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sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Palavra de Mãe

Palavra de Mãe

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A vida é um sonho que ganhamos,

Presente feito papel branco

Timbrado às flores em seus ramos,

Enviado ao cego desencanto.

 

Papéis de carta que adoramos

Estar à escrita ao lápis do pranto,

Que passa à graça que encontramos,

Na dor de amar, dentre esse tanto.

 

O sonho está no que passamos

Ao gosto e ao vento, breve manto;

No sopro d’alma que calamos

Ao gozo etéreo, quase santo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2012

Espere aí, mulher gosta de futebol até que ponto? / Crônica Desportiva de Supermercado

clip_image001[1]clip_image002[1]clip_image003[1]Espere aí, mulher gosta de futebol até que ponto? / Crônica Desportiva de Supermercado

Eu gosto de futebol para me divertir, mas parece que a crise do Coritiba Foot Ball Club está afetando a torcida feminina.

Antes preciso dizer as cores e os principais times da cidade de Curitiba, capital do Paraná: o Clube Atlético Paranaense usa as cores vermelha e preta, o Coritiba Foot Ball Club usa as cores verde e branca e o Paraná Clube as cores azul, vermelha e branca.

Ouvi no rádio a discussão sobre a derrota do Coritiba, os cálculos matemáticos, mas durante o jornal local e uma entrevista.

Eis que encontro uma conhecida, torcedora do Coritiba até a rouquidão, não perde jogo, pega fila para comprar ingressos, veste a camisa coxa branca (apelido dos torcedores deste time).

Antes, ainda, mas necessário: Comparando-a comigo: ela torce e eu assisto de vez em quando por lazer e por não ter o que fazer.

Ela vestia camiseta vermelho e calça esportiva preta e estava indo a um compromisso. Eu até já comprei um boné do clube Atlético quando a Seleção Brasileira jogou em Curitiba, mas dei de presente. Aqui em casa cada um torce por seu time, em futebol, a gente se vira bem. Dançamos o vira e a tarantela devido à descendência ítalo-lusitana e nos divertimos muito.

Ela, que tem pelo menos umas quatro camisetas do Coritiba, vestindo as cores do Atlético? Duvido que ela seja vira-casacas! Está aborrecida prá valer!

Quando mulher entra na discussão, o homem é que tem que se cuidar com a tensão!

Depois dizem que futebol não distrai, mas para quem está de fora porque a partida nem começou e os ânimos estão acirrados.

PAZ NO FUTEBOL!

É o que esperamos.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Apegos

Apegos

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O cisne de águas mansas,

Vagueia na luz do dia,

Passeando com as crianças,

Fazendo estripulia.

 

Nas nuvens, as lembranças,

Do tempo em que seria

O vir dessas festanças,

Trazendo a nostalgia.

 

Apegos são cobranças,

D’uma alma que vivia

Além das circunstâncias

Da dança e te sorria.

terça-feira, 28 de agosto de 2012

Desconhecidos / Crônica de Supermercado

Desconhecidos

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Desconhecidos meus porque os casais se conheciam socialmente. Vinham conversando na fila do caixa aguardando o atendimento e, coincidência, eu estava na frente deles.

Aquela conversa de fila, com algo mais, um perguntava ao outro onde trabalhava atualmente, como iam os filhos, onde morava atualmente, um questionário interminável, penso que não se viam há muito tempo.

Entre uma pergunta e outra, um dos maridos, para diminuir o ritmo das perguntas, vira-se para a esposa e pergunta se ela havia reparado na televisão de vinte polegadas que estava com desconto de trinta por cento. Ele disse que havia pensado na filha, a Simone.

A esposa disse que ao ver a televisão, lembrou-se da filha.

_Quando voltarmos aqui, compramos!

O outro casal, para não interromper o questionário, perguntou se não seria melhor trazer a garota ao supermercado para escolher.

A esposa disse que a promoção era imperdível e que seria uma surpresa a filha. Num descuido de linguagem disse também que a filha precisava de uma televisão para se distrair e parar de comer biscoitos no quarto.

