da cidade. Dona Conceição tinha carro e dizia para a filha olhar como é que a vida era de verdade pela janela do carro.

A menina olhava e comentava com a mãe, que não olhava nada porque dirigia.

_Mãe, quanta pobreza. Como é que você acha que alguém que mora aqui, com janela de tábua de madeira, pode ajudar alguém?

A mãe respondia:

_Pode ajudar porque o sofrimento ensina. Se eles são mais sofridos é porque sabem de coisas que nós não sabemos. Posto de saúde, para eles, é depois dos remédios caseiros. Preciso de uma reza para você, esse é o remédio para que eu venha buscar.

Maria Rita ficou com medo de um lugar do qual ela tinha visto apenas em filme. Mas, logo se distraiu olhando uma mãe dando banho num bebê numa espécie de bacia feita de madeira. A criança tomava banho no quintal e as roupas para a criança vestir estavam penduradas na janela. Perguntou para a mãe o que era aquilo de criança tomar banho no quintal.

_É falta de chuveiro dentro de casa. Luz elétrica é coisa da cidade.

Maria Rita começou a se apavorar e perguntou para a mãe se ela achava que a família dela era rica.

_Temos água encanada, luz elétrica, telefone, escola, passeio e, agora, uma mocinha com falta de juízo que precisa ser benzida.

Maria Rita começou a rezar pela mãe, que achava que ela tinha mal olhado e que a trazia a um lugar, digamos, inóspito. Além disso, onde se viu andar vinte quilômetros de automóvel para fazer uma reza que evitasse que ela andasse de pé em cima da bicicleta. Para a menina, a mãe é que não tinha juízo.

_Mãe, eu vou pedir uma reza para você também. É falta de juízo vir num lugar desses com uma criança. Eu não sei te proteger aqui e nem tenho como chamar ninguém, o meu telefone celular perdeu o sinal.

Dona Conceição olhou para a filha e disse:

_Agora você me deixou preocupada. Enquanto eu dirijo, procure uma mercearia com telefone público na frente do lugar. Observe se há alguém falando ao telefone e me avise.

A menina foi mostrando os locais onde existiam telefones públicos com gente falando ao telefone.

A mãe perguntou em qual deles tinha mãe e criança fazendo compra.

_Minha filha, caso você precise telefonar para alguém, venha até essa mercearia onde tem mãe e criança fazendo compra e chame o seu pai.

Pela primeira vez em seis meses, Maria Rita ficou com medo.

_Mãe, como é que eu venho até aqui para telefonar se eu não dirijo?

A resposta foi sorridente:

_A pé, igual à sua mãe quando era criança.

Maria Rita estava num estado ao qual ela qualificava de pavor total. Rezava para chegar logo na casa da tal benzedeira rezar e tomar o caminho de volta para casa com a sua mãe.

Quando chegaram ao lugar, Maria Rita disse que preferia não descer do automóvel porque havia no lugar um galinheiro e, de longe, avistava-se um chiqueiro com porcos.

A mãe não a obrigou a sair do carro sem antes conversar.

_Filha, veja como a pobreza está remediada nesse lugar. Você sabia que nas chácaras eles somente precisam de sal? Olhe mais adiante, veja a plantação de milho, de feijão e de arroz. Ouça o silêncio do lugar, veja a linha do horizonte. É campo que não acaba mais. Respire esse ar puro e sinta a diferença do ar da cidade.

Maria Rita abriu a porta do carro para sair. A mãe sorriu e desceu do carro.

A benzedeira nada mais fez do que rezar o terço seguido por meia hora sem parar. Fazia o sinal da cruz e pedia pra Deus dar juízo pra menina.

Maria Rita pediu pra benzedeira rezar para a mãe dela também.

Conceição riu-se e consentiu a reza.

Benzedeira honesta não cobra, pede pra deixar ajuda se a pessoa quiser.

