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terça-feira, 30 de setembro de 2014

Sabedoria Popular /Crônica do Cotidiano

Sabedoria Popular / Crônica do Cotidiano.clip_image003
A sabedoria popular tem umas ilações sobre a vida que cabem em qualquer bolso, são divertidas e nos fazem pensar.
Um homem, simples e sem formação acadêmica, comentava sobre o time do Coritiba com um colega, também humilde e sem grandes estudos.
_O técnico pode saber mais do que eu e ter estudado muito, mas não é Deus. Tem time que ganha e time que perde e o resultado do jogo não depende da formação do técnico.
Aquilo soou aos meus ouvidos, deu voltas e se transformou em conhecimento.
O que alguns chamam de imprevisto outros chamam de “vontade de Deus”, mas é fato, o conhecimento não ganha jogo de futebol.
Acredito que ele tenha mágoa dos estudos não feitos, porque a grande maioria dos adultos que não terminaram o ensino básico carrega essa tristeza no peito; aquele homem também.
Mas, esse homem tem a noção e a percepção constante do seu desconhecimento e, mesmo desconhecendo as circunstâncias que o cerca, ele conseguiu ter sabedoria para constituir a família dele.
Com a aliança de casado no dedo anular esquerdo, naquele desconhecimento das coisas, ele conseguiu se virar.
Oculta na frase dita estava à certeza de que quem tudo sabe, ou seja, para ele, Deus, supriu a sua falta de estudo, pois havia conseguido muito na vida, quase tudo, menos que o seu time, o Coritiba, fosse campeão do Campeonato Nacional da primeira divisão.
Assim, mesmo tendo uma imensa coleção de livros, o minuto seguinte é uma surpresa. Na vida de cada um, não importando quem, onde e por que.
Por que é assim? Não sabemos.
Talvez por isso, alguns de nós tenha escolhido serem bons apenas bons.
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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Poema Brando

Poema Brando

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Nem parece que choveu,

Mas deságua em ideias brandas

Em lugar do anoiteceu

A deixar as nuvens brancas.

 

Como um susto, escureceu,

Nesse breu de muitas trancas,

Trovejou e riscou e desceu;

Tantas águas são lembranças.

 

Mas, agora, amanheceu,

Sem pedidos ou cobranças,

Como um sonho se perdeu;

Estão em rios, formam entranças.

domingo, 28 de setembro de 2014

Olhar Impresso

Olhar Impresso

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Uma estrela vaga

Nos confins de um verso;

Numa rima apaga

O que foi disperso.

 

Ao piscar, divaga,

Do girar inverso

Nessa clara plaga,

Luz de mar imerso.

 

Se, cadente é paga,

D’um sorteio ao reverso;

Se pendente, é maga,

D’um olhar impresso.

sábado, 27 de setembro de 2014

Sobre os Problemas que Não se Tem / Reflexão

Sobre os Problemas que Não se Tem

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Conforme me disse uma amiga, às vezes penso demais, leio demais, o que também pode ser um erro.

Num dia de chuva miúda, como o de hoje, segui o conselho da amiga e não li e descansei e nesse descanso, foi impossível não pensar e refletir.

Pensei nas obrigações da semana que se segue e nas compras de supermercado, essenciais.

E veio a ideia dos problemas que não tenho, porque pude deixar as compras para outro dia, porque o supermercado fica lotado de gente durante os finais de semana.

É nos supermercados que se percebe a vida dos outros tanto quanto os outros percebem a minha, como se fosse uma vitrine dos problemas de cada um, ao serem feitas as compras.

Somos iguais e diferentes em nossos problemas, vemos as soluções dos almoços de domingo, que variam de família para família.

Temos problemas diferentes e problemas que, simplesmente, não temos.

Um exemplo bastante simples dos problemas que não temos: nessa hora em que escrevo tem muita gente preparando a sobremesa preferida de alguém. Agora, direcionando o problema ao ponto de vista particular: eu prefiro frutas na sobremesa. O problema da sobremesa não é meu, eu não tenho esse problema.

Mas é um problema que eu posso criar a qualquer momento. Vem à cabeça aquela antiga frase que aconselha a não criar problemas onde eles não existem.

Agora, divagando sobre os novos problemas, qualquer um de nós pode, a qualquer momento, criar problemas para si mesmo de livre e espontânea vontade.

Independentemente dos problemas que aparecem e das decisões a serem tomadas para solucioná-los, por exemplo, de novo, quando uma lâmpada queima e precisa ser trocada e compramos a lâmpada e a trocamos, qualquer um de nós pode inventar motivos para passar horas na cozinha sem necessidade, gerando um cansaço desnecessário e, até mesmo, um desânimo na conversa rotineira com a família.

Eu sei que parece tolice, mas temos que cuidar com os problemas que inventamos, existem outras maneiras de nos resolvermos sem criarmos novos problemas.

O problema novo pode ser gerador de outros problemas.

Mais uma vez, por exemplo: e se ninguém gosta da sobremesa que levou horas para ficar pronta e diz que preferia uma salada de frutas. Dentro de casa as famílias são sinceras e dizem o que pensam e talvez, estrague o durante humor durante o resto do dia não só para quem preparou a sobremesa, mas para quem disse que ela não foi a melhor ideia e se chateou por dizer o que pensou após tanto esmero por parte de quem a preparou.

É um desperdício criar novos problemas, desperdício do bem viver; são problemas evitáveis porque não os temos.

Enquanto escrevo me convenço de não ir ao supermercado lotado, não quero novos problemas.

sexta-feira, 26 de setembro de 2014

Cupido

Cupido

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Não conhece

E, não o esquece,

Sonhador,

 

Não perece

E agradece

A esse amor.

 

Que parece

 

Beija-flor.

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Proposição de Redação: Escreva sobre a Vingança.

Proposição de Redação: Escreva sobre a Vingança.
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Naqueles dias, Suzana foi convidada para estudar em Coimbra, faria a sua especialização com um renomado professor europeu.
A casa dela era a felicidade estampada na janela. A mãe de Suzana, após dezoito anos, estava grávida do segundo filho. O marido conseguiu um posto elevado na empresa onde trabalhava. Todos estavam saudáveis, contando com o bebê que nasceria dali a seis meses.
A felicidade daquela gente discreta não passou despercebida. Quando Suzana largou o emprego para estudar fora, contou do curso na Europa, esperava voltar e evoluir na carreira.
Foi o que bastou. Sem se saber a origem do boato, no dia seguinte a cidade inteira dizia que a aborrecida Suzana iria ter o filho na Europa. Dizia-se e diziam-se, reforçando a mesma história inúmeras vezes, que a mãe dela não estava grávida, ela supostamente dava cobertura à gravidez de Suzana.
A família estava feliz e, não se importaram com os boatos.
Suzana viajou, voltou, a mãe teve o bebê, o pai estava bem de vida e feliz com o crescimento da família.
Contudo, não foi descoberta a origem do boato, que continuava e aborrecia a família inteira. A mãe do bebê era chamada de avó e, a moça que fez o curso na Europa, de mãe solteira que abandona o filho.
Embora o chefe da família fosse abastado, não teve como montar um negócio noutra cidade. O significado de bem de vida numa cidade pequena é diferente do significado de bem de vida numa cidade grande, o custo é outro.
Suzana pendurou o diploma de especialização na parede e gostou do irmão e felicitou a mãe pela gestação bem sucedida.
Qualquer vingança a prejudicaria, envolveria a família inteira, o pai, a mãe e o bebê.
Ela superou a situação esquecendo. Comprou um gato de estimação e plantou flores no jardim. Após alguns anos conseguiu um emprego melhor no meio culto, merecidamente.
O irmão pequeno, ao ver o gato, pediu um cachorro de presente. Ganhou o cachorro.
A mãe deles comenta, em particular, com poucos amigos sobre a estupidez da situação. Ninguém pensou nela.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Alma Sincera

