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sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Tolice

Tolice

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Não queira ter saudade

Além desta que é minha,

Que nunca está sozinha

E se chama amizade.

 

Do amor a liberdade

Discorda como a vinha,

Fermenta comezinha

Num porto de vontade.

 

Não queira essa verdade

Da dor do ser que tinha

Um bolo na cozinha

A espera da ansiedade.

quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Redação do Enem

Redação do Enem

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Enem era um garoto humilde e bem educado. Contava a história da origem do seu nome sempre que perguntado:

Professora a ideia do meu nome surgiu quando o meu pai desconfiou de que havia motivo para que a minha mãe ficasse arredia quando ele queria carinho:

_ Maria, por acaso você está grávida?

A minha mãe respondeu:

_E nem! Aquele trem romântico que atravessa o país. Você e eu sem nada para fazer...

O meu pai disse que parecia um nome bíblico de um profeta que ele gostava muito de ler: Neemias.

_Se for menino homem se chamará Enem.

Assim mesmo antes do teste do ENEM, esse Enem que vos fala mestra querida, já existia.

A professora notando certa ironia por parte do aluno pediu a ele que contasse de avião, visto que de trem ele entendia bem.

Enem, com toda sala a prestar atenção na chamada da professora, pôs-se a contar sobre avião, mesmo nunca tendo se aproximado de aeroporto:

_Professora, avião é um tipo de trem que voa. O motorista aviador verifica as engrenagens e conta os passageiros para verificar se não falta ninguém lá dentro. Se algum passageiro repara em alguma peça enguiçada, ele desce e vê todas as engrenagens antes de sair.

A professora disse ao garoto que prosseguisse na conversa.

_No entanto, mestra querida, os vagões não vão engatados como no trem. Os aviões formam fila por ordem de horário de saída.

A professora não se conteve e perguntou de quantos aviões era a fila.

Enem coçou a cabeça e disse:

_Geralmente a fila é de mais ou menos quatro aviões. Sobe um, mais alguns minutos e sobe outro até que a fila toda esteja voando.

E depois, Enem?

_Depois quem sai atrasado tem que acelerar mais, mas freia no meio do caminho para poder pousar.

A professora se divertia com a história do Enem e perguntou se vendiam lanches como se vendem lanches no trem.

_Não professora. Eles obrigam a vendedora de lanches do avião a distribuir gratuitamente porque é proibido vender lanche no avião. Às vezes a vendedora até chora ao servir o refrigerante. Mas também professora, como é que ela leva lanche num lugar onde é proibido o comércio de lanche? Depois de servido o lanche não adianta chorar.

E tem cruzamento na rodovia aérea, perguntou a professora:

_Tem sim, professora. Diferente daquele do trem que tem semáforo e cancela. É um por cima e outro por baixo.

As ideias do Enem fizeram com que a professora mudasse a matéria do dia, que passou a ser sobre Alberto Santos Dumont.

_Aquele do relógio? Eu disse alguma besteira?

Sem conversa porque a manhã passa depressa.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Compensação

Se sou ideação,
Vivo a sonhar;
Sou recreação
A imaginar.

Nasci canção,
Poema de lar,
Jeito e criação
do verbo amar.

Na inspiração,
O transpirar,
Dedilho a ação;
Compensação.
 

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Ai Meus Ouvidos ou Aí Meus Ouvidos / Crônica do Cotidiano