Uma hora depois estavam mãe e filha benzidas e ajuda dada.

Eram vinte quilômetros até a cidade.

Chegaram a casa antes do anoitecer. Maria Rita se curou do tal do mau olhado para o resto da sua vida, criou juízo. Parecia morar em casa nova, abria a torneira da pia e se maravilhava, ligava a luz da sala e percebia a sala mais bonita.

Combinou com a mãe de nunca mais voltarem lá.

domingo, 12 de abril de 2015

Depois

Depois

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Depois, a gente não diz,

Depois é, pois, aprendiz,

De todo o amor que morreu.

 

Depois, é tudo o que é bis,

Porquê de não ser feliz,

Sorriso que se perdeu.

 

Depois é o fraco matiz,

 

De um tempo que se vendeu.

sábado, 11 de abril de 2015

Ao Gosto

Ao Gosto

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Lavar o carro, fazer bainha,

Ficar sem pressa e viver a vida

Naquela folga, mas na cozinha,

Sabor laranja em suco, que dia!

 

Ficar na sala vendo a telinha,

Pensando em nada, arredia da lida,

Mas, ocupada, agulha de linha,

Pesponto e ponto, lã colorida.

 

Vontade longe, se é que ainda tinha,

Depois do almoço, doce e bebida,

Café bem feito em xícara vinha.

Ao gosto fiz a minha pedida.

sexta-feira, 10 de abril de 2015

Floreio







Floreio



O presente se transforma



Num momento em devaneio,



Nesse encanto ao "Nessum Dorma".





Partitura que me amorna,



À metáfora de um meio



Solfejado, sábia forma.





E me agita, não conforma;





Segue o piano, sem floreio.

quinta-feira, 9 de abril de 2015

O Melhor? Crônica do Cotidiano

O Melhor? Crônica do Cotidiano

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A pessoa que nos deixa de bom humor se faz especial. Assunto sério é assunto sério, mas a gente merece um refresco de vez em quando.

Talvez essas pessoas mantenham os seus postos pelo jeito de ser e a garçonete foi especial. Muito feliz num dia ensolarado como o de hoje, trouxe o meu lanche dizendo que este é o melhor mês do ano após eu comentar sobre o feriado da semana passada.

Com tanta alegria, fiquei curiosa e perguntei por que este é o melhor mês do ano.

_A senhora olhe o calendário pendurado na parede em cima do caixa. Dia vinte e um de abril: feriado, dia primeiro de maio: feriado. A Páscoa caiu exatamente nesse mês de abril.

O dono do estabelecimento, ao invés de se zangar, meneou a cabeça como quem pensa que a cabeça da funcionária não tem quem conserte.

Frequentadora assídua do lugar, eu conheço o dono e a esposa. Ele gosta de pescar e ela, a esposa, de cuidar dos detalhes. Ambos bastante dedicados ao negócio, cordiais e solícitos, deixam o ambiente muito agradável.

A garçonete trabalha no lugar faz alguns anos e tem muitas qualidades. Mas fala bobagem. É como se ela estivesse em casa e ao mesmo tempo, como se fosse dona.

Já levou bronca. Quando leva bronca diz que é para o bem dela.

_Às vezes eu me perco no que eu digo. Eu preciso que alguém diga as coisas para mim.

Ela diz isso espontaneamente, faz beicinho, a gente ri e ela se torna simpática aos olhos dos fregueses.

O dono do boteco não ouve queixas, mas ela, a garçonete, ouve.

Quando ela está ouvindo queixas, eu demoro em ir até a fila. Não faço crônica com queixas, mas, com acontecimentos.

quarta-feira, 8 de abril de 2015

Passatempo

Passatempo

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Passatempo é toda graça,

Toda rima que é décor;

Catavento nunca passa,

Corre o vento, fica o andor.

 

É palavra que ultrapassa

Todo tempo em sua cor,

Sendo atento ao que se faça,

Canta ao nada o assobiador.

