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domingo, 30 de junho de 2013

Passeios de Domingo

Passeios de Domingo / Crônica do Cotidiano
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Estávamos na fila para a escada rolante da loja.
Mãe e filha ao meu lado numa conversa tensa. A mãe pedia à filha que não mentisse para ela novamente. A menina, aproximando dez anos de idade, se defendia ao ser chamada a atenção:
_Mãe, não foi uma mentira para te fazer triste. Foi uma mentira para me fazer contente. São fatos diferentes. Eu gostaria que você me entendesse.
A mãe respondeu:
_Você mentiu e me deixou triste. Você disse que iria passar à tarde na casa da sua amiga. Vocês saíram e passearam por onde vocês quiseram. Se não fosse a vizinha da mãe da sua amiga ter telefonado para ela pedindo permissão para as acompanhar sem que vocês percebessem, nós não saberíamos que vocês tinham saído. Você é pequena para decidir sair sem contar onde deseja ir para mim. A sua amiga também é criança.
A menina disse que a mãe estava certa. Ela ainda era criança e crianças erram mais que adultos.
_Quando as crianças erram nos deixam tristes. Quero que você saiba que é muito errado mentir, ainda mais para quem a ama e é sincera e leal com você. Além disso, eu sou a sua mãe e, por enquanto, quem decide os seus passeios sou eu.
A menina estava pronta para continuar o diálogo, quando a mãe reparou que tinha gente na fila. Dirigiu-se à senhora ao lado e disse:
_Sabe que eu estou com uma vontade de sair e protestar. Eu tenho quase quarenta anos e dentro de mim pulsa a indignação em certos momentos.
A senhora disse que a compreendia.
A mãe da menina disse que protestava junto àquela senhora. Disse também que ela não conseguia disfarçar a sua indignação.
A senhora que a ouviu disse que a compreendia mais uma vez. Não era bom para nenhuma delas que toda a fila ouvisse a bronca e as desculpas da garota. A senhora pediu a ambas que fossem pela escada normal. O assunto era essencial para ambas e seria bom que elas resolvessem o problema e não deixassem para depois.
A mãe agradeceu a sugestão enquanto a filha pensava em argumentos.
Assuntos de família são inadiáveis.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

Antes do Sol

Antes do Sol

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Nesse meio de tantas teclas

Com os textos em nações,

Vê-se o campo das macelas;

Quem viveu sabe as razões.

 

Encerradas as mazelas

E, contados os botões,

Saber-se-ão das rosas belas,

Sem madrinhas ou condões.

 

Nesse mês de tantas telas

Colorindo exposições,

Sussurraram as paletas

Às douradas emoções.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Poema Excelso

Poema Excelso

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Nenúfares dançam ao sabor do vento,

Na quase esmaecida tela e sentimento,

Solar metafísica de Alma Suprema;

Ao pouso das flores feitas desse emblema:

 

Vitória do espírito ao Éden sem lamento,

Sem dor ou tristeza, e a todo sofrimento,

Que possa aos sentidos vir a ser dilema;

Aliança perpétua, glória excelsa e poema.

 

O Lótus Azul, perfeito a esse teorema,

Aos sábios perfuma de conhecimento,

Ao sonho gentil, resposta exposta ao tema.

 

Quem sabe o mistério desse entendimento

Não diz, porque a guiar, o céu conta ao sistema,

Que o amor purifica e leva ao entrosamento.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Burrice Nacional / Crônica de Supermercado

