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terça-feira, 30 de outubro de 2012

Dizendo O Que Eu Acho…

Dizendo O Que Eu Acho...

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Não são os outros que acham isso ou aquilo e dão palpites, eu também acho!

Eu acho que as cadeiras de rodas das crianças especiais deveriam obrigatoriamente ter cores infantis, rosas e azuis, flores nas camisetas das meninas e carrinhos nas camisetas dos meninos. O uniforme azul é o mais bonito, ainda gosto imensamente da cor azul, mas pode ser verde ou de outra cor, mas colorido.

Ainda achando, acho que as crianças especiais têm a infância diminuída com tantos profissionais adultos e necessários para a apoiarem e ficam esquecidos os doces de leite, de amendoim e as marias-moles do recreio. Elas têm direito a uma nutrição saudável, mas acho que a infância dá direito a balas de goma com bichos e, até mesmo monstrinhos. Eu acho horríveis crianças comerem dentaduras de goma, mas algumas desistem dos biscoitos nos supermercados por um daqueles pacotes. Eu acho que as crianças especiais têm direito ao pacote de balas de goma em formatos diversos.

Tem uma dessas escolas perto da minha casa e não raro vejo a saída da escola, crianças contentes e alegres, mas poderia ser melhor. Elas podem aproveitar a infância sem tantas responsabilidades, além daquelas obrigatórias como exercícios físicos, aprendizagem, nutrição adequada, etc.

Eu sei das dificuldades dos pais para educarem essas crianças num meio social adequado, mas festas infantis com palhaços e brincadeiras poderiam acontecer de dois em dois meses, bem planejadas para que tudo dê certo.

Eu acho, e desta vez, prometo que pararei de achar, que ninguém quer uma infância menor. Tudo bem que a vida, às vezes obriga ao amadurecimento precoce, mas, se a gente puder evitar, essas crianças serão adultos completos, tiveram infância.

domingo, 28 de outubro de 2012

O Importante / Crônica de Supermercado

O Importante / Crônica de Supermercado

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Tenho admiração por pessoas que tem a coragem de se transformar sem se importar com o tempo, seguem os seus desejos, mesmo que esses desejos sejam tão singelos quanto uma flor de Lótus; é a senhora com mais de sessenta que muda o visual e o estilo de se vestir porque tem que dar satisfações a si mesmas, porque quer se renovar, porque ainda acredita poder ser o que o seu novo espelho pede.

O espírito, ou, a alma, como queiram, é capaz de se renovar a qualquer tempo, mas para que isso seja possível, é preciso ter a mente culta e aberta às novas perspectivas. Esse estado de espírito independe da condição financeira, cada qual dentro do que pode, respeita a vontade íntima de se sentir bem.

Hoje, na fila do supermercado, a senhora que estava atrás de mim comentava com o amigo:

_Imagine o lucro que o supermercado tem com toda essa gente aqui, conte o número de pessoas na fila.

Ela teve a paciência de contar o nu, mero de pessoas na fila, o número de caixas sem atendentes, comentou que essa é uma forma de propaganda.

_Poucos caixas dão a impressão de que o supermercado está lotado, mas o estacionamento está tranquilo, repleto de vagas desocupadas. Chega a ser propaganda enganosa essa fila em conjunto com os anúncios de ofertas na porta de entrada.

O homem que estava ao lado dela começou a falar sobre cervejas para ver se mudava o assunto, estava cansando não apenas a ele, mas aos ouvintes também.

A senhora começou a contar o número de cervejas e a marca mais vendida.

_Se fosse à minha cidade, a marca seria outra. Estou com saudades da minha cidade; aqui nem tem a minha marca preferida de cerveja.

O homem, desenxabido, concordou:

_Mas aqui também tem cerveja boa.

Na minha cesta não havia cervejas, estava fora da estatística ricamente elaborada por ela.

Ela parecia ter pulgas na língua, porque continuava a falar:

_Outro que vive bem é o fabricante de cervejas. A lata a menos de dois reais unidas em grupo de seis ou doze, dependendo da embalagem; quem toma cerveja toma pelo menos duas latas, dá para pensar.

A fila andava e eu esperava a minha vez. Sem máquina de calcular era difícil acompanhar o raciocínio da desconhecida. Geralmente eu cuido do que eu compro, da minha cesta e de quanto gasto e posso economizar comprando este ou aquele produto.

Sei que saí do supermercado pensando na senhora que mudou o visual e o estilo de se vestir, ela sabe ser feliz; essa outra poderia ser economista; deixou-me em dúvidas sobre se poderia ser feliz com aquele tipo de raciocínio.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Carta Literária / Livro

Carta Literária/Livro

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Curitiba, 24 de outubro de 2012.

Prezado Amigo

Quem é você que me faz esquecer o cotidiano por algumas horas para viver a sua história, geralmente repleta de dificuldades? De onde vem essa imaginação para contar tantas histórias embutidas dentro de um mesmo livro?