Alma Sincera

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Espera a chuva amainar,

Que a gente se encontra... espera

Alguns minutos; chegar,

É estar-se junto. Quem dera,

 

À chuva nos encontrar,

Sorrir-nos dessa quimera

Molhada e nos abraçar

Por nada, como quem zera,

 

O tempo ao cumprimentar

O novo e, ao novo, pondera,

Que se quer recomeçar,

Mas vem, nessa alma sincera.

terça-feira, 23 de setembro de 2014

A Polêmica na Imprensa

A Polêmica na Imprensa

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Conversamos sobre a imprensa durante a semana próxima passada. O que foi conversado em nada diminui a polêmica, ao contrário, aumenta, porque não se trata da política partidária, também em discussão conforme o momento propicia, mas parece que a imprensa se rebela contra a própria função de informar.

Ninguém quer saber a respeito da vida sexual dos jornalistas, mas eles chegam a induzir comportamentos e julgamentos sobre comportamentos sexuais.

Assisti a entrevista da jornalista Ana Paula Padrão e, ela disse que pratica e muito sexo, como quem come um doce e joga o papel fora. Ela merece o respeito dos telespectadores. O jeito dela pensar sexo é dela e não é imposição para ninguém.

De uns tempos pra cá, a imprensa usa a sexualidade humana para não discutir os assuntos que a população quer discutir, parece cortina de fumaça.

O povo quer qualidade de vida e nos seus aspectos mais simples, ônibus que não se pareça com lata de sardinha, produtos que sejam conforme o que a embalagem promete e a seriedade nas respostas, seja do gerente do supermercado ao gerente do banco, que, aliás, estão de parabéns pelos serviços prestados na exatidão das informações aos clientes.

A imprensa tem um papel importante perante a sociedade, facilitadora das questões práticas da vida de todo cidadão e está deixando a desejar. Repito, não falo em política e nem a polêmica em questão nos últimos dias, que eu não vou citar e quem quiser que a procure nos jornais.

A imprensa, em vários países do mundo, é a mantenedora dos ideais democráticos da informação dos fatos. Na hora em que a imprensa, como detentora das informações, diz que divulga o que interessa, o edifício do quarto poder, balança.

Qual seria o interesse da imprensa em irritar o leitor e o telespectador com a massiva propaganda de temas que a grande maioria da população conhece e respeita? O racismo é crime há anos e a homossexualidade é respeitada desde que o mundo é mundo.

Gostei da propaganda do jornal O Globo, acessado sábado passado, que propõe a contratação de pessoal elegante, apesar de medíocre. A mediocridade pode ser elegante.

Se a televisão é para o povo em geral, o jornal é para quem tem um nível de instrução.

Outra questão cansativa é o da religiosidade. Digo em causa própria, eu me converti e não intimidamos ninguém para que se convertam. Compartilhamos com quem queira nos ouvir. Quanto material religioso eu recebo através da mídia profissional? O material chega a ser exaustivo!

Já ouviram falar de imprensa paralela? Eu a presencio. Lê-se a notícia, dispensam-se os comentadores e chega-se a uma conclusão. A notícia de letra fria é a quente, porque a indução ao raciocínio anda tratando o leitor como se ele fosse incapaz de pensar por si mesmo. É como se fosse errado pensar diferente do comentador numa imposição de opinião pseudo-oficial.

Há muito a se melhorar no país, passando pela vida pública, mas também passando pela vida privada.

O fato é que O Grande Irmão, descrito por Orwell, que supunha um olhar de uma câmera fotográfica vigiando todos os cidadãos, apresenta-se em fracasso, rejeitado desde já pela parte instruída da população.

Para uma noção exata da situação, enquanto a imprensa discute a sexualidade do cidadão, o cidadão discute a quantidade imensa de imigrantes no Brasil, acontecida nos últimos anos, em consequência das guerras civis no continente africano e das fugas recorrentes de países com a China. O mundo tem as suas tensões e as pessoas se deslocam em busca de uma vida melhor.

Em que situação econômica social encontrará o próximo governante? As garantias e as legitimidades que a democracia impõe no Brasil em contraponto aos governos desestabilizados na América Latina, que precisam se manter porque a missão do Brasil é equilibrar as tensões latino-americanas dentro do cumprimento da nossa Constituição Federal, que, por incrível que pareça, é divulgada e apreciada por diversas camadas da sociedade.

A imprensa paralela está aí e as discussões estão acontecendo e o olho de Orwell está fracassando, pelo menos perante a democracia.

Pergunto: Como é que fica a missão da imprensa de integrar as diversas culturas do país? As culturas regionais estão preservadas e arraigadas nas diversas populações e regiões. Cabe às emissoras de televisão o intercâmbio dessas culturas regionais pela apresentação cultural e artística, numa troca de valores e conhecimento úteis para a sociabilidade dentro da harmonia social.

Temos assuntos e mais assuntos para discutir. Algo está errado e a propaganda do jornal O Globo me alertou. A mediocridade não é parâmetro de bem estar, que seja ao menos elegante.

Nesse texto fiz o melhor que pude, contei o que acontece logo ali, do outro lado da janela, nas ruas.

segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Design de Produtos

Design de Produtos

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Não é exatamente reclamação, é constatação de dona de casa.

Os projetistas de novos produtos capricham no desenho, os eletrodomésticos têm e cumprem rigorosamente com a garantia dos seus produtos, mas a dificuldade continua.

Os liquidificadores com filtro não trituram os alimentos e, quem não compra aquele liquidificador sem filtros, não consegue elaborar um mingau sem que os pedaços das frutas fiquem em pedaços não triturados.

Temos eletrodomésticos tão lindos que, às vezes, podem servir para a decoração da sala de estar. Não funcionam mesmo! Sem contar com o defeito de fabricação, cujo fabricante arruma prontamente, o eletrodoméstico não faz aquilo a que se propõe. Mas são lindos, não tenho dúvida.

Quem ler pensou na possibilidade de troca. O liquidificado com filtro da outra marca é exatamente igual, deixa pedaços de fruta no mingau.

