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domingo, 17 de março de 2013

Não É Propaganda, mas… / Crônica de Supermercado

Não É Propaganda, mas... / Crônica de Supermercado

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Domingo chuvoso, daquela chuva miúda com um vento que incomoda. Fui pegar o pão em outro horário, à noite quero passar roupas.

No estacionamento, os garotos que recolhem os carrinhos e os colocam no lugar certo para que os fregueses os peguem para as compras.

Certo silêncio me permite ouvir a conversa deles:

_As garotas compram muito chocolate, depois se queixam que ficam gordas.

_Deixe que comprem. As gordinhas são as minhas favoritas, escolho entre elas a mais jeitosa e saio com ela.

O outro disse que ele estava brincando.

_Eu não estou brincando, você é que não imagina o quanto é bom namorar uma gordinha.

O outro pediu para que ele continuasse contando a história.

_Quando eu era guri eu tive como ídolo o Renato Aragão, do programa televisivo Os Trapalhões, no papel de “Didi Mocó Sonrisal Colesterol Novalgino Mufunbba”. Agora não, porque sou homem, tenho dezoito anos e trabalho aqui no supermercado.

O outro perguntou e daí?

_Ocorre que o Didi sempre elogiou as mulheres carnudas, digamos assim. Ele dizia que “tinha onde pegar” e que tinha “refeição boa” porque elas, as gordinhas, eram boas em forno e fogão.

O outro resmungou: Hum, hum.

_Eu completei dezesseis anos e me pus a namorar. Namorei uma magrinha e tudo não passou de ilusão, osso, osso e mais osso. Ela sentava no meu colo e eu ficava com as marcas do ilíaco dela nas minhas pernas. Não gostei. Terminei o namoro com ela.

O outro, desconfiado, pediu ao conversador que prosseguisse.

_Estava desiludido com as garotas quando conheci a gordinha. Rapaz, que mulherão! O bom é que ela gostava de lanchonetes e os meus dias ficaram mais apetitosos. Agora que é só trabalho, dou valor a ela. Pensando bem vou voltar a namorar ela.

O outro disse que era lorota dele, que ele queria se mostrar.

_Não é não. Talvez esta conversa seja a melhor maneira que eu encontrei de apresentar a minha namorada a vocês. Depois do horário do mercado. Estou feliz e não quero que ninguém diga a ela para emagrecer. Grande Didi que salva a minha mocidade com as melhores garotas que existem.

O outro o depreciou, dizendo que para quem gosta do amarelo não há argumentos, gosto não se discute.

_Olha o respeito, cuidado com o que diz da minha garota.

A essa altura as filas com os carrinhos de compras estavam formadas e eles se foram para dentro do supermercado. O outro desconfiado; o conversador, feliz.

Que domingo gostoso!

8 comentários:

Wanderley Elian Lima disse...

É por aí mesmo, cada um tem seu gosto pessoal, e deve ser respeitado por todos os outros. Bela crônica.
Bjux

Mona Lisa disse...

Lá diz o ditado:

"Gordura é formosura"!

Beijinhos.

Célia Rangel disse...

Inclusão total do físico... O amor não é pesado em gramas ou quilos...
Parabéns, pelo assunto da sua crônica de hoje.
Beijo. Célia.

Mona Lisa disse...

As fotos não são aéreas. Foram tiradas na estrada ao cimo da encosta.

Beijinhos.

La Gata Coqueta disse...



He estado ausente unos cuantos días y el motivo es visible en los blogs…

El paso de los días se van sucediendo y las heridas abiertas van al encuentro de los medios para ser cicatrizadas, más nunca olvidadas.

Intento que todo vuelva a la normalidad, pero no puedo ocultar que dentro de mí algo se ha roto dejando un enorme vacío.

Pero como soy por instinto optimista reanudo las visitas a este tu maravilloso espacio de luz, donde me has tendido las manos continuamente, brindándome el cariño y la mesura de las palabras, que yo siempre he valorado y apreciado, más allá del tiempo y los sentimientos…

¡¡Y ante todo, te doy las gracias en gran medida por ayudarme a continuar el camino!!

Un beso con dulzura

Y un abrazo con ternura.

Atte.
María Del Carmen


Jorge disse...

Ainda que eu seja apologista do meio termo, acho que tudo tem o seu préstimo.

Imaginário disse...

Gosto de ler você, sempre. Pena não ter podido vir mais.
Grande abraço.
Gilson.

XicoAlmeida disse...

Gostei muita da sua crónica Yáyá.
O que se consegue ouvir e sentir em qualquer lugar!
Conversas banais na aparência, mas neste caso adolescentes a terem suas próprias ideias.
Mulher perfeita, sabe receber e dar e homem perfeito, idem.
O gosto não tem balança.

Abraço