Burrice Nacional / Crônica de Supermercado
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Os tempos são difíceis, ainda mais pela filosofia de que o bolo que o vizinho faz é mais gostoso.
O bolo que o vizinho faz é tão gostoso quanto o seu, a diferença é que quando ele te oferece uma fatia, você agradece, saboreia e não lava a louça.
O povo todo conversando sobre o mesmo assunto e as opiniões tão diferenciadas que causavam espanto por um não perceber o que o outro falava com o conhecido.
Enquanto eu procurava o sabão em pó, eu me divertia.
Ao lado do sabão novo as senhoras diziam entre si:
_Chegou o momento de sermos ouvidas. No nosso tempo é que era bom. Vamos ao próximo protesto.
Do outro lado do corredor, dois senhores conversando:
_Ou acabam os protestos ou a diarreia acaba com a gente. Vamos ao próximo protesto.
Teve gente que parou e me cumprimentou pela posição política tomada.
Eu? Espera aí que pouco disse e pela internet. Estou nesse momento me resolvendo espiritualmente com estudos filosóficos.
Leio livros em português e inglês. Preciso lê-los, parecem-me fascinantes nesse meu momento. Preciso conciliar a minha vida pessoal prática com a filosófica.
De repente, passa uma vendedora de alguma loja de comércio e disse em alto e bom som:
_Não vendi a saia de lã para a cliente porque eu sei que ela não votou no mesmo candidato que eu nas eleições passadas.
Parei de pensar nos livros no mesmo momento. Fiquei com uma vontade de perguntar a ela se a dona da butique sabia que ela causou prejuízo nas vendas da loja. Essa moça merece uma medalha pela falta de juízo.
Passa outro homem e comenta sobre de quanto é a diferença entre custo e lucro de uma loja comercial. Por que ele não tenta abrir uma loja para descobrir? Existem comerciantes que vivem a loja como se fosse o seu único amor nessa vida?
Outra funcionária de loja passa e, ao ouvir o comentário do homem, não se contém na resposta:
_Vira esse seu mau olhado prá lá, que eu gosto de onde trabalho.
Simpática vendedora, ainda complementou:
_Se o senhor está desesperançado com os negócios, passa na lotérica e faça uma aposta. Como diz o ditado: ”Alguém tem que ganhar”. O senhor não acredita que possa ser o senhor? Eu lhe desejo boa sorte e que ao menos o senhor acerte a quadra.
Vocês sabem que o homem sorriu!
Há que se acreditar nas instituições democráticas, nos poderes constituídos, no diálogo entre as partes. Acreditar e reivindicar, mas de forma séria, através de abaixo-assinado, ter coragem de colocar o nome e assinar. Não existe sentido em se arriscar em tumultos quando existem maneiras igualmente fortes, mas sensatas. Podemos ser civilizados, é uma questão de vontade.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Indriso de Mesa Inteira

Indriso de Mesa Inteira
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Se o amor acabou, é hora de se avisar,
E cada um se senta à sua cadeira,
Conversa com jeito e o espera sem par.

Respeito e bom senso vêm ao jantar
De velas insossas, de mesa inteira,
Da mágoa ao carinho, a se revelar.

E trocam-se os pratos sem se abraçar,

Travessa de arroz rumo à geladeira.

domingo, 23 de junho de 2013

O Missionário

O Missionário

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Essa é a história da viagem à Índia, contada pelo missionário, que chamaremos de Sr. J.

A Índia tem uma cultura muito diferente da nossa. A população se estabelece em castas sociais. O missionário viajou até lá para falar a respeito do cristianismo aos cidadãos que quisessem ouvi-lo.

Originário da classe média em sua terra natal, ele dialogava com os seus iguais e conseguiu local e público adequados à sua explanação.

Seguiram até o local em meio ao trânsito permeado por o que chamamos de charretes, ônibus, automóveis, animais de transporte como camelos e as vacas, sagradas para eles.

O público atento, ao ouvir a história de Cristo, ficou pensativo. Ele foi até lá para contar-lhes de um Deus conhecido e familiar para eles. Porém, quando ele falou que Jesus era o único Salvador, eles menearam as cabeças.

Para eles, Jesus é um Deus, mas não o único. Eles são adeptos de muitos Deuses e os tratam com o devido “d” maiúsculo.

O “missionário foi considerado um ‘sujeito estranho” entre eles.

Tentando praticar a gentileza, perguntaram sobre os hábitos alimentares no Brasil.

O missionário disse a verdade sobre o nosso arroz, feijão e bife.

_Bife? De carneiro? De frango? Qual a sua carne preferida?

O missionário não os poderia ofender ao ponto de falar na carne de vaca.

_Qualquer carne que vocês me ofereçam será bem vinda.

Após o seminário e das conversas, eles foram sinceros:

_Entendemos que você queira seguir este caminho. Não entendemos o seu motivo para não venerar outros “Deuses”. O fato da sua não aceitação de outros “Deuses” pode magoá-los. Não se magoa nenhum “Deus“.

O missionário agradeceu a acolhida e voltou ao país de avião. Entre ida e volta ele percorreu a Terra no seu movimento de rotação. Não era turismo e ele se viu em volta do planeta por vinte e quatro horas ininterruptas, embora o avião tivesse parado na Malásia para se reabastecer de combustível.

Foi uma palestra interessante, da qual refleti e compartilho para a reflexão sobre o tamanho do mundo: Ele é grande ou pequeno?

sábado, 22 de junho de 2013

Hoje / The Day After em Curitiba

Hoje / The Day After

 

As moças saem contentes, seus amados

Passeiam nas ruas, igrejas em luzes;

Os vis se foram, desacomodados;

Protestos bons não terminam em cruzes.

