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quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Sem Conversa Fiada / Crônica do Cotidiano

Sem Conversa Fiada / Crônica do Cotidiano

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Parei no Shopping para fazer lanche. Muita gente frequenta os Shoppings Centers nessa época.

Na mesa ao lado, dois vendedores, também consumidores. Eles conversavam sobre estratégia de vendas.

A vida deles é diferente de tudo aquilo que estamos acostumados a ouvir quando o assunto é emprego.

Compartilho as curiosidades sobre o modo de vida deles.

Vendedores ganham o salário fixo mais uma porcentagem sobre a comissão nas vendas. Os meses de janeiro e fevereiro são os mais difíceis porque os compradores são escassos nas cidades. Eles têm novembro e dezembro para fazerem a comissão de janeiro e fevereiro.

Eles conversavam sobre não oferecer aos clientes os produtos mais caros, mas os produtos de médio preço para sentirem o quanto o consumidor está disposto a pagar pelas compras. A partir da reação do consumidor, eles ofereceriam produtos mais sofisticados ou mais baratos, contando que todo consumidor quer o melhor produto pelo menor preço, eles querem o maior número de consumidores possível no espaço físico nas lojas.

O que observei de interessante é que eles fariam comentários dentro da loja para impedir que nos anúncios estivessem os produtos mais caros. Eles chamaram de anúncios “espanta freguês”. Aos vendedores do mercado voltado para a chamada classe média não interessa vender poucos produtos sofisticados.

Clientes especiais se dirigem às lojas especiais e diferenciadas voluntariamente, não precisam de anúncios com ofertas. As indicações de amigos frequentadores do mesmo ambiente é a melhor propaganda para esse público.

Jamais pensei que os vendedores são os melhores amigos dos consumidores, levando o preço para baixo e deixando as parcelas acessíveis para os consumidores.

O comerciante tem que ser bom negociador, ele ouve as sugestões e os comentários dos subordinados ávidos pelas comissões.

Os comerciários sabem que o cliente gosta do desconto no final da compra, quando possível. Eles ficam atentos aos preços e aos descontos oferecidos pela gerência.

A conversa não os cansa, eles possuem desenvoltura no diálogo com o seu cliente. O cliente é que tem que saber a hora de sair da loja e a quantidade de produtos que deseja comprar.

No caso específico da conversa, aprendi muito.

O dono da loja colocou um produto no anúncio com a prestação de R$900,00. Os amigos combinaram boicotar esse produto. Segundo eles, quando o freguês compra algo que cabe no orçamento, ele volta; mas, quando ele sente dificuldades no pagamento das parcelas, ele não volta à loja.

Os vendedores podem fazer com que o cliente se deixe levar pela emoção, mas esses que eu tive o prazer de ouvir eram absolutamente contra essa opção. Querem ter preço, qualidade e um consumidor que possa confiar nas suas indicações.

Eles conseguiram em poucos minutos de conversa substituir um professor de vendas. Eles eram a prática bem sucedida.

Eles terminaram o lanche antes de mim. Saíram às pressas e dali em diante seria o bom tempo da oferta, da procura, da competição leal e das pressões sobre o dono da loja.

Sorte do consumidor que os encontrar.

Um comentário:

Célia Rangel disse...

Tenho isso dentro de casa... muito papo de filho vendedor - de emoções, de sonhos, como você descreve!
Beijo.