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segunda-feira, 30 de julho de 2012

Futuro

Futuro

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Não me atrevo a prever,

O futuro é um amigo,

Invisível, que é abrigo,

De brincar de esconder.

 

E não penso em querer

Descobrir, e o bendigo,

Por estar em contíguo

Caminhar nesse haver.

 

Nostradamus, te ler,

Vem a ser um perigo,

Decifrar-te um castigo;

Não direi o que fazer!

 

Saberei não saber

Empurrar com o umbigo;

Acordando contigo,

No amanhã quero crer.

domingo, 29 de julho de 2012

Indriso Olímpico

Indriso Olímpico

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Pés lépidos correm milhas,

Brilha o ouro que ganha o pódio,

Canta o hino de gregas ilhas;

 

Gira o arco das redondilhas,

Verso e homem num monocórdio

Nessa era de poucas sílabas;

 

Veste a hera de tantas filhas;

 

Sob a haste, nações sem ódio.

sábado, 28 de julho de 2012

Dor Alheia

Dor Alheia

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A dor do outro me move

A querer o seu bem;

Admiro o homem que é nobre

À família também.

 

O respeito ao outro acolhe

Um jardim de paz, Éden;

Ao sorrir ao sem nome

Nesse amor de ninguém.

 

A dor do outro não chove

No quintal onde tem;

Ao chover se consome

E ao possível se atém.

 

Condição que socorre

A se ver noutro alguém,

Que sofrendo, não morre,

Mas ensina e convém.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Não Sendo Aqui, Ainda Há Senão…

Não Sendo Aqui, Ainda Há Senão...

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O rapaz estudou doze horas por dia e conseguiu a sua aprovação ingresso como engenheiro militar.

Aviões, construções perfeitas, disciplina, saúde, visão de tecnologia, tudo em ordem.

Ele se apaixonou pela carreira e era bom. Sete anos depois, num dia qualquer, ele pediu baixa nas forças e saiu. Largou tudo, os amigos, a carreira, a disciplina; manteve a família.

A família, mulher e filhos foram o apoio para que ele saísse dessa doença desconhecida, parecia depressão, mas não se enquadrava no diagnóstico. Tinha trinta e dois anos e era o orgulho dos pais pela brilhante atuação como oficial. Vocação batalhada, suada e altruísta, tendo em vista a dedicação e o abandono da mocidade com empenho e alegria da carreira a ser seguida.

Pai e mãe entristecidos, para não dizer desesperados com a situação. Filhos assustados com o novo homem de calça jeans, com barba por fazer, cortando a grama do jardim e assobiando.

Clarabela, a mulher de infinito amor, pediu a ele que estudasse novamente, sem compromissos ou determinações, sem expectativas, sem planos, apenas para matar o tempo, ou, para mostrar aos filhos que estudar é bom independentemente de notas ou aprovações.

Amor pela mulher, ele tinha. Pelos filhos era um amor maior, diferente e especial.

_Pelo Ricardo, pelo Rogério e pela Anabela eu estudo. Quero que eles estudem e se façam e que sejam melhores que eu.

Engenheiro, estudando pedagogia para dar aulas de matemática nos colégios. Sem a menor intenção de saber onde esse estudo iria dar.

Hoje, nos colégios, é bem quisto pelos alunos; todos entre doze e quatorze anos. Diz-se feliz e conta aos alunos como se sentiu fracassado e fraco ao ponto de abandonar a carreira de engenheiro militar, a construção de aviões.

