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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

Bebê Novo / Crônica de Supermercado

Bebê Novo
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Estava com saudades de frequentar filas, mas hoje consegui estar no lugar onde, de fato, as conversas acontecem.
O pai aparentava uns trinta e cinco anos e o filho, cinco.
O garoto adiantou-se e quis ficar na minha frente na fila, mesmo tendo chegado depois.
Eu sorri da arte, mas o pai disse para que o menino ficasse com ele, atrás de mim, porque haviam chegado depois e essa era a atitude certa.
O garoto, com aquela feição de criança arteira, ficou com o pai, atrás de mim.
O menino pegou um chocolate e o pai dele disse que, se ele quisesse que pegasse um para ele.
O menino veio à frente e me mostrou o chocolate e eu disse a ele que aquele chocolate era muito gostoso.
O pai repetiu para que o filho pegasse o chocolate para ele.
O menino olhou para o pai dele, desconfiado e disse:
_Hoje você não vai me dizer para comprarmos o chocolate no ano que vem?
Eu não olhei, mas ouvi a risada contida do pai do garoto dizendo que não e murmurando entre os dentes “ano que vem?”.
Depois o garoto pegou um tubo de balas e o pai disse que ele escolhesse entre o tubo de balas e o chocolate.
O garoto, realmente contente de receber a atenção do pai, disse:
_Eu só quero o tubo para matar os mosquitos.
O pai perguntou quais eram os mosquitos e o menino respondeu:
_Pai, os mosquitos são de mentirinha, mas você sempre gosta quando eu imito você.
Eu ouvi: “Hum”. Depois o pai dele ignorou os barulhos que imitam sprays. O shh, shh se ouvia tranquilamente sem apartes por parte do pai da criança.
O garoto, percebendo que o pai ficou quieto pegou um tubo de balas cor-de-rosa trocando o dele, que era azul Royal pelo de outra cor.
O pai interferiu novamente, perguntando:
_Filho, por que você pegou o tubo cor-de-rosa?
O menino vibrou e disse:
_Pai, eu não gosto dessa cor também.
O pai respondeu que ele gostava da cor, mas não via motivos para ele trocar a sua cor preferida por outra.
O garoto surpreendeu toda a fila quando disse com a veemência de um homem:
_Pai, eu acho feio cor-de-rosa. Você acha que a minha irmã é feia porque ela usa fraldas cor-de-rosa?
O pai retrucou sem pensar:
_A sua irmã não é feia. Ela é bonita.
Não sei de onde veio a presença de espírito do menino, que disse:
_Mas a fralda dela é. Não vejo você ficar contente quando joga a fralda no lixo!
O pai, sem resposta, concordou e repetiu que a irmã dele era bonita.
O menino respondeu:
_Pai, eu ainda não a vi muito bem, mas se você diz que ela é bonita, eu acredito.
O pai pediu para que o menino deixasse os tubos de bala no lugar e o menino respondeu que estava longe do lugar dos tubos de bala e iria deixar na prateleira em frente.
Por alguns instantes os dois ficaram quietos.
O menino sem saber se era certo ou errado deixar o tubo de balas noutro lugar procurou entre as prateleiras outros objetos. Hoje foi o dia de sorte do garoto, ele encontrou um estojo de lápis e canetas e o levou para o pai.
O pai disse ao filho que não iria levar o estojo porque o garoto tinha várias canetas e lápis em casa.
O filho argumentou que o estojo estava com um problema: tinha um apontador vermelho dentro dele.
_Pai, eu prefiro apontadores azuis e verdes.
A moça do caixa me chamou e, por certo, estranhou o sorriso com o qual eu me dirigi a ela.
Deliciosa manhã.

2 comentários:

XicoAlmeida disse...

Persistente o miúdo!
Técnica genuína afinal de todos nós, fosse com balas ou chocolates.
Afinal os primeiros medir de forças e o "apalpar" terreno para futuras investidas.
Um abraço, Yayá.

✿ chica disse...

Essas conversinhas são legais e nos fazem mesmo sorrir, com ou sem razão,rs bjs,chica