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domingo, 30 de dezembro de 2012

AGUARDANDO O FELIZ ANO NOVO!

Desejo que continuemos juntos, interagindo nessa bela amizade que nos une. Enquanto vou-me à cozinha deixo um LP para vocês.

FELIZ ANO NOVO!

Um abraço a todos os amigos blogueiros  e blogueiras, Yayá.

Festa Sem Exageros

Festa Sem Exageros

A Neusa bebeu muito e foi à janela. Abriu as vidraças e gritou:

_ Não suporto mais essa gente que canta que toca, que ri e procura ser feliz. Sumam daqui todos aqueles que se consideram de bem com a vida. Quero a minha televisão no canal científico, não quero vocês.

Todos ficaram quietos e fecharam as cortinas que davam para o apartamento da tal senhora. Ela pediu, eles atenderam. Deixaram-na assistir os seus programas científicos.

Aguardavam em silêncio que a Neusa contasse os seus novos conhecimentos, tendo em vista que apenas ela queria estudar em época de festas. Não sabiam que era bebedeira.

Passaram-se alguns dias e a Neusa teve que se virar para mostrar que tinha exagerado. Do apartamento dela avistava-se, ao invés da luz televisiva, uma luz rosa choque com um pingente lilás, tango e bailado, ela e o marido dançando à média luz. As cortinas dela semicerradas, o clima de romance no ar.

Todos aqueles que a deixaram estudar e assistir programas científicos voltaram ao barulho da festa, das músicas e da alegria:

_Televisão para aprender a dançar com o marido? Que exagero. O clima naquele lugar é de boate, mas o marido e ela têm certa idade e estão felizes. Gente feliz não incomoda, melhor assim.

 

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

Sentimento Bom é o Seu Sorriso

Sentimento Bom é o Seu Sorriso
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Quão agradável é ver-te sorrindo de contente, aquele sorriso aberto e franco daqueles que a vida devolve quando menos se espera daqueles que se considerava perdido.
As agruras cerram o cenho, podam os sonhos, esquece-se das esperanças. Este seu sorrir indica que há chance para a vida se mostrar melhor para você.
A caminhada em busca do sorriso vilipendiado não é fruto amadurecido e caído ao chão; antes é fruto da esperança escondida em sua alma. Eis a surpresa da esperança revelada, estava dentro de ti o tempo todo sem que se apresentasse e se fizesse lamento, atitude que entristece a nobreza de caráter deste sentir delicado e se transforma em saudade. Oculta te fez buscar por caminhos diversos e pacíficos na boa índole que se aloja dentro de ti. Índole é a parte que se tem e se ajusta e se molda, mas depende da vontade de cada um. A sua é boa e não se deixou levar pelas tristezas que a vida te mostrou sem que você tivesse desejado ou se desviado em seus caminhos.
Talvez você não saiba, mas poucos criam na volta do seu sorriso largo e feliz. Você se refez ao reencontrar o seu sorriso e não se envergonhar de mostrá-lo a todos.
O sorriso devolvido à vida contagia em esperança de que tal fato possa se dar com outras pessoas, talvez muitas pessoas. Mas tem que vir espontâneo e sincero como o seu.
Sorrisos existem que mais mostram a beleza da arcada dentária do que a expressão do sentir, e, este não é o seu caso. A vontade de sorrir inserida nesse seu sorriso é a expressão da busca alcançada, do término da desesperança latente.
E a vida não se transformou em um mar de rosas, mas você conseguiu sorrir apesar de tudo.
O seu olhar segue sorridente porque sabe que o sofrer não tira mais a esperança de um novo sorriso.
Deseje que a esperança continue passando despercebida naqueles que perderam o jeito para isso, desejo que qualquer pessoa possa sorrir hoje e amanhã, novamente.
Desejo que o seu sorriso possa fazer alguém feliz e alguém tenha perdido a vontade de sorrir possa buscá-lo sem que o deseje buscar, que o espírito divino, centelha invisível, possa fortalecer essa esperança necessária, a esperança que não se vê, mas que existe.
Quero assegurar que a volta do seu sorriso é lembrança para a humanidade.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Promessa de Final de Ano

Promessa de Final de Ano

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No último dia de trabalho o funcionário chega na hora para dizer que começou a cumprir o compromisso de não mais chegar atrasado. Dentro de uma teoria pessoal, ele acredita que no ano que vem ele mudará os seus hábitos de chegar cinco minutos após começar o expediente para evitar as conversas de corredor para a fila do cartão-ponto.

Abraça os colegas sem saber o que pensam dele porque não ouviu nenhuma indireta na fila do cartão-ponto. Não ouviu os conselhos das moças. Não ouviu sobre quem fava de quem.

Pensa em aumentar a sua capacidade técnica, em melhorar os seus padrões, cumpre as funções sociais nas datas festivas, os jantares da empresa, trata bem, porém sem intimidades. E os colegas perguntam, eles querem saber até demais quando comentam sobre a hora da mamadeira da filha; não é problema deles, é problema da família, mas, os colegas ousados comentam sobre os seus bebês para ouvirem o que ele comenta. Aliás, os colegas abelhudos se comportam de maneira igual para com todos os outros colegas e até hoje ele não suportava esse comportamento da turma que fica na fila depois de ter batido o cartão-ponto aguardando a hora de o expediente começar.

No último dia de serviço em 2012, ele chegou dez minutos antes, pegou a fila do cartão-ponto e disse a quem costumava importunar:

_Penso que eu era falso, se quero estar bem preciso usar de sinceridade com vocês, a minha vida em família pertence a mim, a minha vida funcional à empresa e os meus objetivos na carreira, somente a mim.