Desta vez, o marido exclamou:

_Nós precisamos comprar uma televisão para presentear a nossa filha porque ela come biscoitos na cama? Você acha que ela deixará de comer biscoitos e tomar refrigerante na cama para assistir TV?

A outra mulher aproveita a deixa?

_A Simone engordou?

A esposa responde sem pestanejar:

_Não, a Simone não engordou. Eu tenho medo que as migalhas de biscoitos atraiam insetos para o quarto dela.

O marido cortou a conversa das duas, dizendo ao amigo (entre aspas literalmente falando):

_Homem é bicho burro! O que é que eu tinha que mencionar a televisão? Sou ou não um asno?

O amigo meneou a cabeça como se estivesse em dúvida se responderia ou não.

O homem defendeu a mulher e a filha dizendo em alto e bom som:

_Eu sou burro, agora terei que comprar a televisão, agora gastarei o meu dinheiro com algo que não necessitamos.

A mulher tentou remediar dizendo que o aparelho não era para eles, era para a filha.

Até chegarem ao atendimento o homem se autoproclamava um burro e não deixou ninguém mais abrir a boca até se despedirem. Um bom homem e uma boa esposa e mãe, agora quanto à “burrice” dos dois também fiquei em dúvida.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Minimalista / Poema Desconfiado

Minimalista

Poema Desconfiado

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Um anjo me disse

Que amor é crendice;

Coitado desse anjo

Sem asas ou banjo,

sábado, 25 de agosto de 2012

Réstia

Réstia

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Tal ouro puro que se esconde

Em densa escarpa por brinquedo,

O sol se finge no horizonte

Diamante, e brilha em seu segredo.

 

E forma a estrela que responde

Ao raio e à couraça desse enredo,

Furtando a nuvem dessa fonte

Que ao escuro verga sem ter medo.

 

Que chova a luz, de não sei de onde,

Percorra o céu tal passaredo;

Que voe por sobre o mal e conte

Da réstia que se abriu ao arvoredo.

quinta-feira, 23 de agosto de 2012

Ao Pequeno Jornaleiro / Em quadras

Ao Pequeno Jornaleiro

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Os seus sonhos me distraem,

Divertindo-me, te quero;

Pois sonhando c’oa tiragem,

Vai vendendo o seu mistério.

 

Entrevistas que não saem

São refeitas ao desejo

Do sucesso, uma bobagem;

Hortelã não gera gelo.

 

As revistas se comprazem

Em vender o seu brinquedo,

E, o curioso, de passagem,

Vai gastando o seu dinheiro.

 

Se soubessem que a vendagem

Independe do seu preço,

Saberiam que na abordagem

Há o convite ao jornaleiro.

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Mãe, uma História de Amor...

Mãe, uma História de Amor...

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Estando a mãe doente de uma doença progressiva e incurável, a família decidiu se livrar de um secador de cabelos antigo, sem utilidade alguma, para criar espaço e guardar a câmera fotográfica de 16 megapixels, nova, que bem poderia ficar próxima das mãos da matriarca, para pegá-la quando quisesse, sem dificuldades.

Um objeto que, antes de ir para o lixo reciclável, houve a consulta ao síndico do edifício, que por acaso se encontrava na frente do prédio no momento da chegada da filha ao local, que ficara incumbida da missão “secador de cabelos”.

O síndico disse que o objeto poderia ser colocado junto ao lixo reciclável, mas disse que a Leila, moradora de um dos apartamentos, dias atrás estava procurando um secador desses para comprar. O síndico perguntou para a Giovanna, a filha, se ela daria o objeto para a vizinha da sua mãe.

Giovanna disse que sim e pediu para o síndico intermediar a doação, entrando em contato com a outra moradora.