 

Turistas, choram os envidraçados,

Partidos, eram vândalos, capuzes,

Sem regras ou ordem, desorganizados;

Quais gatos, cães e leões junto aos quebra-luzes.

 

Garotas, crianças, todos abraçados,

Na imagem de hoje por aqui sem trapuzes,

Constrói-se a paz entre os comunicados.

 

Sem guerra, o povo com seus aliados,

O novo surge aos nobres andaluzes,

Diálogos se abrem nesses povoados.

 

Se a semana foi musical, termina musicalmente.

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Diamante / Crônica de Supermercado

Diamante! Crônica de Supermercado

Fui aos pães, muita gente no supermercado.

Enquanto eu pensava na fila imensa e nos pães, distraidamente derrubei as chaves no chão sem perceber.

Um garoto negro, magrinho e simpático juntou-as para mim. Era um dos garotos que trabalha no supermercado. O expediente dele havia acabado e ele havia se arrumado para ir embora.

Eu agradeci e observei o sorriso dele, sorriso de amor fraternal.

Agradeci mais uma vez observando aquele sorriso de felicidade.

Ele me dirigiu a palavra:

_Dona, a senhora não sabe, mas eu gosto dos fregueses. São eles que garantem o meu emprego.

Aquela frase me deu um nó na garganta. No entanto, me segurei num sorriso emocionado e ele continuou a sua conversa:

_Nós ganhamos. O preço da passagem de ônibus baixou. A gente não é contra ou a favor deste ou daquele líder. O ônibus é pesado para a gente, mesmo com vale-transporte. A gente gosta de sair, de passear e não dava mais para viver em função da condução para o trabalho.

Comentei que o movimento foi bonito.

_A gente deixa o movimento agora. A gente queria respirar essa liberdade de poder sair para se divertir de vez em quando, ir com os amigos ao parque, ir com a namorada ao cinema. Eu posso pagar cinema porque a operadora do meu celular garante a meia-entrada e dependendo do dia de folga eu gasto R$4,00 reais com o ingresso do cinema e assisto ao filme que está na propaganda do jornal. Livro eu consigo na biblioteca da escola e para ir ao futebol a situação é difícil. Será que ninguém entende que eu também gosto de futebol? Por que eu não posso ir? Por que é que eu tenho que pegar ônibus com aqueles que entram sem pagar? Eu ganho pouco, mas gosto de pagar e de ser bem tratado pelos motoristas e cobradores, mas na hora do tumulto sobra para toda a gente que mora longe do centro da cidade e que pega dois ônibus para chegar até a minha casa. Eles precisam se lembrar de que eu tenho mãe, eu tenho pai e irmãos ou irmãs. A minha mãe fica apavorada quando eu vou ao jogo e eu digo para ela para não se preocupar e que eu não sou bagunceiro. Ela responde que não se preocupa comigo, mas com os outros.

Se eu pudesse, eu daria a minha blusa de lã para ele, porque a aquela altura do bate-papo, o meu coração era dele.

Então respondi, porque ele estava feliz e, eu, comovida.

_Meu querido (não contive a expressão sincera), eu fico contente por você e pela felicidade que essa vitória te causa. Desejo a você e a todos aqueles que são como você, todas as conquistas dentro dessa sabedoria, a de saber vencer. Saber vencer é uma virtude que brilha como diamante e, você é possuidor desse diamante. Conserve-o com você e que esse diamante brilhe sempre nas suas atitudes e palavras.

Ele me sorriu o sorriso mais lindo que eu presenciei; um sorriso idealista.

O leitor me perguntará sobre as outras reivindicações, com toda a razão. As outras questões podem ser discutidas e negociadas pelas pessoas letradas e conhecedoras dos assuntos. Sejamos francos, eles precisavam mostrar a insatisfação deles. Ninguém os dava atenção. Estavam sem voz e gritaram.

 

terça-feira, 18 de junho de 2013

domingo, 16 de junho de 2013

Domingueira

Domingueira

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O livro, na mesa de cabeceira;

A fronha, de sono convidativo;

O sonho, cadeira de penteadeira,

Dizendo: _Vem cá, me dá esse sorriso.

 

Ao sol, amanhece toda a floreira;

À flor, nesse encanto bom, positivo.

Descansa a sonhar com o que bem queira,

Sem livro, sem grampos, porque é preciso.

