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sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Tempo de Liberdade

Tempo de Liberdade

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Essa história, contada por Yana, esse seria o primeiro nome escolhido para a criança, ganha a expressão libertária do amor.

Vivíamos o melhor tempo de liberdade que o Brasil pode viver, estávamos no tempo onde Juscelino governava. Nós, jovens, podíamos expressas as nossas ideias sem que houvesse nenhum tipo de contrassenso por parte dos demais.

Ninguém era poderoso o suficiente para dizer que calar seria melhor, o governo garantia a liberdade de expressão. Aqueles homens idealistas os nossos amados J K: Juscelino K., do Brasil e John K., nos Estados Unidos.

Eu era casada e contei do meu esgotamento nervoso ao meu marido:

_Você sabe o que eu tenho vontade de fazer? Eu tenho vontade de tirar a roupa e sair nua pela cidade gritando para dizer que somos livres e que ninguém pode tirar essa nossa liberdade.

O meu marido perguntou o porquê da nudez?

_A roupa me afoga, é como se me faltasse o fôlego da vida. Muita gente não valoriza o que tem e até sonha com todo tipo de opressão possível. Eu quero gritar essa liberdade.

Fazia frio, muito frio e eu querendo dizer ao mundo que ele podia ser livre, que a falta de liberdade era o que realmente destruía o mundo.

O meu marido perguntou se o meu casaco de lã inglesa tinha vindo da lavanderia. Aquele casaco era um bem valioso, comprado em prestações suadas, mas com ele, não havia geada que o vencesse.

Naquele dia, ele foi o homem dos meus sonhos.

Ele disse sorrindo, com o olhar mais terno e calmo que alguma mulher pode perceber, para que eu ficasse nua e vestisse o casaco de lã.

Eu, muito surpresa com a atitude gentil dele, mas com o esgotamento emocional causado por fatores outros, os quais ele sabia, tirei a roupa e vesti o casaco de lã.

Andamos e conversamos por quase uma hora. Estávamos de braços dados. De repente, eu me acalmei e me achei sem sentido e ilógica. Disse a ele que estava calma e que, se ele quisesse, podíamos voltar pra casa.

Voltamos, tomamos um banho quente e, depois, lá pelas três e meia da manhã eu fiz uma macarronada para nós dois e logo amanheceu o dia seguinte.

Desde aquela noite, nós acostumamos a sair a pé de madrugada para conversar quando tínhamos a oportunidade de não ter compromissos na manhã seguinte.

Depois vieram os ladrões, a polícia, as drogas e outros governos. As meias palavras, as meias verdades, o casamento sem a devida comunhão que a intimidade das almas pode propiciar, a repressão do espírito como forma de convivência adequada e as redes de controle social, onde dentro de casa, como se prisioneiros fôssemos, deixamos a vista cansada na televisão para contar que somos pessoas de bem e dizemos amém, não aos padres e pastores, mas ao controle social feito por gente que não sabemos em que tipo de lar foi criado e nem se sabe o significado da palavra liberdade.

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