Leila em seguida bateu à porta do apartamento da mãe de Giovanna. Era uma senhora de cabelos grisalhos, contava que sonhara com a mãe dela, falecida, e que a mãe, em sonho, disse que chegara a hora dela ter o secador de cabelos que tanto gostava de brincar.

_Ouvi alguns sermões por conta do secador de cabelos, que de fato não era brinquedo de criança, necessitava ser ligado na tomada, era quente, e assim por diante. Posso ver o secador?

Ao ver o secador, se emocionou, da mesma marca e modelo, somente a cor era diferente. Embora prateado, tinha um friso preto de enfeite. Ganhou de presente e o levou como uma criança que ganha uma boneca desejada.

Mais tarde, ao se encontrar com o síndico Arnaldo novamente, ela o agradeceu pela gentileza de avisar e contatar a vizinha.

_Não fiz favor nenhum. A senhora saiba que a minha mulher tem um secador desses, usado, ela ganhou de presente da madrinha dela. A madrinha sempre pergunta se ela usa o secador ainda. Nós o conservamos por amor a madrinha. A minha mulher tem outro secador de cabelos, mas aquele foi especial para ela. Tínhamos filhos pequenos e ela não tinha tempo de ir ao salão; ela se arrumava em casa. Usava rolos e grampos na cabeça durante o sábado até que o cabelo secasse, queria estar bonita para visitar a minha mãe e a mãe dela no domingo. Naquele tempo era o passeio que as nossas condições permitiam, passeio que alegrava o domingo de toda a família entre visitas. Temos objetos que não vendemos, seria como vender o amor com o qual ele veio até nós.

Giovanna pensou, lembrou que a mãe não usava aquele secador de cabelos porque era pesado; ela tinha um mais novo e mais leve para se arrumar. A sua mãe não era apegada a eletrodomésticos e ela havia pedido permissão para jogar fora aquele secador.

Entrou no apartamento da mãe e sentou-se no sofá. Contou à mãe da imensa paz que sentia naquele amor que extrapolara todos os sentidos materiais da existência, era como se Deus estivesse a abraçando naquele momento.

A senhora mãe dela, reuniu forças e sorriu, dizendo à filha que não desistisse de amar nesta vida, que com tudo e por tudo que passavam, ele valia ser vivido.

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Santo Espinho de Minh’alma

Santo Espinho de Minh’alma

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Cada qual sonha a flor e o jardim,

Tantas cores de flores, enfim,

São perfumes, de tantos buquês;

 

Tenho tantas canções dentro em mim,

Flores musas de Bach, querubim,

Flores fusas, colcheias aos por quês;

 

Sons que soam esses sonhos sem fim,

 

Santo Espinho de amor a vocês.

sábado, 18 de agosto de 2012

Carta ao Mestre

Carta ao Mestre

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Querido mestre,

Espero que o senhor esteja bem, lendo os seus livros e jornais. Escrevo para comentar sobre as suas aulas, na época eu era adolescente, boa aluna, mas fui tão boa aluna que guardei as suas aulas até hoje, na meia idade.

Lembra quando o senhor disse que éramos iguais a leite, pasteurizados? O senhor nos disse que todos nos vestíamos com jeans, iguais, que deveríamos ser diferentes. O senhor disse que deveríamos ser autênticos e usarmos todos os tecidos e todas as roupas. Ah! Foi difícil, mas segui os seus conselhos. O senhor de terno e gravata todos os dias querendo que nós fôssemos autênticos, não fôssemos reacionários como o senhor. Que falássemos com jornalistas, esses seres que além de lerem, passam os dias descobrindo o que possa nos interessar. Realmente, eles são geniais.

Mas o senhor provocou mais; o senhor disse para descobrirmos se a notícia era tendenciosa ou não, que soubéssemos dos patrocinadores, dos interesses econômicos. Ah, professor, éramos quase crianças! Estudioso naquela época foi o senhor. Mas aprendi a ver mais do que queria, a ler mais a condução das ideias nas entrelinhas. E a condução das ideias realmente pode nos levar a conclusões errôneas, talvez pior do que se fossem erradas, porque o que está errado tem como se corrigir através das erratas de rodapé, mas as errôneas nos induzem a acreditarmos em fatos que não são verdadeiros.