 

Deixando que flua o cansaço à beira

Do sono embalado ao som prestativo;

E deixa o pensar a essa domingueira,

Mas deixa nas vagas, nesse impreciso.

sábado, 15 de junho de 2013

Achando a Identidade

Achando a Identidade

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A mãe comprava tênis novos para o filho, era um presente. Ela comemorava o fato do filho estar comemorando o seu primeiro ano no emprego.

_Deixa a mamãe fazer um carinho para você!

O garoto de dezenove anos estava contente da mãe ainda querer presenteá-lo.

Enquanto Miguel experimenta os sapatos, a mãe conta que no próximo final de semana haveria festa na casa da amiga.

Miguel muda a fisionomia e diz que não vai.

A mãe muda de fisionomia:

_Como assim? Não vai? A Laura é minha amiga e nos convidou para a festa do Naldo, que tem a sua idade?!

A conversa tomou outro rumo entre eles. Miguel expôs o seu ponto de vista:

_Mãe, você me educou como um ser responsável e hoje eu sou aquilo que se pode chamar de gente. O Naldo não é do jeito que você me disse que significa ser gente. Você conhece o Naldo. Não vou.

A mãe ficou constrangida e pediu ao filho que fosse, nem que fosse e ficasse meia hora e depois viesse embora.

O filho a encarou e disse:

_Mãe, meia hora para você com a sua amiga pode ser bom, mas meia hora com o Naldo-punk é ruim. Eu não vou ficar nem cinco minutos com o Naldo-punk e os amigos dele. Se eu tiver que ir, sentar-me-ei ao seu lado e pedirei um chá para a sua amiga.

A mãe disse que desconhecia esse comportamento dele. Ele não toma chá desde o tempo do berço e do chá de funcho.

O filho disse que tomaria do mesmo refrigerante que a amiga servisse para a mãe. Não iria para a festa na garagem de modo algum.

A mãe disse que ele poderia festar na garagem e que quem sabe ele conhecesse alguma garota interessante por lá.

_Garotas interessantes não se dão com o Naldo-punk.

A mãe disse que ele não a fizesse passar vergonha em frente à amiga.

_Você não passará vergonha. Irei à festa com uma joelheira sobre a calça jeans e direi do supremo esforço para chegar até a sala de visitas dela. Você aceita a sugestão.

A mãe disse que não gostava de mentiras.

_Mãe, não é mentira, é uma desculpa social para você dar a sua amiga. Para a garagem eu não vou. Você não conhece o Naldo-punk bem. Você é mais velha e eu compreendo as nossas diferenças. Agora, se você conhecesse o Naldo-punk como eu o conheço, eu duvido que você mesma não arranje uma desculpa para não ir à casa da sua amiga. Você me educou bem. Ela, com todo o respeito, não se incomodou com a educação do filho. Entendeu?

A vendedora estava ao lado dos dois e esperava para saber se os tênis estavam confortáveis e se o filho levaria o par de calçados.

_Serviram bem?

Miguel disse que serviam e os seus pés se esticavam confortavelmente dentro deles.

A mãe disse que iria comprar o par de tênis.

Miguel suplica para a mãe uma joelheira para a festa.

A mãe compra a joelheira para ele. Ele beija o rosto da mãe.

A vendedora os acha bonitos e sonha com o filho crescido e encaminhado para o bem.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Causo: Sempre a Sogra!

Sempre a Sogra!

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Estava o homem indignado conversando com o amigo.

O amigo, João, perguntou o que ele tinha de errado.

“_Minha sogra morreu e eu viajei ao interior para levar a minha mulher para as últimas homenagens. Fui triste, a minha mulher chorou baixinho durante toda a viagem. Prestei muita atenção na estrada, naquelas circunstâncias todo o cuidado era pouco. Demoramos seis horas na viagem, mas chegamos a tempo para o velório.”

O amigo interrompeu-o perguntando se ela havia deixado uma família grande e se alguém precisaria de ajuda.

“_Deixou cinco filhos, mas estão bem de vida. Nenhum é rico, mas todos podem se sustentar sem ajuda de ninguém, também não há ninguém doente. Quanto a essas preocupações todos estamos tranquilos.”

O amigo comentou que o velório por certo foi deprimente, pelos modos como o amigo se comportava, ele deduzia.

“_Deprimente? Não. Era noite quando as bailarinas chegaram. Uns olhavam para os outros se perguntando se algum deles estava envolvido com danceterias. Ninguém estava. Vieram em seis casais e dois carros. As moças vestidas a caráter, todas de vestido de baile preto; os homens de terno completo preto, camisa branca e gravata borboleta. Chegaram, e perguntaram a quem poderiam se dirigir para prestar a homenagem. O mais irritado era o Geraldo e ele disse que o assunto poderia ser tratado com ele.