     A crítica tem fundamento. Ouvi que os brasileiros estão com hábitos estrangeiros. Concordo, mas digo que ingênuos são os que não preservam os bons hábitos nacionais.
     Se os meus ouvidos às vezes zombam de mim, eles também se divertem preservando a conversa com quem estiver disposto (a).
     Não sou ingênua a ponto de pensar que nada posso transmitir aos outros. Não sei exatamente o que eles aprendem comigo, mas se não ensino nada, ao menos digo como é bom o tempo gasto numa conversa ao café.
     Como é bom saber a opinião dos outros em relação ao Brasil.
     Também não entendo de jornalismo e o repórter Edson Prado está ocupado numa pesquisa de filosofia para o blog. Mas, um correspondente estrangeiro disse que as perguntas que ele gostaria que a imprensa fizesse para a presidente eleita não estão sendo feitas. Ele falava em inglês e viaja amanhã ao exterior, mas, de novo, temos que aguardar uma próxima oportunidade. Ficou claro que ele não quer saber de nomes, ele quer saber das diretrizes econômicas com relação ao mercado interno e externo.
     Pessoalmente, não vejo inferência excessiva na cultura do país, o brasileiro é apaixonado. Também sinto falta do espírito solto com que íamos às festas, fossem populares ou cívicas, onde os conhecidos se encontravam e os desconhecidos se apresentavam uns aos outros como forma de aumentar a rede de relacionamentos. Esse é uma vontade a ser preenchida por aqueles que ainda têm disposição para acreditar na validade desse comportamento. O brasileiro de hoje é muito mais desconfiado do outro, o que leva os mais dispostos a criarem outros mecanismos de boa convivência.
     Nesse momento deve ter muita gente trabalhando para que haja equilíbrio e bom senso tanto na área econômica, quanto todas as outras áreas de função de governo e, também todos os diálogos são corretos.
     Penso infrutífera a essa altura, com tudo a ser feito e refeito, discutir se foi Juscelino quem inventou Brasília. Parece que a ideia inicial veio do tempo Império, foi artigo da Primeira Constituição da República e, num comício, essa história do comício é pândega e eu me recuso a contar. Se foi promessa de campanha ou não, não interessa, foi Juscelino quem construiu e fundou Brasília.
     O mérito de Juscelino está implícito no parágrafo acima. Era um homem de filosofia desenvolvimentista, tirou o projeto do papel e construiu e inaugurou a nova capital do Brasil.
     Parece que dou voltas ao tema, mas é pela seguinte razão: essa é a visão que faz o futuro.
     O país, por certo, tem pontos positivos, especialmente na área social. Certamente, tem pontos a serem melhorados e há que se perguntar para a oposição quais são os pontos e sob quais aspectos a política do governo estava equivocada.
     Antes mesmo de se falar em nomes para o futuro governo, há que se negociar com a oposição.
     Agora voltamos ao sentido da brasilidade de fato, há a necessidade de se colocarem as cartas na mesa para se discutir o que será feito e como será feito.
     A tomada de decisões provavelmente se dará nesse interregno de fim de mandato.
     Porque brasileiro é brasileiro em qualquer lugar do país. Todos aguardam essa negociação entre os representantes  eleitos pelo povo, ou seja, deputados e senadores que trarão as reivindicações dos seus estados com propostas a serem de fato levadas adiante e, a presidente eleita. Quem vota os projetos são os congressistas que têm em mãos a confiança daqueles que os elegeram. Portanto, não se espera nenhuma consulta popular desnecessária, aquele que somente serve para desperdiçar o tempo e a paciência de quem elegeu todos os representantes para não ter que se preocupar com matérias importantes em nível de votação.
     A população tem nos seus representantes o meio de comunicação necessário para interagir com o governo se assim for do seu interesse.
     Depois de dizer tudo o que penso, resta-me terminar o texto de hoje com uma frase:
     _Em Brasília dezenove horas.
        

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Carta Literária - pós eleitoral

Carta Literária

Curitiba, 27 de outubro de 2014.

Prezado Rei Salomão,

Escrevo para dizer que gostei muito do seu livro. Imagino as dificuldades que o senhor teve em resolver as questões que o povo levava até o reino.

Outro leitor, Esse por sua vez comentarista, foi de extrema importância ao conjunto da interpretação da obra: Jesus Cristo.

Tivemos por aqui uma pendenga e aquela solução de dividir a criança entre as duas mulheres que se diziam mães, ah, aquele caso horrível... No entanto, Jesus, numa Brilhante releitura, costumava dividir os pães, a água e, enfim, foi Amor à humanidade.

Nesse vai e volta na leitura da Bíblia, fomos ao Velho Testamento e ao Novo Testamento e, conseguimos a saída para a pendenga.

Eu sei que não seria o momento de se comentar particularidades, mas, o meu irmão costuma dizer que eu faço o que ele chama de “pastiche” com o que leio; resumo ao meu gosto o que eu gosto do livro, copio e colo. Eu não ligo porque sei que ele me quer mais sábia.

Mas ele tem lá as suas razões. Aqui onde moro, Brasil, a gente segue a doutrina que a gente quer e respeita todas as demais doutrinas.

O povo apelida todo mundo, e, antes que apelidem que rotulem. Em segredo, o nosso amado amigo Jesus Cristo também tem os seus apelidos e Ele também não liga, até mesmo aprecia ser chamado de Oxalá, Sétimo Buda, Profeta Muçulmano, Mestre da Luz, entre outros que não cabe aqui comentar do tipo o primeiro socialista. Poupe-nos desse apelido, se eu faço pastiche, houve um autor que fez uma cópia pouco recomendável, onde se viu misturar Jesus Cristo com política. Embora, Ele esteja no meio de nós, nunca fundou partido algum que não fosse o de Deus.

Chamaram a questão de salomônica: Aécio e Dilma.

A impressão que se tinha é que se queria aquela sua decisão. Jesus Cristo, que tinha lido e estudado todo o Antigo Testamento, repartiu o pão, ou seja, o poder entre todas as correntes de pensamento. Quem deu a vida pela humanidade foi Ele, mais ninguém.

Agora, quando se junta o Antigo e o Novo, a Bíblia fica completa, o que sem Jesus Cristo, não seria possível.

Sem o Antigo Testamento e o seu livro, não se teria a noção do valor do poder chamado de Justiça. O senhor foi um juiz da antiguidade, quando o conceito de justiça não existia.

A Justiça Eleitoral do Brasil foi de uma excelência impecável.

Nesse conjunto de ideias, quem queria a sua justiça, a salomônica, perdeu. A fé cristã e a dos homens venceram, e, se venceram, foi por aceitar todas as formas de nominar Jesus Cristo, todos os apelidos carinhosos e um povo querido chamado de brasileiro.

Até qualquer dia,

Um abraço, Yayá.

sábado, 25 de outubro de 2014

Quebre a Corrente do Mal / Crônica do Cotidiano

Quebre a Corrente do Mal / Crônica do Cotidiano

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Esse foi um fato verídico e triste, mas vale ser contado.

A senhora “X”, em tratamento de câncer de mama para futura cirurgia recebeu a indicação médica para um exame.