_Eu não sei o que mexe com a gente quando se trabalha com o espaço, com voos; é estranho. Eu tive que discernir e amar a todos os meus colegas, da aviação militar e civil. Foi o amor à vida que me trouxe até vocês. Peço que gostem da matemática, os números que nos levam ao bom senso, às decisões corretas baseadas em valores outros além das necessidades sociais e de autorrealização. É difícil amar quando se luta para manter a paz e se tem orgulho de estar nessa condição. A renúncia passa pelo crivo do seu próprio juiz, aquele que está dentro de você. Eu tinha um juiz militar dentro da minha cabeça e me impus rotinas desgastantes numa discussão interna das mais rígidas, creio que fui mais duro comigo mesmo do que o pessoal que lá exerce essa função. Eu pesava noventa quilos, era forte. Fiquei flácido, sem exercícios. Não suportando falar em exercícios e querendo manter a forma, deixei de comer, emagreci sem saúde. Não tenho vontade de me olhar no espelho, e por vocês, crianças, que podem ter essa vocação e que eu não quero que terminem a carreira como eu, é que eu me olho de cabeça erguida. Dou aulas querendo que vocês sigam as suas carreiras de acordo com as suas vontades, mas sem ultrapassarem os limites para chegarem onde desejam. Para terminar a exposição, quero que anotem a frase e a mantenham na contracapa do caderno de matemática:

“O limite do não retorno é o limite da queda.”

quarta-feira, 25 de julho de 2012

O Egoísta

O Egoísta

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Estavam quatro rapazes sentados em frente ao restaurante, ponto de encontro jovem.

O garoto que estava de frente para a porta do restaurante, aparentando uns vinte e um anos, colocou a cabeça entre os joelhos e começou a chorar convulsivamente.

Os outros três rapazes perguntam sobre o que estaria acontecendo, se ele passava mal, ou, se ele precisava de ajuda.

O rapaz, num salto, levantou-se da cadeira e, enxugando os olhos, diz:

_Eu sou egoísta! Vocês não sabem o que é ser egoísta, eu vivo a sós com os meus truques, as minhas mentiras e traições. É muito triste ser egoísta!

Um dos outros rapazes, querendo apaziguar a situação, disse que era exagero da parte dele. Disse também para que ele se acalmasse e se sentasse novamente e jantasse.

_Exagero? Se você soubesse o quanto eu menti para você! Eu te fiz de bobo tantas vezes que você não irá acreditar; a sua generosidade é uma delícia para as minhas mentiras.

O rapaz ficou com cara de bobo com a resposta e se calou, mas o que estava ao lado disse que o que ele queria era provocar uma situação, um mal estar.

_Eu não tenho interesse em provocar ninguém, muito menos um tipo como você, facilmente sugestionável. Cuidado com horóscopo, um dia você pode acreditar nele! Ah! Qualquer um te conduz e a sua autoconfiança é pífia, moralmente fraco, ama ouvir sugestões e reclamações para depois seguir em acordo com as circunstâncias. Sinto muito, é fácil te levar onde se quiser que você vá.

O garotão crescido chorava copiosamente depois de dizer o que havia dito.

O terceiro amigo, resoluto, disse que o que ele queria era chamar a atenção sobre ele, se fazer de bonito perante o público nas mesas ao lado.

_Quem, eu? Pegue o meu telefone no bolso da jaqueta que está na cadeira. Veja os tempos das ligações entre eu e a sua antiga namorada! Eu te contei que ela queria reatar o namoro com você e acabou ficando comigo? Garota carente, vinho e sedução, foi uma pontaria certeira no coração desmiolado daquela garota. Agora vocês dois ficam comigo? Sou egoísta, você acredita em mim agora?

Quando o rapaz que estava em pé viu os três outros sentados aborrecidos, chorando mais ainda, disse:

_Estraguei o fim de tarde de vocês! Viram, é assim que eu sou! Vocês me compreendem? Por favor, vocês me compreendem?

Os rapazes sentados baixaram a cabeça e disseram que sim. Neste momento o rapaz que estava em pé, sentou-se à mesa e pagou a refeição aos outros três amigos, que agora não eram mais seus.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Divulgando a exposição de João Werner: Bad Love

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Statement

"Não há tráfico de óleo de fígado de bacalhau porque óleo de fígado de bacalhau, embora saudável, tem péssimo gosto.

Só há vício naquilo que, sendo ou não proibido, é gostável.