O representante dos bailarinos disse que a dona Geraldina havia sido uma das melhores dançarinas do corpo de baile e mostrou as fotos dela dançando boleros, rumbas, rock’nroll, e, até mesmo lambada.

Ocorre que, nenhum de nós sabia das atividades dela como dançarina de salão, muito menos das apresentações dela junto ao corpo de baile da Danceteria Dançando Passam-se as Horas. Todos nós víamos os vestidos de baile dentro de casa, mas ela dizia que os lavava e passava para deixá-los com aspecto de novos para quem quisesse ir às festas com vestidos usados. Nós acreditávamos nela.

Houve a homenagem que era uma flor embutida numa flâmula com o nome da Danceteria.

Eles estavam emocionados e passaram a noite conosco. Eles estavam tristes, nós estávamos indignados com o segredo dela. Todos os filhos casados. Ela morava sozinha, mas nunca saiu vestida para dançar de casa.

A minha mulher ficou com pena dela ter guardado esse segredo, ela compreenderia. A minha mulher gosta de dançar.

Acabo o assunto por aqui e mantenha o respeito. Contei porque estou injuriado de ter ficado na sala de velório mais curiosa da cidade. A minha mulher me compreendeu e prometeu que não terá segredos para comigo ou para com os nossos filhos.

“Antes não tivesse ido, mas foi bom, eu e a minha mulher nos acertamos sobre muitos pontos de vista.”

João, completamente sem graça, depois de o amigo ter dito o motivo do aborrecimento, que, aliás, não era por sua causa, disse que havia se lembrado do compromisso do escritório do sócio. Ele levantou-se e foi embora do bar.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

Quem é Dono de Quem?

Quem é Dono de Quem?

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A mulher pediu ao marido para sair e levar o cachorro para a caminhada diária.

A primeira resposta do homem foi não, mas pensou olhando para o bolso e a ida ao veterinário pela falta de exercícios do cachorro e concordou.

Saiu resmungando porque o cachorro da mulher fazia com que ele saísse depois da dura jornada de trabalho.

Ao entrar no elevador, lembrou-se dos vizinhos do prédio onde ele, a mulher e os filhos moravam. Os homens tinham cachorros de médio porte e as mulheres em sua maioria, preferiam os cachorros pequenos.

Concentrando-se na tarefa de sair com o cachorro da mulher, olhou para ele.

Verificou que não era “ele”, era “ela”. Tinha laços de fita e roupa de lã com flores bordadas. Era da raça poodle, branquinha, com os pelos tosados na altura certa e toda enfeitada.

Até então ele não tinha reparado que a mulher tinha uma cachorra. Agora que observara o bicho com atenção, pensou em voltar e dizer à esposa que não sairia às ruas com uma cachorra. Ela se quisesse que levasse, o seu animal de estimação para sair.

Voltou ao apartamento e disse o que pensava para a mulher.

Ela apelou aos sentimentos dele, dizendo que o jornal dava notícias ruins e que era perigoso sair à noite com a cachorrinha.

Os sentimentos entre eles eram diferentes, pois ela sentia medo enquanto ele se sentia envergonhado de sair com o poodle dela. Não era exatamente o tipo de cachorra que o agradava.

A mulher convenceu-o a passear com a cachorra.

Ele desceu do elevador e foi ao portão do edifício. Olhou para um lado e para o outro até que não passasse nenhum vizinho que o conhecesse.

Avistou, na rua, o lugar mais escuro que pode encontrar. Dirigiu-se para detrás da árvore com a cachorrinha.

A situação atrás da árvore não era das mais confortáveis. Era difícil se esconder com um poodle na coleira numa árvore de tamanho normal.

Olhava para o relógio de minuto a minuto a fim de verificar se o tempo de passeio tinha acabado, mas atrás da árvore e no escuro, não consegui ver exatamente o ponteiro dos minutos.

Dizia a si mesmo que ele era o melhor marido do mundo, afinal, que outro homem levaria a cachorra da raça poodle da mulher para passear?

De repente, sentiu-se nervoso para entrar no edifício. Queria, no entanto verificar o tempo do passeio para não criar problemas com a esposa. Correu para o primeiro poste com lâmpada.

Uma senhora que vinha na direção contrária do sentido da luz do poste, pensou que ele fosse um bandido e meteu-lhe a sombrinha no pescoço.

_A senhora está maluca? Quem pensa que eu sou?