 

Passatempo é o que se abraça

Num acorde sonhador;

Se ligeiro vem e passa,

Mas, se volta, é encantador.

terça-feira, 7 de abril de 2015

Livros

Livros

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Os livros

São vidros

Às mãos.

 

Em cridos,

São crivos,

Refrãos.

 

Abrigos,

 

Irmãos.

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Vida de Lojista / Crônica do Cotidiano

Vida de Lojista / Crônica do Cotidiano

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Para dizer em público e sem se importar era porque a dor precisava se dividida.

Bem trajada, a lojista contava o seu problema para a colega empresária.

_Comprei um lote de produtos importados, com a permissão para etiquetar a importação, onde acrescento o nome da loja. Coloquei-os à venda e descobri que boa parte dos produtos está com defeito de fabricação.

A outra empresária, com um sorriso entre o triste e o amargo, perguntou se a colega iria à falência.

_Não vou à falência, mas não posso me ausentar da loja. Os vendedores em horário de pouco movimento se desanimam e precisam que alguém mantenha a boa disposição necessária. O prejuízo é certo e, diante do prejuízo certo, eu preciso estabelecer uma política para manter o negócio e a freguesia.

A empresária perguntou como é que ela agindo, porque era uma situação difícil. Perguntou também o nome da empresa fornecedora para evitar que o mesmo acontecesse com ela. Perguntou também se a troca dos produtos desse lote não seria possível.

_Passe na loja mais tarde para que eu liste para você as empresas. Eu posso trocar, mas tive que calcular o prejuízo das vendas antes da troca. Existe um trâmite para a troca e esse trâmite pode sim me levar à falência. Fiz os cálculos e estou vendendo os produtos com a troca garantida no cupom fiscal. Na semana passada troquei três. É mais barato trocar o mesmo produto algumas vezes do que perder toda a venda. Não adicionei custo de prejuízo nas peças, adicionei a confiabilidade na loja. Eu critico o fornecedor das peças importadas e garanto a troca. Consigo capital de giro para repor o estoque com peças nacionais de boa qualidade.

A empresária ficou pálida ao ouvir a situação da amiga. Disse que era uma situação assustadora tendo em vista que ela mesma estava aderindo aos produtos importados e etiquetados no país pelo baixo custo.

_O baixo custo não se paga porque a qualidade é péssima. Estou atravessando um momento difícil, mas acredito que em seis meses a situação volta ao normal.

A empresária repetiu a palavra seis meses em sussurro, como se a situação pudesse acontecer com ela.

A lojista, desanimada e confortada porque o problema tinha solução, concluiu dizendo que o comércio é uma atividade de risco. Agora ela teria que procurar novos fornecedores também.

E foi embora com pressa, tinha muito que fazer.

Hoje nem precisei de fila, o conhecimento caminhava junto com a determinação.

domingo, 5 de abril de 2015

Páscoa, Doce Páscoa…

Páscoa, Doce Páscoa...

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Não lembro o nome do filme, mas do conteúdo, sim. Era um filme onde o personagem principal era desafiado a encontrar dez pessoas boas para evitar que Deus colocasse fim em tudo.

Esse é o desafio que deve ser alardeado aos quatro cantos do mundo, porque, nem mesmo no filme, Deus exigiu alguma crença. Ele andava aborrecido com a humanidade e estabeleceu um prazo para o personagem apresentar o currículo dessas pessoas a ele. O personagem ficou aflito e saiu às ruas em busca das tais pessoas. Filme para a família com final feliz, mas além da leveza da história, o desafio ficou para todos.

Não existe o que possa abater ninguém quando se concorda com esse desafio. Mas há que se buscar incansavelmente e em todos os lugares.

Pessoalmente, encontrei mais do que dez pessoas pelas quais o mundo possa ser salvo. Se alguém lembrar o nome do filme, por favor, coloque um comentário, pois gostaria de assisti-lo novamente e fazer uma nova propaganda para o filme.