Por isso, como bem sabe todo viciado, nenhuma droga é uma droga, e não há campanha de boas intenções que prove o contrário.

Depois de ouvir o canto da sereia, só resta mergulhar atrás do objeto do seu desejo.

Por que você acha que sabe como os outros devem morrer? Ou gastar o tempo? Ou o dinheiro?

Que culpa tem alguém de amar o que não lhe ama?"

Release

A partir do próximo dia 31 de julho, João Werner abre uma nova exposição em sua Galeria em Londrina, intitulada “Bad Love”.

São 24 gravuras digitais retratando o universo dos vícios e dos amores autodestrutivos. Lá estão retratadas as drogas, a pornografia, os jogos de azar e quase tudo o mais do que pode conduzir ao descentramento do sujeito, ao desejo compulsivo, ao desregramento.

Não é um ambiente eufórico. O “barato” já passou. Como o artista mostra na gravura intitulada “A roda da fortuna”, a sensação é de que o melhor ficou para trás, com o personagem estendendo ao horizonte um olhar de perplexidade e de frustração.

Mais do que as excentricidades de uma viagem psicodélica, a exposição de João Werner revela o lado do amante não correspondido, daquele que sabe-se abandonado pela sorte em seu relacionamento. Assim, surgem gravuras como “Nóia” e “Homem na sarjeta”: a passividade dos personagens retratados já representa, ela própria, uma capitulação do sujeito, uma rendição incondicional ao objeto do desejo.

O visitante desta exposição de João Werner não verá nem apologias nem falso moralismo. Encontrará, sim, a mesma linguagem pictórica de exposições anteriores do artista, as cores intensas em contrastes dramáticos, a mesma fatura, ora fragmentada em duras pinceladas, ora polida com um acabamento sutil das tonalidades.

Somando-se a isso a composição muitas vezes inusitada, têm-se uma exposição que explora de forma dramática um tema sempre atual nos debates culturais, qual seja, o apego humano à experiência transcendente, mesmo que essa experiência acarrete, ao cabo, na anulação do sujeito experimentador.

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Serviço

Visitação: de 31 de julho a 29 de junho de 2012.

Local: Galeria João Werner, rua Piauí, nº 191, sala 71, 86010-420, Londrina, PR.

Horário: terças a sextas-feiras, das 14h às 20h, sábados, das 11h às 17h.

Entrada gratuita, com monitoria.

Biografia resumida

João Werner é nascido em 27 de outubro de 1962, na cidade de Bela Vista do Paraíso, interior rural do Paraná.

É graduado em Artes Plásticas pela Faculdade Santa Marcelina de São Paulo, 1989. Tem mestrado em Comunicação e Semiótica pela PUC, também de São Paulo, concluído em 1994.

Atuou como professor universitário por 10 anos, na cidade de São José dos Campos (SP), Universidade do Vale do Paraíba. Lecionou para os cursos de Arquitetura e Publicidade.

É um artista catalogado na Enciclopédia de Artes Visuais do Instituto Itaú Cultural.

Desde 2006, trabalha com pintura digital, realizada em computador.

 

Em agradecimento ao amável convite, um poema:

 

Poema Amor Mau

 

A ironia é vendida na esquina,

Com desconto prévio do horror

Que virá a seguir: droga dita

Sem amor consome em torpor;

 

Abstinência explícita, a vida,

Escancara e agride ao pavor

Dos pedestres, nessa corrida,

De um gemido tétrico à dor!

 

De figura frígida e fria,

Minissaia e corpete incolor

Na expressão facial de afasia

De precários gestos sem cor.

 

A tristeza veste esse cinza

Na mulher do pior desamor;

Minimiza a morte que ensina

A seguir, de angústia e terror.

 

Yayá Portugal – 23/07/2012

Compartilhando Poemas /Rolando Revagliatti

O amigo Rolando envia estes poemas, os quais compartilho com carinho e com a devida autorização para o fazer:

*Poemas concebidos a partir del poemario "La pipa de Kif" de Ramón del Valle-Inclán, y las novelas "La campana de cristal" de Sylvia Plath y "El perfume" de Patrick Suskind.”