Gostaria de te fazer tantas perguntas na medida em que leio essas respostas sem sentido que os personagens dão aos outros personagens e a si mesmas. São perguntas tolas quase iguais àquelas que todo o mundo faz ao se conhecer: O que te move ao computador quando há tanta praticidade a ser feita lá fora?

Ao invés de te perguntar sobre a estrutura dos seus livros, eu queria saber como é que você lida com a sua vida prática, qual é o tempo de pensar, de escrever, de viver a sua realidade. Será a sua realidade feita de livros rejuntados como se fosse à parede que te esconde e protege?

Não leio um livro sequer sem ler o prefácio, a biografia, a vida de um escritor ou escritora. Nem sempre as dificuldades do autor correspondem às dificuldades dos personagens. Das alegrias, é melhor não falar. Reparo que a maioria dos escritores não fala ou revela o seu lado bom da vida. Mas ele tem o lado bom da vida. As pessoas gostam de ler o que? A leitura leve será mesmo a infantil ou a infanto-juvenil? Adulto tem que ser sério e circunspecto? A prova da maturidade é a severidade que ele tem consigo mesmo ao ler.

Leio muitas críticas aos livros de autoajuda, chamam até mesmo de caça leitor. Para ser sincera tenho, digamos uns dois ou três livros de autoajuda; não mais. A maior ajuda que posso ter vem de mim mesma e a maior fraqueza também vem de mim mesma; é aquela história de anjo bom e anjo mau. Ah! Anjo é anjo e para ele, que tem asas, são permitidas muito mais coisas do que a nós, os anjos de pau oco. Nem tanto, eu exagerei. Mas as prateleiras das livrarias estão repletas deles. Livreiro sabe o que vende. Parece que eles nos dizem o que aprenderam nas suas vidas, geralmente são conselhos bons.

Agora, prezado autor, não me venha com a história de que livro é engajado. O livro engajado é um livro amarrado, mas a mente é fértil e imaginativa. Se o livro é engajado, não compro; pode ser “non sense”, mas penso que bitola o raciocínio, que impede o crescimento do leitor.

Escrevo sobre livro pensando que não tive tempo de terminar o que estou lendo. Acho engraçado olhar para o livro com vontade de dar mais uma olhada antes de dormir, mesmo com sono para dormir; é comichão semelhante á urticária, coçar e começar.

Agora, amigo autor, deixe as questões de lado. Vou ler mais um bocadinho.

De qualquer modo, agradeço a sua paciência e ao seu talento para chegar a ter o seu livro.

Essa é a bisbilhotice que vale a pena, dar uma espiada na contracapa do livro e ver se interessa ao seu momento.

Um abraço e até o próximo livro, digo, encontro,

Yayá.

domingo, 21 de outubro de 2012

As Adolescentes / Thriller Antitabagista

As Adolescentes

Thriller Antitabagista

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Duas amigas, Shirley e Taciane, ambas com dezessete anos e quase dezoito resolveram fumar escondido. Os cigarros arrumaram com o Tibério que tinha dezoito anos e comprou um maço de cigarros para as duas.

Tinha festa de aniversário no sábado, ambas iriam juntas e as mães não só deixaram, como compraram presentes para que elas entregassem ao aniversariante.

As garotas combinaram de passar em frente ao Cemitério Municipal para fingirem ir a qualquer velório e fumarem à vontade, não tinham nenhum conhecido por lá. Elas tinham a aparência de dezoito, ninguém iria desconfiar de nada. Elas não queriam ser descobertas por ninguém, apenas o Tibério sabia para arrumar a desculpa ao atraso à festa de aniversário conversando com elas pelo telefone celular e inventando a desculpa.

_Eu não gosto disso, disse a Taciane para a Shirley.

A Shirley gostava de filmes de horror e estava se divertindo com o medo da amiga.

Chegando ao Cemitério Municipal, rezaram e pediram desculpas pela atitude.

_Como se adiantasse pedir desculpas!

Eram quinze para a meia-noite quando se acendeu a luz de uma das capelas. O carro funerário chegou e deixou um caixão dentro da sala.

_Xiiii! Chegou gente, começo a não me sentir bem.

Nesse ínterim chega a funcionária do cemitério e pergunta se elas podem ficar na sala enquanto a família do defunto não chega.

_Nem pensar, disse a Taciane.

A garota foi embora, quase correndo. Se a Shirley não a detivesse elas poderiam se confundidas com marginais.

_Você está se arriscando, Taciane. Nós temos festa para ir, o vestido preto não justifica nenhuma corrida. Vamos tropeçar nos saltos! Cuidado, amiga.

Uma quadra depois, Taciane estava se acalmando. Acendeu outro cigarro, o primeiro ela deixou cair na fuga.

No que acendeu o cigarro, um moço louro de olhos azuis e cabelos encaracolados para as amigas na rua.

_Fumando, que absurdo! Vocês não sabem que o cigarro faz mal à saúde, faço parte da campanha antitabagista, vamos conversar?