Educado e cortês com todos respondeu às perguntas que queria responder. Não usou de evasivas, muito menos foi mal educado, estava no limite da paciência. Fazia parte do seu projeto para o ano seguinte elaborar a convivência no ambiente de trabalho sem trapacear ninguém, mas tendo a mente focada nos objetivos a serem alcançados; aprender a lidar com a fila do cartão-ponto era a sua meta. Não daria ouvidos aos comentários sobre a vida dos outros colegas, a vida deles seria problema deles. O problema dele era o seu desempenho na empresa, queria ser bom ao ponto de receber excelentes referências. A fila do cartão-ponto era o seu ponto fraco, precisaria vencê-la para ser pontual com as suas necessidades.

Reconhecido o ponto fraco, o passo seguinte seria a capacitação e passo a passo seguir o conhecimento.

A promessa para o ano vindouro foi a grande desculpa que ele precisava para progredir porque não custa nada fazer planos para si mesmo, o difícil é a aplicação deles na vida prática vencendo as dificuldades que surgem de um hábito que depois se transforma em rotina e se adéqua ao comportamento sem razão de o ser.

Acabava de fazer algo para si mesmo, poderia fazer mais. Acreditava agora que o Ano Novo poderia ser melhor, no que dependesse dele seria.

Terminou o dia e foi comprar roupas novas para as Boas Entradas, uma superstição, ah? apenas uma.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Presente Novo no Natal

Presente Novo no Natal

Papai Noel passou de jet-ski numa carroceria engatada num carro esporte com a mamãe Noel dentro do automóvel, aqui não tem lugar para jet-ski. Um casal simpático com a Mamãe Noel eufórica por participar do desfile, jogando beijos, muito feliz.

Presentes doces, presentes perfumados, presentes a presença do amor e o carinho para com Jesus simbolizado pela presença da família e dos amigos.

Um Natal moderno, até Papai Noel se atualiza; batedores à frente do carro, luzes piscando e sinos tocando e ele, Papai Noel, montado no Jet-ski.

Ceia moderna, sem muitos talheres, todos à vontade na vontade de trocar um abraço. Som e internet tocando para os midiáticos, músicas natalinas variadas para os tradicionalistas. Papai Noel se atualizou, mas não abriu mão dos seus sucessos preferidos.

As crianças se divertiram com a novidade e os mais velhos também, a esperança veio em nova roupagem. A boa vontade reinou entre as gerações e o silêncio esteve presente no delicado barulho de garfos e facas em meditação. A hora da refeição é aconchegante para todas as idades.

Café e sofá para terminar a Noite Santa que se perpetua como Santa ao festejar o aniversário do Menino Jesus.

E quem não teve ou não viu nada disso? Se ao menos sentiu a presença do Santo Amor no silêncio da noite, provavelmente está bem.

FELIZ NATAL a todos vocês!

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Planos Para depois Que o Mundo Não Acabar ? Reflexão

Planos Para depois Que o Mundo Não Acabar

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O chamado o mundo foi prorrogado a partir do ano 2000 e se convencionou outra data. Naquela data os cristãos foram chamados para continuarem nos seus propósitos. A maioria de nós aguentou firme os doze anos; agora chega de papo e vamos ao que interessa.

Fiz tantos votos esse ano que a lista é imensa.

Começando a contagem regressiva para o dia primeiro do ano que vem, prometi a mim mesma passar o Natal em adoração e oração, sem jejum, pois é Festa de Aniversário para Aquele que me tem guiado.

Depois vem a tradicional retrospectiva do ano que passou e das mudanças que ocorreram no decorrer do período, dos livros que li, do que fiz e do que não fiz.

Renovada a fé, vamos em frente, da melhor maneira que conseguirmos; por certo novos desafios surgirão, a vida é dinâmica.

Prestar toda a atenção nas palavras interessantes dirigidas a mim, ou, aos outros. As histórias curtas da vida de cada um fazem o nosso dia a dia melhor.

Entender que a cada um cabe a sua parcela de alegria e sofrimento e, que não podemos projetar no outro a dificuldade que é nossa; pois todos nós estamos sós em determinadas circunstâncias e isso não significa que as outras pessoas não nos querem auxiliar; as dificuldades dos outros podem ser maiores que as nossas. Fazermos nos entender com clareza também é importante, é um aspecto que precisamos melhorar continuamente.

Existem dados que precisamos preservar e guardar com carinho para o futuro, as lições de vida. Deixemo-las numa caixa para a próxima oportunidade de usá-las, mas sem amargor; se algo for amargo que seja chocolate.

Respeitemos as outras crenças, ou quem sabe, a ideologia do outro. Sejamos respeitados; saibamos que a estrela brilha naquele que a busca.

É tempo de festas, os dias estão claros e enquanto eu lavava roupas à tardinha, a Estrela Dalva deu o ar de sua graça iluminando o meu espírito e a roupa brilhava no meu olhar feliz.

Para nós brasileiros, agora é aguardar o Carnaval para começar 2013

domingo, 16 de dezembro de 2012

Um Natal Religioso

Um Natal Religioso

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Na igreja jantavam a avó e as cinco crianças, era noite de Natal.

O religioso avistou o grupo e foi conversar com eles.

_Que linda família a senhora tem, que belo gesto de amor o das crianças pela senhora e o carinho da senhora pelas crianças.

O João, que era o menor, baixou os olhos e segurou o pranto. O pastor percebeu que o garoto estava triste, chamou a esposa para se reunir ao grupo e começar uma conversa para que a tristeza não fosse à companhia daquela mesa.

A esposa do pastor se apresentou à família, mas o garoto enxugava os olhos. Com cuidado perguntou o que se passava com o garoto à avó.

_Pergunte a ele, pastor. Se ele quiser, ele diz. Eu prefiro não tocar no assunto.

O pastor olhou para a esposa e ela consentiu a pergunta ao garoto.

_Por que essa tristeza, João?

João perguntou para a avó se ele podia contar ao pastor. A avó disse que sim, que a noite era santa e que tudo ficaria sob as bênçãos do Senhor.

_A minha mãe, pastor, é aquilo que chamam de mulher da vida. Eu não sei quem é o meu pai, nem o meu e nem o dos meus irmãos.

