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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Feliz Ano Novo!





Muita paz, saúde e, prosperidade para todos nós!



Um abraço, Yayá.

Ano Novo 2015 / Crônica de Supermercado

Ano Novo 2015 / Crônica de Supermercado

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Final de ano tem supermercado para a maioria das pessoas. Alguns cachos de uvas, alguns refrigerante, além dos petiscos e os preparativos para o jantar. São os costumes e as tradições que nos alegram nessa época do ano.

Dessa vez pedi companhia, refrigerantes acompanhados de familiares são melhores.

_Você me ajuda?

_Ajudo.

Compro e vou à fila. As costumeiras conversas que ajudam a passar o tempo das filas se iniciam.

Meia hora depois e chega a minha vez de passar pelo caixa.

Apressado, o familiar pegou um carrinho vazio e o colocou na frente do caixa assim que começo a tirar os refrigerantes do carrinho de compras. Tinha pressa e disposição para ajudar.

As conversas acabaram, em parte, posto que quem estivesse à minha frente já se foi e a senhora atrás ainda reclama da falta do ingrediente para a salada que se acabou ontem. Ela sairia dali para procurar o que precisava noutro supermercado. Era um ingrediente especial e chamado gourmet e nenhum supermercado investe muito nessa área.

Ele, o familiar, coloca os refrigerantes no carrinho vazio e ajuda a caixa a empacotar os produtos. Permanecia calado.

Tudo pago e empacotado, viemos embora.

Durante o percurso pergunto se ele ouviu o bate-papo.

Ele sorriu.

Pergunto a ele se saiu satisfeito do supermercado.

Ele sorriu e disse que havia ficado quieto para prestar atenção naquela conversa de fila.

_Você pretende escrever a conversa?

Eu respondi que a crônica sairia, sobre a conversa, eu precisaria pensar antes de escrever.

_Você gostou da conversa?

_Eu tenho que admitir que haja algum tempo eu não presenciava conversa tão boa e nem momentos tão agradáveis no dia a dia.

Talvez tenha sido a conversa mais significativa na fila do supermercado nesse ano de 2014.

Assuntos de cotidianos e familiares, comuns a todos os seres humanos; conversas que mexeram com as emoções de bem querer d’uma família.

Enfim, alguém descobriu de onde nascem as crônicas de supermercado.

Alegria dividida é alegria dobrada. Daquela fila ninguém saiu aborrecido.

Feliz Ano Novo!

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Linha do Tempo

Linha do Tempo

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Chuva de hora marcada

Cai ao relógio da tarde,

Cobre o sol, vem do nada,

Molha o chão com alarde.

 

Fresca é a tarde sombreada

Nessa tela que não arde.

Ao papel, rabiscada,

E, a janela não encarde.

 

Se, é moderna à fachada,

Faz surgir o retarde...

Vai-se ao tempo, aprazada,

Vê que ao sol, nunca é tarde.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Poção

Poção

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Os pensamentos

Vagueiam e são

Como alimentos.

 

Se bons, contentos,

D’alma em poção;

Se maus, tormentos.

 

Ao amor, fomentos;

 

Ao ser, razão.

domingo, 28 de dezembro de 2014

Espelhos? Crônica do Cotidiano

Espelhos? Crônica do Cotidiano

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Domingo, cidade, Shopping.

Eu me apronto para sair depois do lanche, e, no corredor, algo inusitado.

Uma moça me olha profundamente com jeito zangado.

Distraidamente eu me observo e verifico que está tudo em ordem comigo. Olho para ela e está tudo em ordem com ela.

Com um lampejo de raciocínio eu me observei melhor. Olhei para a moça atentamente.

A estampa muito parecida dos vestidos, o cabelo igual, o tipo de maquiagem igual.

Ela caminhando na direção oposta à minha.

Antes de cruzarmos em direções opostas, nos olhamos e nos observamos dos pés a cabeça.

Ela medindo por volta de um metro e oitenta de altura usava sapatilhas e, eu completando a altura com sapatos e saltos.

Ela olhou para o comprimento do meu vestido e eu para o dela. A moça de vinte e poucos anos de idade tem direito ao vestido mais curto. Eu até que estou gostando desse comprimento ligeiramente abaixo dos joelhos, está na moda.

Mas, o estilo de ser pareceu-nos semelhante.

Ela com a cor de quem voltara da praia e eu com a cor de quem precisa ir à praia. Não interessa o detalhe porque eu gosto tanto de sol e pele dourada quanto ela.

Pareceu-me que ela sentiu-se com mais idade a me ver com um vestido de estampa semelhante ao dela. Ela me olhou como se dissesse que aquilo foi estranho.

Para ser exata, eu também achei estranha a coincidência.

Por momentos pareceu-nos que éramos mãe e filha e que eu a estava cuidando.

Quando mais jovem, talvez eu olhasse para uma senhora que usasse algo com a mesma estampa que eu da mesma maneira.

Se a moça se sentiu mais velha, eu me senti retrógrada.

Cruzamos os nossos caminhos e enquanto passamos lado a lado não nos olhamos.

Mas quando eu desci pela escada rolante eu a olhei mais uma vez.

A moça também me olhou. Olhávamos os detalhes na cor verde-água dos vestidos, uma da outra, nos certificávamos que eram diferentes.

Não havia mais ninguém no Shopping com vestidos semelhantes.

Imediatamente olhamos para os nossos caminhos e não mais olhamos para trás.

Que sensação esquisita!

sábado, 27 de dezembro de 2014

Sobrado

Sobrado

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Que poema surge inesperado,

Feito água nova de rio inteiro,

E muda o leito e faz ilhado,

Que corre e some e vem faceiro?

 

Poesia de solo já alagado,

De quando semeado. Viveiro,

De sonho, quando não acordado,

Terá sentido alvissareiro?

 

Se vier, que seja um anjo alado,

Que seja o dia do sol brejeiro,

Que diga flor ao descampado,

Que fique amor a esse sobrado.

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Bem Estar

Bem Estar

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Bem estar

É ficar

Com você...

 

É sonhar,

Cirandar

Num porquê,

 

Navegar

 

Em buquê.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

FELIZ NATAL

Feliz Natal

     Mas o que é um Feliz Natal? Talvez a lembrança de que podemos deixar esse mundo em que vivemos menos triste, menos chato e menos pessimista.
     Li centenas de mensagens natalinas. Algumas me fizeram refletir.
     É a hora de deixar a criança que existe dentro de cada um vir à tona. Nem todas as infâncias são tão boas quanto a minha ou a do prezado leitor foi. Cabe a nós permitirmos que as crianças possam sorrir.
      Aqui faço uma colagem de uma frase do Papa Francisco: “Como é bom para nós ter um saudável senso de humor”.
     Mas, os leitores, talvez se lembrem dos milhões de pessoas carentes mundo afora. Por outro lado, também é difícil convencer o mundo de que a paz vale a pena.
     Eis uma tentativa válida essa de sugerir a paz, essa de aumentar a produção de alimentos e, melhorar a logística da distribuição de supermercados mundo afora. O meu ponto de referência é o supermercado. Supermercados geram empregos, sustentabilidade, cultura; eles vendem de tudo um pouco.
     Podemos combater o vandalismo e diminuir o custo de manutenção. Mais um exemplo de supermercado: vocês sabiam que no custo dos produtos que compramos está embutido o custo daqueles produtos cujos pacotes são abertos por vândalos?
     As necessidades materiais da humanidade importam e devemos ter cuidado com elas.
     As necessidades espirituais são inimagináveis. São pessoas que precisam de menos do que possamos imaginar, um bate papo aqui e outro ali e, parece que os problemas se resolvem. Os problemas se resolvem porque a disposição espiritual após uma conversa descontraída e sem compromisso muda a disposição para que os problemas possam ser resolvidos. É a condição espiritual uma ferramenta utilíssima na solução dos problemas de cada um.
     O Natal é o aniversário de Jesus, o nascimento de uma Santa Criança.
     Na medida do possível, que os pais, mães, avôs e avós brinquem com os seus filhos e netos, participem dessa alegria ingênua e curiosa junto com a família.
     Quem sabe, partilhar uma esperança com um desconhecido na fila da panificadora. Se vocês soubessem o quanto a balconista se alegrou quando perguntada se estava melhor da gripe. Ah! Se vocês soubessem o brilho no olhar daquela moça que foi obrigada a faltar, pegar atestado médico e tomar antibióticos, vocês comprariam além dos pães, muita esperança naquela panificadora.
     Agora, se você não tiver com quem partilhar uma festa, ou uma família, vá até a sua panificadora preferida, compre um pão e deseje Feliz Natal. Você fará o Feliz Natal da atendente.
     Ninguém ignora que a vida não é uma maravilha! Dizem os que passam por dificuldades, mas as dificuldades podem ser amenizadas. Por nós, simples desconhecidos que passamos e desejamos melhoras.
     Porque nenhuma condição suprime a condição de que o amanhã pode ser melhor, basta pensarmos como crianças, com aquela vontade de experimentar o amanhã com a disposição renovada, que é o motivo da Festa Natalina.
     Talvez esse vídeo, postado num site cristão, que deixo para compartilhar, resuma tudo o que tentei dizer.
     FELIZ NATAL!
    