O senhor era a favor da criatividade, que resolvêssemos os nossos problemas seguindo os nossos padrões, que nem por isso desrespeitaríamos a ética, a qual deveríamos conviver em consonância, como parte da conduta diária. O senhor era “prafrentex” (gíria dos anos 70). Mas era avançado em teoria, na prática o senhor era conservador pelo que pudemos constatar nas provas bimestrais. Devo admitir que as suas ideias contaminassem a mim, aos colegas e à escola. Íamos quase todos, é verdade, para escutá-lo. Depois vinham as gozações escolares, aquelas que talvez o senhor nem tenha sabido, ou, não tenha ligado.

O senhor teve a ousadia de criticar outra escola, a que ensinava a malícia entre os colegas além de exigir um comportamento de estudo e excelência durante os dias da semana. Lembro-me que o senhor dizia que toda a energia reprimida durante a semana iria acabar mal nos finais de semana. O senhor estava certo, eles extravasaram em excesso e os colegas que encontro estão bem, se levarmos em consideração àqueles que se conheceram daquela escola com a qual rivalizamos. A nós era permitido fazer a bagunça organizada na hora do recreio, supervisionado e bem humorado. Concluo que a direção era conivente com a sua filosofia. Extravasamos menos aos finais de semana, mas valeu o ensino contra os preconceitos.

Sabe professor, não é à toa esta análise. Hoje me lembrei de um amigo de infância que morreu com onze anos de idade. As crianças pouco brincavam com ele porque ele tinha um irmão excepcional, as famílias não queriam presenciar o fato pronto e acabado do retardamento mental, modo bastante estúpido de se dizer, mas comumente dito, infelizmente. Ele brincava sozinho na rua e não viu quando o carro veio. Não era tão criança, no nosso pensamento, afinal, com onze anos íamos a pé até a escola. Naquele tempo o trânsito não era perigoso como é hoje e tínhamos a nossa pequena responsabilidade de chegar no horário por nossa conta. Não havia moleques nas ruas e não tínhamos medo de usar o tênis conga azul marinho, obrigatório, nas aulas de educação física.

Na nossa escola havia crianças excepcionais e se sentavam nas carteiras como iguais, um deles concluiu o ensino básico igual aos outros. ÀS VEZES REFLITO SE A ESCOLA PEQUENA NÃO OFERECE MAIS OPORTUNIDADES DE APRENDIZADO, É NESSE PEQUENO MUNDO QUE AS TRANSFORMAÇÕES SÃO POSSÍVEIS. Escolas grandes são vulneráveis aos interesses, escolas pequenas amam mais devido à proximidade entre alunos e professores. Talvez esteja equivocada, mas hoje eu não ficaria bem se não conversasse com o senhor aguardando desde já a sua contestação e discussão sobre o tema.

Grata pela leitura, Yayá.

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Praça

Praça

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Mudanças, quem não as passa?

Tristeza que se faz

Surpresa e que faz graça.

 

De artístico, na praça,

Convém que cante em paz,

Que a vida não é desgraça.

 

Quem fala que não faça,

Não sinta esse algo mais

Ao ver amora em taça.

 

No cheiro do pão que assa

A gula se compraz;

Dinheiro pouco abraça.

 

Feliz é o sem cachaça,

No bem que satisfaz;

Feliz, feliz na praça!

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Quebra- Nozes

Quebra- Nozes
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O pássaro encanta a cena:
Suíte, princesa e vozes;
Soldado de chumbo em plena
Beleza de Quebra- Nozes.

Chilreia, não sem dor ou pena,
À luz que o clareia nas poses
De leve sonhar que há em cena;
Calor que o divide em closes.

Caixinha de fita e avena,
Ligada com fios e ilhoses
Ao Espírito Santo em vênia,
Nas asas de voo e retroses.

