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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Sentimento Maternal / Crônica de Supermercado

Sentimento Maternal / Crônica de Supermercado

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A senhora era bonita, o sorriso gentil e a fala firme.

Supermercado também é amor maternal.

Estávamos eu e outra senhora aguardando o atendimento, além dela, a senhora mãe. Coversávamos amenidades e, ela mostrava as roupas de bebê que havia comprado para presentear uma amiga.

_São lindas essas roupas, até sinto vontade de ter mais um filho. Não fosse o cuidado que toda mãe tem, eu engravidaria de novo. Que importa se eu tenho quarenta anos?

Sorrimos para ela.

_O meu marido implica com os cuidados que tenho com o nosso bebê, mas eu sou mãe.

A outra senhora perguntou a idade da criança:

_Ele já tem um ano?

A senhora respondeu com um ar altivo:

_O meu filho tem dezoito anos.

A senhora olhou para mim para ver se eu continuaria a conversa, mas eu aguardei que aquela mãe falasse algo.

_Ele sai com os amigos e, quando volta tem um pedaço de pudim guardado na geladeira. Não deixo que ninguém pegue o pedaço dele. Ele precisa saber que eu me importo com ele. Ele tem dezoito anos, mas é um bebê!

A senhora disse que mãe é igual. Todas as mães são gentis com os filhos e que ela fazia muito bem em paparicar o filho.

As duas olharam para mim. Era a minha vez de dizer algo a favor dos cuidados dela para com o filho.

_Acredito que serão essas lembranças as que ficarão com o seu filho para todo o sempre. Ele terá bons momentos para recordar.

A senhora mãe respondeu orgulhosa de si, mais da maternidade do que da própria beleza:

_Você tem toda a razão. Posso dar a ele o que ele quiser, mas tudo o que eu der se acaba. Não há no mundo bem material que pague um pedaço de pudim na geladeira.

A fila andou e ela se dirigiu ao caixa para pagar as compras.

Eu e a outra senhora ficamos na fila e conversamos por mais alguns instantes.

Era minha conhecida de muitos anos, daquelas que a gente pouco conversa, mas sabe quem é.

_O que você pensou?

Eu disse que, no fundo, ela estava certa. Temos alguma vivência e as lembranças boas marcam, deixam vontade de quero mais.

A senhora lacrimejou, concordando. A fila andou.

Paguei os pães e estava saindo do supermercado com algum tipo de sorriso especial. Percebi o fato quando duas moças discordaram entre si e eu olhei para eles.

A controvérsia acabou:

_Puxa, que sorriso que a senhora tem, sorri com o olhar!

A juventude ganhou mais um sorriso. Vim embora com certa pressa, porque eu tinha diversos afazeres para o dia.

Um comentário:

Ivone disse...

Boa tarde linda amiga Yayá, gostei de ler essa crônica, embora seja para se fazer pensar, há de verdade essas coisas, a vida imita a arte ou a arte imita a vida?!
Abraços e tenhas um lindo fim de semana!