Foi ao hospital e entregou a guia com o código do exame. A enfermeira encaminhou a paciente para a mamografia, fez e entregou o resultado.

A senhora “X” levou o resultado ao médico oncologista, que ficou surpreso com a mamografia e imediatamente conferiu o código do exame pedido. Ele havia pedido o exame correto e não era mamografia.

A paciente contou que teve febre e sentiu-se muito indisposta com o exame feito sobre a mama que contém o tumor.

O médico comunicou-se com o hospital e solicitou o exame correto graciosamente, posto que houvesse erro na interpretação do código do exame.

A enfermeira ligou e pediu desculpas à paciente, muito constrangida com o equívoco.

A senhora “X” disse que a perdoava e que voltaria ao hospital para realizar o exame pedido pelo médico.

Resolvidos o equívoco, a febre e o inchaço da mama doente, ela saiu.

A senhora “X” tinha uma auxiliar para os dias nos quais a quimioterapia causava efeitos colaterais.

Chegou a sua casa e a auxiliar estava sentada numa cadeira e aborrecida.

Perguntou à moça por que ela estava parada ao invés de preparar a refeição.

_A senhora me desculpe, estou com cólica menstrual.

A senhora “X” conta que desabafou da pior maneira possível. Disse o que pensava o que queria e o que não queria para a moça. A auxiliar foi embora e ela ficou sozinha.

Ela conta que ficou com medo de pedir ao hospital que colocasse outra enfermeira para atendê-la, pois ela deve continuar a quimioterapia para que a cirurgia possa ser realizada.

A senhora “X”, sem querer, colaborou para uma corrente do mal com os seguintes sentimentos: medo, raiva e vingança.

Eu não estudo sobre a paz para ficar calada.

Quando acontece algo assim, de acordo com os estudos, é necessário dizer com calma, mas dizer.

Nada melhor do que o hospital indique outra enfermeira para atendê-la. A atitude com a moça com cólica menstrual não foi correta, pois em nada ajuda a paciente. O sentimento de raiva, compreensível, deveria ser trabalhado e não passado adiante.

Todos cometem erros, enfermeiras também. A enfermeira, ao verificar o erro, pediu desculpas, mas deveria transferir a paciente pata outra atendente, contribuir para o sentimento de conforto e bem estar da paciente. Eu não sei se o outro exame causa ou não efeitos colaterais e não posso dizer mal da enfermeira. Todo profissional dá o melhor de si e acredito que a enfermeira se equivocou com o código do exame por algum motivo. O sentimento de culpa e o pedido de desculpa não resolvem a situação da insegurança causada à paciente. O que deixou a paciente transtornada foi ela dizer que da próxima vez ela acertaria e que ela não se preocupasse.

Todos os sentimentos acima descritos são normais ao ser humano. A dificuldade está em não saber solucionar de maneira a pacificar as partes envolvidas. Existem maneiras próprias de declarar sentimentos desagradáveis e exigem algum treino e conhecimento.

As correntes de sentimentos ruins podem ser evitadas. Esse é o sentido da crônica.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Som Eleitoral

Som Eleitoral

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Eleições e piano,

E qual é o plano?

Ouvir esse som...

 

Votar faz o ano?

Futuro cigano,

Brumas de Avalon?

 

Se assim não me engano,

 

Ano que vem... Bom.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Dia Casual / Crônica do Cotidiano

Dia Casual / Crônica do Cotidiano

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A moça aparentava vinte e oito anos. Estava se queixando sem reclamar.

_Você sabe como é que é seis anos de casada não é fácil. O casamento é extenuante após certo tempo. Trabalho, casa e marido, filhos. Horário para acordar, para arrumar a casa, para trabalhar, para me arrumar e ficar bonita para ele. Estou cansada, não tenho tempo para mim.

A amiga disse que era a alimentação, confirmou a ideia dizendo que quando não comia certos legumes e cereais, sentia-se fraca e sem vontade de fazer nada. Sentia-se como que arrastada para o dia a dia no emprego.

Eu e a moça do caixa olhamos para elas.

As moças estavam com problemas.

Mas, pensando bem, o tipo de vida que levamos atualmente é extenuante.

Vim embora pensando no Dia casual, aquele dia que algumas empresas convidam os funcionários a se vestirem de maneira informal, que aqui no Brasil não funciona muito, mas penso que o Dia Casual poderia existir dentro da casa, nas famílias sem problemas sérios, como um desafogo do cotidiano.

Pensei numa conhecida que, logo após se separou do marido disse que a sua maior alegria em meio à tristeza da separação, era poder, de vez em quando, deixar a xícara do café da manhã para lavar à noite, quando chegasse do escritório, sem se preocupar em fazer a depilação para estar impecável na cama junto ao marido.

Pensei noutra conhecida que propôs fazer uma peixada para a família desde que todos ajudassem a arrumar a cozinha depois do almoço e da sobremesa. Divertiram-se à tarde toda.

Será que as pessoas estão criando regras e ritos excessivos para se sentirem felizes?

Conheço famílias que compram um frango assado e maionese, alguns pães, frutas, bolos e saem para fazer piquenique nos arredores da cidade. Sem dia marcado e ao sabor do tempo e da disposição. O marido dorme numa toalha sobre a grama após o almoço, a mulher lê um livro, as crianças brincam com uma bola. Precisa mais?