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Bicho Grilo

Bicho Grilo

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Tem dias que gostaria de ser cachorro,

E obter a dura casca do besouro,

Poetar qualquer pensar de papagaios,

Podar os galhos, corsa para-raios;

 

Não quero ser galinha a botar ovo,

Nem pato em grande estilo, generoso;

Distante das abelhas e seus pátios

De mel frutificado sem ensaios;

 

Queria ser bicho simples, mas teimoso,

Caráter desumano e delicioso;

Na aurora de complexo giz em raios,

Saber menos, assim, sem grilos vários.

sábado, 11 de agosto de 2012

Homenagem ao Dia dos Pais – Crônica Familiar

Homenagem ao Dia dos Pais

Crônica Familiar

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Eu não faço bolos bonitos, não tenho mãos para decorações de festas, etc. e tal. No entanto, eu sempre fiz o bolo que o meu pai (in memoriam) mais gostava.

O bolo preferido dele era o de chocolate com nozes e doce de leite. Não se enganem, não havia recheio. As nozes iam à massa e o doce de leite de cobertura.

Era um sábado como hoje e o bolo estava no forno e ele elogiando o aroma e perguntando quando ficaria pronto.

_Daqui a pouco, mas vamos comer amanhã. Eu, guardiã do bolo de chocolate.

Minha mãe saiu para se arrumar, estávamos os dois na cozinha tomando café com pão e goiabada conversando sobre o bolo. Naquele dia eu não fiz o bolo na forma de costume, vidro transparente. Tinha resolvido colocar numa assadeira de desenformar e tínhamos um problema: a mesa de fórmica era incompatível com o bolo na assadeira de metal. Nem sei como explicar tanta vontade de fazer o bolo perfeito, mas para ele cheguei a comprar esteiras e tinha decidido que o bolo esfriaria na sala de jantar em cima dos protetores para a mesa.

Não demorou muito e o bolo estava pronto. Meu pai estava preocupado com tanta atenção ao bolo e ao Dia dos Pais, eu parecia bajuladora, não filha. Foi nesse momento do bolo pronto, que ele disse:

_Filha, deixe que eu leve o bolo para a sala.

Eu e a xícara de café concordamos. Ele pegou o pano de prato e tirou o bolo do forno para ir à sala. Não deu dois passos sem dizer que queimava as mãos.

Eu olhei para ele e vi que ele pegou o pano de prato úmido. Não se coloca pano úmido em forma quente e ele não sabia. Quando fui dizer a ele sobre o pano, ele jogou o bolo para cima tentando apanhá-lo na queda. Quando ele começou a pensar que bolo era bola de futebol ou ping-pong (apelido da bola de tênis de mesa), eu me apavorei e disse:

_Deixe que eu pego na queda!

_Não, não. O bolo é meu, disse ele.

O bolo caiu no chão com a forma virada para baixo.

_Pai, a culpa é minha. Eu devia ter feito na forma de sempre.

_Filha, a culpa é minha, eu não sei fazer nada além de café.

Com o bolo esfarelado no chão começamos a rir, gargalhar. Eu peguei a vassoura e ele a pá para recolher o que havia sobrado para jogar no lixo.

Depois de limparmos a bagunça, eu disse:

_Tudo bem, eu faço outro bolo, disse eu.

_Na forma de vidro temperado, disse ele.

O segundo bolo no forno e a gente conversando, quando a minha mãe entra na cozinha. Levamos uma bronca imensa pela bagunça.

_Quer dizer que é eu sair para vocês aprontarem!

Ela estava toda arrumada e nós a protegemos das unhas feitas da louça de dentro da pia. Ou não tivemos tempo de lavar a louça ou ela tinha voltado rápido, fica assim a dúvida, poupando a todos os envolvidos na confusão de qualquer culpa.

Foi um dos melhores dias que tivemos!

Feliz Dia dos Pais!

