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segunda-feira, 26 de maio de 2014

O Ônibus

Naquele ônibus de turismo, em frente à loja de lembranças, os passageiros desceram.
Quando os passageiros subiram, separadamente, dois homens estavam com camisetas nas mãos.
Ambos suavam, um na sua camiseta verde,  o outro na sua camiseta amarela. Ambas com inscrições de amor ao lugar onde foram confeccionadas.
Tiraram as camisas que vestiam e ficaram nus da cintura para cima no fundo do ônibus, atitudes separadas e não combinadas entre eles.
Vestiram as camisetas em frente às senhoras e pediram a elas para que não os observassem enquanto trocavam as camisas.
Estavam visivelmente emocionados, traziam consigo, no peito, naquelas camisetas de propaganda, os seus desejos de um Brasil melhor.
As senhoras compreenderam e houve um silêncio profundo por alguns instantes.
Os passageiros dos outros países se entreolhavam sem entender direito a atitude dos dois homens.
O patriotismo silencioso impediu que os outros passageiros reclamassem daquele excesso.
Naquele momento um Brasil chorou.
Um Brasil representado por não mais que dez pessoas, mas lembrado e amado incondicionalmente naquele momento.
Os espanhóis e os italianos ficaram atônitos, o americano gostou da atitude.
_Congratulações!
O telefone celular de uma das passageiras recebeu várias mensagens da polícia: Se você encontrar alguma notícia do Honda Civic Preto, por favor entre em contato conosco. A mensagem foi mostrada ao americano que disse que não era para se preocupar, era apenas um contato dizendo que a polícia local estaria à disposição para prestar informações.
...................................................................................................................................................................Noutro dia, uma policial perguntou se estava tudo bem durante o passeio do dia.
Estava. Indicou lugares baratos para as refeições e desejou boa estadia.
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Não há excesso em nenhum amor, muito menos nesse lirismo de amizade entre o brando desse céu cheio de civismo.

   

Um comentário:

Célia Rangel disse...

... é um povo de raça... Yayá!
Abraço.