O Dia Casual é por aí, nada obrigatório, desde que cada um aja em acordo com a sua disposição para algum divertimento.

Muitos questionam a validade do Dia Casual porque cada um se diverte à sua maneira.

O Dia Casual é para ser negociado, num dia de folga faz-se um piquenique e noutro vão todos ao teatro assistir algo que não contrarie muito o gosto dos outros.

Todas as queixas têm fundamento, a falta do exercício de lazer dentro do espaço necessário à individualidade realmente machuca.

O Dia casual é uma boa prática do espírito de equipe. Toda família é uma equipe.

Por outro lado não sei dizer se é individualismo ou insegurança o que faz alguém pensar que precisa estar ou perfeito para que haja diversão. Desde quando a diversão exige que os seus participantes tenham feito um desjejum à base de cereais ou estejam com a melhor aparência possível? Cobranças excessivas não são as melhores amigas da diversão.

Tem muita gente cobrando demais de si mesma fora do expediente, em casa. De onde vieram essas cobranças se não vieram de médicos? Sim, não vieram dos médicos.

O ambiente de casa é um vínculo afetivo, a sua dinâmica é diferente. Concordo que não se pode construir uma rotina baseada em dias casuais, mas eles são necessários.

A moça, que se queixava, daqui a pouco estará se separando do marido. Culpa de ninguém, será o cansaço e as exigências que ela mesma faz a si mesmo. Ser “antenada” (gíria da mocidade), estar em acordo com o tempo dela, é ótimo, mas ela pode se descansar um pouco.

Quanto à outra, é preciso perguntar se ela está bem de saúde para que ela verifique se os legumes e cereais são uma necessidade do organismo dela ou uma mania criada para disfarçar a ausência de distração.

Tem dias que gosto de ter mais idade e observar os adultos mais jovens. Posso dar palpites, afinal, a gente vivia bem sem nada disso e estamos bem até hoje.

É uma boa justificativa.

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

Preocupação Eleitoral / Crônica do Cotidiano

Preocupação Eleitoral / Crônica do Cotidiano

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Preocupação sanada. Caso ocorra empate, outros métodos de avaliação serão usados tais como títulos e funções ocupadas.

Psiu: Guarda em segredo o seu voto.

Como se adiantasse, pelo menos no caso em questão, rotina e método de rotina, quem me conhece um pouco, não compra mentira minha. Será por tal motivo que pouco uso desse recurso, a mentira?

No entanto, guardo segredo e todos riem de mim, porque sabem que não é segredo nenhum.

_Mas é para o “fulano (a)” não saber. Ele vai votar no outro partido.

Eu concordo. É melhor concordar e não fazer campanha, mas o tal do “fulano (a)”, não somente sabe como já disse que sabe. O melhor a fazer é não se ouvir.

Detalhe: quem me pede segredo precisa que eu não saiba em quem vai votar.

Está bem.

A garota vendedora ganhou um abraço meu sem o saber.

Observe-se a frase da vendedora, ao me ouvir dizer que estava chovendo:

_Se chove tanto, como é que vou até a minha humilde residência com o meu carro novo?

Chovia granizo e eu disse a ela para não expor o carro novo naquela chuva.

Espera um pouco: eu era cliente. Ela me contou do carro novo porque alguém precisava saber que ela tinha um carro novo.

_Você comprou um carro?

_Comprei sim senhora. É o meu primeiro dia com ele e nessa chuva!

Ela sorria de orelha a orelha.

_Parabéns pelo carro novo! Espera a chuva diminuir.

_Eu sou a primeira da loja a comprar carro!

E agora, perguntei?

_Agora é namorar o que arranjei.

O que tem de gente mentindo o voto parece brincadeira.

Quem está preocupado com a apuração são os políticos.

Uma provocação: A minha pesquisa particular de supermercado diz que as classes A, B e C estão unidas. A disputa é entre as classes D, E, etc... E todos mentem um pouco, aí é que está a questão: Empate!

Vamos que vamos. Não é brincadeira, não.

Domingo será de Democracia!

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Cochicho Eleitoral / Crônica do Cotidiano

Cochicho Eleitoral / Crônica do Cotidiano

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Os cabos eleitorais estão nas ruas e a campanha está cansando os eleitores.

A maioria de nós está com vontade de votar e pronto. Sabemos o que queremos. Pelo menos onde moro, Paraná, os meus amigos catarinenses também, enfim, por aqui são poucas dúvidas a respeito do voto.

Estamos vendo e ouvindo e presenciando os cabos eleitorais.

Quem está acirrando a disputa?

Comentamos em cochicho. Ninguém é tão simplório ao ponto de falar mal de uma propaganda tendenciosa. Assistir televisão em duas ou mais pessoas, dá nisso. Comentários, não sobre a propaganda em si, cada um defende o seu ponto de vista.

_Eu vou avisar o meu cabo eleitoral.

_Faz muito bem.

Avistam-se interesses e intenções além dos candidatos. Vontades não ditas, proscritas do bom dicionário.

A seguinte frase foi proferida centenas de vezes no dia de hoje:

_A gente usa o “fulano” para atingir o objetivo.

Andam-se vários quilômetros e, tem gente aborrecida. Excetuando-se a má índole, ninguém quer ser usado para que o outro atinja o objetivo dele.