Contos que a Mamãe Ganso não Conta

Contos que a Mamãe Ganso não Conta.

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Não duvide de nada e de ninguém, existe alguma verdade em todas as coisas.

Aconteceu por volta de 1.950. Um casal jovem, casados há dois anos.

O marido era conservador e, às vezes entristecia a jovem esposa com o excesso de conservadorismo. Ela contra-argumentava, mas o resultado eram discussões teóricas sobre o modelo ideal de lar.

Enquanto discutiam, alguém bateu à porta da casa deles.

Era uma vizinha, que distava algumas quadras próximas da residência do casal.

_Por favor, é aqui que mora o advogado? Estou desesperada. Quem disse para que eu viesse aqui foi dona Francesca, por favor, me ajude!

A jovem esposa, ao ouvir o nome de Francesca, pediu à vizinha que entrasse. Dona Francesca era a esposa do dono do armazém.

_Por favor, doutor, a história é muito triste. A minha empregada está grávida, no entanto, é virgem.

O advogado olhou para a esposa e pediu a ela que ficasse quieta. A esposa sentou-se ao sofá ao lado do marido e deram-se as mãos para ouvir a história.

_O violentador fez questão de deixá-la na condição virginal. Ela está grávida e os pais dela expulsaram-na de casa. A moça quer dar queixa à polícia, mas tem medo de fazer a perícia no Instituto Médico Legal. Ela precisa de um advogado e a dona Francesca disse que o senhor é um bom homem.

O advogado disse que atenderia a causa gratuitamente, mas gostaria que a sua esposa o acompanhasse em todo o processo.

No dia seguinte a vizinha veio com a moça e, foram os quatro até a delegacia para prestar queixa do violentador.

O delegado pediu a perícia médica.

O advogado pediu ajuda a todos os contatos que tinha dentro da polícia.

Diante da situação, o médico perito concordou que o advogado, a esposa e a vizinha ficassem do outro lado do biombo enquanto periciava a condição virginal da moça.

Depois do exame, sentaram-se os cinco para conversar.

O advogado, a esposa dele e a vizinha esperavam alguma palavra do médico porque ninguém sabia o que dizer à jovem.

O médico sentou-se próximo a jovem e perguntou a ela o que é que ela pretendia fazer dali em diante. A denúncia estava feita e todas as provas colhidas.

A jovem empregada, numa atitude de extrema humildade, disse que queria o violentador na cadeia. Disse que iria até o convento para conversar com os religiosos porque filho nascido nessa condição era para conversar com Deus.

Agora era a rua, o delegado e o médico a cuidarem da jovem.

Passados uns quinze dias, a decisão foi tomada. A moça ingressaria no convento para seguir a vida como religiosa. O neném, quando nascesse iria para o orfanato religioso, para que pudesse ser amamentado e acarinhado pela mãe.

O advogado tinha automóvel e foi com a esposa, a jovem e a vizinha, dona da casa onde a jovem trabalhava. Todas as providências legais foram tomadas junto ao delegado, porque a jovem deveria ficar à disposição da polícia até o julgamento do agressor.

Depois do nascimento do neném e da condenação do agressor não se soube mais da moça, agora irmã de caridade.

O jovem casal, cujo marido era conservador, fato que entristecia a esposa, que terminava por discutir com ele, não mais existia. Todos os conceitos dele e dela mudaram a partir daquele momento.

A esposa do advogado chora ao contar a história da jovem. O advogado segura a lágrima inchando a glote.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Belém

Belém

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Cântaros e Cantareira,

Ri-se a criança e a castanheira;

Para Belém vai sem medo,

Vê-se o Natal num brinquedo.

 

Água de chuva, cachoeira,

Nasce flor, cresce palmeira.

Vira e mexe faz folguedo,

Bola e guri acordam cedo.

 

Deixa chover mensageira,

Bebe da fonte festeira;

Pensa que o tempo é segredo

Que se conta de arremedo.

domingo, 21 de dezembro de 2014

Preparando Festa?! Crônica do Cotidiano

Preparando Festa?!  Crônica de Cotidiano
    Nesses dias, quase que se torna obrigatório algum método para as compras, pois os produtos são diferenciados e não os temos na prateleira.
    Também lemos as receitas especiais e o que é necessário para que fique daquele jeito que a gente gosta. Eu tenho a impressão que todos comemoram o Natal, alguns com um abraço, outros com viagem, outros, ainda, com a família e tem gente que comemora assistindo um filme e comendo pipocas e castanhas na frente da televisão.
     Embora seja época de festas, há outros assuntos em voga no supermercado e, fora dele.
     Sinceramente, eu me recuso falar de política quando estou pensando no Natal.
     Tem quem goste. Que deixe para a semana que vem.
     À insistência, uma oração.
     Pelo outro, não. Dessa vez a oração é para e por mim. Quem deve ficar em oração sou eu, não o outro.
     O que é que custa deixar para depois uma conversa que dura o ano inteiro.
     O Natal é uma data para dizer do menino Jesus e do seu nascimento. Permitir-se gostar, deixar a emoção fluir, gostar do próximo, servir ao próximo, nem que seja a pipoca feita ao forno de micro-ondas.
     Ninguém precisa de muito para comemorar. Uns vão ao culto e outros vão à missa e só. E esse só é o que basta para fortalecer a fé, para acreditar no amanhã, para fazer alguém menos infeliz.
     Todos nós precisamos desse olhar de criança, de esperança, de ao menos pensar que as coisas vão dar certo. Agora a oração é dupla, pois sinceramente eu acredito na possibilidade das coisas darem certo para mim, para você, para os amigos, para os vizinhos e todas as pessoas de boa fé. Sem desambiguação, todos precisam de esperança, fé e caridade.
     A vida não é feita de teoria e, aproveito para contar um fato onde, pela fé, ficamos em paz.
     Estive numa roda de conhecidos. Todos ao celular.
     Depois de várias citações e perguntas às quais não respondi, disse:
     _Eu estou vendo. Você está perguntando e digitando ao mesmo tempo!
     Eles me olharam chateados e sem saber o que dizer.
     Aí eu terminei a frase:
     _Mas estamos em época de festa, vamos acreditar que vocês não perguntaram, não digitaram e eu não vi vocês digitando.
     A turma sorriu e concordou.
     Mas veio a música nada apropriada para a época.
     _Para de cantar que eu não escuto.
     Rimos todos e mudamos de assunto. Pela fé nos saudamos.


     Tem cabimento uma música dessas? Versão infantil:



sábado, 20 de dezembro de 2014

Resposta Inusitada / Miniconto de Natal

Resposta Inusitada / Miniconto de Natal

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Estavam entre amigas, todas muito distintas e surgiu a brincadeira, nem sempre boa, do jogo da verdade.

Com a garrafa de vinho vazia ao meio do centro da mesa, uma delas gira a garrafa: quem gira a garrafa faz a pergunta. Aonde a garrafa parar o giro e apontar, está aquela que deve responder.

Mafalda girou a garrafa e Ana Neusa da Conceição foi a sorteada.

Era festa de confraternização e não cabiam perguntas indiscretas ou constrangedoras.

Mafalda pensou numa pergunta discreta, mas reveladora, algo com estilo de quem sabe questionar:

_Ana Neusa da Conceição: se você tivesse que ir para uma ilha deserta o que você levaria?

Ana Neusa da Conceição quis saber detalhes:

_É para dizer o que eu levaria, ou apenas algo que eu levaria?

Mafalda disse que ela poderia responder como quisesse porque estavam numa festa de confraternização e tudo era para distrair, até mesmo a brincadeira.

Ana Neusa da Conceição perguntou a todas se, realmente, gostariam que ela respondesse.

As amigas disseram que sim.

_Está bem. Um avião com quarenta e oito lugares, uma embarcação para sessenta e cinco pessoas, uma cabeleireira, uma manicura e pedicura, uma esteticista, uma caixa de bombons belgas zero açúcar, os meus dois cachorros, as minhas malas de grife com cadeados de ouro, o meu estojo de maquiagem, um maiô inteiro, um maiô duas peças, um biquíni extravagante, algumas saídas de praia, alguns galões da minha água mineral preferida e...

Mafalda a interrompeu perguntando sobre a alimentação:

_Não se esqueça das necessidades de alimentos saudáveis que precisamos para nos mantermos com boa aparência.

Ana Neusa da Conceição não titubeou:

_O cozinheiro está dentro da embarcação e os lanches rápidos dentro do avião. Não me esqueci. Não detalharei os alimentos para não me tornar cansativa.

Outra amiga, divertindo-se com a resposta, perguntou o endereço dessa ilha deserta, porque ela iria junto com a amiga.

Ana Neusa da Conceição disse que era uma pequena ilha que estava à venda por poucos milhões de dólares e, como os negócios iam bem, ela pensava em comprar.