Ah! Mas, e o processador de alimentos? No dia em que o processador de alimentos substituir o liquidificador, não mais se comprará liquidificadores. Quem cozinha sabe que quanto mais utensílios se usam para a preparação do prato, mais louças serão lavadas; é matemática rasa. Eletrodomésticos não são lavados em nenhuma lavadora de louças.

Outra questão comum é a falta da metragem suficiente nos fios dos eletrodomésticos. O produto é bom, barato, você testa ele na sua casa e ele funciona perfeitamente e em acordo com a finalidade para o qual foi comprado. Um metro de fio. Se o produto é bom, barato e cumpre com o prometido na embalagem, é preciso comprar a extensão.

O projetista de eletrodoméstico deveria usar o produto antes de oferecê-lo ao fabricante para a produção em grande escala.

Os fabricantes, por seu lado, poderiam verificar a funcionalidade do produto antes de o fabricarem.

Por quê? Porque os eletrodomésticos tomam espaço nos ambientes em que ficam guardados.

A grande maioria dos consumidores pode comprar uma batedeira, um liquidificador e um processador de alimentos. Essa grande maioria tem duas batedeiras e três liquidificadores; apenas um homogeneíza o mingau.

O pior, ou melhor, dependendo da situação, é que o preço não determina a qualidade do produto.

Penso que a melhor propaganda para o eletrodoméstico é a sua funcionalidade, e deveria constar da embalagem do produto.

Mudemos de assunto: onde se viu uma vassoura elétrica que pesa em torno de dez quilos e, se cair, quebra o piso da cozinha ou, um aspirador de pó excelente, com um fio de um metro e meio?

Precisamos de especificações técnicas e controle de qualidade atuante. Pelo menos as crianças abaixo de três anos estão seguras, pois além de não usarem os eletrodomésticos, as embalagens advertem para serem mantidas longe delas.

Alguém limpa a casa, não interessa quem, mas a qualidade caiu. É preciso alertar, porque temos tecnologia para a produção de bons eletrodomésticos, as televisões são de qualidade superior e, quase ninguém pensa em comprar uma televisão importada.

Afinal, é o espaço da casa do consumidor, o tempo do consumidor, a paciência de quem limpa a casa.

O assunto não é agradável, mas tem que ser comentado, e hoje é segunda-feira, e mãos à obra.

Para encerrar, conto uma história curiosa.

Certa vez, eu observei à senhora que limpava a casa, de joelhos, com uma escova sobre o tapete.

Eu vi a cena e a perguntei, quase que sem saber o que dizer:

_Temos aspirador de pó, por acaso ele está quebrado?

A resposta é de causar a indignação de qualquer consumidor:

_Eu passei o aspirador de pó, mas eu preciso da escova porque ele não suga fiapos. Eu passei o aspirador de pó, um pano e agora, para deixar o seu tapete novo, a escova.

O aspirador de pó não sugava fiapos.

domingo, 21 de setembro de 2014

Fase Espiritual / Aprimorando a Oração

Fase Espiritual / Oração

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A vida apresenta as suas dificuldades. No que tange às dificuldades espirituais, ficam complexas com o passar dos anos e chegam a desafiar o conhecimento adquirido.

Todas as respostas estão no livro, mas sabê-las utilizar depende da inspiração do Santo Espírito a quem as necessita, pois o entendimento do Santo Espírito é pleno.

O difícil é não julgar e agir conforme o que está escrito e a consequente inspiração ao momento da leitura.

Não julgar, não torcer e não ser tendencioso é um desafio e tanto para quem escreve ou conversa, pois os juízos de valores são intrínsecos ao ser. Dessa necessidade vem à oração:

_Capacita-me, Senhor. O desafio é imenso, aprimorar o espírito e, a realização do desafio é a minha alegria de servir ao próximo.

Todo conhecimento e estudo são pouco diante das necessidades da vida e, para as atividades rotineiras, geralmente bastam.

Agora, quando o conhecimento é teológico e tem por objetivo a satisfação de todos os participantes, precisamos do Santo Espírito para nos inspirar.

Os dons espirituais são: sabedoria, conhecimento ou ciência, fé, dom de curar, dom das maravilhas, a profecia, o discernimento, as línguas, a interpretação, o serviço, a misericórdia, o governo e a exortação.

Os talentos são aptidões naturais, podendo ser usados ou não pelo Espírito Santo, de acordo com a Sua vontade.

A oração é a intimidade da alma de cada um com Deus, para que os talentos naturais e os dons espirituais permaneçam em harmonia e contribuam para o desígnio destinado a nós por Deus.

Em nossas diferenças, a nossa comunhão.

Somente Deus para entender essa fase, mas, é bom dividir com vocês esses ensinamentos.

sábado, 20 de setembro de 2014

E Ninguém Foi Roubado

E Ninguém Foi Roubado

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Era uma vez três conhecidos: o demolidor, o reciclador e o produtor.

O demolidor possuía em suas terras um antigo castelo, ainda em boas condições e, rico como estava, decidiu por demolir o castelo, comprar material importado e construir outro.

O reciclador e o produtor questionaram a decisão, mas não houve solução, era da natureza dele desconstruir.

O demolidor era o dono e tinha o direito de fazer o que quisesse dentro da propriedade dele.

O produtor perguntou ao reciclador se ele iria recolher o material jogado fora para reciclá-lo.

O reciclador disse que tinha interesse na sucata final, mas que não iria ajudá-lo a recolher e guardar o material reutilizável. O material reutilizável não deveria ser reciclado enquanto não fosse sucata; o custo não compensaria.

O produtor pensou bem, alugou um terreno baldio ao lado da demolição e colocou uma placa:

“Aceito Doação de Material Reutilizável”

O demolidor ficou entusiasmado com a placa. Agora ele teria onde deixar todo o material que ainda não era reciclável, feliz por saber que alguém aproveitaria o que, para ele, não tinha o mínimo sentido de preservar. Demoliu com cuidado e, aos poucos, depositou no terreno do produtor.

O produtor, mesmo achando absurda a decisão do demolidor, tinha por hábito não interferir nas decisões alheias, mas, mesmo assim, perguntou ao reciclador se ele queria ver o material que estava no terreno dele.

O reciclador disse que não tinha o menor interesse naquele material. Os negócios exigiam objetividade e ele aguardava a sucata, que daria lucro e sobre a qual tinha anos de especialização no mercado. Reafirmou que o material reutilizável para ele significaria prejuízo.

O produtor decidiu reutilizar o material, construindo o castelo que fora destruído no terreno do outro, dentro do terreno dele.

Enquanto um demolia, o outro construía o mesmo castelo, mas toda a sucata continuou indo para o reciclador.

Quando a demolição terminou, o demolidor observou que o castelo que ele jogou fora estava no terreno do vizinho.

O reciclador se sentiu roubado, porque a sucata era a especialidade dele.

O produtor perguntou se ele teve algum prejuízo com a sucata. Ele respondeu que não, ao contrário, havia lucrado e muito com a imensa quantidade de sucata gerada pelo projeto do demolidor.