A senhora ergueu o nariz e seguiu o caminho dela dizendo que se ele fosse bom não sairia correndo de detrás de uma árvore.

Ao ouvir o que a senhora disse, correu para a árvore novamente e pegou a coleira com a cachorra.

A senhora que tinha dado com a sombrinha no pescoço dele, ainda em passos rápidos, dirigiu-se a ele novamente:

_Meu caro senhor, estamos em novos tempos. O senhor não precisa se esconder para sair com a sua cachorrinha. Na minha idade, vi muitas coisas nessa vida. Essa é mais uma. Errado é você ficar atrás da árvore assustando os pedestres. Da próxima vez, eu peço para o porteiro do seu prédio para tomar providências contra o senhor.

Ele respondeu que não haveria segunda vez e entrou no edifício onde morava dizendo à mulher que não mais sairia para passear com a cachorra.

A esposa, para resolver a situação, disse a ele para comprar um cachorro do qual ele gostasse.

Ele comprou um Husky siberiano.

Depois de alguns passeios com os cachorros, a família mudou-se para um sobrado, ficou com os respectivos animais de estimação e não mais precisaram os levar para passear. Questão de estabilidade familiar.

terça-feira, 11 de junho de 2013

Aos Namorados

Enamorados

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Os amores felizes insistem

Em dizer das palavras sinceras

O sentir do sereno. Deveras,

Os amores etéreos persistem.

 

São valores perenes que existem

Como dádivas, luz das esferas

Metafísicas vindas às terras,

Ao pulsar namorados, e brilhem...

 

Nos casais em união. Assim transmitem

O seu amor plenilúnio das eras;

O convite a sentir as esperas

Do dia em festa, e, ao universo, iluminem.

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Felicidade Fabricada

Felicidade Fabricada

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Suzana fora advertida para que não seguisse o caminho daquele jeito. Fora avisada que aquele caminho a faria desviar-se dos seus objetivos. Antes que pensem em plágio, aviso que o conto não é baseado em histórias infantis.

Suzana comprava remédios no Paraguai e os trazia ao Brasil para vendê-los. Nenhuma advertência foi ouvida. A moça era muito ambiciosa e desprezava todos os que estavam em volta dela.

Essa história começa no final, onde o caminho não tem volta.

No princípio ela fora vista mentindo para uma amiga. Dizia que os remédios a deixariam melhor para os estudos.

A amiga Sílvia não comprou e comentou que preferiria estudar do seu jeito, mesmo tirando notas abaixo das colegas que se sentavam nas carteiras da frente e tiravam nota dez. Para ela, importava o que conseguia saber com a mente aplicada aos estudos. Artifícios para estudar seria um apoio do qual ela temia depender, e dentro deste raciocínio preferia tirar notas dentro da média, afinal, não sentia necessidade de ser a melhor aluna da sala.

Suzana era diferente, queria ser a melhor aluna da sala, queria o dinheiro das vendas para pagar o melhor colégio, gostava de saber mais que os colegas de sala.

Quando há vendedor, é porque existe o consumo e a clientela.

Certo dia, a professora de história avisou a turma para que não comprassem os medicamentos vendidos aleatoriamente próximos à escola. A filha da professora havia tomado e passado mal; agora faltavam as aulas da escola e todos na casa da professora ficaram muito aborrecidos com o fato. Não seria pelo fato da mãe ser professora que a filha devesse ser exemplo de notas altas. Cada um é cada um e, por certo, a filha dela tinha a sua própria vocação. A professora se dizia arrependida de ter colocado a filha para estudar no colégio onde lecionava.

Os alunos, sabendo o nome da vendedora, foram conversar com Suzana, mas de nada adiantou.

_Ela não soube usar a medicação. Eu ensino a maneira correta para que se estude a noite inteira e não me responsabilizo por quem não segue as minhas recomendações.

Ao ouvir o argumento de Suzana, um dos seus colegas disse a ela que não acreditava que ela usasse os remédios que vendia.

Suzana disse que usava e pediu ao colega que visse as suas notas.

O fato era que Suzana começou a tirar notas altas a partir do momento no qual passou a estudar durante a noite. Às vezes ficava dois ou três dias sem dormir bancando a venda no horário fora da escola, o estudo e a frequência às aulas. Nesses dias ficava irritadiça e o seu olhar denunciava a noite mal dormida.

Sílvia era uma aluna de notas médias, sem notas excessivamente baixas e sem notas altas.

Suzana queria mais fregueses para compensar o seu uso de medicações irregulares.