Mafalda divertia-se, mas estava quieta ouvindo a resposta.

A amiga que gostaria de ir junto com Ana Neusa da Conceição para a ilha deserta, perguntou à Mafalda se, por acaso, depois de ouvir a lista de artigos citados, ela não gostaria de compartilhar a viagem junto com elas.

Mafalda, toda elegante, ergueu o olhar, sorriu com classe e respondeu:

_Tudo isso é demais para os meus joanetes. Eu conseguirei pensar na ilha deserta depois que os joanetes passarem por uma plástica.

Ana Neusa da Conceição teve pena de Mafalda, mas ela não era do tipo que gostava de piedade:

_Eu não posso levar os meus calçados. Como é que ficarei bem trajada numa ilha deserta sem as minhas sandálias?

A amiga que interferia na brincadeira perguntou quem é que estaria na ilha deserta para observar os calçados de Mafalda.

_Isso é uma desconsideração da sua parte. Eu estarei lá e ela será também a minha convidada. Ela não pode ir e tem toda a razão.

Depois de dizer assim para a amiga, virou-se para a Mafalda com generosidade.

_Mafalda querida, eu espero que a plástica fique boa e enquanto você não puder levar as suas sandálias para a ilha deserta, eu também não irei.

Enquanto todas as demais se continham para não abrir a boca, a amiga que interferia na brincadeira, resmungou:

_Ana Neusa da Conceição, eu estava contando com a viagem para a ilha deserta e você decide esperar pela Mafalda? E agora, como é que eu fico?

Mafalda elogiou a atitude de Ana Neusa da Conceição como prova de verdadeira amizade.

Com imaginação a tarde passou agradavelmente. Quem foi à festa e apenas ouvia, amou a condição de não ter que responder nada. O lanche estava caprichado.

Mas anoitecia e era hora das amigas se despedirem e desejarem umas às outras um Feliz Natal e Próspero Ano Novo.

Com imaginação as festas de final de ano ficam melhores a cada ano que passa.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Chuva Artesã

Chuva Artesã

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Refresca-me a chuva

E o cacho com a uva,

A fonte e a manhã.

 

A roupa que enxuga,

Varal de textura;

Depois, cardigã.

 

Verão não se enruga

 

À chuva, artesã.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Divina Época

Divina Época

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Indescritível e real,

Ao evanescente clamor

Da luz espiritual,

Faz-se o inefável do amor.

 

É o aproximar do Natal,

Chamando ao novo o fervor,

Inquebrantável e igual

A antes do sempre em louvor.

 

Em misterioso portal,

A vir, o Sol Redentor,

Uno em trindade inicial.

Mui generoso é o Senhor.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Sugestão de Presente de Natal para o Consumidor

Sugestão de Presente de Natal para o Consumidor

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Depois de uma hora e meia pesquisando um número de telefone compatível com as minhas necessidades, resolvi escrever essa crônica.

Os dedos nas teclas do telefone e os ouvidos ouvindo as respostas várias, tais como número de telefone inexistente, agência de cobranças (ninguém merece um engano desses), escola de dança, “tem, mas acabou”, etcetera e tal.

Vim até o blog e lembrei que anteriormente reclamei das ausências de listas telefônicas de números fixos.

Então resolvi pedir de presente de Natal algo bastante específico: uma lista telefônica.

A lista telefônica dos meus sonhos: igual àquela antiga, feita em papel, mas online.

Eu quero folhear uma lista telefônica da mesma maneira como eu folheio a revista semanal da igreja.

Quero capa, índice, telefones úteis, propagandas ao rodapé da página, exatamente como era antigamente, mas online e atualizada por meio digital.

As listas telefônicas online não satisfazem porque os números de telefones estão desatualizados.

A coisa é tão absurda, que o número de telefone dos meus dentistas, é atualizado semestralmente, na agenda do meu telefone celular, porque eu sei o endereço, mas se eles mudarem o local do consultório, eu terei que procurar outros dentistas.

O meu sonho de consumo é uma lista telefônica que funcione como um dicionário eletrônico Michaelis e peço que me desculpem pela propaganda, mas funciona perfeitamente bem no meu computador.

Nós podemos pegar indicações de bons profissionais com os amigos, mas estamos vivendo atrasados em relação ao desenvolvimento da informática.

Se qualquer pessoa tiver a agenda do seu telefone celular apagada da memória, essa pessoa perde contato com todo o seu universo anterior.

Não sou saudosista e nem quero a lista telefônica antiga, feita em papel, ao lado do telefone.

Mas, era rotina encontrar os amigos e anotar o número de telefone deles num papel e, depois perder o papel.

As pessoas lembravam-se da lista telefônica e imediatamente procuravam o número pelo nome e ninguém se perdia de ninguém.

A época é de festas, e se a crônica não funcionar, ano que vem escreverei uma carta ao Papai Noel pedindo uma lista telefônica com telefones residenciais e comerciais fixos, devidamente atualizados.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Depende do Ponto de Vista

Depende do Ponto de Vista

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Vinte minutos,

Sílabas vãs,

Poemas argutos.

 

César Augustus,

Vinte romãs,

César e frutos.

 

Vinte produtos,

 

Uvas, maçãs.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Um Caso Esquisito

Um Caso Esquisito

Kátia foi às compras. Escolheu o presente e, quando perguntou à vendedora se havia desconto para pagamento à vista, a vendedora chamou a gerente.

A gerente era nada mais, nada menos do que uma conhecida sua do tempo da mocidade.

Kátia percebeu e fingiu não perceber que eram conhecidas, pois haviam se afastado uma da outra e ninguém sabia o motivo. Perguntou do desconto.

A gerente perguntou o nome de Kátia e ela disse. A gerente a reconheceu e disse que estava feliz em vê-la.

Kátia olhou para ela intrigada. A gerente parecia feliz em vê-la, realmente feliz.

_Vamos nos encontrar e conversar, disse Kátia à gerente.

A gerente chamou a freguesa de lado e perguntou a ela:

_E a minha irmã?

Kátia ficou sem saber o que dizer. Aguardou que a gerente continuasse a conversa.

A gerente olhou com carinho para a Kátia e disse, com um sorriso triste:

_Por que é que a minha irmã interferiu tanto na sua vida? Diga-me se tem cabimento! Se nós sairmos, a minha irmã irá junto, mas ela irá junto para fazer mais uma das suas. Nós não sabemos por que é que ela age desse jeito.

A partir daquele momento a gerente contou o histórico da outra. A birra havia começado nos anos 90. Foi depois que ela fez amizade com um grupo de pessoas. Perguntou à Kátia se ela imaginava quem eram as pessoas.

Kátia imaginava. Nos anos noventa todos os jovens frequentavam os mesmos lugares e se conheciam.

_Kátia, você sabe se havia algo, algum motivo pelo qual ela fosse obrigada a se comportar como eles. Você lembra-se do nosso grupo e o quanto nós éramos de bem com a vida? O que foi que aconteceu?

Kátia não sabia. Lembrava que eram diferentes daquele outro grupo de conhecidos. Mais nada.

_Nós não sabemos se ela foi pressionada ou chantageada, buscamos até hoje uma explicação para essa birra até hoje.

Kátia desconhecia por completo a vida particular da irmã da gerente. Lembrou-se dos encontros desagradáveis naqueles tempos.

A gerente disse que o problema não eram aqueles tempos. Era a necessidade de ainda hoje.

_Kátia, com todo o respeito evite essa minha irmã. Ela já fez demais para você e nós não sabemos o motivo. O problema é esse: não sabemos o motivo!

Uma lágrima desceu pelo rosto da gerente.

A situação não poderia ser mais desconfortável. Mas, ao ouvir a gerente, Kátia lembrou-se de tê-la visto outro dia, do outro lado da praça.

Ambas não sabiam o motivo daquele comportamento. Kátia pensava consigo mesma no absurdo que era ninguém saber o motivo.

_Ela não te disse nada que pudesse indicar o problema?

_Nada. Lembra-se do meu pai? Ele a questionou, várias vezes, e ela dizia que era por diversão.

Kátia se emocionou. Ela estava no automóvel em frente à farmácia esperando um familiar que havia ido comprar remédios quando avistou no carro ao lado o pai da gerente. Ele estava com bastante idade e doente. Mesmo assim abriu a vidraça do automóvel dele para dizer “Fique com Deus”. Ela agradeceu essa bênção e sorriu. Havia sido o último contato entre ela e a família da gerente. Fazia mais de dez anos. Não teve coragem de contar a cena para a gerente.

_Não se preocupe, é difícil nos encontrarmos. Somos adultas e cada uma de nós leva a sua vida.

A gerente olhou para Kátia e disse que não era difícil. Ela, a irmã, gostava de saber da vida de Kátia como se ela a houvesse feito algum mal, ou, por causa dela, ela houvesse sofrido muito. Repetiu a recomendação para que Kátia a evitasse fosse do jeito que fosse.