A classe média pensa. Engana-se quem pensa que a classe média apoia propagandas subliminares.

O papel da classe média é exatamente esse: o equilíbrio da sociedade.

Cabe à classe média o não exacerbar das emoções, manter a fleugma enquanto todos desabafam.

Confortamos-nos em cochichos, logo chega o domingo de eleições.

Cochichos não entram em blogs.

Lembremos que serão os 6% de indecisos que decidirão as eleições.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

Meta e Metade

Meta e Metade
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O barco tem que ondular,
Não é opção, é obrigatoriedade;
Navega para chegar
Ao porto, ou, alguma cidade.

Na bússola do seu lar
Contorna o mundo em saudade,
Conhece a terra e o voltar;
O ser transitoriedade...

E fica a terra e vai ao mar,
Balança o dia sem que nade
E vence o cansaço ao deitar;
Completo em meta e metade.

domingo, 19 de outubro de 2014

Desarrumado

Desarrumado

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Volta à luz na tarde quente,

Chuva é cisco de olho aguado;

Surge e sua descontente,

Rua em vento desbravado.

 

Pensa a vida brevemente,

Busca ao amor assoberbado;

Calma é a dor inconveniente,

Sábia é a réstia, estando ao lado.

 

Sopra o cisco e limpa a lente,

Limpa a lousa ao desconfiado;

Nada adianta ao renitente

Esse amor desarrumado.

sábado, 18 de outubro de 2014

Galope

Galope

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Sendo quase igual,

É diferente;

Mas, não é banal.

Grama é semente.

 

Fator cabal

E comovente,

É natural

Seguir em frente.

 

Monto o bagual

E apeio rente

Da água e do sal

E vou contente.

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Bom Argumento

Bom Argumento

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As leituras se sucedem tanto que, de vez em quando, uma frase, ou, um pensamento que esteja ali, naquele livro, faz com a abstração seja prática.

Desta vez, o pensamento trouxe alguma atividade, porque ali estava escrito que o ser humano não foi criado para viver em pensamentos e abstrações, mas da prática cotidiana do bem.

A prática cotidiana do bem, parte do princípio de se buscar as coisas amáveis.

Numa ilação paradoxal, toda a vontade em que o amor esteja presente e que não prejudique ninguém, é válida.

O amor é a condução do caminho bom para o próprio condutor.

Provavelmente nenhum arrependimento virá de se tomar a atitude melhor, sendo essa atitude considerada melhor pela íntima individualidade de cada pessoa.

Engana-se quem pensa que a bondade do amor é para aqueles indivíduos considerados tolos.

O bem traz consequências reais para aqueles que o praticam e a vontade é livre para praticá-lo.

Lembrei-me de um pensamento, provavelmente cristão, mas se estiver equivocada, me corrijam:

“Ninguém faz o bem ao próximo, que não seja para si mesmo”.

Ao citar essa frase, penso em quem é o próximo. O próximo não é necessariamente o desvalido, o próximo pode simplesmente ser o seu filho, a sua filha, o seu pai e a sua mãe.

A generosidade deve estar presente dentro de casa, principalmente dentro de casa. É a generosidade de uns para com os outros dentro de casa que permite que haja discussão sem ofensa, as queixas de algum tempo amargo, as reclamações das manias do outro, os elogios pelos méritos do outro, o reconhecimento pelo esforço do outro, enfim, a liberdade de expressão repleta de sentimentos bons.

O silêncio não significa a paz em lugar nenhum do mundo. A paz é representada por uma pomba branca com um ramo no bico, sempre levando boas notícias.

Porque ao amor não se proíbe coisa alguma, nem mesmo a sua vontade de ser bom. Comparando o amor e o estudo, digo que a antiga Cartilha Suave ainda é um bom caminho para se começar a alfabetização porque incentiva a ir adiante, a não desistir, a continuar até que o livro termine e o amor é um incentivo na vida de todos e o bem e a bondade, a sua realização de fato.

O amor não vive de teoria e ninguém à filosofia o deve confiar se não for praticado, ele se transforma em desamor, ou seja, aquilo que se deixou de fazer e, que, consequentemente, não terá retorno.

O bem e o amor não praticados não trazem benefícios a quem o deixou de fazer. Aqui não se fala de punição, não se é punido por preferir o chat (o) do computador ao invés de conversar com um amigo real, humano, com qualidades e defeitos, igual a todos os outros seres humanos.

O amor não se impõe, visto que é uma necessidade da condição humana como alimento prático da vida.

Não se pode esquecer a condição humana quando se fala em amor. Não se trata de nenhuma hipocrisia de uma doação filantrópica, é condição para a vida.

A vontade também é livre e, tão protegida, que até mesmo a legislação se ocupa dela:

“Ninguém é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei.” Artigo 5º, inciso II da Constituição Brasileira.

Ou seja, o amor é permitido por lei.

Por hoje, falei e disse.

quinta-feira, 16 de outubro de 2014

Onírico Ser

Onírico Ser

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Fingir não ver,

Não é não se olhar;

É se convencer

Que ainda há o que amar.

 

Ao se entreter,

Nesse espelhar,

Certo é o querer

A se esperar.

