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terça-feira, 7 de outubro de 2014

Quando a Vocação é o Defeito

Quando a Vocação é o Defeito

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Normalmente, cada jovem segue a sua vocação em acordo com a vontade e as possibilidades de autorrealização.

Quando se fala em vocação, a maioria das pessoas pensa nos recursos a serem investidos e a área que o jovem gosta.

Mas há situações difíceis.

Certa vez estava em viagem e o jovem não parava de puxar papo. Um garoto de dezesseis anos.

De repente, no meio da conversa, ele desabafou:

_O meu pai é médico, os meus três irmãos são médicos e eu quero ser economista. A senhora sabe como é que eu digo isso a eles?

A pergunta era de um jovem que passaria uma semana com alguns parentes em Curitiba para pensar em como dizer ao pai e à mãe que havia se inscrito para o concurso do vestibular para seguir o curso de economista.

A resposta foi óbvia. Ele teria que contar logo, preferencialmente antes das provas.

_Eu vou me sentir mal.

Sentindo-se bem ou mal, ele teria que contar que prestaria exames para o curso de economia.

_ É errado não gostar de lidar com sangue?

Errado não é, mas tem que contar para a família.

_A senhora sabe o que é ser filho de cardiologista, irmão de neurologista, oncologista e pediatra?

Eu não sei o que é isso, mas ele tinha que contar para a família dele.

Aí me surgiu uma ideia, disse a ele que ele poderia cuidar das contas de algum hospital e não precisava esconder a vocação dele dos outros.

_Tem que ser por aí, pela ideia de trabalhar num hospital, porque eles não gostarão da ideia. Dizem que eu sou o filho caçula e que de tantos mimos, eu não consigo ser médico.

Eu disse a ele que ele não poderia se negar a ter vocação em consequência da vocação dos irmãos. O vestibular seria a carreira dele, o futuro dele e, além disso, cada um tem a sua vocação.

_A senhora sabe o que é se sentir envergonhado por não gostar de lidar com sangue?

Bom, ninguém quer o atendimento de um profissional que não suporte lidar com as obrigações da vida profissional.

_Eu tenho uma semana para ficar em Curitiba. Vou ensaiar essa conversa.

Fique bem.

É um começo. Que fique entre nós, o garoto tinha um problema e tanto.

3 comentários:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Cada pessoa poderá exercer uma profissão a seu gosto.
Precisamos de encaminhar os nossos jovens nas aptidões que eles tem.

Élys disse...

Esta situação ocorre com frequência por falta de um diálogo maior dos pais com os filhos.
Um abraço.

Célia Rangel disse...

Imposições familiares! Vocação e missão, certas escolhas são quesitos individuais. Há que se respeitar.
Abraço.