Kátia decidiu por não mais pedir o desconto e ir ao caixa pagar. Pediu licença à gerente, disse da hora do almoço, que tomaria cuidado e pegou o papel do pedido para pagá-lo.

A gerente, ao vê-la com o papel do pedido para ir ao caixa, pediu por alguns momentos e assinalou o desconto.

_A gente se vê!

Abraçaram-se com ternura.

Tempos de Natal.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Abstração

Abstração

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Ninguém perde por querer

Perder. Tempo, paz, razão...

São irmãos desse não se ter,

A ciência da condição.

 

A lida é conta de obter;

É ao sonho emprestar a ação,

Somar e não se entreter,

Dizer que poesia é ilusão.

 

Saber a paz compreender

E, ao tempo do dia em vazão,

Servir ao objeto e empreender,

É, em versos, ser abstração.

sábado, 13 de dezembro de 2014

Tentando Explicar / Miniconto

Tentando Explicar / Miniconto

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Comportamentos e reflexões, sentimentos, emoções e conclusões excelentes.

Vânia encontrou Victória, amigas que fazem críticas muito semelhantes de si mesmas e dos outros. A autocrítica, quando excessiva consigo mesmo, leva a outras críticas.

E jogaram fora algum amargor falando mal, em particular, não das pessoas, mas dos comportamentos.

_Estamos em plena época de festas. Custaria muito mandar a sacoleira se comportar melhor? O que é que ela tem a ver com o pijama de bolinhas coloridas que o vizinho usa. O vizinho não compra artigos importados porque não têm assistência técnica. Mas é de uma maldade imensa contar do pijama de bolinhas coloridas!

Vânia vira-se para a amiga e diz que ela não deveria se preocupar com o vizinho e sim com a fiscalização da quota de compras.

_O pijama de bolinhas coloridas não tem nada a ver com a fiscalização.

As duas riram.

A amiga Victória também tinha a sua história para contar.

_A merendeira da escola onde eu trabalho ajuda alguns investigadores da polícia. A escola vê e finge que não vê, porque para nós é auxílio. Outro dia, porém, eu comprei um batom rosa choque e ela viu. Eu estava tão feliz com o batom novo. Ela foi até a direção da escola e disse que o batom daquela cor incomodaria o serviço dela. Conseguiu apoio e, a direção proibiu o uso de batom na escola para alunas e professoras. Professoras!

Vânia exclamou:

_Existem outros comportamentos diferentes, eu prefiro os outros comportamentos.

Victória concordou:

_Eu sei o que você sente.

Vânia disse que quando quer comprar algum produto de sacoleira, procura outro tipo de comportamento. Ela não gosta desse tipo de pressão para vender. Ninguém é obrigado a comprar produto de sacoleira.

Victória concordou:

_Eu prefiro outro tipo de auxiliar de investigação policial. Levo o meu lanche de casa. Não é o meu trabalho e, eu não entendo, mas houve abuso. O meu batom rosa choque perdeu a cor e a alegria de tê-lo comprado. Eu me afastei das compras na cantina da escola. Sento-me com as colegas e converso com elas, agora com outro comportamento. O pior é que eu não vendo os cosméticos e, os cosméticos continuam a ser vendidos através das revistas durante o recreio e na cantina. Não era os cosméticos o motivo da implicância, mas a cor do batom que comprei.

Vânia, após ouvir a queixa da Victória, contou das aulas na faculdade onde a filha estudava.

_A professora de pedagogia disse que tem gente que sofre menos porque se defende mais. Disse que quem pode mais chora menos e essa é a regra da vida prática.

Victória continuou a conversa:

_Nem todos pensam assim. Converse com qualquer advogado e ele te explicará a “mais valia” e as suas consequências.

Vânia disse que sabia.

_A nossa sociedade anda tão violenta que ninguém quer discutir assunto de bagatela. Consideram assunto de menor importância, porque é facilmente superável.

Victória complementou:

_É uma questão de civilidade. Se aceita esse padrão de comportamento como normal. E não é normal. Nós sabemos que pode ser diferente.

Vânia disse que se havia um padrão aceito como normal e, elas sabiam que o padrão pode ser outro porque conheciam o outro padrão, elas é que estavam fora do padrão de civilidade do local.

_E daí? O que é que nós podemos fazer a respeito? Perguntou Victória.

Vânia disse que nada além de manter contato com pessoas de padrão semelhante ao delas.

_É uma questão de logística. Nós não podemos mudar o comportamento dos outros. São mudanças que exigem recursos financeiros porque para vivermos o padrão de civilidade que queremos, precisamos levar conosco aqueles que amamos.

_E como somos contra a mais valia não usamos de subterfúgios para convencer e submeter aqueles a quem amamos às nossas próprias vontades.

Vânia e Victória sabiam que teriam que a prender a conviver com o conflito íntimo.

_Conviver com o conflito não significa ceder às pressões.

_Conviver significa nos permitirmos conviver com o que aceitamos como sendo civilidade. A vontade não pode simplesmente ser suprimida, precisamos ao menos visitar o que consideramos certo.

Vânia disse à Victória que talvez essa fosse à solução.

Victória disse à Vânia que estudaria uma maneira de possibilitar a convivência com aquela outra espécie de civilidade.

_Porque, eles, não mudarão os seus comportamentos.

_Porque, nós, não mudaremos os nossos sentimentos em relação a essas coisas.

Abraçaram-se e seguiram com vontade de fazer planos.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Questão de Tato / Crônica do Cotidiano

Questão de Tato / Crônica do Cotidiano

Final de ano. Estamos quase no Natal. O menino leva presente para a professora. Aquele presente tradicional com torrones de castanhas, balas e um ou outro chocolate.

Papel celofane colorido com direito ao laço de fita.

O garoto oferece o presente à professora.

_Que encanto de menino!

Entrariam na sala de aula, não fosse à surpresa especialmente preparada.

_Professora, a minha mãe foi quem comprou esse presente para você (a professora em questão gosta de ser tratada pelo pronome você), mas eu preparei outro presente.

A professora sorriu feliz e recompensada pelo esforço do ano.

_Qual é a surpresa?

O menino, orgulhoso de si mesmo, disse:

_A minha mãe a aguarda no carro. Eu trouxe os meus Hamsters de estimação para mostrar e apresentá-los a você.

Hamsters são roedores pequenos.

Gostei da história. Fui junto.

No banco de trás do automóvel a gaiola com escorregadores em forma de tubos. O menino chamava o casal de Hamster enquanto batia com a ponta dos dedos no arame.

Eles apareceram. Minúsculos camundongos subiram pelo escorregador em forma de tubo.

_Eu vou tirar um deles da gaiola para você pegar.

O garoto abriu a gaiola e a mãe dele pediu para que não os deixassem fugir para o banco do automóvel.

Quando ele pegou o bichinho com as mãos, eu disse:

_Feliz Natal e Próspero Ano Novo! Ano que vem a gente se encontra.

Não é a minha natureza e, eu nunca gostei da Flauta Mágica.

Eu os deixei pensando no quanto é importante lavar as mãos quando se chega da rua ou de qualquer lugar, não coçar os olhos, escolher onde lanchar. A higiene é uma forma simples e barata de manter a saúde no dia a dia.

Eu tenho que aceitar a minha natureza humana. Da mesma forma com que aceito a sua natureza, pets.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Essa me Foi Contada/ Crônica do Cotidiano

Essa me Foi Contada/ Crônica do Cotidiano

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Essa me foi contada. As moças tinham entre dezoito e vinte e um anos. Vieram passar as férias em Curitiba.

Havia uma festa na cidade e elas foram arrumar o cabelo e as unhas.

No caminho entre o salão de beleza e a casa dos parentes onde estavam hospedadas, souberam que um dos seus amigos não estaria presente à festa.

O jovem, amigo delas, que tinha por volta de vinte e cinco anos, havia morrido.

_Morreu do quê?

Elas não conseguiam sequer imaginar a situação. O jovem estava andando pelo centro da cidade, tropeçou na calçada, caiu, bateu a cabeça e morreu.

Simples assim, estupidamente assim.

A moça mais velha, que contava o bate-papo com ele durante a festa, ficou sem saber o que pensar.

Talvez tenha sido ela quem me tirou essa espécie de vampirismo que permeia a minha cidade.

Nenhuma doença é lazer e nenhuma morte é prazer.

Não se vive em função de busca de doença. A prevenção é boa, mas desde que não se torne uma mania mórbida.

Todo o conceito filosófico de vida criado a partir de uma festa que não teve graça para uma das moças ensina e muito.

Se nada o impede de comer um pedaço de bolo e você tem vontade de comer, coma. Amanhã você poderá ter diabetes e não comerá esse pedaço de bolo.

A bebida alcoólica traz junto com a ressaca, a tristeza. Não vale a pena falar com quem está de ressaca.

Aproveitar o momento que se tem, repetindo o pensamento de outras crônicas, é o melhor a fazer.

Se eu tenho algum objetivo nessas repetições em textos diversos, é combater o vampirismo do lugar onde eu moro.