O demolidor se sentiu enganado e foi falar ao produtor.

O produtor diz ao demolidor se, ele sentiu algum arrependimento em se desfazer daquela construção.

O demolidor disse que não e afirmou que o que o contrariou foi perceber que a construção estava em pé, embora demolida.

O produtor perguntou se o projeto de arquitetura moderna estava em desenvolvimento.

_Está sim! Construirei uma mansão onde havia o castelo que hoje está no seu terreno.

O demolidor e o reciclador reclamaram que não sabiam do projeto.

O produtor disse que não havia projeto até o dia em que as plantas arquitetônicas do castelo vieram parar no seu terreno, junto com os materiais reutilizáveis. Naquele momento ele se lembrou do dia em que disse que era triste verificar a insignificância que o material adquire depois que perde a forma original. O produtor lembrou, sentiu, pensou e reconstruiu à sua maneira.

Ninguém foi roubado, mas estão sem humores de uns para com os outros…

Nesse caso, enfim e ponto final.

sexta-feira, 19 de setembro de 2014

A Delicadeza em Valsa










Compartilhando a valsa...











O Tutor

O Tutor

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Eram dois amigos muito íntimos, um deles, viúvo e doente.

Sabendo da doença do amigo viúvo que tinha uma única filha, Fernão perguntou ao amigo se ele gostaria que ele, Ernani, cuidasse da moça.

Ernani disse que sim. Era homem rico e gostaria que o dinheiro fosse entregue à filha somente depois da sua maioridade. Era muito dinheiro para deixar sob a responsabilidade da jovem de dezesseis anos.

Fernão também era dono de muitos negócios e compreendia a preocupação do amigo.

Chegou o momento final e Ernani faleceu,

Fernão comunicou à Noêmia a vontade do seu pai Ernani. Disse que nada faltaria na sua vida de jovem.

Noêmia foi para casa, e pôs-se a imaginar como seria o seu futuro, sem saber ao certo o que aconteceria dali em diante.

Passam-se algumas semanas e, estando ela com a empregada Deolinda, a encarregada de auxiliá-la contratada por seu pai, bate à porta Fernão.

Fernão, disposto e atencioso, chegava com a psicóloga. Contou à Noêmia da sua habilidade com os jovens e disse que através de alguns estudos sobre a vida da jovem, ela precisava falar-lhe.

Noêmia não sabia o que dizer. Deolinda foi providenciar um suco de frutas para servir as visitas.

Depois das apresentações, a psicóloga contou da análise comportamental feita e da observação do problema observado.

_Noêmia, você é uma jovem normal e não há muito com o que se preocupar. Porém você tem uma sinapse negativa e é a minha obrigação profissional alertá-la. Conforme todos sabem, você foi uma criança feia. Embora você mesma não tenha conversado sobre isso, é importante observar que essa realidade a faz se sentir insegura. Você tem que lidar com isso, se bem, que pelo o que observo, o problema foi resolvido.

Deolinda chegou da cozinha com suco de frutas para todos. Disse ao Sr. Fernão que agradecia em nome da Noêmia todo o trabalho de contratar uma psicóloga para analisar a menina. Perguntou a psicóloga em que ela mesma poderia ajudar a garota.

A psicóloga deu o cartão de visitas e disse, que em caso de dúvidas a procurasse no consultório.

Deolinda agradeceu muito e disse que a menina não dava trabalho ou preocupação, mas caso fosse necessário iria procurá-la. Seria bom ter com quem contar.

O tutor, homem de negócios, viajava constantemente. A psicóloga era a encarregada de tomar as providências para que a garota crescesse saudável.

Deolinda assumiu a garota como se fosse da sua família e disse à Noêmia que deixasse a psicóloga por conta dela.

Numa tarde, Noêmia volta para casa chorando, o seu namorado havia levado uma surra de alguns homens mal encarados.

Deolinda abraçou a menina e disse:

_Presta atenção, Noêmia. Eu sou pobre. Eu não posso evitar o que acontece, mas eu posso te contar quem faz. É gente que não tem dó no coração. Eu sei que a surra foi mandada porque vieram dois moços bem arrumados, filhos da psicóloga e queriam saber se você andava espichando os olhos para algum moço na cidade. Eu disse que não sabia. Quem conversa com a psicóloga sou eu, você não merece ser tratada como salário de psicóloga.

Noêmia entendeu a situação na qual se encontrava. Estava num mato sem cachorro e a Deolinda era a pessoa certa para ter com quem contar.

Passou-se mais algum tempo. Chegaram três homens. Eram da imobiliária. Queriam avaliar o imóvel.

Noêmia estava em casa e disse que o imóvel não estava à venda.

_A moça pode mudar de ideia. Quem sabe se conversarmos daqui a alguns anos a moça não perceba que existem lugares melhores para uma criança bem nascida.

Noêmia treme. De repente, o pai dela não era bem relacionado, aquele tutor começava a desagradá-la.

Deolinda chegou, estava em casa e tinha ouvido a conversa.

_Noêmia, deixe-me conversar com eles da próxima vez. Você não sabe lidar com isso.

Enquanto a garota foi para a escola, os homens da imobiliária chegaram a casa. Disseram que vieram fazer a avaliação para a venda da residência. O Sr. Fernão tinha planos para transferir a menina de escola e de lugar.

Deolinda, calma, conversou com os homens e explicou a situação:

_O Sr. Fernão é muito atencioso, mas ele se esquece de que deverá entregar à Noêmia tudo o que o pai dela deixou. Ele terá que entregar essa casa também para que ela decida o que fazer. Agora ela tem idade ou juízo para pensar nisso. Ela gosta daqui, das lembranças da mãe e do pai dela, do jardim todo plantado com margaridas, seria malvadeza com a menina. Os senhores podem deixar por minha conta. Eu converso com o Sr. Fernão quando ele vier aqui trazer o dinheiro da escola.

Diante da resposta, os homens da imobiliária foram embora, profundamente irritados com a negativa da empregada, que mesmo recebendo a oferta de recompensa, não permitiu que a avaliação fosse feita.

A amizade de Deolinda e Noêmia era tão perfeita que as duas desconfiaram da situação.

Noêmia pediu para que Deolinda ligasse para a psicóloga e perguntasse se ela ou o Sr. Fernão não fariam mais nenhuma entrevista dela com a psicóloga.

A psicóloga disse que estava tudo bem e que não havia necessidade.

Noêmia folgou com a notícia. Deolinda não. Perguntou para as conhecidas se alguma delas conhecia a empregada da casa do Sr, Fernão. Uma delas conhecia.

_Eu acho estranho que o Sr. Fernão não convide a menina para passar uns dias com ele. Ele tem família e se, ele quer que ela tenha bons relacionamentos, seria bom para a Noêmia fazer novas amizades.

A empregada do Sr. Fernão pediu para que Deolinda não tocasse no assunto.