Esse é o meu presente de Páscoa para vocês. Boa Páscoa a todos!

sábado, 4 de abril de 2015

Bombons de Lavanda

Bombons de Lavanda

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Ainda há pouco a roda de bamba

Vibra ao longe, agora em tambores,

Nessa percussão em ponto e samba,

Numa Páscoa livre das dores.

 

Coçam os ouvidos de banda,

Praça de Aleluia, aldeia das cores,

Ternas d’um outono em lavanda,

Quase transformado, Dolores.

 

Sobra na vontade a quitanda,

Festa e foguetório, interiores;

Roda de ciranda é quem manda,

Caixa de bombons cantadores.

quinta-feira, 2 de abril de 2015

Pesquisando História / Crônica do Cotidiano

Pesquisando História / Crônica do Cotidiano

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Há mais ou menos dez dias sem encontrar uma fila, hoje consegui fila e história.

Contas miúdas não esperam o feriado terminar, fui à casa lotérica.

Logo chegou uma senhora no caixa ao lado. Daquelas cheias de vivacidade, antigas e perspicazes.

Puxou conversa da maneira usual, se bem que o calor torna Curitiba diferente e traz consigo roupas frescas nesse outono recém-chegado e ainda com temperaturas agradáveis.

Mudou o assunto para a política, mas eu desconversei porque estamos em época de Páscoa e feriado.

Ela se apresentou contando que era sobrinha de Manoel Correa de Freitas, o idealizador da bandeira do Paraná.

Que honra conhecê-la!

Eu fui sincera e disse que pesquisaria a seu respeito.

Tudo o que eu pude conversar foi sobre a referência bibliográfica da história do Paraná, comentários mais antigos que os dos meus pais.

Perguntei quase que sem perguntar, sugeri a questão:

_Getúlio Vargas, pai dos pobres?

A resposta foi aquela que eu esperava:

_Ele criou os direitos trabalhistas. Todos os direitos do trabalhador de hoje foram estabelecidos por ele.

Tristemente, eu não sabia nada sobre Manoel Correia de Freitas.

Por puro experimentalismo, sugeri outro nome: Manoel Ribas.

_Interventor no Estado do Paraná e amigo da escola. Foi durante o governo dele que se criaram muitas escolas.

Ela percebeu a minha insegurança no tema e discorreu sobre a bandeira do Paraná e as suas modificações.

Eu lembro vagamente da discussão sobre as modificações na bandeira do estado. Bandeira de estado é assunto sério e eu lembro que a minha mãe proibia qualquer compra de bandeira para torcer por futebol. Diferentemente dos Estados Unidos, a bandeira do Brasil e dos estados brasileiros não deve ser utilizada em qualquer circunstância. Assim como ela aprendeu, ela me ensinou e obedeci.

Ela insinuou como é que se muda a história.

_Você lê jornal?

_Sim, eu leio jornal.

Aquele logotipo de bandeira estampada na capa é um meio para se mudar a bandeira.

Essa frase me fez pensar na importância da imprensa, no seu conteúdo e ideologia. Essa frase dita por aquela senhora seria tema de profunda reflexão, qual é o papel da imprensa escrita no mundo de hoje?

Ela voltou ao assunto político. Não, não disse do governo federal. Perguntou-me sobre os nossos políticos e as suas intervenções na bandeira estadual.

Eu repeti que iria pesquisar sobre Manoel Correia de Freitas. Eu fiquei sem saber o que dizer e fiquei numa situação difícil para continuar o assunto.

Ela viu a minha perplexidade.

_Observe como um político trata a sua bandeira e saberá muito sobre ele.

Nisso, a moça do caixa da casa lotérica pediu o pagamento. Eu entreguei as contas, mas não o dinheiro.

Ela deu-me o troco e mandou a freguesa que estava na fila entrar no meu lugar.