Talvez seja influência dos imigrantes, o país do Drácula, o país dos castelos mal assombrados, são culturas que interagiram com a mística do povo que estava por aqui e, transformaram a cultura de Curitiba.

Houve gente que, de tanto desgostar dessa cultura vampiresca chegou a dizer:

_Se eu ficar doente, que me tratem, pois o máximo que pode acontecer é a morte.

Assim mesmo.

_Não é essa a minha cultura.

Nessa época do ano, tem gente que gosta de saber de doenças. Esse é um passatempo ruim, não leva a lugar nenhum. Ainda se fosse para fazer alguma visita e levar consolo, mas não é.

Dentro de mim, deve haver uma psicóloga frustrada, porque eu amo mexer com elas, mas não tenho nenhuma intenção de ofendê-las.

Que as psicólogas descubram por que é que essa cidade é assim. Elas ouvem os problemas dos outros o dia inteiro, mas lucram com isso. Não as posso chamar de mórbidas, é profissão.

Aprender a viver bem também é não comer o doce açucarado quando se tem diabetes.

Calma, eu ainda não tenho diabetes. Os vampiros que fiquem na torcida.

Aqui se tem que tomar cuidado. Vampiro também lê. Os daqui são cultos.

Para alegrar os vampiros, digo que todos morrem.

Enquanto isso, vivemos para o bem, que o mal não vale a pena.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Uma Palavra

Uma Palavra

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Acordei pensando numa amiga. Liguei para ela.

_Não mora mais aqui. Veja o site.

O site bonito, bem montado como é o costume dela.

Acessei o site.

Apenas uma palavra: desfazer.

A minha amiga foi desfeita, desmanchada.

Procurei a foto dela no site. O cabelo confirma a última conversa que tivemos.

Sentei-me no sofá e lembrei-me da conversa que tivemos há quatro anos.

Eu tive problemas. Ela teve problemas.

Perdemos o contato.

Eram alguns pontos de vista em comum e muitos outros diversos.

“A palavra está escrita em espanhol: ‘desfacer”.

Esclareço a palavra em espanhol porque a palavra desfeita em português tem o sentido de mágoa e em espanhol significa desmanchar.

Mesmo com todo esse desmanche de vida pessoal, ainda temos os mesmos pontos de vista em comum.

A realidade dela ainda é semelhante à minha.

Buscamos os mesmos caminhos.

Ela está longe de Curitiba e não sei exatamente como foi que aconteceu esse desfazer.

Há pontos coincidentes na vida de hoje.

Pelo que soube dela e pelo que sei de mim.

Encontrei a foto dela num desses sites sociais.

A árvore de Natal. Nós ainda gostamos de árvores de Natal.

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Luz de Natal

Luz De Natal

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Todo arco-íris é fonte

Da luz branca perfeita,

Amostra de horizonte.

 

A fé é sentido e ponte

Da luz Jesus que aceita

Ser Deus, homem insonte.

 

E Cristo é Deus desponte

 

Em berço que se enfeita.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Renovação

Renovação

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Em cada janela um olhar

À rua, a distante visão,

Da infância num pestanejar.

 

São as festas a comemorar,

Presentes, compras e canção,

Cantada aguardando o ninar.

 

A criança vem iluminar

 

O tempo de renovação.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Dos Livros para Jovens / Reflexão

Dos Livros para Jovens

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Certa vez ouvi dizer que o que, de fato, mantinha a mente aberta para o novo, eram as crianças e os jovens dentro da família e que a sorte estava com quem tivesse família renovada.

A gente não se dá conta que está ficando ranzinza, mas está.

Ontem, por acaso perguntaram se eu havia lido o livro ou assistido o filme Crepúsculo. A resposta foi não, disse que não gostava desse tipo de filme.

_Você assistiu Frozen? Uma animação adorada pelas meninas?

_Também não. Conte-me a história.

A professora teve a paciência de me contar a história das duas irmãs que eram muito unidas, etc.

Mais conversas aqui e ali e acabei comprando um livro sobre uma história jovem. Livro fino e leitura rápida.

Com a idade a gente complica a vida, às vezes desnecessariamente.

A espontaneidade jovem nos faz falta. E que não se confunda espontaneidade jovem com caduquice.

Estava rabugenta.

Não estou mais.

A linguagem desses livros infanto-juvenis chega a ser hilária. Embora o livro não seja engraçado a gente ri da gente mesmo

Agora, talvez alguém me pergunte o título do livro. Qualquer título de Best-seller para jovens pode ser útil.

Ninguém quer recuperar o tempo perdido, mas refrescar o espírito é bom. Saber o que os mais jovens conversam entre eles, sem a interferência dos adultos na conversa.

A linguagem deles é outra e a deixamos com eles.

Mas as inferências deles conosco são divertidas, seja pessoalmente ou através de um livro.

Agora, cometerei uma inconfidência, pois uma garota, querendo ser atenciosa para comigo perguntou se eu sabia por que é que as menininhas, as meninas pequenas, gostavam tanto das princesas Anna e Elsa.

_Eu não sabia e ainda não sei. Você sabe?

A garota pensou, coçou o queixo e respondeu:

_Eu acho que é porque elas são pequenininhas. Eu, que sou grande, as acho chatas.

Conversar com criança deixa a gente surpresa.

Sem ter como continuar a conversa, sugeria à mocinha que me fazia companhia que observássemos as pequenininhas brincarem de princesas.

Ela concordou.

Sem mais conversas.

Eu preciso urgentemente me atualizar, com licença.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

Pano Pra Manga / Crônica do Cotidiano

Pano pra Manga

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O colega de trabalho convidou a colega para tomarem uma cerveja.

_Eu estava pensando em sair lá fora e fumar um cigarro. Lá na empresa é proibido.

O colega disse que queria conversar sobre os negócios do dia.

A colega pensou duas vezes e ficou.

_Eu fumo quando chegar em casa. Vamos conversar.

O colega trouxe a cerveja, serviu a colega e, para surpresa dele, ela tomou meio copo.

_Nós precisamos conversar sobre os negócios do dia. Vá com calma!

A moça desabafou:

_Ao meio dia passamos pelo pedágio da rodovia, cinquenta minutos depois estávamos no litoral fazendo negócios. Sem que fôssemos avisados que iríamos viajar, sem lanche, sem nada. Fechamos o negócio.

O colega a acalmou. Mas perguntou por que é que ela não tinha fumado um cigarro depois que chegou ao litoral do estado.

_Um cigarro que eu fume e eu perco o meu emprego, o meu salário.

O colega disse que isso era proibido por lei. A rua era um lugar independente da empresa e havia o café e os outros colegas que lá frequentavam.

_É que eu ganho bem, tenho um posto bom. Onde trabalhamos não é uma empresa qualquer, é uma “monstruosidade”. Esqueça o cigarro, vamos tomar a cerveja que os 120 km por hora me deixaram mal o dia inteiro. Quando eu chegar em casa é que eu vou contar para a minha família da viagem de negócios, não quero que eles se preocupem comigo.

O colega desistiu de falar dos negócios e deu toda atenção à colega.

_Nós estamos tomando cerveja depois do expediente e todo o pessoal da empresa pode nos encontrar aqui a qualquer momento. Você não tem medo disso?

Ela disse que não. A cerveja e o vinho são bem aceitos em sociedade.

_O que você acha que aconteceria se você fosse até o café e, depois, fumasse um cigarro com os colegas?

Ela disse que seria considerada dependente e viciada e seria encaminhada ao programa de recuperação de viciados patrocinado pela empresa onde trabalhavam. Condição essencial para a manutenção do emprego.

_Para ser fumante dentro da empresa é preciso fazer parte da turma de troca de favores, ao contrário passa a ser dependente de substâncias químicas.

O colega colocou a sobra da garrafa de cerveja no copo dele e foi ao balcão buscar refrigerantes.

A colega estava visivelmente estressada.

_E o passeio foi bom? A paisagem do litoral é bonita.

A colega respondeu:

_Passeio? Eu fui colocada dentro do carro com os contratos, mais dois colegas e o motorista. Fechamos o contrato e voltamos à Curitiba. A volta durou quarenta e cinco minutos. O meu emprego está garantido: não fumo e cumpro as metas, mas eu preciso descansar.

O colega disse que dia dezenove de dezembro será feriado.

A colega perguntou se a empresa tinha aderido ao feriado.

_Foram obrigados a aderir.

A colega, mas calma e contente com o feriado que terá para se organizar, perguntou por que é que é feriado no dia dezenove de dezembro.

O colega meneou a cabeça e respondeu:

_Parece que é o dia em que se comemora a Independência do Paraná.

A colega, pós-graduada, em conformidade como descrevia as suas obrigações de apresentação e postura, perguntou se, depois da Independência do Brasil, o Paraná teve que proclamar a sua Independência.

O colega respondeu:

_Parece que sim. O Brasil ficou independente de Portugal, mas o Paraná teve que ficar independente de São Paulo.