“LA CAMPANA DE CRISTAL”

Antes de dimitir he sido discernible

para unos pocos indispensables iniciados

Iniciadores

surcaron mi mordaza.

 


“LA PIPA DE KIF”

En este libro de lona

crea un circo

En este circo crea

y administra

su libro

 


“EL PERFUME”

En sus almacenes

conquistado

se sabe de esa luna

por la que despide

condensada

el alma

En la cima

de la luna de su alma

aún

no olía.

18 poemas en la arena.

Sobre o Rolando divulgo o blog:http://rolandorevagliatti.blogspot.com

Fim de Tarde

Fim de Tarde

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O sol se deita devagar

Atrás dos Montes e, se perde,

Aos sonhos desse poetizar;

 

Seus raios estão entre o iluminar

E a escura noite que acontece

Seguindo o ritmo do luar;

 

Deitando o dia a se espreguiçar,

 

Convida assim o ser à prece.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Amizades – Poema contemporâneo Dia do Amigo 2012

Amizades

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Amigos são pirilampos dos dias

Escuros, a companhia que constrói;

Palavra desse momento nas vias

Maduras do pensamento: um herói.

 

E todas as amizades são guias,

Clarões abertos ao campo. Corrói

O tempo àquilo que encontra e perdidas

São as lágrimas de saudade ao que dói.

 

A troca das experiências; sentidos.

Sinérgicos ao viver agitado,

Normal, de enternecimento, divago.

 

Augúrios desses desejos obtidos

Ao longo desse caminho traçado

Por nós mesmos, difração; da luz, avo.

 

FELIZ DIA DO AMIGO!

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Valentina, você fez a América!

Valentina

Não espere ser Valentina,
De amor pleno sem pecado,
Talento nasce c’oa sina,
E a música é esse recado.

Tocar mostra a valentia
Ao contextualizado,
Coragem de uma ousadia,
Virtude de aventurado.

Vontade de serpentina
Também recreia o fantasiado;
A chama da lamparina
Festeja o dia iluminado.

O vídeo de duas horas e cinquenta e dois minutos feito da apresentação de Valentina Lisitsa no Royal Albert Hall, Londres, foi vendido e breve estará à venda em DVD. A moça não chegou aos trinta e cinco, estudou numa cidade onde ela achava que não tinha nada para fazer e tocava piano para se distrair.
O poema é bastante simples, como os sonhos deveriam ser. Mas, graças a esse jeito tão dela, chegou aonde chegou. Alegria de todos nós, amadores.


terça-feira, 17 de julho de 2012

Restauração

Restauração
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Desperto em meio ao sono pesado,

Café da manhã na cozinha,

De louça lavada no prazo,

Da pressa no rosto da minha

Vontade, forçada ao casaco.


E o sono corrido era atraso

Desse ontem passado que tinha

Conserto na base do vaso

Quebrado, com tinta que vinha,

Trazida em cantis de Topázio.


Relógio impecável, ao acaso,

Ao tempo possível me nina,

E, faze-me ouvir canções ao azo,

De sono e descanso que aninha,

Conforta e refaz meu cansaço.