O pastor, penalizado, pediu que o garoto continuasse a sua história.

_Ela saiu de casa cedo, deixou a casa da minha avó e caiu na vida. Depois que eu nasci a sua situação ficou difícil, e ela não podia nos criar. As amigas dela se ofereceram para ajudar, mas ela não aceitou e foi então que nos deixou com a vovó.

Nesse ínterim, a avó lembra-se da confissão da Salomé arrependida:

_ Mãe, eu saí de casa, e, a senhora sabe, eu me prostituí em busca de uma vida luxuosa, mas de luxúria. Eu não quero para os meus filhos a vida que tive e a vida que levo. Eu escolhi a minha vida e quero que eles escolham as deles, nessa vida que eu levo é difícil proporcionar outra escolha que não a minha, o meu ambiente seduz ao caminho incerto. Eu não quero que eles sigam a mim porque não sou exemplo para as crianças. Eu os deixo com você, porque sei que o seu amor é divino e o meu é pecador, repleto de transgressões ao Senhor e o meu arrependimento é a entrega dos meus filhos para a senhora, mãe santa, os criar.

A mulher do pastor se emociona e diz ao garoto:

_Saiba que quando você crescer, você abençoará a sua mãe e a agradecerá de joelhos pelas oportunidades que ela te concede hoje.

O garoto responde e pergunta se ele verá a mãe quando ele crescer.

_Você, nunca mais a viu, João?

O garoto responde que ela aparecia lá na casa da avó de três em três meses, dava dinheiro para ela, beijava a todos eles e partia.

_Você agradecerá a sua mãe por cada beijo que ela te dá, são beijos santos.

O menino parou de chorar ao saber que ela por certo voltaria à casa da avó e daria mais um beijo em sua face corada e sadia. Mas, na inocência, pergunta ao pastor por onde andaria ela nessa Noite Santa e o pastor responde que por certo estaria em seu quarto orando e pedindo a Deus por eles, para que eles fossem felizes e abençoados pelo Todo-Poderoso. O jantar teve presentes, o jantar ocorreu em harmonia, o Espírito Santo estava ali entre eles.

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Para Os Pessimistas / Crônica de Natal

Para Os Pessimistas
O Papai Noel chegou à Praça Santos Andrade, Curitiba, em cima de um carro do Corpo de Bombeiros da cidade. A praça é repleta de pontos de ônibus e havia uma multidão de crianças e famílias à sua espera.
Eu e o meu café ouvíamos os comentários a seguir sem querer, mas aproveitando a festa como incógnitos.
_Acho que ele foi acusado de estelionato, está acompanhado por dois policiais para não aplicar golpes na praça.
O outro retrucou:
_Que nada, não vê que ele é o delegado da festa e está escoltado, eis um homem Legal.
Um passante reclama:
_Até o Papai Noel aparece para atrapalhar o trânsito e fazer com que eu chegue atrasado à minha casa.
O caminhão contorna a praça em direção à casa do Papai Noel e às crianças. Quando o carro do Corpo de Bombeiros para e o Papai Noel ameaça descer, a banda avisa a multidão que não haverá presentes para ninguém:

Ele aceitaria apenas pedidos de presentes e boletins de bom comportamento. Um recenseamento infantil feito pelas mamães e papais. As crianças, coitadas, sorriam felizes, sem ter a ideia do que diriam sobre elas.
As crianças ainda sorriem e as mães ainda elogiam os filhos, os pais ajudam nos presentes, o algodão doce é perfumado e traz vontade de ser feliz.
Agora reflito se a cafeteria era o melhor lugar para estar naquela hora, talvez fosse melhor saborear um algodão doce e disfarçadamente deixar essa felicidade tomar conta de mim.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Carta do Seu Pai Para Você, porque as melhores mensagens de natal são desconhecidas…

Carta do Seu Pai Para Você

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De: Wilma

Para: Leondi

Data: 13/12/2012

Prezada conhecida Leondi,

É estranho que o seu pai tenha deixado esta carta comigo, tendo em vista que não conversamos pessoalmente, conheci o seu pai de vista, ao comprar pães na padaria ao lado da empresa dele.

Naquele dia choveu e eu vim de táxi para casa. O motorista disse que dificilmente seríamos amigas pelas coincidências em nossas vidas: ambas as moças bonitas, inteligentes e bondosas, frequentadoras dos mesmos ambientes e conhecedoras das mesmas pessoas.

O seu pai pediu ao motorista do táxi que me entregasse esta carta com a história a seguir:

“Filha, eu sou generoso e a origem da minha generosidade é o conhecimento do ser humano, do amor e da ganância em torno das pessoas influentes, como o personagem em que eu me transformei. Certa vez demos uma festa belíssima e não excluímos nenhum dos nossos amigos da festa.

Eu estava tão feliz com aquela festa que peguei o nosso automóvel importado e estacionei em frente à casa do amigo Honório; desci e entreguei o convite em mãos. Honório ficou tão comovido com o convite que o mostrava aos seus amigos, dizendo da minha bondade e fineza.

A moça que está com a carta agora viu o convite. Eles vieram à nossa festa. Alugaram roupas e se deslumbraram não aquele deslumbramento pelo luxo, mas aquele deslumbramento do coração que enxerga a alma do outro no bom tratamento dados não apenas a eles, mas a todos os meus convidados. A carta está com ela para provar que ambas pertencem ao mesmo ambiente, mesmo quando caro e mesmo quando humilde como é o caso do Honório.

Se você está recebendo esta carta agora, você não ouviu o meu motorista tentou te dizer por que o táxi que ela pegou foi alugado por mim. Não imagine que eu te deixaria alguma mensagem, sem pensar em você com amor, sem pensar na sua mãe e nos cuidados que ela teve com você por toda a vida.

