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domingo, 25 de maio de 2014

Cidade Grande

Cidade Grande

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Rosália e Edmilson eram dois irmãos que, tendo nascido em Sertãozinho, nunca tinham ido a São Paulo.

Juntaram dinheiro e se mandaram para São Paulo. Conheceram o Museu do Ipiranga, a Rua 25 de março e a Rua José Paulino, passearam no Shopping Eldorado, foram ao teatro e voltaram para a cidade natal.

Edmilson era o único entre os amigos que não conhecia São Paulo e, pouco disse aos amigos, além de agradecer as sugestões de passeios e compras. Conseguiu até mesmo um reconhecimento todo especial da namorada, que sonhava algum dia ir junto com ele para São Paulo.

Com Rosália foi diferente. Ela era mais nova que Edmilson e não tinha namorado. As amigas quiseram saber das compras.

_Compras? Eu não preciso de muitas roupas para viver aqui em Sertãozinho.

Alguma roupa você há de ter comprado, disseram as amigas.

_Comprei um par de botas, uma calça e uma camiseta para ir pescar de vez em quando.

As amigas de Rosália ficaram indignadas, ela tinha ido ao mar das compras e voltou de mãos vazias.

_Mãos vazias e coração cheio!

A curiosidade das meninas fez com que perguntassem como é que ela não fizera compras.

_Eu nunca tinha ido numa cidade grande. A cidade grande tem muito mais gente do que eu imaginava.

_E então?

Rosália deu um jeito de conversar com o povo de São Paulo. Ficou conversando, conversando e, deixou as compras para Sertãozinho; quando voltasse compraria. Poderia comprar pela internet, não tinha tanta pressa de gastar dinheiro, não iria usar aquela roupa mesmo.

As amigas engoliram a conversa, mas provocaram perguntando se ela e o Edmilson não tinham discutido durante a viagem.

_Não. O Edmilson alugou um carro com o mapa da cidade. Eu fui ao lado. O mapa estava desatualizado e ele acabou por entrar na Via Anchieta e, depois, na Via Dutra. São rodovias largas e a gente queria era ficar em São Paulo. O que aconteceu foi que para pegar o retorno da rodovia para a cidade, eu tive que avistar um caminhão quebrado no acostamento e perguntar onde é que ficava o tal do retorno para a cidade de São Paulo. Os motoristas do caminhão foram bons e indicaram o caminho certo. Graças ao Edmilson eu conversei com mais gente do que pretendia. Não tivemos tempo para nenhuma discussão.

As amigas de Rosália quiseram saber mais, queriam saber se a dupla caipira tinha feito algum programa cultural além do Museu do Ipiranga.

_Nós fomos ao Teatro, nós fomos noutros museus, ao parque do Ibirapuera e comprei alguns doces no Shopping Eldorado, muito bem servido nessa área.

Perguntaram sobre o Terraço Itália.

_O Terraço Itália, vimos por fora; não deu tempo. Fizemos um turismo até a cidade de Nossa Senhora Aparecida e o passeio tomou um dia inteiro.

As amigas disseram que, se fosse assim, todas elas poderiam ir até São Paulo.

_Se vocês tiverem a prosa que eu tenho, podem. Eu fui lá para conversar, não para comprar.

As amigas não eram tão bobas quanto a Rosália e levariam dinheiro para as compras. Ir até São Paulo e não comprar nada é coisa de sertaneja.

Rosália disse que então fazia todo o sentido não comprar nada em São Paulo. Ela era sertaneja de Sertãozinho e ponto final porque agora podia dizer que conhecia a cidade de São Paulo.

Um comentário:

Lúcia Bezerra de Paiva disse...

Pelo visto, a Rosália não era consumista, queria apenas conhecer a cidade grande, observar e aprender...Gostei, da personalidade da sensata sertaneja de Sertãozinho!
Talvez, porque eu seja uma metropolitana (nascida e criada numa capital litorânea) que adora o espírito do sertanejo autêntico.

Sua crônica, provoca reflexões, Yayá.
Produtiva semana.Meu Um abraço,
da Lúcia...