Terminei o meu lanche e voltei para casa pensando no dia dezenove de dezembro, Dia da Emancipação Política do Estado do Paraná, que deixou, nessa data, no ano de 1.853, de ser comarca do Estado de São Paulo. Esse desmembramento foi uma punição pela participação paulista na revolução liberal de 1.842.

Mas foi um bate-papo muito interessante.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2014

Resolvida – Miniconto

Resolvida

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Rosana era uma jovem bem nascida e, embora tivesse vida boa, não perdoava o divórcio dos seus pais. Ambos refizeram as suas vidas com outros cônjuges, mas ela se sentia roubada pelo destino.

Ao invés de compreender as dificuldades familiares, ela se revoltava com a situação e, aos poucos, adquirira uma espécie de ódio por todos aqueles que trouxessem consigo alguns valores de família.

Estava próxima de completar dezoito anos e queria passar as férias com o seu pai e a sua nova esposa, os quais moravam no Piauí.

A mãe negou a compra da viagem e o dinheiro. Disse à filha que, se o pai dela quisesse que ela passasse as férias com ele, ele que pagasse os custos da viagem.

Assim começa a história.

A garota queria dinheiro, não muito, apenas o suficiente para passar um mês no Piauí sem ter que pedir dinheiro para a mãe e o pai, muito menos para os respectivos cônjuges.

No bairro onde morava havia uma viúva que morava sozinha e uma imobiliária procurando imóveis para vender ou alugar.

Planejou transformar a casa da viúva numa casa mal assombrada, feia e mal cuidada, para que a viúva tivesse vontade de vendê-la.

Rosana tinha um semestre antes das próximas férias escolares. A comissão por indicação de imóvel encaixava-se perfeitamente no seu plano de férias.

Para executar esse plano precisava ao menos de um parceiro. Pesquisou entre os amigos e conhecidos alguém que coubesse nos seus planos.

O jovem chamava-se Reginaldo, tinha boa aparência e era educado. A fraqueza dele era pensar que sabia lidar com todos os problemas e com todos os tipos de pessoas, fossem elas boas ou más.

Rosana disse a ele que próximo a onde ela morava havia uma viúva que morava sozinha e que, muitas vezes ela pensou em ajudá-la, mas os estudos a impediam de fazê-lo. Quem sabe se, ele ajudasse, os dois pudessem fazer algo por aquela senhora.

Reginaldo disse que tinha algum tempo de folga durante a semana e, depois que Rosana mostrasse a ela de quem se tratava, quando a visse precisando de alguma coisa, ele a ajudaria.

_Obrigada, moço! Segue o seu caminho em paz.

Enquanto Reginaldo ajudava, Rosana conhecia a vida da senhora.

_Não deixe que ela arrume aquela casa! Duvido que ela saiba pegar as pessoas certas.

_Ela não tem problemas de saúde que a impeçam de fazer escolhas, Reginaldo respondeu.

O jovem não gostou da ideia de impedir a senhora de pintar a casa dela. No entanto, ele não era daquele lugar e concordou, porque, afinal, ele sabia lidar com todo o tipo de gente.

A senhora viúva certo dia, disse a ele se, por acaso, ele não teria nada mais útil a fazer na vida do que ajudá-la:

_Jovem, acho que você precisa procurar gente da sua idade, sair, conversar, cuidar mais da sua vida.

A essa altura, Reginaldo e Rosana tornavam-se cúmplices, pois a jovem contou ao amigo do plano da viagem para o Piauí.

Ele disse à amiga que era melhor que a senhora vendesse a casa, assim Rosana viajaria e ele não teria mais que ajudar a senhora.

Passou o tempo e a casa ficou desbotada. Rosana contatou a imobiliária e o corretor foi até a casa da senhora.

A viúva disse ao corretor que não queria vender a casa, ao contrário, queria deixá-la bonita. Sozinha e sem ter com quem trocar ideias, contou que além de não conseguir gente para pintar a casa, ainda estava se incomodando com um jovem que parecia não ter o que fazer na vida.

O corretor, que perdeu o seu tempo indo até a casa da viúva, cuja casa havia sido indicada por Rosana, agradeceu à senhora e se foi.

Seis meses depois, Rosana foi para o Piauí. Vendeu o carro que ganhou de presente de aniversário, especialmente comprado por sua mãe.

Reginaldo teve a sua vida ocupada com tarefas e compromissos para não pensar em Rosana. Chorava a ausência dela e muito sofria. Nunca mais apareceu na casa da senhora depois que o corretor de imóveis o repreendeu.

A casa da senhora estava pintada. O corretor de imóveis teve a gentileza de enviar um envelope com inúmeros cartões de visitas com nomes de lojas de material de construções com mão de obra especializada em consertos gerais.

Não se sabe que futuro tiveram os jovens depois do episódio. A história tem ponto final nesse parágrafo.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Universitário / Crônica do Cotidiano

Universitário / Crônica do Cotidiano

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Estava eu saboreando o meu café numa panificadora.

Próximo estava um estudante universitário. Carregava consigo livros e pastas indicando as atividades escolares. Olhava para a rua.

Para ser exata, eu nem havia notado a presença do jovem até que ele disse:

_A corja passou. Eu posso pegar o ônibus.

A frase dele foi espontânea e em voz audível.

Os fregueses olharam para ele.

A balconista disse ao gerente que todos os dias ele toma essa atitude. Pega o ônibus depois que um grupo de jovens desce do ônibus.

O universitário vira-se para o gerente e diz:

_Não adianta. Eles são arruaceiros e quem se mete com eles arranja confusão. Eu quero estudar. Para estudar eu pego o ônibus depois que eles a descem do ônibus.

A balconista reclama com razão sobre o tipo de vida que os jovens levam hoje em dia.

O jovem responde que essa é a realidade. A realidade do mais forte. Conta que quem reclama dessa turma nem pega o ônibus para ir à faculdade.

O pior é que ele se esconde todos os dias na panificadora até que os arruaceiros do bairro dele saiam do ônibus.

_Eles são vingativos. A gente não consegue argumentar com eles. Daqui a alguns anos eu estou formado e a situação estará resolvida. Seremos todos adultos e essa má fase deles passa.

A corja, pelo que avistamos da panificadora, é uma turma que anda sempre unida e sai em grupo.

Eu sei que a turma dobrou a esquina e ele foi para o ponto de ônibus.

Todos nós, que estávamos na panificadora, ficamos estarrecidos com a situação e com o comportamento do jovem que não faz parte da turma.

Ninguém disse nada a ele, mas sabemos que isso não é bom.

De repente, nem sei mais o que escrever.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

Temperança

Temperança

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Da melhor forma

Crível, nós vamos.

Que o amanhã acorda;

Continuamos.

 

O copo à borda,

Bebericamos.

E não transborda;

D’água tomamos.

 

O traço informa

Que assim estamos;

Cansaço é norma

Que ao amor somamos.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Doce de Nozes / Crônica do Cotidiano

Doce de Nozes / Crônica de Cotidiano

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_Eu quero comprar um doce.

A confeitaria nova e bem decorada.

A moça virou-se para a freguesa e disse:

_Já sei! É para adoçar a bílis.

Foi aí que eu comecei a rir e cheguei para conversar com ela.

_Como é que é? Adoçar a bílis?

Ela, num tom de voz muito educado, disse-me:

_Sim senhora. Para adoçar a bílis. Eu farei o mesmo quando voltar do almoço. A senhora está servida?

Pedi um doce e um café. Não sei se preciso, mas, de repente é remédio.

Perguntei à moça se ajudava.

_O doce aqui da nossa confeitaria ajuda. É um doce caro e o café é gourmet. Ninguém compra dois e não prejudica a boa forma.

Gostei do jeito dela. Perguntei como é que funcionava e adoçava e não engordava.

_A senhora guarda a raiva. Amargura todas as mágoas e não as revela a ninguém. Mas não compra o doce até o momento no qual pensar em dizer tudo o que sente ao mundo. Come um doce. Conversa comigo e, pronto. Sai daqui boa e elegante. Porque eu digo que não é para todo dia. Mesmo porque o doce é caro e eu não posso comprá-lo todos os dias.

Eu sorri e disse que a bílis provavelmente estava sob controle.

_A senhora pensa que é somente com a freguesa que acontece dessas coisas? Que nada. Ah, se eu dissesse o que penso aí que estaria amargurada de fato.

Os meus meios são outros. Termino o dia como a página de um livro e o que está lido eu já sei. É diferente.

Comi o doce e tomei o café. Pensei nas outras freguesas, na simpatia da moça e caminhei devagar até chegar a casa.

domingo, 30 de novembro de 2014

Entre Ésquilo e Esquilos

Entre Ésquilo e Esquilos

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Ouça o som dessa voz,

Fala do coração,

Do amor que grita em nós;

E não é mais solidão.

 

Há um esquilo entre vós.

Um sonho, uma ilusão,

Um desejo de noz;

Algum samba-canção.

 

Mas é estudo, e a sós;

E se fez vocação.

Portanto, porta-voz,

D’uma realização.

sábado, 29 de novembro de 2014

Indomável

Indomável

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Quem é o dono da cor

De toda a água do mar,

De todo esse frescor,

Da brisa de sal no ar.