Você não ouviu igualmente o nosso querido Amadeu, o meu estimado bajulador de plantão 24 horas. Ele é inteligente e generoso, mas é preciso entendê-lo e você não suporta lambe-botas. Saiba, o nosso lambe-botas é o melhor e mais qualificado para a função que exerce na empresa. Ele é lisonjeador por natureza, é a maneira dele; espero que um dia você alcance esta compreensão que mostra que o puxa-saquismo pode ser uma qualidade. Não conseguiria terminar a mensagem se começar a elogiar este meu funcionário, ele é o meu sorriso nesse antro de pessoas apenas competentes.

Eu te dei o melhor e temo que a escola tenha te bitolado. Todos nós temos a nossa religião, a nossa doutrina política e de cidadania, os nossos costumes; não podemos nos deixar dominar pelos interesses estranhos que permeiam os diversos ambientes que frequentamos. Pergunte ao Arlindo, o lambe-botas como é que se faz. A verdade é que eu nunca mandei nele e, nem assim, ele deixou de ser excelente para nós. Com ele aprendi que se pode ficar de joelhos numa reunião informal para servir um copo de água. Nunca tome um coquetel Alexander (aquele coquetel para moças bem educadas, permitido em raras ocasiões) perto dele. Ele te fará de gato e sapato, te ensinará que não se deve beber falando aos seus ouvidos como se fosse seu amigo íntimo. Pobre do meu diretor, que passou por isso, bebendo um destilado importado, nunca me divertiu tanto, mas ele mereceu o constrangimento.

Minha filha amada, você me causa preocupações. A rigidez das escolas não combina com a educação que eu te dei dentro de casa.

Essa carta não pode ser melhor, porque está entregue através do meu motorista à moça que tem uma vida semelhante à sua, mas não é seu espelho.

O que eu quero te pedir é que você tenha a paciência de reler os livros que eu te recomendei na juventude e se, puder, leia os livros pelos quais eu pautei os negócios da família. Por favor, filha, leia os livros que eu li e se ambiente para sentir a minha realidade quando fundei a empresa.

Saiba que a moça que te escreve está sendo generosa como eu esperava que ela fosse, se um dia fosse preciso. Esse dia, pelo visto, chegou.

Desejo que você seja feliz, tenha um lindo final de ano, mas leia os livros que eu recomendei, afinal, sou seu pai.

Beijos a você, minha querida Leondi. ’

Assinado: Leonildo

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A Lua Negra

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Cacilda e Leonor aproveitavam a primeira noite de turismo rural no interior do estado de São Paulo e, para se entrosarem com os outros excursionistas, estavam à varanda da casa da chácara junto com os outros hóspedes olhando o céu e observando as estrelas de um céu ponteado de luzes.

Leonor comentou sobre a lua minguante que se parecia com um berço segurando a lua translúcida, redonda e marrom escura contrastando com o céu azul marinho.

Os hóspedes ergueram suas cabeças enquanto Cacilda dizia:

_Vemos o lado escuro da lua em plenitude, parece um planeta marrom.

Alguns colegas de varanda pegaram as suas câmeras fotográficas, outros se deixaram encantar pelo céu. Leonor prosseguiu:

_Daqui a dois dias será lua nova, é a lua que ninguém vê. Sabe-se lá o que pode acontecer se ao invés do nada passarmos a ver uma bola marrom dependurada no céu.

Ninguém respondeu ao comentário.

Passaram-se os dois dias em entretenimentos na fazenda. Leonor, entretanto, aguardava que a noite chegasse. Os seus temores se confirmaram e, no céu, o planeta marrom.

Cacilda, professora de geografia, levou um susto. Segundo ela, a lua influencia as marés, as mulheres e seus bebês, também a agricultura. Essa luz opaca e triste por certo haveria de influenciar também, mas não tinha a mínima ideia do tipo de influência que poderia ocasionar ao planeta Terra. Juntou-se a Leonor, talvez a única que pudesse ficar ao seu lado em caso de necessidade em relação à Lua.

Naquela noite alguns hóspedes estavam agitados e demonstravam o nervosismo na feição desproporcionalmente rude para quem está em férias num local aprazível e com sabor caseiro.

Observaram que as mulheres provocavam o nervosismo nos homens, pois, algumas delas andavam de um lado para o outro sem sequer tomar um copo de água, outras compravam lanches e os deixavam de lado após a primeira mordida, além de outras que pediram refeições completas e saíram para o campo em volta da chácara porque queriam caminhar sozinhas, de madrugada, sob aquele fenômeno desconhecido.

Ouviu-se o marido de uma delas perguntar o que estava acontecendo e a mulher dele respondeu que desistira de comer o sanduíche para comer uma fruta. O marido, aborrecido, pegou o lanche e comeu.

O gerente do hotel veio até a turma de turistas e disse que os passeios de caiaque no rio estavam proibidos à noite e que não poderia atender às senhoras que haviam pedido um guia.

Cacilda se dirige a Leonor e diz que a lua precisaria voltar ao normal; para isso pede que a ela que elabore uma teoria para solucionar o caso de maneira que não abrangesse a ciência porque o estudo de nada valia naquele momento inusitado.

Leonor disse que a energia neutralizadora da luz escura era composta por pensamentos positivos porque o ser humano é energia em essência e o pensamento é a maneira correta de expandir essa energia, mas se houvesse sofrimento, a luz escura prevaleceria energizando a negatividade iluminada e desconhecida. O seu temor era que a Lua estivesse sendo iluminada por um buraco negro do espaço, aquele com a força gravitacional maior do que a do nosso planeta. Se a Lua estivesse sendo atraída por tal gravidade estelar, logo ficaria marrom e poderia levar a Terra junto com ela a se transformar em antimatéria. De acordo com a sua teoria, seriam necessárias mais de quarenta pessoas confiando plenamente umas nas outras para que houvesse uma dispersão eficiente para bloquear a ação desse buraco negro, se fosse o caso.