 

Diz pertencer

Ao não magoar

A foto e o ser;

O seu sonhar.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

8º Apresentação da Mostra Prosas Poéticas

Sinto-me honrada com o convite do JRViviani para participar da Mostra Prosas Poéticas no blog:

www.vendedordeilusão.blogspot.com.br

Quem hoje o visitar hoje, encontrará um poema de minha autoria.
São poemas e poetas queridos do mundo blogueiro que participam da Mostra e vale conferir todos eles.

http://www.vendedordeilusao.blogspot.com.br/2014/10/prosas-poeticas-na-8-apresentacao-traz.html

Um abraço, Yayá.

Um

Um

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Pede ao vento

Catavento,

Coração.

 

Sem lamento,

Sentimento

É doação.

 

Cem por cento,

 

É razão...

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Autômatos

Autômatos

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Na humana desrobotização

Ao acaso e sem configuração,

Pensando a vida aleatoriamente,

 

Autômatos são: qualquer ação

Que embota de toda condição

De amor necessário, esse inconsciente...

 

Sentido vivo da pulsação

 

Que vibra e sente mesmo incongruente.

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Minicrônica

Minicrônica

Às vezes, o melhor que se tem é a esperança de que tudo termine bem, como numa história de criança.

Elizabeth tem mais de quarenta e, ainda me aguenta.

É o que importa.

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sábado, 11 de outubro de 2014

Conselho de Criança

Conselho de Criança

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Tem quem ter quem saiba lidar

Com tudo aquilo que eu não sei,

Tem quem quer aprender a orar

Sem saber que já o faz, eu sei.

 

Tem quem queira recomeçar

E, basta um passo e, se fazei,

Esse e mais outro, é o caminhar,

Trazendo consigo o serei.

 

Superando a mágoa no olhar

Com curiosidade, eu pensei,

No entretenimento a se dar.

São tais os passos, percorrei.

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Ideia de Mãe, Turma de Filha

Ideia de Mãe, Turma de Filha

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Celina estava numa fase de adolescente impertinente, passava o dia pensando em penteados, bijuterias e vestidos novos e estava com notas baixas na escola.

Menina comportada, a orientação escolar chamou a mãe dela para uma conversa.

_Nós sugerimos que a senhora a coloque em alguma atividade extraclasse que ajude a sua filha a se concentrar nos estudos. Pode parecer estranho, mas o lazer programado aumenta as notas escolares. Dentro de alguma atividade que a Celina goste e não seja dispendiosa demais para a senhora, podemos obter muitas melhoras nas atividades escolares propriamente ditas.

A mãe da Celina perguntou à filha o que ela gostaria de fazer além das aulas.

_Eu não sei mãe.

A mãe da garota pediu para que a menina pensasse durante uma semana e depois respondesse.

_Decidiu filha?

_Eu não sei mãe. Veja para mim o que você acha que eu posso gostar e eu vou.

A mãe da menina disse que quem iria escolher a atividade seria a filha. Foi até a escola de balé, até a escola de música, até a escolinha de basquete, até a escola de línguas estrangeiras e marcou várias aulas de demonstração para a filha.

Foram vários dias de aulas experimentais até que Celina escolheu algo completamente diferente: queria aprender desenho.

Celina tinha a sua turma entre as meninas da escola e era dia de saírem juntas para assistirem um filme qualquer na sessão da tarde.

As amigas, ao encontrarem a Celina, perguntaram de pronto:

_Celina, afinal, você é pulga ou pipoca? Você passou muito tempo para escolher o que quer fazer que não fosse aula.

Celina não entendeu o que elas queriam dizer com as palavras pulga ou pipoca e perguntou às amigas.

_Bem, pulga é quando você vai a vários lugares, aproveita um pouquinho e cai fora. Pipoca é quando você se queima facilmente e cai fora como se estourasse.

Depois de tanta indecisão por parte da mãe dela, ela agora tinha que se decidir se queria ser pulga ou pipoca.

Pensou e disse que pulga não era porque não tinha viajado e pulga adora pular de mala em mala.

Pensou em pipoca. Bom, pipoca ela gostava. Porém não encontrou uma resposta adequada para a pergunta.

Comprou um enorme saco de pipoca e dividiu com as amigas durante o cinema.

O filme acabou e, na saída, ela ganhou o apelido de pipoca doce.

Finalmente conseguiu algo bom para dizer às amigas.

Disse que era um amor de pessoa, tão doce quanto à pipoca doce e, sendo assim, da próxima vez que fossem ao cinema, quem pagaria a pipoca salgada para o passeio seriam elas.

Todas riram da “pipoquinha”.

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Jovens / Crônica do Cotidiano

Jovens / Crônica do Cotidiano

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Chegou o calor e a gente sai, descontraída, com vontade de conversar e tomar gelado.

Conversando com quem está no lugar, ouvindo as boas conversas e dando risada.

A garota tirou a carteira de motorista, feliz, com vontade de contar ao mundo inteiro que pode dirigir. Agora, sem mais nem menos pergunta o que é melhor: carro ou motocicleta.

_A minha mãe pagou a autoescola para que eu tirasse as duas carteiras juntas e eu posso dirigir automóvel e motocicleta. Passei! Eu não tenho muito dinheiro e se comprar a motocicleta a minha mãe fica à pé. Ela quer que eu compre um veículo para facilitar o meu dia a dia, mas eu não consigo deixá-la à pé.

