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quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A Chuva, A Fila e o Show / Crônica de Supermercado

A Chuva, A Fila e o Show / Crônica de Supermercado

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Quando os dias estão movimentados a gente muda de assunto rapidamente.

O céu escureceu e anunciou a chuva. Olho para cima e penso na chuva e nos pães para o lanche. Melhor não perder tempo e entrar no primeiro supermercado no meio do caminho.

Supermercado diferente e passeio rapidamente entre as fileiras antes de ir à padaria, a chuva era de pingos contados, não tardaria a cair.

Todos os caixas tinham filas e, logo entrei numa delas para me apressar.

À frente, no corredor de entrada, um jovem adulto perguntava às filas se queriam que ele cantasse.

Ele parecia um vagalume naqueles coletes na cor amarelo-ouro e de plástico.

Alguns fregueses se entreolharam, com receio, o que não deixa de ser uma pena da vida moderna.

De repente, o jovem adulto de coletes na cor amarelo-ouro de plástico soltou a voz numa moda sertaneja.

Que voz!

À minha frente havia um senhor grisalho que desconfiou ter ouvido aquela voz em algum lugar.

Os meus ouvidos estavam afinados e, embora eu não pudesse ver com exatidão a fisionomia do homem, os meus ouvidos me diziam da voz clara, limpa, sonora, afinada e talentosa.

Ele cantou um trecho de música sertaneja e caiu na risada.

Todas as filas olhavam para ele como que encantadas com a voz.

Aquela afinação própria das terças, perfeita para as músicas sertanejas, não enganava a ninguém. Era algum cantor incógnito a fim de zoar com os fregueses.

O que sei é que a se ver tão observado, ele saiu do supermercado.

Antes de sair disse num som audível a todas as filas que, se quisessem pedir que ele cantasse alguma canção que ficassem à vontade.

Todos o olhavam com admiração tentando adivinhar qual cantor sertanejo seria ele.

Ele sorriu à porta do supermercado e disse até breve.

Saiu calmamente cantando corredor afora até que não mais o pudéssemos ouvir.

Não sei quem era, ou, se realmente, era algum cantor conhecido. Talento tinha para dar e vender.

Entrei no supermercado pensando em chuva, pensei em música, ganhei o tempo, mas tomei chuva de granizo.

Conto a história da chuva.

_Granizo! E você na rua? Que susto!

Susto nada. Surpresa.

Moedas de emoção. Satisfação.

Nem sei como explicar...

Um comentário:

Henrique ANTUNES FERREIRA disse...

Yayámiga

Já saiu o Crónicas das minhas teclas e até já tenho o primeiro exemplar. Estou feliz; depois da trabalheira e confusões, o parto foi sem dor…

Qjs