 

Quão imensa é a cor do amor,

Que a paz, de tanto andar,

Descansa a sua dor

E pode murmurar...

 

Que seja esse calor,

A cena a se pintar;

De um nobre pescador

Que soube aos pés molhar.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Escolhas

Escolhas

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Escolha é viver,

Descobrir, fazer,

E se surpreender.

 

Ao verbo dizer,

Saber vir a ser;

Sonhar é querer.

 

Bendiga esse crer

No bem por fazer,

Esse enternecer.

Previsão

Previsão

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A mente calma

Num bem querer

É o que te salva.

 

Refrescar a alma

Sempre requer

Alguma pausa.

 

Porque faz falta

 

O se prever.

quinta-feira, 27 de novembro de 2014

Pequenos Adoráveis / Crônica do Cotidiano

Pequenos Adoráveis

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Tem muita gente se mexendo para as compras de Natal.

Os gerentes avisam os funcionários de que os dias serão bastante movimentados de agora em diante. Em todos os lugares: lojas, estacionamentos, e onde quer que haja lembranças para vender.

Numa loja que entrei duas senhoras conversavam sobre presentes ousados. Perguntaram se eu compraria um presente ousado ou se me arriscaria a usar o tal presente, no caso um par de sapatos muito original.

Não respondi. O presente não é para mim e como é que posso dar palpite sobre um presente ousado para alguém que não conheço!

Em meio às compras, a animação.

É parte dos problemas de final de ano querer encontrar o presente ideal.

As crianças pedem o que gostariam de ganhar. É até mesmo divertido saber o que cada uma delas gostaria de ganhar.

A doçura das conversas entre os pequenos e os adultos.

Um garotinho, ainda pequeno e inteligente pediu aos tios, aos avós e aos pais um par de tênis para brincar com os amigos. Ele fez o mesmo pedido aos três durante o último almoço em que a família se reuniu.

O garoto tem por volta de sete anos de idade e não usará os pares de tênis até o final do ano que vem. Criança cresce.

Ele obrigou a família inteira se reunir para discutirem sobre os pedidos de Natal dele.

A conversa gira em torno de quem dará o par de tênis para o menino, porque dois dos pedidos não serão atendidos.

O pai chamou o filho e perguntou para ele se, por acaso, ele estava com receio de não conseguir o par de tênis. Para que três pedidos iguais?

Adulto pensa de um jeito.

_Eu quero três tênis, um de cada cor.

O pai pergunta:

_E brinquedo, você não quer nenhum?

O garoto faz pose ao responder para o pai.

_Não. Eu cresci bastante no último ano e os meus irmãos mais velhos não ganham mais brinquedos. Eu quero ganhar tênis para poder sair com eles jogar futebol na praça.

Os irmãos mais velhos têm respectivamente doze e quatorze anos. O pequeno não entrará no time de futebol dos irmãos mais velhos.

A resposta foi que conversariam com calma, em casa, enquanto tomassem o lanche.

Eu sei que tem uma família com avós, tios, pais e garoto discutindo a melhor solução para os três pares de tênis.

A distância percorrida entre o conselho do gerente e a conversa do garoto é imensa, embora tudo tenha se passado em menos de duas quadras a pé.

A sensibilidade chegou. Presente é metáfora...

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Black Friday / Crônica do Cotidiano

Black Friday / Crônica do Cotidiano

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Dizem que a sexta-feira de desconto é um estrangeirismo, que os descontos não são tão reais quanto em outros países, etc.

Mas é necessária e eu conto a razão.

Nos idos dos anos 70, havia a semana de desconto. E, por favor, parem de pensar em governo, política e o escambau. A semana de desconto era promovida pelos comerciantes que tentavam modernizar o comércio.

A semana era com data certa e os descontos valiam entre os dias 26 a 31 de dezembro.

Adolescente que era eu recebia o meu presente de natal com algum dinheiro para comprar roupas na semana de desconto. Foi parte da educação.

_Saia sozinha, escolha o que quiser comprar. Não compre discos ou chocolates. O dinheiro é para roupas e calçados.

Por que sozinha, perguntei.

_Para aprender a escolher. O que você comprar, seja do modelo que for você terá que usar.

Duas compras me são inesquecíveis: uma jardineira de brim cor-de-rosa e um par de sandálias de plataforma também de brim. Aquele tempo chamava-se brim azul. Hoje é jeans.

O vestido estilo jardineira de brim cor-de-rosa, eu usei até o tecido esgarçar, gostei demais dessa compra. As sandálias de brim eu usei porque tinha comprado. Nem conto o tamanho da bronca que levei em consequência do LP de rock.

_No ano que vem eu não compro disco.

O dia de Natal era o dia das lembrancinhas, mas a semana que antecedia o Ano Novo era a melhor semana do ano para mim. Era a semana em que eu tinha que escolher o que queria e aprender a não fazer escolhas erradas. Por minha própria conta e risco, mas supervisionada em casa. Disco, no meu caso, não era escolha, porque eu era louca por música. Eles sabiam a filha que tinham. E respeitavam! Até hoje agradeço por não ter estudado piano na adolescência, até mesmo Clementina de Jesus e Cartola fizeram parte dos shows que fui.

Voltemos ao desconto. Esse tempo passou. É o presente o que temos.

Ano passado, depois de ouvir todos os conselhos dos especialistas em Black Friday, fui às lojas. Estrangeirismo ou não, eu gosto disso.

Havia um laptop pela metade do preço. No entanto era o último da loja e estava na vitrine. Comprei.

Tive alguns compromissos e esperei um dia mais sossegado para instalar os meus programas (softwares) preferidos.

Quando liguei o laptop, surpresa! Estava bloqueado ainda.

Liguei para a loja, o vendedor me atendeu. Disse que o gerente iria à tarde e pediu para que eu retornasse a ligação.

Com tantas advertências feitas pela mídia, eu pensei que, talvez, tivesse que retornar à loja e pedir a troca.

Quando retornei a ligação, o vendedor chamou o gerente, que gentilmente me ensinou a desbloquear o laptop e desejou que o mesmo fosse fonte de muitas alegrias na minha vida virtual.

Esse laptop fará aniversário na próxima sexta-feira. Um ano de vida.

Sinto muito por todos aqueles que não acreditam em desconto, eu acredito.

É para agradecer!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Sempre-Viva

Sempre-Viva

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Sempre-viva, flor de jardim,

Que me diz do amor corriqueiro,

Que alimenta algum querubim,

Transformada em bem altaneiro.

 

E, ao ser dia, renasce sem fim,

Pois, semente de rumo e outeiro,

É família que habita em mim;

Projeção do que é verdadeiro.

 

Seu lugar é o de um anjo afim

Que abençoa esse lar prazenteiro.

A brindar, eu te louvo assim,

Quase em festa, mas costumeiro.

segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Notícias do Salão de Beleza

Notícias do Salão de Beleza

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Não sei se é o caso de dizer que estamos bonitas, mas saímos todas arrumadas do Salão de Beleza.

O que é novidade é que existem substitutivos para a escova progressiva, naturais e que demoram o tempo de uma escova. Duram três meses em perfeito estado de alisamento.

A outra novidade é que existe o xampu que retira a queratina e o cabelo fica crespo de novo.

Os salões de beleza se superam em produtos e serviços para deixarem as clientes satisfeitas. Porém, como não existe satisfação que dure muito tempo, as mudanças oferecem infinitas possibilidades em cores e texturas.

Existem também em forma de xampus cores imediatas. Qualquer mulher pode sair do salão com o cabelo cinza com apenas uma aplicação do produto.

Os problemas das mulheres que têm cabelo crespo estão resolvidos.

O problema para as mulheres que querem manter o cabelo num tom cinza está resolvido.

As gorjetas pululam nos salões de beleza, as amostras gratuitas também.

Mas elas avisam que quanto mais produtos, mais são as chances de quebra e pontas duplas. A hidratação capilar não resolve o problema da quebra dos fios por excesso de queratina e é preciso frequentar bons profissionais.

Os cabeleireiros hoje são estilistas. Eles imaginam o que fica bom para a freguesa e oferecem os serviços.

Não se deve aceitar nenhuma surpresa sem que a vontade de modificação seja expressa antes da modificação.

As oportunidades são muitas e, à medida que se experimenta, deve-se respeitar um prazo para a aplicação de outro produto em acordo com o que o profissional recomenda.

Nós, brasileiras, somos vaidosas. Esse é o perigo.

Uma moça contou que cortou o cabelo e ficou contente apenas uma semana. Na semana seguinte fez o chamado “mega-hair”. De tempos em tempos, ela tem que descolar todo o cabelo artificial e recolocar para manter os cabelos compridos e tratados.

O grande problema é ter que ficar muitas horas cuidando do cabelo e da boa aparência.

Presto homenagem com esse texto a todos os profissionais que têm uma imensa paciência para conosco, mulheres.

A beleza é uma metáfora que a mulher usa para expressar-se em sociedade. Mas, vamos com calma.