O espírito maternal se fez presente, dessa vez quem não conseguiu ficar calada fui eu. O local estava com mais ou menos dez pessoas.

_Se você me permitir uma opinião, eu sugiro que você e a sua mãe passem nas concessionárias de veículos e vejam o departamento de carros usados. Temos carros populares com duas portas, com prestações fixas e que desvalorizam menos que os carros de luxo. Não é fácil comprar o primeiro carro e você deve observar a taxa de juros e os custos do financiamento. Um automóvel com dois anos de uso financiado em até trinta e seis vezes pode ser um bom começo. A motocicleta você deixa para depois do automóvel, pois não se compra nada que, mais tarde, possa trazer alguma sensação de culpa.

A ternura com que essa garota me olhou valeu o dia.

_Que ideia boa!

Alguns garotos prestavam atenção na conversa. Para fingirem que o assunto não interessava a eles e que não olhavam para a garota, vieram com conversa fiada, perfeitamente audível:

_Finalmente a empresa despediu a antiga secretária executiva. Ela era aborrecida, sabia toda a agenda nos mínimos detalhes, eficiente demais. A nova, não. A nova secretária executiva é jovem e recém-formada, usa maquiagem, se veste bem, sabe conversar com a gente. Jovens executivos precisam de bom trato. Uma secretária executiva charmosa é muito melhor do que uma eficiente.

Como quem não quer nada, os garotos olhavam para nós e ouviam a nossa conversa.

A garota agradeceu e saiu. Eu agradeci a companhia dela e a conversa e saí também.

O tempo passa, passa, e os garotos continuam amadurecendo depois que as garotas.

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Poema de Querer

Poema de Querer

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Acorda como criança

Que o dia vem e amanhece

Numa nova esperança

Que ao chegar te enternece.

 

Vem sorrindo à confiança,

Vê que o amor não te esquece,

Canta ao dia, brinca e dança,

Que hoje é dia de quem cresce.

 

Na inocência da criança,

Bem querer te acontece;

Leite morno é bonança,

Todo dia é um recomece.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Quando a Vocação é o Defeito

Quando a Vocação é o Defeito

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Normalmente, cada jovem segue a sua vocação em acordo com a vontade e as possibilidades de autorrealização.

Quando se fala em vocação, a maioria das pessoas pensa nos recursos a serem investidos e a área que o jovem gosta.

Mas há situações difíceis.

Certa vez estava em viagem e o jovem não parava de puxar papo. Um garoto de dezesseis anos.

De repente, no meio da conversa, ele desabafou:

_O meu pai é médico, os meus três irmãos são médicos e eu quero ser economista. A senhora sabe como é que eu digo isso a eles?

A pergunta era de um jovem que passaria uma semana com alguns parentes em Curitiba para pensar em como dizer ao pai e à mãe que havia se inscrito para o concurso do vestibular para seguir o curso de economista.

A resposta foi óbvia. Ele teria que contar logo, preferencialmente antes das provas.

_Eu vou me sentir mal.

Sentindo-se bem ou mal, ele teria que contar que prestaria exames para o curso de economia.

_ É errado não gostar de lidar com sangue?

Errado não é, mas tem que contar para a família.

_A senhora sabe o que é ser filho de cardiologista, irmão de neurologista, oncologista e pediatra?

Eu não sei o que é isso, mas ele tinha que contar para a família dele.

Aí me surgiu uma ideia, disse a ele que ele poderia cuidar das contas de algum hospital e não precisava esconder a vocação dele dos outros.

_Tem que ser por aí, pela ideia de trabalhar num hospital, porque eles não gostarão da ideia. Dizem que eu sou o filho caçula e que de tantos mimos, eu não consigo ser médico.

Eu disse a ele que ele não poderia se negar a ter vocação em consequência da vocação dos irmãos. O vestibular seria a carreira dele, o futuro dele e, além disso, cada um tem a sua vocação.

_A senhora sabe o que é se sentir envergonhado por não gostar de lidar com sangue?

Bom, ninguém quer o atendimento de um profissional que não suporte lidar com as obrigações da vida profissional.

_Eu tenho uma semana para ficar em Curitiba. Vou ensaiar essa conversa.

Fique bem.

É um começo. Que fique entre nós, o garoto tinha um problema e tanto.

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Correlativas

Correlativas

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Que venha a vida normal

E algumas expectativas,

Bonita é a vida normal;

Canções significativas.

 

Que venha a rotina igual,

Das flores, das sempre vivas

Escalas ao piano igual,

Em notas e relativas.

 

E que não seja banal

O sonho de suas vidas,

Seguindo o tom magistral

Do amor em correlativas.

sábado, 4 de outubro de 2014

Crescimento Espiritual / Reflexão

Crescimento Espiritual / Reflexão

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Valido o verão das palavras soltas, das vozes altas, do caminho da fé e da meditação, pois no verão que verdadeiramente conheci Jesus Cristo vindo em consequência de Shiva e eu nem lembro por que foi que gostei de Shiva, a deusa hindu.

Não houve verão mais sincero, tudo foi dito à medida do sentimento, tudo foi feito com bem querer, nenhuma palavra escapou aos ouvidos de quem amei e tudo foi dito na grande expressão de liberdade que é o lar e a família.