Que conversar, que nada. Elas saíram correndo sem sequer perguntar quem era o moço.

_Cigarro caro este, disse a Taciane para a Shirley.

O Tibério ligou e pediu a elas que não se demorassem mais, que viessem à festa imediatamente. Elas que fossem fumar no cemitério noutro dia! Ele estava ficando sem conversa para explicar sobre as duas.

Estão andando a pé, à noite, em ruas desertas. Passa um malandro e furta o telefone celular da Shirley.

_Pode levar, faça bom proveito. Por favor, nos deixe ir embora, que a minha avó pode ter um treco se demorarmos em chegar a casa, disse a Shirley.

Moças bonitas, malandro novo, o truque deu certo.

_Ainda bem que foi o seu celular que ele levou, eu não tenho como comprar outro, disse a Taciane.

Chegaram à festa, deram os presentes e não foram perdoadas. A mãe do aniversariante ligou para a mãe das moças e avisou que elas se encontravam com rapazes às escondidas. Um dos pretensos namorados era louro, de olhos azuis e cabelos encaracolados; o outro trajava calças e camiseta preta e boné virado de lado.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Deixa Prá Lá

Deixa Prá Lá
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Fazia tempo que o cachorro do Geraldo não latia daquele jeito à noite. O chacreiro acordou assustado e em seguida acordou a sua mulher, Lucinda.
_Mulher, será que tem ladrão por aqui? Da última vez que o Cuíca latiu assim eram ladrões no galinheiro. Vou ver o que está acontecendo.
A mulher pediu para que ele tomasse cuidado, nunca se sabe o que se vai encontrar vindo do mato, ainda mais que passavam das dez horas da noite.
Quinze minutos depois Geraldo volta e diz que não viu nada, estava tudo normal no galinheiro, no chiqueiro e na coxia. Disse também que o tratador dos animais estava acordado e que conversou com ele, dizendo que também não viu nada de diferente e também estranhou o latido.
Passaram-se alguns dias e o Cuíca latiu à noite novamente. Geraldo acordou e acordou a Lucinda:
_Mulher, alguma coisa está acontecendo por aqui. O cachorro não late assim se não for onça, raposa ou morcego, precisamos nos cuidar.
Na quarta vez em quinze dias, Geraldo disse à sua mulher que não iria deixar passar mais nenhuma semana sem averiguar o que acontecia na chácara durante a noite. Tinha contado as galinhas, os porcos, os cavalos e as ovelhas recém-adquiridas e não faltava nenhuma. As laranjeiras estavam carregadas e as laranjas passadas caíam do pé.
Montou o seu plano de averiguação: a mulher cuidaria da chácara de dia mentindo que ele estava indisposto para os empregados e, à noite, ele ficaria de vigia na porteira de entrada até que o cachorro latisse de novo.
Passaram-se alguns dias e, a dona Romilda, senhora de mais de cinquenta anos de idade, viúva e frequentadora assídua da igreja, chega até a porteira. Ele, Geraldo, de vigia escondido na moita. O cachorro late e o tratador aparece e abre a porta para a dona Romilda.
Romilda entra na casa do tratador. Barulho de panelas e chaleiras é ouvido lá fora.
Geraldo se sente na obrigação de descobrir o que se passa lá. Na maior sem cerimônia bate à porta do empregado e pede para tomar um copo de água. Disse que o cachorro latiu e que ele se sentia bem disposto para convidar o tratador para percorrer a chácara.
O tratador de animais disse que não podia sair naquela noite e explicou:
_O senhor sabe que o meu pai caducou e eu o trouxe para morar aqui. O senhor sabe que eu o levei ao médico e o doutor sugeriu que ele se alimentasse diretamente pelo nariz até o estômago para que não morresse de fome. Enquanto eu pegava as guias para a comida encontrei a dona Romilda e ela veio me ensinar a dar de comer. Sabe que está dando certo! Não é que ele não consiga comer porque não consegue engolir direito. O pai come que nem bicho preguiça, conforme a dona Romilda está me ensinando. A gente dá uma colher de sobremesa de arroz esmagado com o garfo coberto com purê, caldo de feijão coado, frango desfiado e espera ele engolir. Depois ele toma um gole de água. Demora mais de quarenta minutos até ele almoçar ou jantar. Durante o dia a gente complementa com banana amassada, leite batido com maçã, doces moles e bolo úmido de fubá. O pai conseguiu engordar e recuperar as forças. Peço desculpas por não lhe avisar, mas a dona Romilda está aqui porque, enquanto eu durmo para levantar cedo e trabalhar, ela alimenta o pai, que dorme pouco e quando acorda, tem fome.
Geraldo disse que não tinha vindo até a casa dele por desconfiar dele, mas ouviu o cachorro e estava atrás do motivo dos latidos noturnos.
_O senhor pode deixar que ao que amanhecer eu vasculho toda a chácara para ver se eu encontro um motivo para o Cuíca latir desse jeito.
Geraldo voltou para a casa a fim de dormir o sono mais tranquilo das últimas semanas. Deixou o homem verificar todos os bichos, foi melhor para ambos. Ignorou os latidos dali em diante, a casa estava guardada pela dona Romilda.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Adúltera / Miniconto

