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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Olha a Tese, mentira! Crônica do Cotidiano

Olha a Tese, mentira! Crônica do Cotidiano

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A sabedoria popular assusta pelo realismo que contém. Conversa daqui e conversa dali e, olha a tese!

Vieram avisar para tomar cuidado porque o novo ideal é que a maioria dos eleitores devam favores de qualquer espécie a alguém devidamente ligado a algum partido político tendo por finalidade as eleições do próximo ano.

A tese defendida é que a classe política precisa de eleitores convictos, fato que muita gente considera improvável nos dias de hoje.

O aviso é para que ninguém se meta em confusão e faça tudo o que costuma fazer com alguma atenção a mais.

Disseram também que há interesse em democratizar o ôba-ôba da troca de favores atingindo todas as camadas sociais.

Gostei do argumento:

_Nós não temos estudo, mas não somos burros.

Se fosse apenas uma pessoa, eu nem escreveria. Foram duas pessoas, uma senhora e um jovem e em lugares diferentes.

Parece que tem gente interessada em fazer do outro alguém que faça parte da panela, a malfadada corriola.

O problema é que tem muita gente que gosta de levar a sua vida sem fazer parte de corriola nenhuma.

Escrevo o que o jovem disse:

_Eu não tenho estudo, mas tenho mulher e filhos e dou conta da minha família. A minha mulher me ajuda e a gente leva uma vida razoável. Eu não tenho motivo nenhum para dever favor a alguém.

A senhora tem uma opinião diferente:

_Eu devo favor a muita gente. Por que é que eu vou querer mais gente nessa panela, se está tudo bem feito? Eu não obrigarei ninguém a me dever favor. Tem gente que não sabe lidar com isso e, além de tudo, prejudica a minha panela.

A carraspana que essa mulher levou foi vergonhosa, mas ela está certa. Eu não sirvo para panela nenhuma e até posso estragar o bom ambiente dela. Saí rapidamente do lugar. Os favores que ela deve são outros e não sei se são imorais.

Ela tem horário para abrir a loja e, às vezes se atrasa. Os seus amigos fazem vistas grossas para esse atraso. São acordos implícitos, mas válidos, dependendo da profissão exercida.

Continuando o assunto, mas em outro lugar. Eu marquei a hora na esteticista às nove e meia e ouvi do outro lado da linha que nove e meia podia significar nove e quarenta, foi aí que me decidi por chegar nove e quarenta e cinco e cheguei ao mesmo horário que ela. Esse fato é um acordo positivo.

O que contam por aí, é a troca de favor com sentido negativo. Alguém deve favor para outro alguém e fica obrigatoriamente com um favor a dever e, quando o outro alguém necessitar de um favor, ele cobra independentemente da disposição do outro.

O boato é que quem quiser ficar fora da panela que se cuide, porque a tese do “rabo preso”, expressão vulgar que diz dos favores devidos indevidamente, parece que está passeando pelas ruas e avenidas da cidade.

Eu não sei se fiquei mais bonita, mas aí está a fita para o filme. E, contando, você acredita? Eu não sei se eu acreditaria se, alguém me contasse.

2 comentários:

Rosemildo Sales Furtado disse...

Em tratando-se de políticos, devemos esperar de tudo. Bela crônica.

Abraços,

Furtado.

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Eu penso que muita gente tanto deve como recebe favor pelo voto...
Ai eu que nem vejo muito bem mas vejo muitos andarem aí a correr em campanhas de apoio a A, a B e ao C...porque lhes convém um lugar lá mais acima ...