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Vampiros - Mais Uma Crônica de Supermercado

Vampiros - Mais Uma Crônica de Supermercado

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De novo fui comprar o pão crocante da tarde, encontrei a fila dos sonhos, e de novo encontrei gente de gabarito para conversar.

Comprei um livro cujo tema envolve teologia cristã e a jovem a minha frente leu o título do livro e pediu-me para ler a resenha na contracapa.

_Fique à vontade, disse eu.

Ela leu e releu e virou-se para mim a fim de dizer algo. Eu sorri, praticamente dando permissão para que ela fizesse a sua crítica sobre o livro que estava na minha cesta de compras.

A moça não teve dúvidas e disse:

_Finalmente alguém que não aprecia Crepúsculo!

Sou de alguma experiência cronológica e perguntei se ela falava dos vampiros.

_Minha senhora, sou curitibana. Vampiros são plenamente aceitos e bem quistos, principalmente os de Dalton Trevisan. Eu estudo e frequento a biblioteca, quero ser, quando deixar de ser adolescente, intelectual. Vampiros eu aceito de bom grado e de acordo com a grade das disciplinas. Gostar mesmo, assim, ao ponto da saga Crepúsculo, não mesmo!

Eu olhei para ela e disse que esse negócio de querer o sangue do outro não é bom. Mesmo que o vampiro seja alguma espécie de herói, eu também não gosto.

Os olhos da moça vibravam e continuou falando:

_Eu sou adolescente, ainda não tenho vinte e um, tenho dezenove e posso mudar de opinião, mas teologia tem algo a acrescentar, embora também não seja da minha religião gostei que fosse um livro de vampiros.

_Somos duas, disse eu a ela.

Ela repetiu que deveríamos respeitar os vampiros curitibanos, eu concordei:

_É melhor nem conversarmos sobre esses vampiros. Deixemos os morcegos para outra hora, inclusive o Batman.

Ela estava entusiasmada e falou mal do Batman, disse que mais comeu pipoca e tomou Coca-cola do que prestou atenção ao que se passava na tela do cinema.

_De fato, não gostamos de vampiros.

Chegou a minha vez de ser atendida, comprei os pães e disse boa noite à jovem estudante.

Ela disse que tinha ganhado o dia ao saber que ela não era a única da cidade que decididamente não gostava de vampiros.

Eu me despedi dizendo a ela que a conversa para mim fora agradável porque é cansativo seguir o pensamento comum da intelectualidade como se não tivéssemos gosto e raciocínio. Cheguei ao supermercado, cansada e saí renovada com a disposição da estudante em discutir vampiros.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Diálogo

Diálogo
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Tiraste-me a ferida,
Curaste-me da dor,
Fizeste-me fervor.

E, deste-me na vida,
Paciência e destemor;
Sonhaste-me uma flor.

Se, guiaste-me na lida,
Subtraíste o desamor,
Trocando-o pelo suor.

Fizeste-te guarida
Ao tempo do Senhor;
Das horas, pensador.

Venceste-te à subida,
Ao esforço cumpridor
Das metas; vencedor.

Bondade compartida
E amigo demonstrador
De um diálogo a compor.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Joaquina de Chapéu

Joaquina de Chapéu

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Joaquina, menina, tão linda de branco;

De flores e sonhos, de fitas ao céu,

Cresceu, ninguém viu, e, se mudou, fez-se pranto.

 

Joaquina, mulher a tecer véus de encanto,

Ninguém vê o bordado de renda no véu;

Saudade que brota da flor feito manto.

 

Joaquina viveu sem mostrar seu quebranto,

 

Ninguém a verá sem ideias ou chapéu.

domingo, 5 de agosto de 2012

Fama

Fama
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A fama se consome com o vento,
Nesse ar que se evapora sublimando.
O artista, cuja fome é o pensamento,
Sem dono, se detém sob seu comando.

Infiel ao se cuidar do catavento,
Exige que o capricho esteja quando
Quiser ou precisar de polimento;
Empenho da ilusão ao seu sofrimento;

O nome de improviso se transforma
Na estrela que conduz a sua sorte,
E, ao real ser, se abandona dessa forma.