Adúltera

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Juraci era uma moça casada com duas filhas, uma de cinco e outra de sete anos de idade. Moça inteligente, trabalhadora, educada. Não era bonita de rosto, infelizmente conservava a cicatriz das espinhas espremidas com as mãos, tinha estilo ao se trajar de modo que se parecesse como moça comum; saltos baixos e calças comuns de lojas comuns combinadas com blusas também comuns no corpo bem delineado, porém sem exageros. Era tão normal aos olhos dos outros que ninguém sequer imaginaria o que ela acabou por fazer.

Chegou ao emprego, disse bom dia aos colegas e, depois, como quem toma um cafezinho displicentemente, contou a todos que tinha um amante.

Ninguém quis acreditar, os colegas deram risadas.

Juraci continuou a contar o caso, dizendo que era para verem que ele a pegaria na saída do escritório, que todos poderiam ver.

João José, indignado com a brincadeira, pediu a ela que parasse com aquela história. Ele era casado e não havia tido sequer uma amante em doze anos de casamento.

Juraci, como se estivesse num estado superior ao humano, respondeu calmamente:

_Se quiserem, podem contar ao meu marido. Ele não acreditará em nenhum de vocês. Ele trabalha o dia inteiro, assiste o jornal na televisão, diz boa noite às meninas e me espera para dormir e eu não falto aos meus compromissos.

Outra colega disse que se fosse verdade, ela que tivesse juízo e parasse com aquilo.

_Nunca se sabe a reação de quem sofre uma traição!

Juraci não parou com a história e disse que sairia de casa em julho, quando tiraria férias no emprego.

Os colegas ouviam e não levavam a sério o que a colega de trinta e dois anos dizia.

Passa-se o mês de julho e ela volta das férias.

_Juraci, você se separou?

Para todos, com toda a classe e elegância, Juraci contou o mês de julho:

_Eu saí de casa, o meu marido ficou triste, mas eu deixei as meninas com ele para que ele se conformasse com a responsabilidade compartilhada. Visito as minhas filhas nos finais de semana, elas estão bem cuidadas, por ele e pela minha antiga sogra que está fazendo o papel de mãe com perfeição. O meu novo namorado, quando viu que eu estava morando sozinha, foi embora. Estou sem amante, conforme vocês o chamavam. Penso que ficou com medo de ter que assumir compromisso comigo.

João José, aquele que havia intervido na conversa anteriormente, perguntou?

_Você viu que não valeu a pena? Entendeu agora o que eu tentei te dizer?

Juraci, com a voz calma e suave, respondeu:

_Estou livre agora. Sem marido, filhos, casa para cuidar, amante para me distrair, agora posso me dar o devido valor. Acredite: estou bem.

Os colegas a olhavam naquele sorriso superior, como se estivesse acima do bem e do mal.

João José, ainda assim, insistiu:

_Você quer largar o emprego também?

Todos boquiabertos ouviram a resposta:

_Não quero largar ou mudar de emprego. Quero levar a minha vida, namorar, sair, comer e deixar a comida em cima da mesa até o dia seguinte. Pensarei somente em mim, mais ninguém.

Os colegas se entreolharam e voltaram a trabalhar, pensando neles mesmos. Aquele caso da colega não era para eles, era, talvez, para a psicanálise. Difícil para eles era aceitar essa frieza de ânimos numa pessoa tão comum, tão igual a eles. Sorte é que a moça era colega de trabalho, nada, além disso, mas metia medo.