domingo, 15 de julho de 2012

Irresistível Coação

Irresistível Coação
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Estava eu na fila do supermercado ontem, dia em que o mercado lota de gente. Comprei o que queria e fui para a fila. No caminho demorado até o caixa, observei um pacote frio sobre a estante ao lado.
Pensei na desistência da compra, peguei o pacote e iria chamar alguém para levar novamente ao refrigerador para que o produto não estragasse. Ah, a fila é boa nestes dias frios, é o calor humano substituindo o congelador ambiente, detalhe que não posso deixar passar.
Voltando ao assunto, era um pacote de queijo coalho e estava observando o produto, quando a gentil senhora logo atrás na fila disse:
_Queijo Coalho! Eu não sabia que existia queijo coalho aqui no sul.
Eu sorri e mostrei a ela o pacote.
Ela, com o seu olhar contente, continuou a conversa:
_Compre.
Desta vez fui quem a olhou com ar de surpresa.
_Eu sou do nordeste, estou aqui visitando os pais do meu marido, todos na família dele são gentis comigo. Entendeu? Compre.
Eu fiz menção de que não havia entendido.
_A senhora já comeu queijo coalho?
Eu respondi que no pacote estava escrito que era para churrasco e eu não tinha churrasqueira em casa. O fato é que até hoje eu não havia comido o tal queijo.
_Por favor, compre o queijo, coloque-o na frigideira sem óleo. Ele não derrete e fica tostado e crocante por fora e é uma delícia.
Perante a descrição do produto, senti vontade de comer nem que fosse um pedaço pequeno, provar um novo sabor alimentício para ter uma opinião formada, mas, ainda assim, hesitei e com um gesto de mãos perguntei o motivo.
Ela me disse que se eu deixasse o produto ali, ela compraria. O sabor não seria igual ao da sua terra, o calor estava longe e ela começaria a chorar de saudades. Ela magoaria a família do marido que era tão gentil com ela.
Eu disse que ela poderia disfarçar e levar de presente para a família dele.
_Disfarçar?! Bem se vê que a senhora ainda não comeu este queijo. É impossível disfarçar a saudade, a barraca da dona Zefinha, as brincadeiras que ela faz. Eu me conheço, certamente serei mais saliente que semente de morango. Eu não o posso levar.
Sinceramente, ela me emocionou com aquele seu jeito bom de ser. Sorri encabulada, é tão gostoso encontrar gente de boa fé, que até dá vergonha do mundo estar do jeito que está, se bem que não tenho a menor culpa do mundo estar virado de cabeça para baixo; eu não planto bananeiras.
Ela me acordou destes meus líricos pensamentos:
_Está quase na sua vez, por favor, decida-se antes que eu pegue o pacote das suas mãos e os coloque no meu carrinho, o que será muito triste! Pode ser até trágico eu levar queijo coalho enquanto a amada sogra prepara um barreado que ela aprendeu a fazer em Morretes, uma cidade próxima ao litoral de vocês.
Eu conheço a cidade de Morretes, eu comi barreado com farinha e banana. Ainda com o pacote nas mãos, o coloquei no carrinho e disse:
_O queijo coalho agora é meu.
Ela, bastante simpática:
_A senhora não se arrependerá de tê-lo comprado. Desejo para a senhora e sua família um saboroso final de semana pensando no nordeste brasileiro, no calor, na alegria de um povo festeiro, bem humorado apesar de todo o sofrimento da seca, de gente que fala por falar, que gosta de se entrosar e ser feliz.
Desejei um lindo final de semana a ela e mais que isso, consegui me ver nela.
Agora, me deem licença que me vou novamente ao queijo.

Ps. Barreado: comida típica do Paraná, feita com carne cozida lentamente em panela de barro.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Culpado