_A menina é boa e não dá trabalho a ninguém, ela não incomoda. A família dele vê essa situação com maus olhos. Ah, desculpe te dizer, mas você é simples como eu e entenderá o que eu digo. É uma garota criada por empregada. Ela é que não é boa companhia para a família dele. Depois ele quer cuidar da situação, não quer se envolver com essa situação. Eles pensam diferente da gente. A gente tem que entender que a vida deles é outra.

Deolinda, com muita delicadeza, chamou a garota para contar o motivo porque aceitaram que ela lidasse com a psicóloga.

_Eu penso que hoje amadureço Deolinda. Com essas nossas dificuldades, estou aprendendo a lidar com a vida. Sou só e a situação proporciona tal liberdade para pensar, então, por que não aproveitarmos para planejar o futuro da maneira que pudermos. As propriedades são minhas e o tutor é transitório. De hoje em diante, apenas o futuro nos interessa.

Deolinda concordou.

Com a vida cheia de planos, Deolinda se descuidou das tantas satisfações que dava à psicóloga. Atendia os passeios de Noêmia, que ela mesma cuidava de não dar na vista de Fernão; estavam felizes.

Fernão coçava a barba. Os seus planos de venda da casa não deram certo. Ninguém reclamava de nada. Estava na hora de saber como as coisas andavam pelos lados da casa do amigo. Pensou muito e conseguiu um plano.

Chegou à casa de Noêmia e disse que gostaria que Deolinda fosse trabalhar para ele.

Noêmia, embora educada nos últimos tempos por Deolinda, conservava alguns hábitos da educação anterior, conselhos recebidos da mãe e do pai enquanto vivos.

_Eu sinto muito Sr. Fernão. Estou com dezenove anos e não permitirei que o senhor tire a empregada da minha casa.

Noêmia falou do jeito que Deolinda desaconselhava. Ela era a empregada e a Noêmia acabava de agir como se ela fosse a sua mãe.

O Sr. Fernão riu-se da infantilidade da moça.

_Ela irá trabalhar na minha casa enquanto você estiver viajando. Uma moça fina precisa viajar e é minha obrigação zelar por você.

Deolinda concordou com ele.

_Certamente, Sr. Fernão. Eu fico imensamente que a menina conheça outros lugares. O senhor pretende que ela fique quanto tempo fora?

Fernão teve que responder enquanto calculava o quanto poderia disponibilizar para que a moça viajasse.

_Quinze dias!

Deolinda sorriu e abraçou Noêmia.

_Parabéns, querida.

Noêmia viajou e se deslumbrou com as paisagens jamais vistas.

Na volta da viagem, chegou a sua casa para abraçar Deolinda, mas ela ainda trabalhava na casa de Fernão.

_Sr. Fernão, o senhor poderia mandar a Deolinda de volta para casa? Eu trouxe roupas sujas na bagagem e preciso de alguém para me ajudar.

Fernão disse que gostou muito do jeito da Deolinda e que ela ficaria mais alguns dias com ele.

Noêmia lembrou-se da educação recebida pelos pais e da educação recebida através da Deolinda.

_Sr. Fernão, o senhor foi muito gentil ao me proporcionar tão encantadora viagem, mas eu preciso de ajuda. Estou com muitas fotos e as quero guardar em álbuns. Tenho as malas a desfazer. Tenho a escola na segunda-feira. Eu peço com toda a humildade de quem está agradecida para que o senhor permita que ela volte agora mesmo para me ajudar.

Naquele momento, Fernão sentiu-se orgulhoso da viagem que proporcionou para a filha do amigo, órfã da sorte. Deolinda havia trabalhado bem e mostrou-se boa pessoa. Permitiu que a empregada voltasse para perto da sua tutelada.

Noêmia contou todos os detalhes da viagem para Deolinda, que não entendia muito bem, mas sabia que o contar era sinônimo de querer bem e a ouvia com muito carinho.

Assim, os planos para o futuro recomeçaram ambas sabedoras que planos existem para serem modificados de acordo com as circunstâncias e as necessidades.

quinta-feira, 18 de setembro de 2014

Categoria Sênior / Arte

Categoria Sênior

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Nós não precisamos de políticas para a inclusão da categoria sênior, adultos com mais de quarenta anos, nas artes. A política não será eficaz se a mentalidade da população não estiver predisposta a aceitar a arte como parte integrante da vida social.

Na cidade onde moro, temos um problema social, que é considerar como inadequada a participação da manifestação artística oriunda de adultos. Aos adultos cabe única e exclusivamente a prática de esportes, numa mentalidade provinciana e colonial, que exclui da boa diversão muitas pessoas capacitadas para esse tipo de sociabilidade intercultural.

Temos espaços e ambientes, lutamos para a modificação dessa mentalidade, mas encontramos outras dificuldades.

Numa cidade de sociabilidade escassa, onde os nossos queridos animaizinhos de estimação são os responsáveis pelos diálogos entre os vizinhos e o esporte é tido como a melhor maneira de se encontrar com os conhecidos e amigos, tem-se uma necessidade premente da arte e das suas manifestações, vista com descaso por grande parte da população.

O improviso não é a melhor maneira de se criar a ideia de que a arte não é a maneira ridícula do ser, mentalidade essa arraigada e de discutível conformidade.

De nada adianta a disposição de mostrar o valor da arte em toda e qualquer idade, se não for expressamente dita à intenção por parte de quem pretende chamar a atenção da comunidade para a importância dessa manifestação para toda a sociedade.

A comunicação é um fator complicador dessas atividades. As mostras não competitivas de função artística transformam-se em atividades inadequadas pela falta da comunicação correta ao público alvo, ou seja, os maiores de quarenta anos.

A arte é fator de desenvolvimento social e cultural, muito além do que se possa imaginar. O pior é se observar, que a falta dela, acultura a civilidade de uma cidade considerada próspera, como a que moro, Curitiba.

Numa cidade com aproximadamente um milhão de habitantes, contamos com as apresentações municipais, que é ainda pequena, geralmente num teatro para duzentas pessoas. Esses são números que representam a pobreza da participação artística da população, também um reforço para a manutenção da mentalidade tacanha acima citada.

A cultura não tem dono, é de todos; exclui fronteiras e abre as portas do conhecimento.

Continuaremos a chamar atenção dos adultos para os problemas da falta de civilidade. Continuamos participando das manifestações culturais, enfrentando os problemas graves da comunicação da arte como fator positivo, da manifestação artística como a expressão do ser social, não necessariamente em prol da comunidade, mas em prol do bem estar pessoal na convivência social num diálogo entre os diversos grupos dessa pirâmide numa convivência harmoniosa.

A falta da manifestação artística do ser é fator gerador de violência, da agressividade inculta, do aculturamento da sociedade.

A arte é necessidade intrínseca do ser humano e a sua manifestação é a realização das expressões contidas dentro ao espírito criador que todo ser possui.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Paradoxo

Paradoxo

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Fazer o bem;

Ao bem provém

O agradecer.

 

Não sabe a quem;

Ao amor convém

Não se saber.