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

A Cada Um, O Seu Jeito…

A Cada Um, O Seu Jeito...mas tem que ser bem feito.
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De todos os aprendizados deste ano, talvez, o mais interessante seja este que indica a crônica: A cada um, o seu jeito. Mas tem que ser bem feito!
Somos todos diferentes e, nem mesmo os mecânicos, começam a desmontar as peças pelo mesmo parafuso. Geralmente as peças de um automóvel têm mais que um parafuso. Este é um dos motivos pelo qual não me atrevo a consertar eletrodomésticos, o outro é pelo risco que tal tarefa pode apresentar. Para mim, geralmente sobram parafusos. Não é engraçado é incompetência de fato.
Gente tem humor e também é preciso entender o dia e o humor da pessoa ao executar a tarefa, mesmo que a tarefa seja mandar. Além disso, cada pessoa se defende de acordo com o que viveu, com a experiência adquirida ao longo dos anos e a esse fato chamamos pelo nome de gênio forte, gênio fraco, etc.
Nos dias de hoje, para que aumentemos a compreensão do ser humano, é preciso constatar através das estatísticas. Nesse mundo de filhos únicos a convivência por certo, é diferente. As crianças têm amigos, mas não sabem o que é ter irmãos ou não imaginam o tempo em que a roupa se transformava e a calça de brim coringa do mais velho acabava se transformando na bermuda do caçula. Imagino quando crescerem, com a referência familiar adulta, que eles terão perdido algo que a maioria de nós vivencia.
Todos têm uma vida real e uma vida virtual, é interessante quando você liga para alguém e pergunta se ela está livre e, ela te responde que não estava fazendo nada, estava na internet matando o tempo. Não é a realidade, é uma desculpa amável e bem educada. É melhor que se diga da maneira como uma amiga, ao telefone, me disse: _À noite, converso pela internet, de dia tenho tempo e para que possamos conversar à vontade me ligue entre tais e tais horas porque gosto de conversar com você. Perguntou-me sobre o meu horário e disse que não tenho horário fixo, mas ela ligou para mim assim mesmo e temos ótimas conversas. Cada um lida com o mundo virtual do seu jeito, talvez seja uma boa ideia para compreender o quanto somos diferentes, verificando a maneira como cada qual lida com o seu computador. Quem não tem computador também tem o seu jeito de lidar com a internet, conheço pessoas que reservam parte do seu dinheiro (gente adulta) para irem às Lan Houses à noite para conversarem em salas de bate-papo virtuais com amigos, colegas de trabalho e até mesmo criarem mensagens lindas. Com todo esse aparato cibernético não podemos nos esquecer de conviver realmente com as pessoas. Na minha cidade, todos perguntam a todos sobre os roteiros dos ônibus das linhas e das conexões, nesse caso o diplomata é o cobrador que nos tira de vários apuros. Todos os roteiros estão no site próprio, mas para quem está na rua, o cobrador e o motorista são os que sabem dos caminhos dos ônibus. Que fique claro que é exemplo e não tem a mínima conotação eleitoral, um ponto de vista.
Estou para divagações depois de aprender um novo método para lavar os panos de copa. Penso que é isso, a convivência é um aprendizado. Um aprendizado interessante, rio. Gostaria de compartilhar com você que quem me ensinou a fazer uma linda gola role de tricô foi uma ascensorista de elevador, tenho até pena de usar a tal blusa, quero preservá-la para quando for usar novamente poder dizer que fui eu quem fez a linda gola. Ah, se não fosse a ascensorista amiga que parou o elevador para me explicar como pegar os pontos na agulha circular... No entanto, ela me pediu que chegasse às seis e trinta da manhã para que ela pudesse me explicar corretamente, eu cheguei, acreditei, fiz a blusa. Gratificante!
Aprender com o próximo é bom, nos traz humildade e alegria ao constatar a boa fé do outro. Seja lá como for não perca a oportunidade de aprender com o próximo, seja sobre como lavar um pano de copa, seja uma gola de tricô, ou, ainda, pela internet, sobre blogues.

                                                FELIZ DIA DO PROFESSOR!

sábado, 13 de outubro de 2012

Costumes

Costumes

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Todos nós sabemos que os costumes se modificam ao longo do tempo e, quando se percebe, os costumes da sociedade se modificaram sem que tivéssemos ciência da data precisa em que o fato aconteceu.

Tenho a impressão de que hoje foi um dia histórico para os costumes, e, sem pretensão, porque “cautela e canja de galinha não fazem mal a ninguém”, conforme diz o ditado popular.

Fui ao shopping dar uma olhada nas novidades para me distrair neste feriadão em cidade grande.

Para surpresa minha, quando adentrei o local, uma verdadeira festa infantil. Comecei a me divertir. Meninas olhando livros, garotos brincando com o palhaço, crianças reclamando porque queriam sorvete e as mães se negando a comprar tendo em vista o dia frio e chuvoso.

Presenciei uma cena hilária, obviamente e apenas para mim: um pai segurando um bebê com aquela cara de quem diz: _O meu filho não suja fraldas no shopping quando a mãe dele não está! O jeito com que ele pegava o menino era de rir.

Enfim, o shopping estava lindamente decorado de crianças de todas as idades e desejos, algumas felizes, outras de birra; algumas mães exaustas e alguns pais com jeito que estavam felizes; famílias e mais famílias.

Eram tantas as crianças que me perguntei que dia era hoje e, confirmei no calendário do meu aparelho de telefone celular. O dia das crianças foi comemorado ontem, na folhinha, mas a festa foi hoje.

Se não me engano, algo mudou. Tomara que no ano que vem eu queira ir ao shopping nessa data para verificar se, de fato, o sábado foi mais atraente que o calendário oficial.

Desejo um bom final de semana especialmente a todas as famílias!

sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Miniconto – Desnecessários

Miniconto

Desnecessários

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Eram duas amigas que se visitavam rotineiramente: Eulália e Gracinda.

Eulália entra no quarto da amiga para ver o vestido novo de voal com o qual ela irá a um casamento que será realizado de manhã com a cerimônia campestre. Sem querer, olha para o tapete e repara nas sandálias que descansam sobre ele.

_Que sandálias lindas! Você as usará para ir à cerimônia?