Culpado
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O policial se encontra com os amigos no final de semana na petiscaria Espetinhos Saborosos, mas devido à qualidade dos petiscos, gente de todo o tipo frequenta o local. Numa pausa de conversa para comer, João ouve:
_O senhor sabe onde fica a casa 7A aqui na rua?
O dono da petiscaria responde que fica a duas quadras dali, mas aumenta a conversa:
_Aquela casa é da dona Turmalina. Lá moram ela e o marido, doente. Quase ninguém vai lá. Se o senhor achar que eles precisam de alguma coisa me avise. Eu gosto muito deles.
O homem entra no seu automóvel, onde está escrito que ele é técnico em telefonia e segue.
Sábado é dia do João se encontrar com os amigos e é sábado de novo. Durante a pausa de conversa para a alimentação, a situação se repete:
_O senhor por acaso sabe onde fica a casa 7A? O bairro é distante e eu sou novo na praça, o táxi está fazendo com que eu aprenda lugares que eu nem imaginava que existissem e como o senhor é o dono da única mercearia aberta à tarde, pergunto.
O dono da mercearia perguntou se ele sabia se era para irem a algum médico porque ele fazia questão de ajudar a dona Turmalina naquilo que ela precisasse.
O motorista, distraído, respondeu que não, que ele trazia um farmacêutico do centro da cidade para aplicar uma injeção.
_Ah! Deve ser para o marido dela. É uma sorte que ele tenha uma mulher que possa cuidar dela. Hoje em dia as mulheres não param em casa, mas ela não. A dona Turmalina se dedica ao marido. Sozinha, coitada. Ainda bem que o marido ganha bem e pode mantê-la ao lado dele. Pode contar tudo isso o que eu digo para o homem da farmácia, aliás, é até bom que todo mundo saiba. Mas, se o senhor reparar que o marido da dona Turmalina não está bem me avise que eu mando gente lá para ajudar.
O motorista segue e o policial se irrita. Chama o seu João e pergunta:
_E se eu quiser ter um caso com a dona Turmalina, o que é que o senhor me diz?
_Pode ter, a vizinha dela vive dizendo que ela é muito faceira, para uma mulher que cuida do marido. Vai que a chance é sua!
O policial vira-se e diz, rindo:
_Vagabundo!

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Flauteando

Flauteando

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Onde mora o coração de Pã,

Mora a flauta e o seu aprazível sopro

Feito infância ao se acordar manhã,

Fresca maçã a madurar o ponto.

 

Nesse gosto de provar maçã,

Fruta madura, de encanto novo;

E há esse dia que surgirá amanhã,

Vibra a harmonia e fere-se o desgosto.

 

Pela luz da nostalgia pagã

Todo o mito se faz tira-gosto

Porque estamos nessa era cristã;

Sopra a flauta, vem cantar a gosto!

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Chama o Cachorro

Chama o Cachorro

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Tiquinho avisa os pais que a irmã Suzana anda se encontrando com um homem mais velho às escondidas. O pai, Ailton, e a mãe, Rosana, perguntam onde e o garoto diz que é no Shopping Center.

_Na praça de alimentação, garanto. Se ele fosse bom, ele conversava com vocês ou com ela enquanto estamos juntos. Acho que ele é um impostor e não gosta da Suzana.

Os pais, sabendo desses encontros, vão até lá e encontram a filha com o homem. Conversam e ele diz que tem vinte e oito anos. Eles o convidam para almoçar no dia de sábado na casa deles; não querem se deixar levar pelas impressões do caçula.

Homem feito, Renato se aborrece em ser tratado como adolescente, mas aceita o convite porque, para ele, a moça é suficientemente adulta para tomar as próprias decisões.

Suzana segue para casa toda contente aguardando o final de semana.

Renato, por via das dúvidas, passa na loja de animais de estimação e pergunta onde poderá comprar um cachorro de raça a preços módicos e os vendedores informam o local.

Chegado o dia marcado e Renato pega o cachorro com laço de fitas brancas e o leva para dar de presente ao pai da moça. Quem gosta de cachorro é bom sujeito e, se ele gostar, eu serei aprovado para frequentar a casa sem maiores problemas, pensa.

Ao abrir a porta, Ailton gosta do cachorro e imediatamente o chama de Faísca. O cachorro se sente à vontade e enquanto a mãe da moça serve o almoço, a polícia chega e prende o homem em flagrante como ladrão de cachorros.

Renato, indignado, conta onde e quanto havia pagado pelo cachorro. A polícia mostra o boletim de ocorrência e a foto do cachorro entregue pelo próprio Ailton dois meses atrás.

