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terça-feira, 14 de julho de 2015

A Estranha / Conto

A Estranha / Conto

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Aconteceu naquele dia, de uma maneira tão absurda que todos ficaram surpresos. A senhora Magali de Magali, que nem era nem tampouco e nem tão muito, adentrou o restaurante e chamou o gerente para dizer que pagaria a conta de todos que estivessem almoçando naquele local durante a semana.

O gerente recusou-se a aceitar.

Com muita polidez ela disse ao gerente:

_O senhor, por favor, chame o dono.

O gerente chamou o dono do restaurante e achou a situação sem nexo. Para evitar qualquer embaraço em frente aos fregueses, disse à senhora Magali de Magali, que, se fosse alguma cortesia ao restaurante ele aceitaria, mas o pagamento teria que ser adiantado. Adiantou-lhe que não deveria nenhum favor à senhora Magali de Magali pela extravagância inesperada a qual ela mesma se submetia.

A senhora Magali de Magali retirou o cartão de crédito da bolsa e disse para que o dono descontasse a semana.

Com receio, o dono pediu ao gerente a máquina de cartões e colocou uma quantia assombrosa como valor a ser pago e disse à senhora Magali de Magali que digitasse a senha.

Ela digitou e a conta da semana estava paga.

Ela, com um sorriso petulante e saiu do restaurante afirmando estar satisfeita em mostrar o seu poder.

Quando ela saiu, o gerente ligou para o marido dela, o qual disse que não se metia com os negócios da mulher. Avisou também a polícia, a qual aconselhou o dono a não tocar no dinheiro e prosseguir com o funcionamento normal do estabelecimento.

Terminada a semana, o dono do estabelecimento chamou a senhora Magali de Magali para pegar o seu dinheiro de volta. Ela se recusou. O dono do restaurante foi até a delegacia para deixar o dinheiro com o delegado. Não havia crime e o delegado não aceitou ficar com o dinheiro. No entanto, o delegado chamou a senhora Magali de Magali para confirmar o presente ofertado ao restaurante perante ele, a autoridade do lugar.

A senhora Magali de Magali confirmou a oferta e assinou a declaração dizendo que nada queria em troca, nenhum favor ou favorecimento.

O dono do restaurante ficou sem ter o que dizer a respeito da senhora Magali de Magali. Entretanto contava o acontecido aos amigos mais chegados para saber se algum deles saberia dar alguma explicação ou algum motivo ao fato.

Com tal atitude, a senhora Magali de Magali ganhou a desconfiança sobre si. Todos os que sabiam do feito passaram a vê-la com desconfiança.

Alguns cogitaram a ideia de que ela queria abrir um restaurante e, através desse contato financeiro, começar o negócio sendo aceita por todos os donos de restaurante, mas nenhum deles abriu o próprio restaurante pagando a conta de outro.

Outros cogitavam que ela abriria alguma espécie de negócio próximo ao restaurante e não gostaria de se incomodar com o dono do restaurante, o que era improvável porque ela e o marido viviam bem.

Outros, ainda, contaram da trajetória dos seus restaurantes e das dificuldades que tinham para manter tudo em perfeito funcionamento durante os sete dias da semana mais a folga de segunda-feira pela manhã.

Dessa maneira foi que a senhora Magali de Magali ficou conhecida em todo o meio dos donos de restaurantes.

Os donos dos restaurantes, diante de tão imprevisível mulher, reuniram-se e decidiram que, se ela quis pagar aquela conta sozinha, o problema era dela e de nenhum deles.

Passadas algumas semanas, a senhora Magali de Magali chegou ao mesmo restaurante e quis novamente pagar a conta.

Desta vez o dono do restaurante impôs uma condição a ela:

_Eu aceito que a senhora pague a conta desde que trabalhe aqui e passe por todas as funções de um restaurante. Um restaurante não é uma extravagância, é um negócio.

A senhora Magali de Magali aceitou a oferta e fez pior do que da primeira vez. Não cobrou a conta de nenhum freguês, pagando ela mesma refeição por refeição.

Reunido com os amigos donos de restaurantes, eles pediram que ele, o dono do restaurante, da próxima vez, a mandasse para o restaurante deles porque eles gostariam de conhecer a senhora Magali de Magali em atuação.

Quando a senhora Magali de Magali retornou ao restaurante algumas semanas depois, o dono do restaurante aconselhou-a a procurar outro restaurante.

Ela se recusou a ir a outro restaurante, ela queria aquele.

O dono do restaurante procurou o delegado novamente e contou da situação.

Ela não havia feito nada de errado, mas não tardaria a fazer, foi o que o delegado disse. Ele aconselhou o dono do restaurante a não aceitar nada e fechar as portas do restaurante para ela porque ela estava se comportando de maneira estranha.

_Não existe restaurante de portas fechadas, senhor delegado. O que eu posso fazer é recusar toda e qualquer proposta vinda dela.

O delegado ligou para o marido da senhora Magali de Magali e contou a situação do dono do restaurante para ele.

O marido da senhora Magali de Magali disse que ela era muito gentil com todos e, que, de vez em quando, gostava de impor a sua generosidade às pessoas.

Passados alguns anos, a senhora Magali de Magali foi-se embora.

Chegou ao inferno e a “coisa ruim” perguntou à senhora Magali de Magali o motivo pelo qual ela havia chegado ali.

A senhora Magali de Magali contou o que fez ao dono do restaurante.

A “coisa ruim” disse que não negaria o apoio a quem tanto se esforçou para isso.

Assim, a senhora Magali de Magali chegou onde queria.

A “coisa ruim” ordenou que ela subisse a terra e fizesse o mesmo com o marido.

Ela fez e o marido desceu com ela.

A “coisa ruim” avisou que, entrando ali, dificilmente teriam saída para lugar melhor.

Eles perguntaram se o dono do restaurante chegaria ali também.

A “coisa ruim” disse que essa era a parte ruim. O dono do restaurante não viria ali e eles não poderiam sair dali.

Assim termina essa história.

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