O tempo passa e o verão se foi. A palestra e a proposição de uma semana boa, inteiramente boa.

De certa forma, a luz se fez. Os ecos do verão vieram ao presente e ainda encontrei o que dizer dos meus olvidos e das minhas intenções. E o disse com a mesma veemência do verão sobre as premissas falsas e dos argumentos que delas surgiram, sem pressa ou ansiedade, mas com vontade.

Disse do engano com uma clareza absolutamente maior que a do verão, dos pensamentos criados pela idolatria que se transformam em nada, tendo em vista que ídolo algum cria alguma filosofia de vida.

Falei ainda do cultivo da beleza espiritual, diferente da beleza da paisagem e da moda, mas que também necessita de cuidados diários.

Contei que o exercício dessa semana não era evitável, estando eu aqui, ou, em qualquer parte do mundo que eu conheça; essa foi uma atividade proposta em várias partes do mundo na mesma semana, oriunda da Índia e, estando em Curitiba, Santa Catarina ou, até mesmo no exterior, o tema seria o mesmo.

A semana está terminando, e verifico as mudanças produzidas na minha alma. O sol brilha aqui dentro e os ecos do verão, que eram luz esmaecida, tomaram forma, dizendo a mim de mim mesma, dos meus acertos e dos meus exageros. E, por acaso, não é exagero uma semana dessas?

No entanto, surgiram definições, surgiram assertividades, reafirmaram-se conceitos através daquilo que até então se chamavam ecos.

De fato, houve um crescimento espiritual com consequências para a vida prática, com vocações a serem exploradas, deixadas nos caminhos percorridos.

Não sei se foi sorte ou necessidade, mas coincidência houve.

Sei que foi uma oportunidade valiosa e espero que algum leitor possa algum dia ter a oportunidade de ter uma semana como a que tive.

Com essa experiência compartilhada, termino a semana.

Um abraço, Yayá.

sexta-feira, 3 de outubro de 2014

A Indireta não Funcionou / Crônica de Supermercado

A Indireta não Funcionou / Crônica de Supermercado.

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Ou quase. Estava com pressa e precisava de um apontador. Perguntei e disseram que na banca de revistas eu encontraria.

Fila na banquinha de revistas? Pouca, mas tinha gente na frente, uma jovem mãe e o seu filho pequeno, comendo balas de pacote pequeno.

A mãe conversava com a atendente e perguntava se as balinhas eram azedas.

A moça disse que as balas eram do tipo “azedinho”.

Enquanto a mãe perguntou sobre as balas, o pequeno comeu todas as balas do pacote de trinta e cinco gramas de bala. Não sobrou nenhuma bala.

Ele ergueu os braços para a mãe e mostrou o pacote vazio. Queria mais.

A mãe disse à atendente que não sabia o que fazer. O filho gostava de alimentos azedos e em casa amava limonada e laranjada. Ele não comia caramelos de jeito nenhum. Ela se preocupava com o gosto do menino.

Ela escolhia outro pacote pequeno de balas e perguntava da acidez de cada marca daquelas balas coloridas, no pacote pequeno e que custavam um real e cinquenta centavos.

Um garoto, que ouvia a conversa, disse para não comprar uma das marcas, porque nem ele, que era grande, suportava o azedinho do limão.

O pequeno ergueu os braços com o pacote vazio e mostrou-o novamente para a mãe.

A mãe disse que não sabia o que fazer.

Ela tornou-se cômica com as moedas de um real e cinquenta centavos nas mãos. O menino nem tinha aprendido todas as palavras e era ele quem mandava. A mãe obedecia ao menino, apaixonada pelo filho.

E eu na fila. Se, dizem que ninguém foge ao destino, de fila, é nem pensar; sem fila o dia não tem graça.

A conversa se estendia entre os quatro: a atendente, a mãe, o menino com o pacote de balas vazio e o garoto, um conhecedor dos pacotes de balas, quando a atendente, diante da indecisão da mãe, sugere:

_Por que a senhora não compra um chicletes para ele para ver se ele muda de gosto?

A mãe, indignada, respondeu:

_Ele é pequeno e não pode comer chicletes. É perigoso! Eu cuido dele e não deixo que ele coma nada que possa fazer mal a ele!

Enquanto a mãe conversava sobre qual dos dois pacotes de bala era menos azedo, a atendente me chamou e, finalmente, comprei o que eu queria.

Vim embora e eles continuaram a conversar, discutindo os pacotes de bala.

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Sal da Vida

Sal da Vida

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O silêncio também passa,

E desfila e forma a pausa;

Diz da cor que não se escassa,

Do perfume feito ao sal.

 

É magia tal, que se enlaça,

Ao meditar. Sua é a causa,

A beleza que ultrapassa

O curar a dor e o mal.

 

Brilha ao sol e desembaça

Todo o olhar da casual

Emoção que descompassa,

E se faz ornamental.

quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Busca

Busca

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Há a busca constante

Na vida da gente,

E, basta um instante,

E nos leva em frente.

 

É a busca radiante,

Segue independente,

Quase alto-falante,

Mas vive na gente.

 

Mosquito pulsante

Da alma que, inocente,

Quase impressionante,

Segue-a, em consequente.

 

A busca é o bastante,

Mas nunca contente;

É a linha distante

Do sonho da gente.