 

A luz, porém,

 

Sabe-o, ao acender.

terça-feira, 16 de setembro de 2014

Bronca do Dentista

Bronca do Dentista / Crônica de Supermercado

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Dessa vez não vi nada para a crônica. Supermercado sem filas.

Peço os pães.

O senhor de cabelos branco me diz bom dia.

_De onde eu a conheço, senhora?

Ele descobriu quem eu era.

_Eu sou aquela moça, filha daquele casal que frequentou o seu consultório.

_E?

Eu respondi com um sorriso sem graça.

_O senhor também tratou dos meus dentes nos idos dos anos... Longevidade não se detalha.

Enquanto eu ficava sem graça, ele me observava.

E eu sem assunto, não conseguia balbuciar nada. Repetia o que sabia:

_O senhor mantém o consultório? Que bom!

Os dentistas são parecidos com os médicos.

Ele me olhou e disse:

_Você está com saúde. Eu fiquei contente de revê-la.

Eu sei o que ele quis dizer. Não foi sobre os dentes.

Mostrou-me a pinta no rosto. Dele.

Está bem. Não farei tratamento estético.

Uma bronca carinhosa, mas me deixou contente.

Um dia chego lá e, se puder, com a disposição dele.

segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Enobrecimento

Enobrecimento

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O silvar do vento

Que à janela desperta,

É o passar do lamento.

 

Todo esse sentimento,

Recupera e liberta

De algum quebrantamento.

 

Faz-se enobrecimento,

 

E, ao silêncio, se oferta.

A cada dia a sua música: parafraseando Alguém famoso...

domingo, 14 de setembro de 2014

Parte d’Arte

Parte d’Arte

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Procuro não mentir,

Não que seja por vaidade;

Sou menos que o fingir.

 

Talvez, não p’ra afligir,

Alguma boa vontade,

Ou, modo de seguir...

 

Mas, tenho que assumir,

 

Que não sei a outra metade.

sábado, 13 de setembro de 2014

Cadê Ana Tereza?

Cadê Ana Tereza?

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Batem à porta. É o juiz da comarca junto com o promotor de justiça, acompanhados do cartorário que chegam ao povoado do distrito.

Atende a porta uma mulher elegante, mas d’uma elegância diferenciada, com gestos diferentes daqueles da região.

_Por gentileza, a dona Ana Tereza se encontra?

A mulher, pausadamente, responde:

_Ana Tereza sou eu. O que desejam, prezados senhores?

_Exatamente conforme nos descreveram, disse o promotor ao juiz. O cartorário controla as lágrimas.

_Entrem, por favor, vamos conversar, disse Ana Tereza.

Eles, o promotor, o juiz e o cartorário, entram e aceitam o convite para sentarem-se ao sofá.

O promotor, costumeiramente eloquente, pergunta como foi que os fatos se deram.

Ana Tereza sorri, como que aliviada por se importarem com o assunto.

_Não tive oportunidade sequer de pensar, foi questão de sobreviver. Como uma lebre que foge em dia de caça, fugi. Não havia enfrentamento possível. Eram muitos e ferozes.

O juiz interveio, dizendo que se foi assim, ela estava bem.

O cartorário advertiu que estava bem, mas que não restava sombra do que ela havia sido anteriormente. Ele a conhecia há muitos anos e, agora, nem mesmo os gestos eram semelhantes aos de outrora.

_Senhor cartorário, como disse a pouco, não houve tempo para pensar. Houve gente que chorou a minha morte no momento em que percebeu a situação, não quero dizer quem, pois bem sabe o senhor com quem tenho convivência. Quando choraram a minha morte e eu me percebi viva, fato que a minha artrose lembra diariamente, o meu instinto aguçou-se e, me salvou.

O juiz a felicitou enquanto que o promotor cochichou ao cartorário que havia um problema.

Ana Tereza observa o promotor e o cartorário e olha para o juiz, surpresa:

_Senhores, eu estou bem. Refiz-me quase que por inteiro, até mesmo sinto-me renovada; não há por que se preocuparem.

O juiz pede ao promotor que se cale por alguns momentos, e diz que ele mesmo contará da situação.

Ana Tereza observa com curiosidade a situação enquanto que o cartorário se comove.

O juiz, com o tom de voz calmo, paciente e, também de olhar benevolente dirige-se à Ana Tereza.

_Dona Ana Tereza, eu compreendo que a senhora se saiu bem e folgo em saber do seu bem estar. No entanto, nós temos um problema legal. As situações de risco devem ser noticiadas à justiça e não houve notificação de parte nenhuma. As polícias civil, militar e judiciária não foram notificadas da situação de risco. Houve a ilegalidade.

Ana Tereza se preocupou com a direção da conversa e disse que estava à disposição deles para qualquer esclarecimento.

O promotor riu-se de tal desconhecimento da legislação por parte de Ana Tereza.

O juiz também esboçou um sorriso, mais discreto, quase disfarçado.

O cartorário olhou para Ana Tereza com bem querer e disse:

_Antes não fosse necessário estarmos aqui.

Ana Tereza, polidamente, pediu a eles que explicassem a ela a situação, porque era de fato leiga e precisava entender o que se passava.

O juiz disse:

_A senhora, agora, está sob a proteção da justiça.

O promotor complementou:

_A situação de risco não notificada às autoridades precisa de esclarecimentos. A justiça tomou conhecimento tardiamente, fato que fica fora dos padrões do sistema e não podemos fingir que ninguém soube de nada, sabemos que não é verdade. Temos as nossas obrigações a cumprir, mas a senhora esteja tranquila, viemos aqui para informá-la da situação.

O cartorário, com a postura de amigo, a abraçou e a felicitou por se encontrar bem.

O promotor levanta-se e diz:

_Não se preocupe mais senhora. Com ou sem o nome de Ana Tereza, haverá a prossecução necessária.

O juiz acrescentou, ao se despedir:

_Aprecio o seu comportamento senhora.

Ana Tereza agradeceu a visita, não sabe o que dizer diante de tal consideração e respeito.

Seguem pelas ruas os homens, quando o juiz e o promotor reparam a emoção do cartorário.

O promotor pergunta ao cartorário o motivo de tal comoção, visto que está tudo conforme precisa estar e, afinal, Ana Tereza não terá nenhum prejuízo ou desgosto, chega a indicar que o cartorário se excede na emoção.

O cartorário não mais se contém e chora a morte de Terezinha:

_Vocês sabem quem, ou, como, era a Terezinha? Sabem da diferença entre a amiga Terezinha e a amiga Ana Tereza? A situação não tem volta, ela é outra!

O juiz responde que tudo será esclarecido e o promotor ergue a cabeça, resoluto.

Ninguém disse mais nada.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

A Menina e a Bruxa

A Menina e a Bruxa

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Anoitece e é hora do jantar.

A mãe de Clara pede a ela que arrume os seus brinquedos e venha jantar. Clara dorme cedo para acordar cedo e crescer com saúde.

Clara coloca a corneta na gaveta, o urso na prateleira e as bonecas sobre a cômoda, sentadas, penteadas e bonitas.

