Lugares Bonitos

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O blog da Nina, menina que lia quadrinhos.

segunda-feira, 2 de março de 2015

“Financês” de Supermercado / Crônica de Supermercado

“Financês” de Supermercado / Crônica de Supermercado

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Vamos às filas. Estava no supermercado, noutro supermercado, mas na fila.

Três jovens em início de carreira comentavam as suas vidas.

Quando alguém faz algo diferente, é difícil não prestar atenção.

Uma das moças contou dos seus estudos de pós-graduação no exterior, elogiou a confiança que a família teve nela, pois quando viajou tinha vinte e um anos. Arrumou emprego lá fora, estudou. Comportou-se como pessoa mais madura e enfim, a história estava boa até quando ela disse que amou voltar ao Brasil e reencontrar as amigas, sair aos finais de semana e, admirem-se: ler.

As outras moças ouviam atentas todas as experiências de morar sozinha no exterior.

Exaltando o Brasil, ela disse que agora consegui ler três livros por mês.

Eu ouvindo e pensando na boa ideia da moça quando ela contou que leu o livro Os Miseráveis, de Victor Hugo numa noite só. Começou a ler às oito horas da noite e terminou a leitura às três horas da manhã.

Uma das moças mudou de assunto. Perguntou à outra moça se ela tinha algum dia morado fora.

_Morei na praia com alguns parentes.

Quando ela mencionou o nome da praia, eu não me contive. Pedindo desculpas antecipadas, porque conheço o lugar, perguntei:

_O que é que tem de bom por lá?

Ela respondeu com olhar direto dizendo que era a qualidade de vida.

Perguntei novamente. Eu sabia as respostas, mas perguntei.

_O que é que tem de bom por aqui?

_Negócios!

Ela me entendeu. Não precisei dizer mais nada.

As moças que estavam com ela olharam, quase que com vontade de me chamar de intrometida. Elas tinham razão, a conversa era entre elas. Fingi não perceber.

Na saída, distraída, esqueci o pão pensando na conversa e, tive que voltar ao caixa.

Peguei-as conversando a meu respeito.

A moça que morou na praia disse que gostou do que ouviu de mim. As outras ficaram aborrecidas.

Olhei para ela e disse que tínhamos, tanto ela quanto eu que conciliar e saber diferenciar a vida na cidade e a vida na praia. Desejei um bom dia a todas elas e saí.

Saí pensando comigo mesma: intrometida? Alguém que leu Os Miseráveis, de Victor Hugo, em sete horas, não merece confiança! Foi uma boa ação.

2 comentários:

Célia Rangel disse...

Mas nem no processo de leitura dinâmica, hein Yayá... Cada uma! Dá mesmo até para se esquecer o pão...
Abraço.

Élys disse...


É, realmente não dá para ler neste tempo de forma alguma...
Beijos