Sílvia disse não à Suzana, mas ela foi às outras escolas e vendeu o seu produto para estudantes que queriam uma competência sobrenatural nos estudos.

Terminado o curso, cada um deles seguiu a sua vocação.

Suzana também seguiu a sua vocação, mas não mais dispensava os seus medicamentos. Quando deu por si, estava dependente das medicações que ela vendia aos colegas. Inteligente, foi ao médico, que substituiu a medicação, a dependência das novas substâncias dependeria das reações do organismo dela.

De efeito colateral em efeito colateral, o organismo de Suzana se fragilizava.

Por volta dos quarenta anos era uma profissional realizada, pena precisar de tantos remédios. O sucesso profissional não compensava a vida que levava agora, mas foi ela quem quis esse começo de carreira.

Sílvia não teve tanto sucesso na vida profissional quanto Suzana, mas também não sofreu o que Suzana sofreu.

Não eram amigas, não seria possível. Melhor para Sílvia que assim tenham se sucedidos os acontecimentos. A vida não paga o sucesso do profissional.

domingo, 9 de junho de 2013

Sans Paroles

Sans Paroles

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A palavra não dita ao momento da ação, não deixa de existir como propulsora da modificação da realidade.

Pode-se silenciar a palavra, mas não se pode impedir que ela existisse enquanto pensamento e conceito a gerar uma conclusão intuitiva de ação sem que se tenha lido o livro, ou, ouvido a canção.

O silêncio pode ser gentil ou agressivo, mas nele mesmo há a interpretação da realidade que se apresenta como condição inquestionável do raciocínio.

O consenso a partir da observação, muitas vezes, é invisível aos olhos de quem tem o seu tempo ocupado pelas obrigações ou nos seus momentos de lazer. Porém, ao menor sinal da sua existência, ele reaparece como constatação.

Para ser real, tomemos como exemplo uma sala de aula onde os alunos são disciplinados na boa educação:

Nessa sala de aula, 26 alunos estão sentados em suas cadeiras escolares à espera que o professor de matemática entre na sala para explanar a matéria.

O professor entra na sala de aula com uma cesta repleta de maçãs e a coloca em cima da sua mesa.

Os alunos veem a cesta de maçãs, mas estão ali para assistirem a aula de matemática.

O professor discorre sobre os cálculos os decifrando ao quadro-negro e nada diz sobre a cesta de maçãs.

Ao terminar a explanação, o professor pergunta sobre as dúvidas relacionadas à matéria dada e os alunos questionam sobre as dúvidas na demonstração dos cálculos aritméticos.

O professor passa alguns exercícios após resolver as dúvidas dos alunos e a aula está para terminar. O professor olha para o relógio e verifica que o sinal indicativo do intervelo está para soar.

Ele pega a cesta de maçãs que está sobre a sua mesa e a coloca sobre uma cadeira escolar ao lado da porta de saída e volta para sentar-se na cadeira em frente à sua mesa.

Toca o sinal do intervalo, os alunos se levantam e formam uma fila para sair da sala.

Ao passarem pela porta cada qual pega a sua maçã e agradece ao professor.

Ninguém, na vida real, ganha maçãs depois da aula de matemática. Talvez, haja raras exceções nas cidades produtoras de maçãs.

O que importa, nessa aula, é que a realidade foi modificada sem que houvesse alguma vez sido pronunciada a palavra maçã ou o número vinte e seis fosse citado nos cálculos.

O conceito da cesta de maçãs mostrava que haveria maçãs para todos os alunos e o consenso se deu na hora em que o professor colocou a cesta de maçãs ao lado da porta após verificar as horas do relógio.

As ideias mudas produzem resultados práticos por conceito e consenso, não importando o fato de serem proferidas em público.

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sexta-feira, 7 de junho de 2013

Insônia

Insônia
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Qual ponto de luz na sombra,
Que brinca de esconde-esconde,
Que a vê nesse vão à redoma
Ao olhar de cansaço ao longe.

Ao espaço vagueia a Paloma
E, à luz, descortina o bonde;
Percebe que a vida ronda,
Qual carta não lida anteontem.

Desperta ao café que côa
Ao bule de sonho insone;
Mas pensa dormir e sonda
O sono que foge às onze.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Indriso: Conselho

Indriso Conselho

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O que eu recomendo ao outro, me cabe.

Aconselhamentos são casacos

De lã na invernada e, quem sabe?

 

Ao se agasalhar o outro é que se abre

A resolução do seu frio; nacos,

De alguma experiência com o diabre.