Gracinda diz que não:

_Também as acho lindas, mas cortam os pés. Depois de comprá-las, saí para caminhar aqui por perto, pensando desfilar com elas pelas calçadas. Bastaram duas quadras para cortarem o peito dos pés. Quando cheguei e as tirei, havia um vergão vermelho arranhando a pele e ao lavar os pés, as marcas não eram marcas, eram ferimentos. Leves, mas exigiram que eu usasse sandália de dedos por uma semana desinfetando-os todos os dias.

Eulália sugeriu que talvez os pés estivessem inchados pelo calor. Talvez, se eu as usasse com os pés desinchados, elas não a machucassem.

Gracinda ouviu o conselho da amiga e guardou as sandálias para a próxima ocasião em que estivesse disposta a arriscar arranhões.

Passados dois anos com as visitas rotineiras entre as amigas, Gracinda convidou Eulália para ver o vestido novo que comprou para a formatura do filho.

Eulália entrou no quarto da amiga e viu as sandálias.

_Conseguiu usar as sandálias?

Gracinda disse que tentou e o resultado foi um fracasso. Aquelas sandálias não eram para ela.

_Por que as têm se não as usa? Poderia doar ou vender, dar uma destinação qualquer e comprar novas. Roupas e sapatos sem uso dão a falsa sensação de que você as pode usar quando tiver vontade, mas você, em verdade, não tem. O que não se pode usar é aquilo que não se tem, disse Eulália.

Gracinda pensou e respondeu:

_Não dou ou vendo a ninguém o que me machuca, não quero que alguém se machuque sem ter que ou por que.

Passaram-se então alguns anos e, novamente, Gracinda convida a amiga para ver a estola de pele falsa, uma preciosidade de rara beleza.

As sandálias estão novamente próximas ao tapete.

_O que estas sandálias fazem por aqui ainda?

Gracinda disse que viu um modelo igual numa vitrine e veio em casa para se prover para comprar as novas sandálias e se conteve ao se lembrar daquelas sandálias. O material, o modelo novamente na moda, mas comprou outras igualmente bonitas e diferentes daquelas.

Eulália pediu as sandálias para usar. Ela usaria as sandálias por um mês inteiro e não se machucaria. A cada qual o seu caminhar, pensou.

Gracinda disse que as levasse e que não precisaria devolver, estava cansada de vê-las e sabia que não deveria comprar nada semelhante.

Passadas duas semanas, Eulália chega à casa da Gracinda com as sandálias.

_Eu disse que não precisava devolvê-las. São suas, disse Gracinda.

Eulália tira as sapatilhas e as meias. Os ferimentos estão cicatrizando:

_Eu pensei que se eu teimasse, as sandálias iriam amaciar e folgadas, não machucariam mais. Não teve jeito, consegui machucar os meus pés ao ponto de precisar ir ao médico para tratar das feridas. Se não fosse o tratamento, eu teria vindo aqui antes. Elas têm defeito de fabricação.

Gracinda riu e pediu desculpas:

_Precisavam oito anos avistando a sandália para testá-las? Você bem que poderia ter acreditado em mim. Agora você percebe o quanto fui sincera ao te falar delas, pois, agora, temos calos iguais, desnecessários para a nossa amizade.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Rapidinhas

Rapidinhas

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A coleção “Folha - Grandes Vozes”, de música, está excelente, ouvi Amália Rodrigues (Portugal), Elza Soares e Elizeth Cardoso (Brasil), Dean Martim e Jerry Lewis (EUA), cantando juntos, um enorme prazer, Mercedes Sosa, nem preciso dizer que valeu. Quando a gente não comenta ninguém fica sabendo.

Algumas canções estão em dois CDs e se pode escolher a interpretação favorita, a orquestração é original e tem um sabor de época. Reconheço que algumas das canções americanas eu tenho na voz do Rod Stuart, mas de forma alguma tira algum valor da coleção da Editora Folha de São Paulo.

Não é necessário ser saudosista para se apreciar o que é bom, então eu faço a propaganda com amor. Deve-se ressaltar que, para os musicistas os arranjos instrumentais levados em consideração formam um livro de estudos e trazem ideias de novos toques. Sammy Davis Junior são escutados e estudados, os trompetes bem usados são fascinantes e a bateria que acompanha a Elza Soares simplesmente fenomenal.

Para quem não conhece lá muito bem musicistas, eu explico. Há um exercício musical que consiste em se ouvir uma orquestra inúmeras vezes tocando a mesma canção até que se decifrem os instrumentos usados na orquestração separando-os e percebendo qual o papel de cada um deles no conjunto. Demanda algum tempo, mas o aprendizado é enorme.

O prazer em se ouvir todos os CDs, e dia a dia se deixar levar por algum deles até que se esgotem é imenso. Depois se escolhe as interpretações e arranjos preferidos e se ouve até furar o disco, como se dizia antigamente.

Sobra aquele bate papo furado de fim de noite, comendo biscoito e comentando as canções.