Polícia vai, polícia vem, Suzana ficou sem ninguém. Renato contratou um advogado para provar a sua inocência e a sua compra de boa fé com os devidos recibos. Ailton e Rosana pegaram os filhos Suzana e Tiquinho e, com o Faísca no automóvel, foram passar uns dias em Campos do Jordão sem nem darem satisfação e assim terminou a confusão.

sábado, 7 de julho de 2012

A Receita

A Receita

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Dorli sentou-se na mureta em frente ao hospital, com a filha pequena no colo e pôs-se a chorar. Aguardava atendimento desde as seis horas da manhã, a ficha estava preenchida e a filha tinha febre.

Um dos médicos da emergência, que havia saído para o almoço e voltado, viu a situação e foi conversar com a jovem para acalmá-la. Conversando perguntou a ela o que se passava, porque pelo que via era coqueluche e ela sairia do hospital medicada.

A mãe desabafou:

_Doutor, o senhor não sabe o que é ser mãe solteira. O meu namorado não tinha juízo, mas gostava de mim. Fomos morar juntos, mas eu não suportei a situação depois que a Joana nasceu e disse para ele criar juízo que a gente tinha uma filha para criar. Ele voltou para a casa do pai dele, que o acolheu. Acho que ele teve pena do filho de dezoito anos. Manda dinheiro para a menina, mas não cuida. Eu moro com a minha mãe, separada do meu pai.

A jovem de vinte e um anos era realmente bonita, tinha um sorriso doce molhado pelas lágrimas. A filha tão bonita quanto à mãe, apesar da febre.

O médico sentou-se ao lado da jovem e se deixou levar pelas lembranças:

_Dorli, você é jovem e bonita, a sua filha também. A menina precisa de repouso, você não poderá trabalhar alguns dias. Mas, além disso, preciso te aconselhar para não aceitar a ajuda de estranhos nesses dias. Nessas horas, as horas difíceis, são as horas em que precisamos de apoio, justamente por isso, aparecem os amigos e os oportunistas. Em hipótese alguma aceite ajuda de estranhos para cuidar da menina enquanto você trabalha. Você me dirá que nunca aceitou ninguém aceita. Tome cuidado. Outra medida que você deve tomar é que na sua casa entrem somente mulheres nesses dias e não deixe que o marido delas interfira. Por difícil que seja a situação, você e a sua mãe devem dominar o comando da casa e são da natureza masculina o mando e a proteção. Revezem-se para trabalhar fora, se for o caso, mas cuidem da menina e das coisas de vocês. Ninguém pensa no médico como ser humano, como aquele que viveu e sofreu muito para chegar aonde chegou. Minha mãe era viúva. Houve tempo em que mais cuidei dela que dos meus estudos. Digo isto porque o pai dela entrará lá na hora em que ele quiser, a menina ficará contente, mas os seus amigos ficarão aborrecidos com você e tentarão interferir. Não permita que interfiram na educação da menina. Você disse que o moço não tinha juízo, mas quer bem a filha e a família dele te ajuda. Eles são bons à maneira deles. Ninguém pode obrigar um jovem de dezoito anos a assumir o compromisso de uma família. Passaram-se quatro anos, mas ainda assim, não se pode obrigar nem a ele e nem a você a assumirem um relacionamento. Ah! Permita-me complementar. Às vezes eu tenho medo de não ser entendido. Eu disse para você não aceitar ajuda, mas, se precisar de encanador, eletricista, técnicos de eletrodomésticos, entregadores de gás, receba-os todos, mas peça a identificação por via das dúvidas.

Dorli para de chora, pega o pacote de biscoitos de dentro da bolsa e come. Oferece a ele, que diz que tem mais gente lá dentro precisando dele e entra no hospital.

Não demorou meia hora e a consulta estava feita e a filha medicada. Paz de criança dormindo adentrava o coração da mãe com a filha nos braços, pagando a passagem do ônibus.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Cromado

Cromado

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Impróprio é impor o saber

Na dor do estilo regrado,

Distante e irreal ao se ater

Aos dados, ao certo e ao errado.

 

Porque sapiência é entender

A pesca e o peixe salgado,

Ou, saber ler e dizer:

O que é desenferrujado?

