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domingo, 26 de abril de 2015

Tudo é Possível

Tudo é Possível

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O conceito estampado numa tela enorme de uma televisão supernova e à venda permite refletir.

A quantidade de possibilidades que se recebe dia a dia é imensurável, principalmente quando se está em silêncio num domingo, pensando na rotina que se segue.

Assisto filmes e leio notícias. Preciso saber do que se passa.

E, como tudo é possível, é preciso lidar com essa gama de possibilidades com lucidez.

Não existe lugar que permaneça em ordem sem lucidez de caráter.

E o que é a lucidez de caráter? Talvez seja manter o caráter lúcido, sem bebidas, sem preconceitos, mas mantendo-se dentro daquilo que se é.

Cada um pode ser o que bem entender, em tese, mas a partir desse ser o que se é e manter-se dentro desse contexto.

Dizem que contexto de existência é conceito de classe média. Pois bem, que seja contexto de classe média. É a classe média quem sustenta as boas maneiras da educação, mesmo quando sem dinheiro.

Vivemos numa sociedade inundada de informações. O que é que custa valorizar as informações vindas do berço?

Com otimismo e perseverança o impossível acontece para cada um. Mas quem acredita no impossível, quando tudo é possível?

Outro dia sentei-me ao lado de uma senhora que aconselhava a outra sobre como bem viajar contando que o seu chefe a tinha mandado fazer contratos na Tchecoslováquia. Contava do hotel do leste europeu com exatidão, dos documentos necessários para não ficar em débito com a empresa e da vontade de voltar para o Brasil.

Acreditem-me, as pessoas viajam para todos os lugares do planeta. É possível.

O impossível agora é poder se sentar num banco de praça, abrir uma revista e aproveitar a brisa sem se aborrecer porque tudo é possível para quem se arrisca a se distrair num banco de praça.

A propaganda está correta, pois tudo é possível dentro da ficção televisiva.

Mas, na vida real, o impossível é muito prazeroso de se vivenciar quando conseguido através da persistência, não da vontade, mas do sonho que insistiu em se guardar.

Conheço quem tenha tido na infância um jipe de plástico e, hoje, aproveita o jipe veículo automotor. O sonho vencendo o sonhador é mais bonito de que o tudo que é possível porque é o improvável, possivelmente o impossível.

Uma conhecida passou as férias na Bósnia simplesmente porque era possível. Voltou contando do que viu, mas não sei se o passeio fez bem a ela.

A humanidade vive um problema existencial, pois onde tudo é possível o impossível é deixado de lado.

Mas o impossível é bom porque extrapola o possível e abrange a esfera dos sonhos fieis ao sonhador e/ou sonhadora.

Está na hora de se reconhecer que o impossível existe, é surpreendente e maravilha, trazendo de volta a sensação de que nem tudo está limitado às possibilidades e que é possível continuar sonhando.

Tem dias que a praticidade das coisas me cansa.

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