Termino essas tantas horas de música avisando que vale, não é lazer, é investimento cultural.

Hoje vim de música.

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

De Volta ao Supermercado

De Volta ao Supermercado
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Depois de tantos aprendizados no mês de setembro, longe do cotidiano, sendo acompanhante de hospital por dez dias, o que não é brinquedo para ninguém e, no entanto, parte da vida de todos nós, a rotina se fez recomeçar e as idas ao supermercado também.
Fiz a lista do que faltava na despensa e fui com boa vontade enfrentar a minha amada fila de textos para serem contados em forma de crônica aqui no blogue.
Coincidente com a falta de imaginação, não enfrentei filas, mas havia uma campanha para doação de alimentos não perecíveis e eu comprei, prestem atenção, “comprei um quilo de arroz para doar”. Não custa nada e ajuda alguém. Não li, comprei e na saída, sem fila, perguntei onde deixaria o arroz.
_A senhora deixe com a representante da instituição que se encontra perto da porta.
Peguei o arroz, embalado para deixar com a senhora representante da instituição.
Ela estava com dois carrinhos: um recebendo os alimentos; o outro doando textos bíblicos. Não, não eram marcadores de livros com versículos, não eram apenas brindes; eram Salmos, literatura bíblica para crianças e o Novo Testamento em linguagem atualizada. Pediu-me que escolhesse o livro que mais me atraísse. Escolhi decidindo o que seria melhor para a minha vida, o meu futuro, a minha condição.
Escolhi o Novo Testamento, sempre Novo a cada leitura. Ela, a senhora, não tem a mínima ideia do bem que me fez. Se eu pudesse não compraria mais um quilo de arroz, compraria arroz até não poder suportar o peso e doaria àquela instituição.
Aquela senhora nunca me havia visto e nem imagina o quanto a gente se distancia do cotidiano, da cidade, morando uma semana num hospital. Por mais que se tenha rádio, ou, até mesmo televisão, a cidade parece distante. O próximo são as enfermeiras, os médicos e os outros pacientes e a realidade é outra, muito diferente. O cansaço é enorme e a gente ouve rádio como se estivesse plugada na internet, a cidade, do lado de fora, é virtual, pelo menos assim foi para mim, que naquela semana saí de lá apenas por uma hora e meia.
Que presentão! Deixei sobre a mesa disponível a quem aqui vier. Aliviou o meu cansaço de forma inesperada, como se tivesse sido atingida por um raio de sol num dia cinzento.
Existem fatos que não tem explicação, acontecem. Vem na hora certa e renovam o ânimo da gente.
Observem que não disse o nome da instituição e por que não disse? Para não conduzir raciocínios, para deixar que flua a esperança a todos, para que a todos seja permitido esse raio de sol e em quaisquer circunstâncias.
Assim deu-se a volta à Crônica de Supermercado. Bonita, desejando que haja instantes felizes a todos vocês, cansados ou aflitos.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

Premio Liebster-Award

Este prêmio me foi concedido pela Lola:

http://lola-elmundodelola.blogspot.com.br/

Estou agradecida pelo carinho e pela lembrança,

Lola, muito obrigada!

El que recibe el premio debe escribir 11 cosas sobre si mismo, responder 11 preguntas enviadas y crear 11 preguntas para nominados 
Nominar 11 blog, no enviar al que lo nominó 
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Cosas de mi:
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1) Sou prática. 
2) Amo amar o ser humano. 
3) Gosto de pensar para escrever.
4) Gosto de ler livros escolhidos por mim. 
5) Sou religiosa.
6) Tenho um quê de naturalista. 
7) Gosto de comida caseira. 
8) Gosto de filmes para me distrair. 
9) Sou sensível a tristeza alheia. 
10) Gosto de música (parte geral e específica). 
11) Vivo e deixo viver, gosto de ser assim. 
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Las preguntas que debo responder:
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1) ¿Cual es el sueño más recurrente que has tenido? 
Se sonho, não me lembro dele.

2)Tu postre favorito 
Não tenho favorito.

3)¿Ese momento mágico en tu memoria? 
São vários bons momentos, mas as brincadeiras da infância foram mágicas.

4)¿ Tu lugar preferido dentro de la casa? A cozinha, o café e o rádio.


5) ¿Cual es el animalito que más te agrada? Tartaruga


6) ¿Tu libro, documental o película favorita?

O livro Reinações de Narizinho foi a minha primeira leitura longa e guardo um carinho especial pelo livro. Talvez não seja o favorito, mas o marcante.


7) ¿Eres obsesiv@? 
Não, tudo tem o seu tempo.

8)¿Algún temor?Cemitério à meia noite, bobagem,RS,RS.

9) ¿Cual fué el motivo de abrir tu blog? 
Necessidade de interagir, Alegre

10) ¿Soñador o realista? 
Depende...

11) ¿Que deporte prácticas? 
Não pratico esportes neste momento, mas deveria. 
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Perguntas para os escolhidos (iguais as do blog que me escolheu)
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1)Em que pensas agora?