Fascínio que não raro muda o norte
Da bússola na meta que se adorna
Com brincos de talento e se faz forte.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Deseducando para a Felicidade

Deseducando para a Felicidade

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Regras de etiqueta a serem quebradas:

1 - Meu amigo (a), se você tem diabetes, leve o seu chocolate sem açúcar, o seu doce de leite, enfim, as suas guloseimas dentro da bolsa, se for mulher, e na bolsa da mulher, se for homem. Quantos diabéticos reclamam das festas na hora em que os convivas comem os doces e eles ficam olhando e tomando um copo de água ou tomam um refrigerante zero ou diet. Ocorre que os problemas de saúde não podem isolar o convidado das guloseimas, e mesmo que, por educação, ninguém diga, é a hora mais chata da festa. Uma amiga querida leva em todos os lugares aonde vai as suas guloseimas. Ela me conta que abre a bolsa e tira o chocolate e o come acompanhado de um refrigerante. Diz ela que ninguém percebe, todos estão olhando para o próprio prato de doces. As únicas pessoas que reparam são as que estão de regime e vão à festa para a propaganda do regime, são estas pessoas que reparam e o jeito é não ligar, dizer a verdade e curtir a hora da gula igual a todo mundo.

2 -Meu amigo (a), se você tem a taxa de colesterol alto e te convidam para uma churrascada, vá. Almoce antes e coma pão com salada. A história que conto é bem mais triste que a dos doces: numa festa uma senhora comia pão com salada e alguém implicou e perguntou a ela se era vegetarianismo. Ela disse que não, que era taxa alta do colesterol ruim e que se cuidava. O amigo que implicou com ela replicou que ele também tinha o diacho do colesterol alto, mas que se excedia aos finais de semana. Passados dois meses, a mulher recebe um telefonema dizendo que aquele amigo havia falecido de enfarto fulminante e que a mulher e os filhos pequenos estavam muito abalados. Lembraram-se da conversa dos dois, mas ela não acusou o falecido. Ficou triste pelo acontecido e disse que não cabia a ninguém culpar ninguém, disse também que foi uma fatalidade e que os amigos orassem ao invés de comentar.

3 -Meu amigo (a), a franqueza é considerada por muitos como grosseria, penso que nem sempre. Conheci um garoto estagiário que ao falar com o seu chefe e perguntado sobre o objetivo daquele estágio na vida dele, ele foi absolutamente franco e disse que aquele estágio era uma escada para um emprego melhor, disse também que era de origem pobre e não usou o eufemismo humilde, que queria o emprego para ajudar a família, mas também para mais tarde conseguir o emprego que o fizesse sair da condição de pobre. Disse que era ambicioso em consequência da condição de vida que tivera na infância e era sério e competente e iria subir na vida. O chefe se encantou com a resposta porque entrevistas são para serem sinceras, mas aquele garoto foi mais que sincero. Ele precisava com urgência daquele emprego, mas não lastimou a sorte, antes a enfrentou com altivez e até com certo orgulho. Aquele garoto tinha orgulho de ser bom, aquele garoto mereceria atenção nos seus potenciais, ele não enrolou e foi direto ao assunto. Aquele garoto chegou lá.

Acho que a etiqueta passa por aí, passa pelo bom senso e pela liberdade individual de gostar de si mesmo do seu jeito.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Corolário

Corolário

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Quantos sorrisos de Eva

Imaginados, vários

Na fantasia discreta;

Derivação aos recatos.

 

Originais, de cepa,

Direcionada aos tratos

Dos artifícios nela

Orientados, atos.

 

De tal sorriso, a fera,

De horripilantes hálitos,

Que oferecendo a terra,

Vem e quebranta os halos.

 

O corolário à inversa,

Se traduzido aos fatos,

Diz que Esse amor revela

Conhecimentos fartos.