Janta e, na hora de deitar, pede à mãe que lhe conte uma história.

A mãe senta-se à beirada da cama, acaricia os cabelos de Clara e imagina uma história com os brinquedos da menina.

Olha para a corneta e não quer nenhuma história que possa fazer com que a menina tenha vontade de se levantar, a corneta tiraria a sua noite de sono.

Olha para o urso e pergunta à filha o que ela acha de inventarem uma história sobre o urso.

A menina, influenciada pela televisão, diz à mãe:

_Vamos deixar o “Zé Colmeia” quieto, senão vem o “Catatau” para ajudá-lo na bagunça. O quarto está arrumado, mãe. Vamos deixar o “Zé Colmeia” quieto.

A mãe, pergunta sobre as bonecas.

_Vamos contar uma história com as bonecas?

A menina responde que as bonecas que têm são boas meninas e está na hora delas dormirem. Ela não quer que as bonecas durmam tarde.

A mãe diz à filha, que se ela não escolher uma história, não terá história antes de dormir naquela noite.

Clara arregala os olhos e diz:

_Tem sim, mãe. A história da bruxa. Ela mora na floresta, no meio do mato, junto com os morcegos e as lagartas.

Clara, me conte da bruxa, diz a mãe.

_Ela é má, mas não come crianças. Ela coloca as lagartas para assustá-las. Ela solta o louco do hospício e o deixa na rua para que todos tenham o que temer. Ela manda recado por email na hora do desenho animado. Ela manda o sorveteiro passar na frente de casa quando a gente está com dor de garganta.

A mãe emenda a história, dizendo:

_Pule as lagartas, não saia longe sozinha porque você é pequena, não veja os emails durante o desenho animado e não tome sorvete quando não puder tomar sorvete.

Clara olha para a mãe e diz:

_Está vendo como a bruxa é má. Fui falar dela e a história da hora de dormir perdeu o encanto.

A mãe diz à filha que bruxas não existem.

Clara diz que está com sono, é hora de dormir e que ela não vai estragar a história do dia seguinte por causa de nenhuma bruxa.

_Amanhã você conta uma história para mim?

A mãe diz que sim. Beija a filha, apaga a luz do quarto e diz à filha que se ela quiser um copo de água, ou, precisar dela, basta chamar.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Arte e Espiritualidade: Por que não?





Uma apresentação genial, descoberta no site Who Say, que compartilho com vocês.



Um excelente dia! Um abraço, Yayá.

Madeleine

Madeleine

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Ninguém conheceu Madeleine tanto quanto eu. A espiritualidade não é vista, senão em casos especiais.

O marido e os filhos entendem a espiritualidade da amizade sem que a descrevam, não por desconhecimento das letras, mas por não haverem palavras que a descrevam.

_Não me diga nada. Vou passar um café para você.

Eu peguei as xícaras e os pires.

_Sente-se comigo e tomemos juntas.

Sentamos à mesa da cozinha e tomamos o café sem muito conversar.

Olhávamos-nos e elogiávamos a marca do café.

Mais nada.

Outro dia ela contou à mãe dela aquele dia do café. Da paz infinita que se espalhou pela cozinha.

Enquanto o mundo inteiro, ao ler, pensa em drogas, sexo, finanças, nós usufruímos de uma amizade infinita e invisível.

Madeleine, fica com Deus. Se a ortografia está incorreta, não nos interessa porque a expressão utilizada não altera o momento da infinitude do ser.

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

O Retrato

O Retrato

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No corredor de entrada do apartamento há um retrato na parede. Todas as visitas, ao se depararem com o retrato perguntam de quem se trata, quem é que fora retratada.

O retrato é de uma mulher bela e bem vestida, com detalhes de expressão fisionômica exatos, até mesmo o carmim cuidadosamente espalhado nas maçãs do rosto mostra perfeição.

O retrato é de uma antepassada dos proprietários do apartamento.

Quando perguntados sobre o retratista, ninguém o sabe responder. A única referência disponível é uma assinatura no canto inferior, próxima à moldura, ilegível.

Sobre a mulher retratada, igualmente nada sabem os donos do quadro. Sabem que é uma antepassada da família e que o retrato possui qualidades indiscutíveis, pois está nas paredes desde há duzentos anos, passando de geração em geração, de casa em casa, até que entrou naquele apartamento para enfeitar o corredor de entrada do apartamento.

O que se sabe, deduz-se através do figurino fino e da gola alta de organza transparente e do olhar em direção ao horizonte com certa confiança.

Sabe-se, que na época em que fora retratada, as mulheres eram discretas e pouco falavam em público, mas o retrato conta dela, das posses, dos costumes e da vontade determinada de contar de si, através do retrato, para as gerações subsequentes. Provavelmente havia sido uma mulher de espírito forte e resoluto e soube lidar com as funções de mãe de família sem desperdiçar a sua vontade de dizer de si mesma.

Interessante, é observar, que, desde que a fotografia foi criada, todos os familiares da mulher retratada, obtiveram os seus momentos fotografados e as suas lembranças e experiências de vida devidamente guardadas para a posteridade.

Ela, não. Aquela mulher era de um tempo anterior ao da fotografia e, no entanto, ninguém sabe dizer como se chegou ao retrato ou porque ela havia sido retratada.

Aquele retrato estava sutilmente situado entre o zelo e o desprezo.

Zelo, porque estava bem tratado e cuidado no corredor de entrada do apartamento.

Desprezo, porque a bela mulher em trajes de época é uma desconhecida, nenhuma linha é escrita ou falada sobre ela, além ou aquém daquele retrato.

Contudo, o quadro ainda conta histórias aos visitantes e não está à venda.

Quando nenhuma geração não o quiser, ou, quando o retrato se estragar, será posto fora.

terça-feira, 9 de setembro de 2014

Poema Dó-Ré-Mi

Poema Dó-Ré-Mi
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Não vi, não ouvi, não saí,
Mas li e refiz meu dia;
Resfriada assim, dormi.

Iogurte fresco e açaí,
Não me conheceria
Sem arte, dó-ré-mi...

No piano em que cresci,

O amor fez melodia.

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Etéreo Poema

Etéreo Poema

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Continuar a caminhada,

Sem que se conte a inspiração,

Sugestão etérea e fantasiada

De passarela, é uma ilação.

 

Num clique de moda, a alma alada,

Fotografada, é a perfeição,

De todo enleio, sincronizada,

Ao momento único; oblação.

