Lugares Bonitos

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

domingo, 26 de julho de 2015

Família Interativa / Crônica do Cotidiano

Família Interativa / Crônica do Cotidiano

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Muita gente na fila, domingo tem filas adoráveis. No banco da diagonal, um casal, uma criança e uma senhora, provavelmente alguma comemoração do dia da avó.

O telefone da moça toca e ela olha para a senhora ao lado e diz:

_Mãe, é a Belinha. Eu atendo agora ou deixo para depois?

A mãe disse que não deixasse a irmã esperando ao telefone.

A moça hesitou, mas atendeu:

_Belinha, como vai você? Que saudades!

A irmã da moça ao ouvir o alô da irmã, feliz da vida começou a perguntar da festa da sobrinha no dia anterior. Disse que sentia não estar presente, mas casa nova em cidade nova precisa ser ajeitada antes de se programar uma viagem para rever a família.

A moça olhou para a mãe, ligeiramente séria, engoliu em seco e contou da festa:

_Foi festa de criança com salgadinhos, docinhos e gelatina em copinho. A mãe disse que gostou.

A moça terminou de contar da festa e olhou para frente como quem quer dizer que a mãe ficou aborrecida pela ausência da outra filha.

Essa pausa silenciosa fez com que a irmã, do outro lado da linha, perguntasse se estava tudo bem com eles, porque ela estava estranha.

A moça respondeu:

_Conosco está tudo bem? Mas, e você, como está? Dizem que chove muito no Rio de Janeiro nesta época do ano, é verdade? Você consegue ver o mar aí do seu apartamento? Não, eu sei que tudo é caro e não dá para alugar um apartamento em frente ao mar. Estou ansiosa por saber de você, mas a mãe também quer falar com você.

A irmã, do outro lado da linha, sem ver a outra tensa dos pés à cabeça, animou-se e pôs-se a falar:

_Dinheiro para alugar um apartamento na beira do mar, eu não tenho. Sabe o que foi que eu fiz? Aluguei um apartamento num edifício alto e, adivinhe! Abro a janela e avisto o mar! Não chove tanto e nem é tão frio quanto em Curitiba, estou amando esse lugar!

A moça disse que estava feliz pela irmã, que desejava que ela se adaptasse à cidade e que tudo desse certo para ela.

A irmã respondeu que mal chegou e se sentiu adaptada, comprou os móveis e caminhou na orla.

A moça completou o assunto:

_Eu fico feliz por você, eu estou feliz por você. Não se preocupe por não ter vindo à festa da Aninha, quando você puder, você vem nos ver. Quem sabe nós damos uma volta por aí e nos encontramos para conversar. A mãe quer falar com você.

A moça, percebendo que a irmã estava bem, conversou mais e mais, inventou assunto enquanto a mãe olhava para ela.

_A mãe quer falar com você!

Logo em seguida foram chamados para o lanche.

A moça, disse a irmã:

_Estão nos chamando para o lanche e estamos atrasados. Você dá um alô para a mãe antes de entrarmos para lanchar?

A Belinha disse que era que ela conversaria com a mãe, ela estava demorando em falar com a mãe porque a irmã estava contando as novidades e a saudade era igual da parte dela.

A moça olhou para o marido e a filha mencionando a entrada para o lanche e passou o celular para a mãe.

A mãe fez que acompanharia a entrada da família e assim que a turma entra na sala de refeições, ela deu a meia-volta e saiu dizendo que não lancharia enquanto não tivesse uma conversa séria com a outra filha.

Não fiquei para ver o fim da história, pois o domingo seria encompridado.

Bom domingo a todos!

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