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quinta-feira, 13 de março de 2014

Sempre Tem O Gozador / Crônica do Cotidiano

Sempre Tem o Gozador / Crônica do Cotidiano

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Você está bem?

Porque não se haveria de estar bem? Os pássaros cantam no jardim, a chuva molha as plantas e, tem muito mais a se fazer. Para-se, descansa-se e continua-se.

São mais amigos os que estão ao lado, da maneira como estiverem, do que aqueles que já não foram.

É uma gentileza dos amigos, quando observam que a vocação é outra da proposta, intervirem para um resultado positivo.

Os amigos da gestante perceberam que o homem se sentiu seguro, ao colocar uma aranha venenosa dentro de uma caixa de fósforos, e calmamente ajudar à senhora grávida a atravessar a rua.

_Deixe que eu a ajudo. Eu não misturo aranhas venenosas com gestantes ou crianças.

Os amigos sabiam que a senhora em questão quase morreu numa picada de aranha venenosa quando era jovem, era alérgica ao medicamento.

Qualquer um dos amigos se sentiu mais capacitado para ajudar a gestante a atravessar a rua.

O que fizeram eles? Pegaram nas mãos da senhora grávida no meio da rua e disseram ao homem que dali em diante eles a levariam para o outro lado da rua.

O homem ficou chateado e disse que estava acostumado a lidar com aranhas, ele as recolhia para levar ao Instituto Pasteur para que se fabricassem vacinas e que nada aconteceria a ela.

A senhora, que aceitou ajuda porque os sapatos haviam se rasgado na sola, agradeceu aos amigos. Ela não tinha ideia da aranha venenosa no bolso do homem que a ajudava a atravessar a rua.

Os passantes disseram a ele que a cada tarefa corresponde uma obrigação. É uma atividade boa para toda a coletividade que alguém saiba lidar com animais peçonhentos, os recolha e os leve para que se fabriquem vacinas.

A distração e o costume com as atividades é que podem se tornar perigosas. Por certo que o homem não agiu por mal, ele está acostumado a isso como eu estou acostumada com os pássaros cantando na janela.

Ocorre que a senhora grávida correu risco e a história se espalhou na vizinhança.

Nessa história contada a mim, ficaram dois alertas precisos.

Quem precisa de ajuda, aceita, mas se conseguir mãos amigas, ela troca de mãos, agradece a gentileza e fica com os seus amigos.

Quem ajuda não deve oferecer riscos a quem precisa.

Eu sei que o diálogo, digamos assim, foi tão intenso, que o homem ficou nervoso.

Nesse meio antinatural, chegou o colega e foi apoiar o outro colocando a mão no bolso do amigo para pegar o telefone celular e avisar ao chefe que ambos chegariam atrasados.

Não é que ele pegou a caixa de fósforos, a aranha escapou e o mordeu?

Deixa chover que é melhor assim, estou cansada de ouvir essas histórias.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Amizades mortais... estou fora! Antes só.
Abraço.