Cacilda gostou da ideia porque na chácara havia mais de cem pessoas. As duas passaram a noite conversando e planejando uma fórmula para que mais de quarenta estranhos entre si confiassem plenamente uns nos outros criando uma confiança artificial, mas com efeito igual em termos de energia, como se fosse uma vacina criada a partir do placebo.

Na manhã seguinte propuseram ao guia turístico uma brincadeira na hora do almoço, cuja permissão da gerência caberia ao guia conseguir. O nome da brincadeira foi inventado e chamado de Exercício de Confiança Mútua, em tese a brincadeira ajudava na compreensão e aceitação do ser humano como um todo: afeto, razão e ação.

Chegada a hora do almoço, com a participação do gerente, os turistas que concordaram em participar somavam quarenta e duas pessoas no total e estavam na sala de almoço.

Cacilda e Leonor se veem sem margem de erro, muito próximas do número exato de pessoas necessárias. Cruzam os dedos e torcem para que todos se deem a confiar.

A brincadeira começa e consiste em um hóspede servir o outro até que todos estejam servidos. Todos os servidos deveriam, ao final da refeição, ficarem satisfeitos se sentindo bem servidos e alimentados de acordo com a sua vontade.

O primeiro pediu ao próximo: arroz integral, salada e carne de aves.

O segundo pediu ao próximo: massas diversas com dois molhos em cada uma.

O terceiro pediu ao próximo: saladas e carne de churrasco.

O quarto pediu ao próximo: peixe, arroz e batatas douradas.

Assim foi até o quadragésimo segundo, que foi servido pelo garçom e pediu de tudo, um pouco; o servido pelo garçom não contava para a energia, mas ele não sabia disso.

Após todos almoçarem é anunciada a mesa de doces caseiros e frutas da região na varanda, onde depois seriam servidos cafés.

Em meio à confraternização, Leonor pede a atenção de todos e Cacilda pergunta se todos estavam satisfeitos e se foram servidos a contento. Todos murmuram que sim.

Era chegado o momento decisivo e as duas, Leonor e Cacilda pedem a todos que digam em voz alta para que até nos confins da Terra sejam escutados.

Eles tinham aceitado participar da brincadeira e aceitaram, em coro, dizer a palavra sim em alto e bom som.

De acordo com os cálculos, a energia fora liberada, restava esperar o resultado.

O céu naquela noite está nublado e não se veem estrelas, luas ou o próprio céu apagado pelas nuvens. O dia seguinte amanhece chuvoso. A viagem segue a rotina e tudo parece normal. Os dias passam e a hora de voltar para casa se aproxima. Leonor tem compromissos e não pode prolongar a estadia na chácara, mas Cacilda fica.

Demoraram quatro dias até a frente fria se afastar da região para que o céu voltasse a ficar limpo sem sinal de nuvens. Nessa noite a lua aparece em quarto crescente com a luz escura bloqueada, finalmente o lado escuro da Lua estava de onde não deveria ter saído. Cacilda, ao ver a Lua, liga imediatamente para Leonor e avisa que está tudo bem com a lua. Leonor diz a ela que pode voltar para São Paulo porque a crise lunar foi contornada.

Cacilda arruma as malas. Ela não tinha dúvidas que a Lua tinha sido iluminada pelo buraco negro, ela sabia que a desestabilização da órbita da terra poderia, em tese, acabar com o planeta Terra, tal como se nos apresenta hoje. Havia sido um passeio de estudos que precisavam de auxílio de outras áreas de conhecimento, importava mesmo é ver a Lua sã e salva com a luz normal. Supõe-se a existência de outras formas de energia vivas no espaço e não se pode arriscar, se é estranho conte e se comunique.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Aprendendo a Confiar

Aprendendo a Confiar

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Wanessa, menina de doze anos, primeira espinha no rosto, brincando de escolher a sobrancelha a ser delineada na mocidade que logo viria a acontecer. Pensava no que fazer com as bonecas, algumas não a interessavam mais, outras ela nutria afeto de criança. Queria comprar bijuterias, mas era criança e pediu a permissão da mãe. Laura, a mãe, saiu com a filha e comprou um par de brincos de contas miúdas e foscas, nas cores brancas e rosas, com formato de pingente.

Wanessa estreou os brincos na festa da escola. Eram brincos sem tarraxa, soltos e pendurados pelo aro curvo e branco. No meio da festa alguém passa por ela e puxa um dos brincos, tirando-o da orelha e levando-o consigo. A festa continuou, mas a garota pensava no brinco e a festa perdeu a alegria, em parte porque crianças logo se distraem com outras alegrias e brincadeiras.

Na festa de aniversário dos treze anos, perguntada sobre o presente que gostaria de ganhar, disse que o seu presente mais desejado era um aparelho de som portátil chamado de MP3. Para a sua surpresa, ganhou quatro: dois pretos, um prateado e um rosa, que ficou sendo o seu preferido porque era da mesma cor dos primeiros brincos.

Numa tarde de estudos com os seus colegas na sua casa, enquanto os acompanhava até o portão para se despedir deles, viu o seu MP3 preferido desaparecer. Entrou e perguntou aos seus irmãos e pai e mãe se alguém o tinha visto, mas ninguém o viu ou guardou.

No dia seguinte, na escola, perguntou aos amigos que tinham ido estudar com ela se, por acaso, alguém o havia visto ou pegado por brincadeira. Alguns deles ficaram aborrecidos com ela, desconfiar dos amigos é coisa que não se faz.

João Soneca, uma das crianças que havia estado na casa da garota no dia anterior, depois das aulas, pediu a ela que procurasse o MP3 por toda a sua casa e, caso não o encontrasse, ligasse para ele à tardinha.

_Eu sou seu amigo e vou descobrir onde foi que ele foi parar. Para que isso seja possível irei à sua casa com a desculpa de te ensinar matemática.

Wanessa perguntou por que é que a desculpa seria ensinar matemática a ela, justo ela que tirava notas altas na matéria.