Hoje, descabelada e feliz. Por enquanto!

domingo, 23 de novembro de 2014

Difração Etérea

Difração Etérea.

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Em meio à escuridão,

Alguém O exaltava

E, em meio à multidão,

À Deus, se louvava.

 

Total gratidão

Que ao exemplo moldava,

Em plena oração

A luz se mostrava.

 

O Ser Redenção

A Si levantava,

Em luz, difração,

E etérea, vogava.

sábado, 22 de novembro de 2014

Das Soluções / Filosofando

clip_image001Das Soluções

A solução de qualquer problema depende do tempo e do espaço. Cronológico e geográfico. Porque é o que temos enquanto seres vivos em determinado tempo e espaço.

O mesmo espaço geográfico confere outra solução de acordo com as variáveis cronológicas do tempo.

Não existem dois seres humanos iguais, haverá sempre um distanciamento de conceitos entre os mais parecidos porque a percepção do ambiente é variável. A percepção física de uma situação seja ela boa ou ruim. Um ser humano de um metro e sessenta de altura tem a visão do mundo diferente daquele de um metro e oitenta de altura. A física reconhece que dois corpos não ocupam o mesmo espaço. A visão conceitual da vida difere de pessoa a pessoa. A Bíblia diz que vemos em parte, todos são particularidades de Deus.

O tempo espiritual na solução de problemas é diferente do tempo cronológico, o tempo do relógio, das datas, dos costumes. O tempo cronológico é a realidade da vida enquanto fato material. O mundo, enquanto cronológico, oferece diferentes tecnologias ao ser vivente.

A possibilidade tecnológica varia ao espaço físico e ao tempo do seu desenvolvimento.

Não há duas soluções iguais com a interferência do tempo cronológico e o desenvolvimento de novas tecnologias, as quais estão presentes no mesmo espaço físico.

Essas deduções são puramente materialistas quando não se considera o Espírito de Deus como ser vivo em contínua atuação e desenvolvimento com o objetivo da perfeição universal.

Desde sempre o homem imagina uma viagem ao tempo. Mas, se tal viagem for possível, com o mesmo conceito e experiência de vida, naturalmente ele terá que se valer de outros recursos para a condução dos seus problemas. O tempo e o espaço físico serão outros enquanto o homem é o mesmo ser em desenvolvimento espiritual em contínua decadência no seu plano físico.

A essa altura, algum leitor amigo dirá: _Vire essa boca para lá!

Todas as coordenadas e variáveis rumam ao infinito, mas a solução será outra quando se leva em consideração as condições físicas do ser vivo.

A vida é o que interessa nesse plano físico em que, o ser que vive se encontra. Até mesmo as condições oferecidas pela natureza fazem com que as soluções sejam outras. As intempéries, as secas, e mesmo o clima faz com que outras soluções sejam buscadas.

Quando se supõe um ambiente semelhante para a condição da existência, geralmente pensado por cientistas, não se supõe que todas as reações dessa possível vida fora do laboratório reajam diferentemente se, o ser vivente, estiver em discordância do espaço físico e cronológico da sua condição natural.

Parece excipiente, mas é remédio. É resposta física, cronológica e natural à condição do ser vivo.

A solução de todo e qualquer problema existirá a partir da consideração dessas condições.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

A Chuva, A Fila e o Show / Crônica de Supermercado

A Chuva, A Fila e o Show / Crônica de Supermercado

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Quando os dias estão movimentados a gente muda de assunto rapidamente.

O céu escureceu e anunciou a chuva. Olho para cima e penso na chuva e nos pães para o lanche. Melhor não perder tempo e entrar no primeiro supermercado no meio do caminho.

Supermercado diferente e passeio rapidamente entre as fileiras antes de ir à padaria, a chuva era de pingos contados, não tardaria a cair.

Todos os caixas tinham filas e, logo entrei numa delas para me apressar.

À frente, no corredor de entrada, um jovem adulto perguntava às filas se queriam que ele cantasse.

Ele parecia um vagalume naqueles coletes na cor amarelo-ouro e de plástico.

Alguns fregueses se entreolharam, com receio, o que não deixa de ser uma pena da vida moderna.

De repente, o jovem adulto de coletes na cor amarelo-ouro de plástico soltou a voz numa moda sertaneja.

Que voz!

À minha frente havia um senhor grisalho que desconfiou ter ouvido aquela voz em algum lugar.

Os meus ouvidos estavam afinados e, embora eu não pudesse ver com exatidão a fisionomia do homem, os meus ouvidos me diziam da voz clara, limpa, sonora, afinada e talentosa.

Ele cantou um trecho de música sertaneja e caiu na risada.

Todas as filas olhavam para ele como que encantadas com a voz.

Aquela afinação própria das terças, perfeita para as músicas sertanejas, não enganava a ninguém. Era algum cantor incógnito a fim de zoar com os fregueses.

O que sei é que a se ver tão observado, ele saiu do supermercado.

Antes de sair disse num som audível a todas as filas que, se quisessem pedir que ele cantasse alguma canção que ficassem à vontade.

Todos o olhavam com admiração tentando adivinhar qual cantor sertanejo seria ele.

Ele sorriu à porta do supermercado e disse até breve.

Saiu calmamente cantando corredor afora até que não mais o pudéssemos ouvir.

Não sei quem era, ou, se realmente, era algum cantor conhecido. Talento tinha para dar e vender.

Entrei no supermercado pensando em chuva, pensei em música, ganhei o tempo, mas tomei chuva de granizo.

Conto a história da chuva.

_Granizo! E você na rua? Que susto!

Susto nada. Surpresa.

Moedas de emoção. Satisfação.

Nem sei como explicar...

Poema Empurrado

Poema Empurrado

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Empurra, oh! Minha vontade,

Todo canto de saudade,

Nem que seja c’oa barriga

Como esmola a quem mendiga.

 

E que vá junto, a verdade,

Que essa cruel curiosidade

Despertou em quem se abriga

A versar sobre o que a instiga.

 

Empurra, oh! Criatividade,

Em seu doer, a validade,

De vir ser nova cantiga

De ninar e, assim, bendiga.

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

O Ranário / Crônica do Cotidiano

O Ranário / Crônica do Cotidiano

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Certa época, alguns anos atrás, foi moda nos restaurantes da cidade servir carne de rã. Os cozinheiros a preparavam e ofereciam aos clientes para provar.

Edinei, conhecido da família, comprou terras numa cidade próxima ao litoral para montar o seu ranário. Despediu-se dos amigos e conhecidos e se mandou para a sua chácara localizada entre Morretes e Porto de Cima, no Paraná.

Os conhecidos perguntavam por ele aqui e acolá e ninguém tinha notícias. As ligações telefônicas caíam e, à medida da dificuldade, poucas notícias tinham de Edinei.

Passaram dois anos e eis que Edinei aparece na cidade, caminhando no centro da cidade à procura dos amigos.

Em Curitiba não tem erro: sobe a pé pela rua XV de Novembro e volta pela Av. Marechal Deodoro, e quem não encontrar um conhecido, deve duvidar que ainda esteja vivo.

Curitiba não é uma cidade violenta, mas costuma-se dizer que se está bem por enquanto, sempre “por enquanto”, para não contar com absolutamente nada como prognóstico de futuro.

Pouco se conversa, mas quando os conhecidos se encontram, logo perguntam:

_Há quanto tempo, esqueceu-se dos amigos? Outro dia perguntávamos sobre você e ninguém soube responder. E o ranário, como vai? Deu lucro?

Edinei, taciturno, contou aos amigos sobre o ranário.

_A chácara está lá e não faltam rãs. Rãs que ninguém compra porque ninguém come rãs. A moda passou seis meses após a montagem do ranário. Muita gente se tornou vegetariana após o nojo que sentiram pelo prato de rãs empanadas. Disseram que nunca serviram sapos para as suas visitas. Os donos de restaurantes deixaram de comprar. Parece que há ainda um ou dois ranários em funcionamento, mas produzem para a exportação e com mercado garantido. Perdi todo o investimento.

Um amigo, preocupado, perguntou se ele gostaria de vender a chácara, pois ele conhecia uma imobiliária de confiança.

_A chácara eu conservarei. Parece que há mercado para bananas. Estou aqui para aprender os processos de cultivo e fabricação de bananas-passas, doces e conservas à base de bananas.

O amigo se tranquilizou ao perceber que a situação do outro amigo não era tão caótica quanto dava a entender.

A chácara alimenta Edinei até hoje.

Foi uma moda. Não se sabe até hoje de onde veio à ideia da carne de rã como saudável. Grande parte da classe média curitibana teve o desprazer de ver chegar o prato de rãs à milanesa com pedaços de limão para acompanhar, além do arroz e das tradicionais batatas palito. A propaganda foi intensa e as emissoras de televisão filmavam as pessoas felizes se direcionando ao prato de rãs. Propaganda. Interesses outros para forçar o preço da carne bovina para baixo.

Vale a pena contar essa história. Edinei não tem volta.