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quarta-feira, 15 de julho de 2015

Agente Provocador / Crônica de Supermercado

Agente Provocador / Crônica de Supermercado

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O que se seguiu depois da cena que descrevo é muito interessante.

Acabaram-se os biscoitos e, hoje, além dos pães, comprei biscoitos. Supermercado quase vazio. Entro na fila dos caixas, também com apenas uma pessoa à frente e ouço passos ligeiros atrás de mim. Olhei para dar a vez pensando ser alguém com pressa.

Um homem alto e barbudo parou- me e disse:

_Eu tenho dinheiro para os pães. Comprei um pedaço de lasanha e quero saber se a senhora paga o pedaço de lasanha que eu comprei.

Surpresa com a situação, eu disse que talvez pudesse ajudar com alguma moeda.

O homem jogou a lasanha na minha cesta de compras e disse:

_Pague! Eu encontro a senhora na saída do caixa.

O caixa me chamou na mesma hora. Contei a situação, paguei a lasanha dele e pedi para que a empacotadora entregasse o pacote para ele.

Ficamos conversando até que o homem, com casaco rasgado, mas de bom tecido de lã, saísse do supermercado.

Perguntei o que o segurança poderia fazer numa situação dessas.

O caixa disse que o segurança não pode fazer nada. Tem gente que vai ao supermercado para conseguir uma situação da qual possa dar queixa de discriminação contra a aparência rota.

Ele ainda disse que eu fiz bem de não reagir contrária à situação, porque, nesse caso, a atitude considerada discriminatória seria minha.

Não foi difícil perceber que se abriu um debate entre as pessoas que ali estavam e que trabalhavam em locais próximos dali.

Perto dali, alguém disse:

_E, se a senhora ao lado estivesse comprando biscoitos, mas não tivesse disponibilidade para pagar o pedaço de lasanha, o que poderia acontecer? Um assalto? Uma extorsão? E daí?

Outro, mais adiante contava do assalto à mão armada que sofreu ao sair do trabalho.

Ainda algumas moças comentaram sobre a situação delicada em que os seguranças da loja se encontram porque é vexatório assistir uma situação dessas e ter que esperar que o cliente reclame com ele para que ele possa tomar a atitude, que será em frente ao reclamante.

Disseram que situações assim podem terminar em grave prejuízo ao reclamante. Contaram que após a retirada do sujeito do supermercado, logo em seguida aparece um advogado e uma organização para defendê-lo e, por fim, o reclamante tem que pagar uma indenização ao sujeito que criou a situação mais o advogado que o defendeu e aguenta uma expiação em ofensas vindas da parte de não sabem quem.

Disseram para que eu me cuide quando for ao supermercado porque são situações que acontecem com alguma frequência e que determinaram o desemprego de alguns seguranças que tomaram atitudes enérgicas.

Chegamos à conclusão que a situação social leva a esse tipo de acontecimentos, são tensões que precisam ser cuidadas, avaliadas para que se evite esse constrangimento ilegal.

O homem comprou os pães dele e pagou em caixa separado. Eu comprei biscoitos e paguei o pedaço de lasanha dele?

Após o questionamento saímos todos com uma indagação sobre aonde à situação vai se normalizar, em que condições e em que tempo.

Para terminar, afirmo que o supermercado é o resumo da sociedade como um todo, é bom estar ciente.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Realmente, o supermercado agrega pessoas diversas à procura de satisfazer suas necessidades. Mas, sua história é muito intrigante. Ter que ficar calada e consentir com tamanho abuso... isso é o fim mesmo!
Abraço.