_Porque esse é o meu álibi perfeito para a investigação, assim o culpado não desconfiará de nada. Se eu tivesse que dizer que iria aprender matemática com você, talvez alguém da sua família quisesse cobrar pelas aulas e me considerasse um mau pagador, porque eu não pagaria para descobrir o destino do MP3 para você.

A menina percebeu que o amigo não se descuidava na hora de fazer negócios, que ele tinha espírito e era inteligente, ainda assim sobraria para ela fazer exercícios de matemática para que o tal álibi funcionasse. Levando em consideração o amor que nutria pelo MP3 cor-de-rosa e o estudo que seria obrigada a fazer, gostou e aceitou que o João fosse até a sua casa.

João tratou de chegar na hora do almoço para se encontrar com o pai da garota e se apresentar:

_Bom dia, senhor Eustáquio. Eu sou amigo da escola e vim aqui para ensinar matemática para a sua filha e quero a sua permissão para aqui vir todos os dias fazer os exercícios e as tarefas de casa com ela.

Eustáquio ouviu o garoto, levantou-se da mesa e disse:

_Laura, fique de olho nas crianças que a hora do almoço terminou e eu tenho que bater o ponto daqui a dez minutos.

A louça estava na pia da cozinha e a visita na copa. Convidou as crianças para conversarem com ela enquanto ela arrumava a cozinha. João aprovou a ideia de ficar na cozinha e pesquisar vestígios de MP3 enquanto comia um pedaço de pudim de leite oferecido pela mãe da amiga. Depois, sentaram-se à mesa da copa e estudaram conforme tinham combinado.

No outro dia, quem ficou olhando as crianças foi a diarista. João e Wanessa conversaram muito sobre MP3 e a menina pediu à moça da limpeza que trouxesse todos os MP3 que encontrasse no quarto dela; ela queria mostrar todos eles ao amigo. Não demorou nada e a moça trouxe os três MP3 que encontrou. Combinada com o João, a menina perguntou sobre o MP3 cor-de-rosa.

_Faz tempo que não vejo aquele MP3. Você o procurou na sua mochila?

Wanessa tinha esvaziado a mochila algumas vezes e, para ser educada com a moça, abriu a mochila sobre a mesa e com cuidado a esvaziou na frente dela e do amigo. Não estava lá, conforme era previsto.

A investigação do João não andava e ele teve uma ideia: pegaria as suas economias e compraria um MP3 para ele, desta vez colorido. Wanessa reuniria os mesmos colegas que foram à sua casa da vez passada, desta vez para assistirem um filme na televisão. O desfecho do caso ficaria por conta dele, pois agora era uma questão de brios.

Os colegas aceitaram o convite, entenderam como se fosse um pedido de desculpas da parte da Wanessa. Naquela tarde, João amarrou uma linha no seu MP3 colorido e o deixou em uma cadeira displicentemente, como se o MP3 fosse da amiga Wanessa.

As crianças assistiam ao filme e decorridos trinta e seis minutos da exibição, João sente a linha amarrada em seu dedo indicador puxar. A armadilha funcionava e ele seguiria a pista, que indicava o caminho da cozinha. Disse aos amigos que estava com sede e voltaria logo.

Quem estava na cozinha era Laura, fazendo refrescos para a garotada, a diarista havia faltado. Perto dela estava uma amiga sua e essa amiga estava com o MP3 colorido nas mãos. Prestes a guardar o MP3 na bolsa, João a interrompe:

_Estava procurando um copo de água e encontrei refrescos e o meu MP3.

A amiga de Laura questiona o menino:

_Seu MP3? Como é que você entra na cozinha sem cerimônias e diz que este MP3 que está em minhas mãos é seu?

João puxa a linha presa no dedo indicador direito com o auxílio da mão esquerda e o MP3 cai das mãos da senhora e vai ao chão.

_Desculpe-me senhora. É que o meu MP3 tem as cores de um anzol e eu amarrei linha de pescar em volta dele para não o perder. Eu sou distraído.

A amiga de Laura se justifica e diz que confundiu com o dela, idêntico ao dele.

Wanessa corre para a cozinha ao perceber a demora de João por lá. Olha para a mãe com ar de desculpa como se contasse que ela tinha entrado num plano secreto.

A mãe abraçou a filha e a amiga foi-se embora dizendo que estava com pressa e tinha compromissos naquela tarde para serem cumpridos.

_Wanessa, eu sou sua mãe. Você deveria confiar mais em mim. Eu percebi e fiquei de olho em vocês. Talvez devesse ter conversado com você sobre o assunto, mas eu queria ver o desfecho do João. Somos iguais, guardamos segredos. Amadurecer é conversar abertamente dentro de casa e tomar decisões e assumir essas decisões. E eu me diverti e fui tão criança quanto você.

João interveio na conversa:

_ E os brincos furtados na escola?

A mãe da Wanessa contou que pegou carona para ir à festa naquele dia buscar a Wanessa e que a amiga tinha descido do carro com a desculpa de verificar o cano de escape do automóvel. Foi quando as duas se separaram, cada uma delas foi cuidar dos seus interesses. Laura entrou na escola e a amiga tinha ficado do lado de fora.

As próximas aulas foram ministradas por Laura. Eram aulas de reforço escolar e nas matérias em que as crianças estavam com notas baixas, com a diferença de que a mãe, Laura, contatou a mãe do João e contou com o apoio dela.

sábado, 8 de dezembro de 2012

Quando a Cobrança Vem de Dentro de Casa: Por Que Você Não Escreve Poemas?