Disse à senhora ao lado que foi uma honra conhecê-la e desejei Feliz Páscoa!

E nessas entrelinhas, mais de cem anos da História do Paraná estão ditas inclusas os dias de hoje.

É justo que eu deixe nesta crônica algumas linhas pesquisadas na internet sobre Manoel Correa de Freitas:

Acrescento à crônica, uma pesquisa de fonte séria e muito interessante, a qual não ouso copiar, mas deixar o link para a sua apreciação, querido leitor (a):

http://www.eeh2014.anpuh-rs.org.br/resources/anais/30/1403632630_ARQUIVO_AnaCVanali-SimposioTematico14-resumocompleto.pdf

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Caso Policial / 1º de Abril – Dia da Mentira

Caso Policial / 1º de Abril

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Essa crônica necessita um preâmbulo, pois alguns anos atrás e, acrescente-se tempo ao caso, não existiam cachorros-quentes em carrinhos de vendedores ambulantes como os encontramos pela cidade nos dias de hoje.

De repente, em frente ao zoológico, chamado de Passeio Público, apareceu um vendedor ambulante que vendia espetinhos de carne. Ele garantia a procedência sanitária do produto e se vestia de modo a mostrar que ele trabalhava com o maior cuidado de higiene.

Próximo ao local havia uma escola e, na saída das aulas era comum que pais e mães de alunos comprassem os espetinhos e saboreassem com pão d’água ou levassem para o almoço das suas casas.

Um funcionário do zoológico implicou severamente com a situação. Dizia que era um absurdo venderem espetos de carne em frente ao zoológico. Contava da impossibilidade da higiene se manter num carrinho de espetos naquele lugar.

Na minha casa era proibido chegar perto do tal vendedor ambulante que, além do mais, criaria uma situação embaraçosa com alguns amigos paternos que trabalhavam no zoológico.

Houve um dia em que começou um boato de que a carne não era bovina e que membros da escola iriam pedir uma inspeção da vigilância sanitária.

Esse era um problema que passava longe de qualquer problema familiar, pois não se compravam espetos e nem se faziam comentários sobre eles com os professores da escola ou com os funcionários do zoológico.

Lembro que almoçávamos e ouvíamos a televisão, durante o horário do jornal. Naquele tempo a televisão não entrava na sala de refeições. Se algo chamasse atenção, ouvia-se, senão, a conversa diária continuava.

Estávamos nos alimentando quando anunciaram a manchete após os comerciais;

“Vendedor ambulante do centro da cidade é acusado de vender espetinhos de carne de gato”.

Acabou a fome. Todos nós corremos para a sala onde estava a televisão.

“A polícia apreendeu o carro do ambulante que vendia espetinhos de carne, pois o mesmo foi acusado de vender carne de gato.”

As acusações eram de tirar o apetite. Acusaram o vendedor ambulante de sair à noite para pegar gatos, matá-los, comercializar o espeto e vender o couro para fabricantes de instrumentos musicais. A coisa foi feia.

A partir daí, começamos a acompanhar o caso do vendedor de espetinhos de carne.

Passada uma semana, o almoço numa sala, a televisão na outra.

“Desvendado o caso do ambulante que vendia espetinhos de carne de gato.”

Corremos para assistir televisão.

Houve até a recomendação da minha mãe para que não olhássemos, poderia ser muito triste para crianças assistirem.

“As acusações sofridas pelo ambulante de venda de espetinhos de carne de gato eram falsas. A carne comercializada era comprada em frigorífico autorizado pela vigilância sanitária. As condições de comercialização, no entanto, deixam a desejar, pois o carrinho não possui congelador apropriado para manter o produto em bom estado de conservação para a consequente comercialização.”

Que alívio para todos nós!

Concordamos todos de que o vendedor ambulante poderia recomeçar o seu trabalho vendendo pipocas.