 

A compreensão que não é influenciada,

Possui a beleza da amplidão,

Das percepções, esvoaçada,

Por entre o ser e a mansidão.

domingo, 7 de setembro de 2014

A Vez do Desfile / 7 de Setembro

Hoje escrevo direto do Google, que gentilmente fez da sua página inicial uma bandeira brasileira.
A idade chega, devagar, mas chega. As lembranças da infância me lembram da única vez que eu desfilei no Dia da Independência.
Viagem do tempo que conto agora. 
Contava com doze anos de idade e estudava em Itajaí, Santa Catarina.
O uniforme era especial para datas especiais. A camisa deveria ser engomada. A loja de uniformes fez a mais linda camisa para meninas que já se viu. Faltava engomar.
As pessoas são iguais, mas o ferro de passar roupas, de goma e brasa, furou a camisa.
Faltava um dia para o desfile e a minha mãe, acompanhada do meu pai, que estava conosco no feriado, foi atrás de uma camisa para que eu pudesse desfilar. Conseguiu uma não tão bonita quanto a outra, mas conseguiu. 
Os detalhes interessam? Interessam, o povo gosta de comentar: "Estava conosco no feriado, pos naquela época, 1.972, minha mãe teve enfarte e meu pai foi roubado, enfim, a situação era difícil."
Com outra camisa, as irmãs do Colégio São José me colocaram no meio da ala, com outra camisa, eu não poderia desfilar na ponta. Em compensação, fiquei perto das escaletas.
Desfilar era mais fácil do que não perder o passo com a música da fanfarra. As crianças me emprestaram a escaleta para que eu a experimentasse antes do desfile, sabiam que eu gostava do piano, mas, não adiantou, a escaleta era soprada e eu não sabia soprar e tocar.
Por ali, cidade porto, tivemos a imensa satisfação de presenciar a banda da marinha.
As ruas de Itajaí estão nos meus pés, maravilhosamente, até hoje.
Os passos ensaiados, os meneios de cabeça, e, de repente, eu avisto o meu pai e a minha mãe na calçada. Eu sorri, mas me comportei e não fiz acenos.
E foi assim que me tornei a garota de duas cidades, curitibana e "manezinha" com muito carinho, o que não foi difícil, pois um dos meus bisavós era catarinense. Como dizia meu pai: "O sangue puxa" e, como dizia a minha mãe: "lugar bom é aquele em que vivemos bem".
Assim como o Brasil, eu sou independente, com convicções próprias e culturas diversas e, modéstia à parte, tenho coração de mãe.

FELIZ DIA DA INDEPENDÊNCIA! 

sábado, 6 de setembro de 2014

Emoção Jardineira

Emoção Jardineira

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Essa chuva miúda,

Na florida amoreira,

À setembro, saúda,

Co’a mudança ligeira.

 

Com encantos de muda,

Comovente e festeira,

Faz sonhar e amiúda

A emoção jardineira.

 

Num afresco se aluda,

A beleza faceira,

De um jasmim à graúda;

A janela e a floreira.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

Canção Perdida

Canção Perdida

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Busco a canção que me traduza,

Que diga a mim o que senti,

Se é que senti nessa difusa

Misticidade do que não vi.

 

Suavidade que me induza

De novo a ouvir-me. Ensurdeci

Às emoções, sou ferro-gusa,

De construções; emburreci.

 

Numa razão, ao que me conduza,

Em parceria e, resuma em si,

Essa expressão muito confusa

Do que era o amor, quando o perdi.

quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Movente

Movente

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A esperança é movente,

Alimenta-se ao dia,

É sonhada ao sol poente

E descansa e alivia

 

O cansaço, coerente.

Ao sonhar principia,

Em constante ao que sente,

Ao que vê e ao que irradia.

 

De manhã é diferente,

Pois, renova a energia,

E se faz convivente;

Não mais é o que se via.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Ilha

Ilha

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Ainda posso cear,

O sol ainda brilha

Nesse caminhar

Sem atalho ou trilha.

 

Céu claro a azular

Num mar de mantilha,

De se suspirar

A flor que o pontilha.

 

Brando é o celebrar

Na paz andarilha,

No por que confiar;

Abre-se a escotilha.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Felina

Felina

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Esmalte brilhante

Nas unhas de agora:

Gata cintilante.

 

Cuidado constante

E a sorte melhora;

Faz-se concordante.

 

Sê perseverante,

 

E, às unhas, decora.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Pesquisa Eleitoral do Blog Repórter Edson Prado nas Eleições

Pesquisa Eleitoral do Blog

Repórter Edson Prado nas Eleições

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O blog cede espaço para os eleitores e transcreve a pesquisa do Edson Prado.

De acordo com as minhas pesquisas, que não incluem candidatos, mas apenas eleitores, porque o blog é imparcial e quem ganhar, que ganhe, porque o voto é secreto e somente os amigos íntimos sabem o quão secreto é o voto, fizemos as seguintes questões para a população, dentro e fora do supermercado.

_O que te motiva a votar num candidato?

As respostas foram variadas, há aquele que vota no candidato que promete acabar com o pequeno furto, porque é constrangedor sair do trabalho para ir para casa e, ter os seus reais, que não são muitos, serem levados num assalto à mão armada; há aquele que procura oportunidade de emprego para mão de obra especializada para maiores de quarenta e cinco anos, que é aquele que não pode montar o seu negócio e tem capacidade profissional; há aquele que espera melhorias na saúde porque tem alguma doença crônica e, na cidade grande, o tempo de deslocamento come o tempo útil do cidadão e ele precisa do medicamento fornecido pelo posto de saúde; há aquele que diz que vota porque é teimoso e, quem sabe, em alguma eleição ele veja a sua proposta, devidamente encaminhada para algum deputado, ser aprovada; enfim os eleitores dizem o que buscam nas eleições.

_O que o candidato deveria saber para conquistar o eleitor indeciso?

O candidato deveria propor a seguinte questão para os eleitores: A sua vida melhora se... Os indecisos são os que esperam alguma proposta que contribua para a melhoria da qualidade de vida.

_O que você acha dos candidatos exóticos?

_São absolutamente necessários, porque temos os jovens e alguns deles, pertencentes a turmas específicas, como punks (leia-se como punks, os jovens que seguem um estilo mix, ainda indefinidos sobre o que querem para o futuro), desportistas, artistas, esperam políticas públicas que contribuam de alguma maneira com a opção de vida deles.

_O que mais te chateia nas eleições?

_As pressões para votar nesse ou naquele candidato. Todas as sugestões e propagandas são bem vindas, as pressões lembram o voto de cabresto.

_O que você acha dos partidos pequenos?

_São partidos que têm a obrigação de fazer campanha, mesmo sem recursos financeiros ou doações. Todo voto é importante numa eleição e, mesmo que ele consiga dois votos, o dele e o de mais um, ele altera o resultado final das apurações.

_Candidato rico ou candidato pobre?

_Não faz diferença, desde que atenda as necessidades da população com melhorias efetivas que apareçam. Construir praça onde não existe nenhuma, por incrível que pareça, dá voto. Acabar com insetos, também.

Conclusão: a população vota num determinado candidato em acordo com a expectativa de melhora do seu dia a dia. O político que não incomoda é bem vindo, e esse político é aquele que não passa para perguntar às suas bases até a exaustão, o povo o elege e, a menos que a questão seja relevante, ninguém quer se incomodar diariamente com ele, desde que ele cumpra as suas propostas.

O blog agradece ao repórter e exerce a sua cidadania com essa postagem.