Quando a Cobrança Vem de Dentro de Casa: Por Que Você Não Escreve Poemas?
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A poesia nasceu da simpatia profunda que sinto pelos poetas, admiráveis Vinícius de Moraes, Ferreira Gullar, Arnaldo Antunes e não pararia de escrever por algumas folhas para citá-los com todo o carinho que me merecem e pela boa companhia que me fazem.
Parece até mesmo feitiço, mas eu não acredito neles. Por alguns instantes fiquei a admirar a chicória, a qual não lembrava o gosto e algumas pessoas que estavam ao meu lado disseram que era ligeiramente amarga feita em salada ou cozida em refogado excelente para acompanhar o prato do dia fosse ele qual fosse.
Foi nesse instante que a inspiração foi embora e, ainda, não voltou. Não existe poema, por simples e sem graça que seja, ou sofisticado e elaborado, e tenho poemas de ambas a qualidades e a capacidade de amar mais alguns poemas meus do que outros feitos por mim.
Os poemas da Cecília Meireles, ou da Isabel Furini aqui de Curitiba, quanta leveza de alma traz nas suas formas. Mulheres poetisas, maravilhosas mulheres.
Também não foi a religiosidade porque os Salmos são belíssimos e o superlativo aqui usado se justifica em cada linha, cada verso.
Mas, e os poemas que fazia, onde estão? Guardados com carinho, na espera da inspiração.
E a inspiração, volta quando? A inspiração é senhora dos tempos, das letras, das formas, dos afetos e também, da vaidade de poetizar. Porque ela escolheu a chicória para ir embora, eu não sei.
Talvez tenha se ido para deixar o seu sabor característico na alma. Busca os campos com a verdura, a linha do horizonte em terras agricultáveis, sonhe poemas que não sejam os meus, que pertençam a outro poeta qualquer.
A liberdade da inspiração é plena, ninguém a domina ou a domestica; então deixei que ela se fosse de mim para quando voltar estar refeita, satisfeita, pronta para ser poesia.
Agora a resposta está escrita não aos da minha casa somente, mas aos meus amigos e amigas com os quais compartilho os meus escritos.

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Calor Preguiçoso / Crônica de Supermercado

Calor Preguiçoso / Crônica de Supermercado

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Hoje tive que ir num outro supermercado e este, sem ar condicionado. Para que entendam a crônica, o calor no litoral do Paraná era tanto que a sensação térmica equivalia aos cinquenta graus centígrados. Calor maior eu duvido que se tenha visto por aqui.

O pão eu havia comprado, mas faltou o leite. Comprei o leite e fui para a fila de vinte pessoas. Todos suavam apesar do movimento médio no estabelecimento, inclusive a que vos escreve.

A chamada para os fregueses da fila era pelo número do caixa:

_Caixa oito livre! Caixa Doze livre!

Assim a fila andava lenta e preguiçosamente como os atendentes e consumidores.

Ouviu-se que o caixa sete estava livre e, no entanto, a fila não andou. Em seguida ouviu-se novamente que o caixa doze estava livre, mas a fila continuou parada. O caixa sete chamou a segunda e a terceira vez e ninguém andava.

Foi quando a senhora que estava atrás de mim pediu que avisassem o começo da fila que havia caixa livre.

A modorra era tanta que ninguém falou em voz alta para avisar o retardatário do começo da fila. Eu cutuquei o senhor da frente e pedi que ele avisasse o número um da fila. Ele, por sua vez cutucou o freguês à frente dele. Assim foi até chegar ao senhor com um pequeno carrinho de compras.

_Ah! Sou eu? Obrigada por me avisar.

O que estava atrás respondeu:

_De nada, não por isso.

Obrigada e de nada voltaram até a mim e à senhora que estava logo atrás, a idealizadora da ideia.

Todos nós estávamos educadíssimos, dizer isto seria uma farsa, estávamos sem vontade de nos mexer esperando pelo possível vento que adentrasse na fila. O calor era tanto que o raciocínio comum era permanecer na fila até que a chuva viesse, mas não deu.

Quando cheguei ao caixa, ele pediu desculpas pela demora e foi a hora correta de usar a expressão de gíria:

_Não esquente. O calor natural nos basta.

O caixa agradeceu a minha boa vontade e eu respondi que era eu quem agradecia a ele pela gentileza. Bom seria se fosse assim o ano inteiro.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Mamãe Não Tem Tempo

Mamãe Não Tem Tempo

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Por motivos de final de ano, com todas as comemorações, algumas mães ficam com a agenda esgotada e é a hora das crianças se divertirem com a falta de tempo da mãe.

Joaquina Ferreira monta a árvore de natal, toma conta do Sálvio, por ser o menor, de dois anos. Os outros dois Isabela e Flávio têm nove e onze anos respectivamente.

Isabela diz ao Flávio para não copiar o trabalho dos outros, é feio e mamãe não gosta.

_Eu vou copiar parte para ganhar tempo. Se mamãe está ocupada, eu também estou sem tempo para o final do bimestre.

Isabela avisa que copiar pode ser pior do que fazer um trabalho mediano, a nota pode ser mais baixa se o professor descobrir.

Flávio não liga para aquilo que a irmã diz, copia e assina.

_Você não é minha mãe, é mais nova e não tem a experiência que eu tenho em assuntos escolares.

Depois dessa resposta, a menina fica quieta, senão terá que chamar a mãe, que monta a árvore de natal. Se a mamãe vem, acaba a folga dos mais velhos, ela e o Flávio, que tem a obrigação de estudar, mas também podem brincar na cozinha sem ligar o fogão, não são bobos de chamar a atenção da mãe brincando com o perigo.

Flávio consegue a nota baixa, não por copiar, mas por copiar errado. O professor o chama à frente da sala e pede para que ele leia o seu trabalho sobre Cristóvão Colombo.

Ele lê sobre as caravelas e diz que a América foi descoberta em 1.493.

O professor o interrompe e pergunta de qual site da internet ele tirou a informação. Não havia site nenhum, havia era o trabalho do Geraldo do qual ele não poderia falar. Bem falante, o menino responde:

_Não lembro o site professor, mas sei que o nosso colega Geraldo, que sempre tira boas notas e pesquisa o dia inteiro talvez saiba. Se o senhor me permitir, dirijo a pergunta a ele.