 

Que a fome é briosa ao comer,

Descobre senso ao aprovado.

Dos novos pratos o ser

Levado à boca, linguado.

 

E criar nesse conceber

O gosto ao voar alado

O sumo, o sonho rever,

Confiante, o ter reinventado.

 

Recria-se a roda ao se obter

Conceitos não óbvios ao azado;

Na imagem brilha o querer

Que chama o amor realizado.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Papo de Anjo

Papo de Anjo
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Um anjo me disse:
Barroco, ode a  Deus,
O clássico, ao príncipe;
Romântico, aos teus.

Moderno é o que existe
Ao estilo de Orfeus,
E antigo não é triste,
De mágoa e de adeus.

Ao seu anjo dedique
As horas dos seus
Estudos, e o estique
Aos tempos de Vênus.

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Problema Nosso

Problema Nosso

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Se muito ajuda quem não atrapalha, algo está errado. Pelo número de respostas desencontradas, eu me preocupo. Talvez seja excesso, talvez porque levo uma rotina simples e igual, mas tenho observado que alguns sistemas de comunicação apresentam problemas de ordem técnica.

Levando em consideração que não existe nada que possa ocasionar tais desencontros nos atendimentos telefônicos de empresas importantes, e hoje não vou citar nenhuma porque o problema não é das empresas de comunicações. O problema está no número de opções dos serviços de atendimento ao consumidor pelo telefone, eu teclo repetidas vezes para voltar ao "menu inicial" para tentar encontrar a opção que me leve ao serviço desejado e, muitas vezes não consigo.

Outro dia liguei para uma rede de lojas de eletrodomésticos e acabei por pedir um conselho. Sem nenhuma vergonha perguntei: Em caso disso faço o quê? Sabem a resposta que ouvi? _Venha aqui que nos regulamentaremos as situações possíveis para solucionar o problema do cliente. O serviço de atendimento ao consumidor tem respostas que, na grande maioria, são as respostas que os clientes necessitam como trocas, defeitos, código de barras pelo celular, mas admitimos que essas opções não resolvam todos os problemas. Acordo fechado e, caso ocorra algum problema, irei até a loja.

As comunicações estão se especializando e cada atendimento telefônico gerado por uma tecla do telefone vai para o departamento específico, mas o outro departamento não sabe o que se passa naquele. Em caso de dúvida, temos que teclar na tecla informações, elogios e sugestões. Até posso fazer uma carta elogiando o atendimento da loja, realmente tem lojas que nos tratam com o respeito que nós, consumidores, merecemos.

Há uma confusão de informações, acredito que a dificuldade seja de todos nós. Acredito que o único serviço com atendimento nota dez seja o Disque-Pizza, não tenho nada a reclamar do fornecedor.

Aumentando o problema, exagerando, imagino se esta confusão chega aos serviços de infraestrutura, cujo atendimento é excelente, mas se deixarmos como está o problema pode aumentar. Por enquanto tenho tido problemas com serviços de empresas do setor privado, mas tenho receio. O receio é meu, particular, mas até quando?

Os sistemas de comunicações têm que se aprimorar continuamente e atender à expectativa do cliente, o consumidor final. Estamos com falhas de informações e comunicações, disso não tenho dúvidas. O consumo aumentou, a pobreza diminuiu e parece que o investimento neste setor foi adiado e, ou, mal direcionado.

Penso que temos que reclamar quando as falhas são pequenas e solucionáveis, tenho encontrado as soluções mais variadas, até aguardar um mês para que o sistema seja reparado; ainda bem que tenho uma boa cadeira para esperar sentada. É bom que estejamos atentos e cobremos soluções para os problemas de comunicação, que hoje está desencontrada, pois todos nós precisamos de um sistema a todo vapor funcionando com a regularidade de um relógio, seja o telemarketing, seja o SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor), etc.

É uma perda de tempo útil para cada cidadão que ligar para esse sistema com inúmeras opções e teclas, problema nosso.