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sábado, 1 de novembro de 2014

Não Tão Simples / Crônica do Cotidiano

Não Tão Simples / Crônica do Cotidiano

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Fomos à lanchonete. Eu pedi um hambúrguer de frango e a minha amiga um hambúrguer com queijo e carne.

Chegaram os hambúrgueres. Um com queijo e outro sem queijo. Peguei mo que estava sem queijo e, a minha amiga, o que estava com queijo.

Após a primeira dentada, verifiquei que o meu hambúrguer era de carne.

Perguntei à minha amiga se, por acaso, o dela era o de frango.

Os dois hambúrgueres eram de carne.

Ela me aconselhou a reclamar, mas o dia estava tão bom que deixei passar; o preço era o mesmo do hambúrguer de carne e eu não tive prejuízo.

Quando terminamos os lanches, a garçonete se aproximou.

_O seu hambúrguer era de carne?

Respondi que sim e que comi e que, por mim, estava tudo bem. Eu estava com fome e deixei para outro dia hambúrguer de frango.

A garçonete, séria, disse:

_ A senhora muito me ajudou e eu quero agradecer.

Se a garçonete estava me agradecendo por comer um hambúrguer de carne, eu tinha que prestar atenção. Não é comum garçonetes agradecerem por hambúrgueres de carne.

_Eu pedi um hambúrguer de frango e outro de carne com queijo na cozinha. A culpa pelo hambúrguer de carne que eu servi à senhora não é minha. Eu também não abri o sanduíche para verificar se era de carne ou frango. Se a senhora tivesse reclamado, como é direito seu, o pessoal da cozinha iria dizer que a culpa era minha.

Eu fiquei um tanto quanto sem graça, mas continuei a dar ouvidos à moça.

_Agora, depois que a senhora sair, eu posso conversar com o pessoal da cozinha e dizer que houve engano. Posso conversar com o gerente e contar da sua gentileza, apesar do erro. Eu quero agradecer porque a senhora me deixou com um problema a menos.

Eu, no fundo, estava cansada e com fome, sem disposição para reclamar, devolver o sanduíche mordido e exigir o sanduíche de frango.

Às vezes parece que tudo se ajeita para proteger quem nada deve. Se eu não estivesse cansada, tudo seria diferente.

As pessoas antigas aconselhavam aos mais novos para nunca reclamarem do cansaço, diziam que não ajudava em nada, ou pior, atrasava a vida de quem reclamava.

Eu também sei que o certo é reclamar quando a compra efetuada não corresponde ao pedido feito, mas eu estava cansada.

O meu cansaço ajudou a moça da lanchonete.

Uma crônica absurda e real.

3 comentários:

Célia Rangel disse...

Houve misericórdia em seu cansaço na proteção à garçonete... e você matou sua fome sem estresse algum!
Abraço.

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Apetece-me dizer:
- Nada acontece por acaso e neste caso tudo acabou bem para ambas as partes.

ONG ALERTA disse...

Tudo foi resolvido, beijo Lisette.