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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Hamletiano / Reflexão

Hamletiano

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E, se a pergunta famosa do texto de Shakespeare: “Ser ou Não Ser” não fosse uma pergunta, mas uma condição?

E, se todos os fantasmas de Shakespeare fossem jovens que tivessem as suas ideias usurpadas, não pelo poder político, mas pelo poder econômico, obrigando-os a se comportar em desacordo com a própria juventude, questionadora por excelência?

E, questionando as condições impostas, fossem manipulados por esse poder econômico, que busca a satisfação por seus próprios meios, arraigando-se a todas as formas de poder existentes com o intuito fim de gerar capital. A riqueza pela riqueza, mesquinha, uma locupletação, nesses termos, insana, pois é insano o dinheiro inútil construído sobre os sonhos de uma geração.

E, se essa juventude não questionasse o sistema político, não fosse socialista e nem capitalista, criticasse os lisérgicos da geração anterior, misturando os seus sonhos novos aos sonhos que os seus pais tivessem?

E, se Hamlet tivesse sobrevivido para defender a causa não menos nobre da sua geração?

E, diante de toda a cultura e a história, da qual fazia parte, por ser rei, tivesse com ele a geração que ficou proibida de ser inocente?

E, num determinado momento, ele se encontra exatamente no centro da questão que o levou a dizer o que disse.

Ele tem vontade de dizer que todos têm o direito de levar a sua vida como quiser, mas ele é rei e está situado noutra circunstância, pois o tempo passou e ele não pode ser idiota, mas todos os fantasmas daquela juventude morta estão diante dele.

Então pesasse sobre os seus ombros toda aquela gente que se foi, sem roubar, sem mentir, sem ludibriar ninguém. Jovens que achavam errado o que era errado para a sua época, viesse de onde viesse.

Mas Hamlet era rei, tinha que decidir. Sob as suas decisões estavam os seus súditos, crianças e velhos que precisavam que ele fosse sério e arcasse com as suas responsabilidades reais. Diante dele não havia o poder não ser, ele havia nascido rei.

Hamlet enlouqueceu se perguntando sobre as suas questões pessoais, quando poderia ter definido uma homenagem a todos os que partiram na sua conduta dali em diante, respeitando a memória e o pensamento de cada um dos seus fantasmas, jovens e mortos.

A Hamlet restava à vida, recomeçada a partir da sobrevivência daquela tragédia.

O que tiver que for que seja; poderia pensar Hamlet.

E, o que não fosse ainda, simplesmente não fosse.

Hamlet criou a tragédia da sua sorte enlouquecendo. Deixou-se dominar paulatinamente por pensamentos que não melhorariam em nada a sua sorte.

Quem manda na sorte? Hamlet também não mandava na sorte.

Hamlet era um rei mal resolvido.

Toda essa reflexão tem um objetivo, a de que ninguém queira enlouquecer por aquilo que não mais é, enquanto tiver motivos para crer que pode não vir a ser. Ninguém pode controlar todos os aspectos da sua vida e o negócio é deixar rolar para ver como é que fica, para depois, com carinho e cuidado, agir.

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