Geraldo, estudioso, sabendo que o colega havia copiado parte do trabalho dele, arregala os olhos e responde:

_Eu pesquisei no site da biblioteca da escola onde diz que Cristóvão Colombo descobriu a América em 1.492. Eu sei que o Flávio também pesquisou, mas eu tenho que verificar o histórico para saber o site em que ele pesquisou.

Flávio, continuando a boa conversa, dirige-se ao professor:

_Esses detalhes de digitação fazem alguma diferença?

O professor diz que os detalhes de digitação não fariam diferença se ele, Flávio, tivesse observado à leitura, que havia se enganado. Como não observou o erro de digitação pareceu a ele que o garoto não sabia dos fatos do descobrimento da América.

Flávio teve a sua nota diminuída e passou de ano com a nota mínima necessária.

Isabela queixa-se à mãe dias mais tarde:

_Mamãe, adianta a gente ser criança, ter razão e ninguém dar ouvidos?

A mãe reconhece que não adianta ser criança, ter razão e dizer qual é o melhor caminho, somente os grandes, os adultos podem aconselhar as crianças. Isabela teria que crescer antes de poder aconselhar alguém. Mas lembrasse de que chamar a mamãe, às vezes, é quase obrigação, principalmente quando ela tivesse razão porque por ser criança não chamou a mamãe quando deveria, por ser criança deixou o Flávio decidir o que o prejudicou. Chamar a mamãe não é vergonha nenhuma para a criança, é uma necessidade. Disse também que a amava e compreendia. Quanto ao Flávio, depois que o Sálvio dormisse, iria até a internet conhecer melhor o Sr. Cristóvão Colombo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Irmão Ligado

Irmão Ligado
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Edson soube que a irmã de dezesseis anos estava grávida do namorado, também de dezesseis anos, viu a família agitada. Ele, então com doze anos, ajeitou-se sozinho com os seus problemas escolares porque nem o pai e nem a mãe foram às reuniões da escola.
Em casa o assunto era a irmã, a gestação, o namorado, a mãe do namorado visitando a família várias vezes. No interior não se faz gravidez em filha de gente amiga em bem quista na cidade.
Para evitar que os comentários se transformassem em fofoca, as famílias resolveram a situação do jovem casal da seguinte maneira: o pai do garoto alugou uma quitinete com quarto e sala para eles morarem até a criança nascer. Os jovens se queriam bem e aceitaram a proposta de não se casarem até completarem vinte e um anos.
A irmã de Edson arranjou emprego de balconista na panificadora e o namorado dela foi contratado como ajudante e aprendiz de mecânica de automóveis. Os familiares do garoto davam a mesada para o supermercado, mas eles não sabiam o que comprar no supermercado e traziam refrigerantes e iogurtes onde deveriam vir o arroz e o feijão.
A mãe da moça fazia a marmita para o almoço, filha grávida tem que se alimentar corretamente.
Edson entendeu quando começaram as discussões entre a irmã e o namorado; o dinheiro que eles recebiam nos seus empregos não dava para pagar as contas da quitinete e os gastos com o bebê. Como a irmã e o cunhado poderiam viver bem com o pai do rapaz pagando o supermercado e a mãe dele cuidando da alimentação da sua irmã. Por que eles não deixaram que a  irmã e o namorado se casassem, parece que aguardavam a dissolução da união, parecia mesmo que agouravam o futuro casamento como se fosse algo improvável. Era esquisito ver tanto apoio com toda a desesperança do mundo. Eram famílias de esperanças vazias quanto ao futuro.
A criança nasceu saudável e abençoada pelos pais. Era uma menina. Havia muita gente na quitinete. Faltava ar. A irmã do Edson aparentava sinais de cansaço. O cunhado de Edson estava nervoso e se controlava para não ser desagradável com a família.
Aquilo não era vida de marido e mulher, pensou Edson. Ele sabia o que era família nova e sabia que aquela situação estaria insuportável em pouco tempo.
Pensado e acontecido, a irmã e o namorado cunhado se separaram. Moça responsável passou a viver em função da criança menina. Moço apaixonado visitava a namorada e a filha.
Aos poucos, o casal se separava de fato, entre eles restava uma criança bem esperada e amada por ambos.
Edson cresceu observando a situação. Ao completar dezoito anos pediu para que a irmã saísse com ele. Ela foi. O presente que ele queria da irmã é que ela saísse com as amigas. Até os dezoito ele viu toda a gente se intrometer nos assuntos da irmã. Agora chegava a vez de o irmão cuidar dela. Ele pediu para que ela se divertisse como quisesse, mas contasse com ele quando tivesse problemas. Ela aceitou. O garoto a defendia e foi bonito de ver o irmão jovem crescer. Ela namorou, mas não casou. A filha era sua responsabilidade e ela a criaria. O irmão a abençoava permitindo que ela vivesse em paz com a criança e o namorado. O namorado que foi cunhado por algum tempo tentou interferir nas saídas da irmã de Edson, mas ele não permitiu.
Edson foi o grande prejudicado naquela história, se virou sozinho com os seus problemas. Agora Edson manda.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Atualizações Culturais

Atualizações

Preciso compartilhar notícias culturais com vocês, aproveitei os últimos dias para ler emails e compartilho as novidades:

Divulgação:

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Convite

A Academia Paranaense da Poesia convida para o lançamento da Coletânea: Academia Paranaense da Poesia, às 17 horas do dia 5 de dezembro de 2012, na Biblioteca Pública do Paraná, Auditório Paul Garfunkel (Rua Cândido Lopes, 133, Centro, Curitiba).

Na ocasião, haverá homenagem póstuma a Pompília Lopes dos Santos, Helena Kolody, Jean Dobignies, Túlio Vargas, Horácio Ferreira Portella e Do Carmo Fortes, com a entrega de exemplares da coletânea a seus familiares. Haverá entrega de exemplares a participantes da obra e a entidades culturais.

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Sua presença muito nos honrará.

Roza de Oliveira

Presidente