Em ti.

2)Qual foi a última vez que te emocionastes?

Todos os dias me emociono.

3)Em que livro gostarias de viver por um dia?

Nenhum.

4)Se tivesses a oportunidade de voltar ao passado, o que farias?

Eis uma pergunta a me fazer.

5)Como tivestes a ideia do nome do teu blog?

Aprecio bordados, tricô, desenho de moda, poesia, música, pintura, então o começo do nome: Artes”e escritas”, nasceu da ousadia de criar um blog para escrever e compartilhar textos.

6) O que mais te aborrece dos comentários no teu blog?

Gostaria de ler mais blogs ao dia, mas é muito difícil, me aborreço de não conseguir visitar a todos os amigos que visitam o meu blog.

7) Existe algo sem o qual não possas viver?

Eu me adapto.

8) Onde gostarias de estar hoje?

Num sofá com o livro que estou lendo, mas tenho que deixar para outro dia.

9) Qual a pior dor que levas na vida?

Por incrível que pareça, o pior é o conhecimento; às vezes é melhor desconhecer e ter sabedoria para viver.

10) Gostas da solidão?

Amo a solidão, às vezes e às vezes.

11) A ti também te custa buscar perguntas para fazer neste teste?

Sim, com a sua permissão, continuarei com esse seu questionário, excelente, diga-se.
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Os blogs escolhidos são:

Ivone Poemas http://henristo.blogspot.com.br/

Chica http://cronicasdachica.blogspot.com.br/

Rosa http://rosasolidao.blogspot.com.br/

Sandra http://sandra-sentidos.blogspot.com.br/

Cecília http://oceanoaazulsonhos.blogspot.com.br/

Alma http://almamateostaborda.blogspot.com.br/

Sissym http://averdadeehcruel.blogspot.com.br/

Maria da Fonte http://mais1poema.blogspot.com.br/

Débora http://cotidianoagridoce.blogspot.com.br/

Clélia http://coraoquepulsa.blogspot.com.br/

Mariangela http://b-r-i-s-asuave.blogspot.com.br

A todas com carinho, Yayá.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Fígado – Crônica de Hospital

Fígado
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Agora que roubaram o seu fígado, você não é mais a mesma pessoa.
_O quê? Roubaram o meu fígado?
Você o roubou de você mesma. Naquele momento em que o pobre infeliz cuspiu sangue em consequência da injeção que tomou no pescoço para tratar do carcinoma, todos passaram mal, menos você. E aquela seringa de sangue que foi levada para repor o sangue que o pobre vomitou? Você virou o rosto e não viu, se trancou em você para não gritar. Você esperou calada que o homem dissesse alguma coisa na porta ao lado e dormiu após o pedido dele para que fosse dado um remédio no qual ele acordasse no dia seguinte. Ele estava contente com o bem estar depois do que passou. Você estava contente por ele e pela esperança de tratamento.
Simplesmente você não será mais a mesma pessoa, a realidade é forte demais e o espírito se ressente. Estamos preparados para a nova você que nasceu agora? Em sentido figurado houve uma metamorfose, ainda com esperança, ainda com fé, ainda com respeito ao ser humano. Constatou-se que não existem limites para se buscar a vida, mas você a sonha e os sonhos, ou, os ideais não morrem, o espírito é imortal enquanto a vida em carne e osso é melhor deixar para depois dizendo não a tanta amargura, tanto fel.
Entendeu agora porque você roubou o seu fígado e o trocou por outro espiritualizado? Se aquele fígado material estivesse se manifestando, a dor do outro te seria insuportável. Este fígado espiritual suporta mais, não se embriaga, procura a pureza nas intenções e atenções ao ser humano.
Por certo a comédia ainda virá, mas agora não. Os parâmetros precisam se reestabelecer, as vontades do corpo e do espírito precisarão caminhar juntas, levará tempo para absorver o sofrimento; dos outros, e mesmo assim doloridos.
A busca pela saúde, respeitando-se a ética é a beleza incorporada ao espírito, que se fortalece com o aprendizado, mas se pergunte se não aprendemos exatamente ao contrário e que é raro o corpo ensinar ao espírito sem o magoar. Diga-se que foi um aprendizado nada sutil presenciar o fato da doença ao lado e a emoção ao ver a alegria do paciente pedindo mais injeções daquelas acompanhadas de remédios para amenizar a dor, ansioso pelo tratamento à base da radioterapia, que seria mais leve.
Seria antiético comentar, mas não o é tendo em vista a força de vontade daquele homem que você não viu o rosto e que bradava as suas vontades e necessidades; ele sim, de um espírito fortalecido e esperançoso, que compartilhava toda a sua dor com os desconhecidos ao seu redor e representa a vida em plena luz.
Espere pelo fígado, que ele se refaça, afinal o fígado é um órgão que se refaz. Enquanto isso use o seu fígado espiritual e o mantenha na fé.