 

E que siga em frente e não desabe,

 

Ao se confortar nesses seus passos.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Enfim, a Verdade na Propaganda / Crônica do Cotidiano

Enfim, a Verdade na Propaganda / Crônica do Cotidiano

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A propaganda pode se utilizar de vários meios de comunicação e, conforme sabemos, elas estão presentes em panfletos (as mais baratas) e na televisão (caríssimas).

Hoje, estava no centro da cidade quando avistei a propaganda nos fundos do caminhão novo, do tipo baú, fechado, com a carroceria brilhando no capricho da cera.

Caminhões em serviço dentro da cidade geralmente trazem o nome da transportadora ou o nome da loja para a qual trabalha. É a forma de a loja fazer o seu merchandising de forma gratuita, pois vemos o caminhão e automaticamente lemos algo sobre a empresa para a qual ele presta serviços.

Hoje passei e vi o caminhão com a propaganda, porém é uma propaganda desafiadora.

Por motivos óbvios não direi a quem o caminhão pertence, embora estivesse escrito em letras em tamanho suficiente para a respectiva leitura.

Concordem ou discordem, mas, em minha opinião, a propaganda é absolutamente a ideal sob o ponto de vista de quem deseja o produto. Além do que, tem a capacidade de dizer ao pensamento, que o slogan é verídico.

Agora, amigos blogueiros, a quantas ilações se podem chegar com o letreiro do caminhão?

Contundente e conclusiva na sua comunicação, eu exponho a frase principal para que vocês pensem seriamente sobre o assunto:

“Enquanto os ôtro dorme, nóis roda a cidade.”

O telefone estava abaixo da frase.

Termino com o chavão: Assim Caminha a Humanidade...

terça-feira, 4 de junho de 2013

Sofrível

Sofrível

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Dengue é perigo,

Ouça o que digo:

Para sofrer,

Basta querer.

 

Deixe que o frio

Tire o mosquito,

De esse poder;

Vamos conter.

 

Siga o aviso,

Seque seu piso

Ao amanhecer;

Queira vencer.

 

Limpo é o chuvisco,

Tampe o seu lixo;

Cuide viver

Seu florescer.

 

Mosquito é risco,

Tenha juízo;

Faça-o correr

Pra se aquecer.

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Dor de Cabeça /Crônica de Supermercado

Dor de Cabeça / Crônica de Supermercado

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Fui ao supermercado hoje por obrigação. Não tinha sequer um único pão amanhecido para comer. A ressaca pegando forte, o fim do feriado e a roupa para lavar, enfim, algo me deu dor de cabeça.

Fui à fila do pão ouvindo a música ambiente, que tocava como um tambor dentro da minha cabeça.

Sem assunto, contei que estava com dor de cabeça. A senhora que estava na fila disse que estava ranzinza com o filho porque estava com dor de cabeça.

Não me senti sozinha, grande parte da fila estava com dor de cabeça.

Como éramos vários com dor de cabeça, alguns disseram que era do ar condicionado, mas logo alguém protestou e disse que era a friagem lá fora. Outro disse que era do cansaço, outro ainda disse que precisávamos nos proteger e tomar vitaminas para não nos resfriarmos.

Do assunto entediante fui pagar os meus pães. Chegando ao caixa, ele estava com ar contristado.

Ele me contou da dor de cabeça e eu disse que também estava, achava que era ressaca.

Chegou outro caixa e perguntou a ele se ele não estava bem.

_Estou com dor de cabeça.

O outro, que passou o final de semana trabalhando no supermercado, olhou seriamente para o colega:

_Amigo isso é só o começo. Depois piora.

O rapaz, que empacotava os pães que eu havia comprado, ficou preocupado.

Eu também, não estou sabendo de nenhuma endemia que começa com dores de cabeça.

Eu olhei para o caixa e ele me olhou. Em seguida olhou para o colega e perguntou:

_O que pode ser essa dor de cabeça?

O amigo, gaiato e feliz, não teve dúvidas ao responder:

_É assim que começa a dor de corno (gíria expressando a dor de quem briga com a namorada porque ela está com outro namorado).

Ele virou-se para mim e desabafou:

_A senhora preste atenção no tipo de coleguismo que eu tenho. Eu, com dor de cabeça, e ele de olho na minha namorada.

Ele, então, virou-se para o colega e disse:

_Vira essa boca para lá que eu não quero olho grande para o meu lado. Basta a dor de cabeça.

Bom mesmo é não ter dor de cabeça, mas agora que comi o pão e deixei tudo em ordem, a dor de cabeça passou. Era ressaca!

Gente de bom humor alegra o dia dos seus semelhantes.